ARTIGO - Igreja do Bom Jesus das Dores: um patrimônio a preservar

Pe. José Freitas Campos
Do clero da Arquidiocese de Natal
A antiga capela do Senhor Bom Jesus das Dores, situada no bairro da Ribeira, em Natal (RN), em frente à antiga Praça Leão XIII, atualmente denominada Praça Major Teodorico Bezerra, foi construída em 1774 e serviu, inicialmente, como sede da capelania militar do Exército. Tempos depois, foi confiada aos padres franciscanos vindos de Portugal e, em 1913, passou aos cuidados dos padres missionários da Sagrada Família.
Em sua configuração original, o templo apresentava um frontispício de inspiração rococó, com elegante fachada barroca e sineiras incorporadas à estrutura arquitetônica. Posteriormente, a igreja foi demolida e reconstruída, o que modificou substancialmente sua fachada primitiva. Alguns elementos da construção anterior, como as arcadas das portas e outros componentes de pedra, foram reaproveitados na nova edificação. As razões que motivaram a demolição, contudo, permanecem inexplicadas.
A igreja que hoje se ergue no local constitui, do ponto de vista estrutural, uma nova edificação, embora conserve certa semelhança com o templo original. Perdeu, entretanto, os adornos barrocos que caracterizavam sua configuração primitiva. Sob o aspecto arquitetônico, a reconstrução não preservou integralmente os elementos ornamentais que conferiam singularidade à antiga capela. A fachada atual apresenta um frontão triangular de inspiração neoclássica, enquanto as torres octogonais evocam características da arquitetura neogótica. Toda a fachada é revestida de azulejos, compondo a identidade visual que hoje distingue o edifício.
Em 2026, a comunidade paroquial, juntamente com seu pároco, padre Inácio, encontra-se diante de um importante desafio: preservar esse patrimônio secular, cuja história se entrelaça com a formação religiosa, cultural e urbana de Natal. A igreja necessita de mais uma intervenção de reforma, especialmente para assegurar a manutenção predial e solucionar os problemas estruturais das torres, cuja situação representa um risco e exige atenção, tendo em vista a segurança dos fiéis e a conservação do templo.
O êxito dessa empreitada depende não apenas dos recursos materiais necessários à obra, mas também do compromisso e do sentimento de pertença de toda a comunidade paroquial. Cada contribuição, por menor que seja, poderá somar-se ao esforço coletivo de conservar esse legado histórico e arquitetônico para as futuras gerações.



