ARTIGO - Os cursos de Canto Pastoral: uma experiência marcante
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Pe. José Freitas Campos
Do clero da Arquidiocese de Natal
Em 1967, por uma decisão da Assembleia Pastoral, o então Arcebispo de Natal/RN, D. Nivaldo Monte, constituiu a Comissão Arquidiocesana de Liturgia, Música e Arte Sacra, CALMAS. Esta, por sua vez, teve por finalidade incrementar a renovação litúrgica proposta pelo Concílio Vaticano II.
À época, o Setor de Música, da Arquidiocese, publicou um Hinário Litúrgico, no ano de 1971, com o título: “Nosso Canto, Nosso Louvor”, que deveria ser utilizado em todas as paróquias. Ademais, convidava-se, uma vez por ano, o assessor para música litúrgica da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB, Pe. José Weber, para a formação dos agentes de pastoral da música de todas as paróquias.
Contudo, a experiência maior e mais significativa aconteceu no Regional Nordeste II, da CNBB que, à época, era constituída de dezenove dioceses. Logo após a chegada de D. Hélder Câmara ao Recife/PE, foi formada uma equipe para articular e preparar, em nível regional, os cursos de canto pastoral. A formação acontecia uma vez por ano, na segunda semana de julho, no auditório do Colégio São José, das Irmãs Doroteias, em Recife/PE. Havia uma participação de milhares de pessoas de todo o Nordeste.
Para a assessoria eram convidados os compositores de todo o Brasil que repassavam para os participantes as suas composições. Na ocasião, havia, também, lançamento de músicas. Cabe destacar a metodologia dessa partilha das composições: o encontro durava uma semana, de segunda à sábado, e todos os dias se cantava as músicas novas. A sexta-feira era reservada para as gravações de todas músicas ensaiadas durante o curso. As pessoas que participavam do curso levavam seus gravadores com a fita cassete, gravavam as composições e, posteriormente, partilhavam com as paróquias e comunidades.
Em Natal, a partir de 1976, e durante 20 anos, o Pe. José Freitas Campos, coordenou esses cursos de canto pastoral que aconteciam na segunda semana de novembro, no auditório do Colégio Marista, com a participação dos agentes da pastoral da música de todas as paróquias. Vale salientar que para cada ano uma comissão de assessores colaborava com esta formação, por exemplo, Ir. Mirian Kolling (in memoriam), Pe. João Carlos, SDB (Recife/PE) Pe. Eliomar Ribeiro (Teresina/PI), Roberto Lima (Natal/RN), Pe. Silvio Milanez (in memoriam) e Ir. Custódia Cardoso. Contávamos com uma valiosa participação de agentes de pastoral, seminaristas, padres, diáconos, religiosas e religiosos.
Essa experiência aconteceu como uma forma de preparar a assembleia para participar do canto litúrgico, com objetivo de cantar a missa, sobretudo, porque, na época, não existia jornal, tampouco CD, com as músicas. Esta experiência foi valiosa enquanto durou na caminhada da música litúrgica da Igreja, no Brasil.



