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A Igreja segundo Papa Francisco


Por Pe. Paulo Henrique da Silva Professor de Teologia


O mundo inteiro acolheu com surpresa, há 11 anos, a escolha do novo Pontífice Romano. O Santo Padre Francisco, originário da Argentina, tendo por nome de batismo Jorge Mario Bergoglio, começou seu Pontificado, dando sinais de ser um homem de Igreja com características de humildade, de simplicidade e de grande atenção ao povo de Deus. A escolha do nome, Francisco, pela primeira vez na história da Igreja, pode significar a esperança de que a Igreja viva aquela experiência de contemplação do Cristo, manso e humilde de coração, vivida pelo grande santo da humanidade, da ecologia, da fraternidade universal, da paz. De fato, São Francisco de Assis é um grande modelo de seguimento a Jesus que nos ensinou a buscar o essencial e não se preocupar com aquilo que é acessório: Cristo se fez pobre para nos enriquecer. A Igreja para cumprir a sua missão no mundo deve ser semelhante ao seu Fundador: pobre, despojada, que apresente o seu tesouro vindo da graça de Deus.


Uma Igreja “em saída”


Desde a eleição do Cardeal Jorge Mario Bergoglio, em março de 2013, uma das expressões mais usadas pelo Papa é “uma Igreja em saída”. A expressão usada pelo Papa Francisco é a tradução da índole missionária da Igreja, como reafirma o Concílio Vaticano II, no Decreto sobre a atividade missionaria da Igreja, Ad gentes. O Papa Francisco usa a expressão no capítulo 1 da Exortação Apostólica Evangelii gaudium (A alegria do Evangelho), que tem como título: “A transformação missionária da Igreja”, e o primeiro item: Uma Igreja “em saída”. Temas presentes no Documento de Aparecida, da V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e caribenho, realizada em 2007, cujo chefe de redação foi o próprio Cardeal Bergoglio, então Arcebispo de Buenos Aires, Argentina.


Uma Igreja que anuncia o Evangelho


Para o Papa Francisco uma Igreja em saída, isto é, missionária, deve ser uma Igreja que “primereia”, ou seja, toma a iniciativa, “ir à frente, sabe tomar a iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar às encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos” (FRANCISCO. Exortação Apostólica Evangelii gaudium, n. 24).

A evangelização é um dever de toda a Igreja, pois todos somos discípulos missionários: em virtude do Batismo recebido, cada membro do povo de Deus tornou-se discípulo missionário (EG 120). A tarefa de anunciar o Evangelho não pode ser assumida por um grupo particular ou por uma parte da Igreja somente. Ela envolve todo o povo, cada pessoa, cada realidade da vida da Igreja: cada batizado, a piedade popular, os ministros e os carismas, a cultura, o conhecimento e a educação, a homilia. Todos são chamados a reconhecer a força evangelizadora, que não é uma tarefa conseguida pelos próprios méritos, mas dom de Deus. E o Espírito Santo enriquece toda a Igreja com diferentes carismas, que renovam e edificam a Igreja.


Uma Igreja pobre para os pobres...


A escolha do nome de Francisco mostra o desejo do Papa: São Francisco de Assis é um grande modelo de seguimento a Jesus que nos ensinou a buscar o essencial e não se preocupar com aquilo que é acessório: Cristo se fez pobre para nos enriquecer. A Igreja para cumprir a sua missão no mundo deve ser semelhante ao seu Fundador: pobre, despojada, que apresente o seu tesouro vindo da graça de Deus.


...um caminho para a santidade


Deste modo, ser santo não significa revirar os olhos num suposto êxtase. Dizia São João Paulo II que, «se verdadeiramente partimos da contemplação de Cristo, devemos saber vê-Lo sobretudo no rosto daqueles com quem Ele mesmo Se quis identificar» (NMI, 49). O texto de Mateus 25, 35-36 «não é um mero convite à caridade, mas uma página de cristologia que projeta um feixe de luz sobre o mistério de Cristo» (idem, n. 49). Neste apelo a reconhecê-Lo nos pobres e atribulados, revela-se o próprio coração de Cristo, os seus sentimentos e as suas opções mais profundas, com os quais se procura configurar todo o santo (in Gaudete et Exsultate, n. 96).


Uma Igreja educadora da fé


Na Carta Encíclica Lumen fidei, o Papa Francisco usa uma expressão muito bela, bastante usada nos primeiros séculos da Igreja, e muito atual para a compreensão da missão: a Igreja é mãe de nossa fé (Lumen fidei 37). Ela, a Igreja, gera homens e mulheres para a fé, sobretudo, com a consciência da Tradição. Este é um conceito muito importante na história da Igreja, objeto de reflexão de teólogos importantes do século XX, e o seu significado e sua relação com a Palavra de Deus e o Magistério da Igreja, foi apresentado no Concílio Vaticano II.


Uma Igreja, lugar da misericórdia gratuita e da primazia da graça


O tema da misericórdia divina é um tema fundamental para o século XXI. E é possível reconhecer que foi no século XX, marcado por tantos acontecimentos trágicos (duas grandes guerras mundiais, holocausto, bomba atômica, etc) que a mensagem da misericórdia ressoou novamente na reflexão da Igreja. De São João XXIII (com seu discurso inaugural do Concílio Vaticano II, onde afirma: “a esposa de Cristo prefere recorrer ao remédio da misericórdia”) a João Paulo II (que consagrou uma Encíclica ao tema “Dives in misericordia”), do Concilio Vaticano II à Evangelii gaudium de Papa Francisco, de Santa Faustina à Santa Teresa de Calcutá, já não é mais possível falar de Deus sem entender que Ele é misericórdia, rico em misericórdia, como afirma São Paulo na carta aos Efésios (cf. Ef 2,4).


Mas, falar de misericórdia não significa que Deus não exija de nós resposta, responsabilidade humana. Pelo contrário, é o amor misericordioso de Deus que empenha o homem. Deus quer que todos sejam salvos. Mas, a salvação consiste em viver na intimidade com Ele e no seguimento a Jesus, através do Evangelho. Porém, o seguimento a Jesus é alegria, é paz, é festa. Para acontecer não é o homem que produz, não é o resultado das obras do homem, é pura graça, é amor que transforma, que faz o homem nova criatura. E mais, a Igreja, comunidade de homens e mulheres salvos pela misericórdia divina, é a grande portadora da mensagem de misericórdia. Ela é a grande força da Igreja no século XXI. É a única que pode nos iluminar para que saibamos qual é a verdadeira imagem de Deus.

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