ARTIGO - O Sacramento da Reconciliação: fonte de amor e misericórdia!
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Pe. Luiz Antônio Aguiar
Vice-reitor do Seminário de São Pedro
Jesus, O Filho de Deus, feito homem, habitou no meio de nós para nos livrar da servidão do pecado, nos chamando das trevas à sua luz admirável (cf. Jo 1, 14). E Ele iniciou o seu ministério nos fazendo este grande convite a penitência: “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo fazei penitência e crede no Evangelho” (Mc 1, 15). Este sacramento nos confirma no bem e na pureza de consciência e é um grande meio para adquirirmos uma pureza de vida cada vez maior. O Senhor nos deu um grande dom de nos reconciliarmos com Ele, conosco e com nossos irmãos. Ele nos deu o sacramento da confissão como esta fonte de Seu amor e de Sua misericórdia, saibamos valorizá-lo para nossa santificação.
Santo Agostinho declara: “Se queres saúde, beleza interior e santidade, ama a confissão”. São João Bosco afirma que em nenhuma outra prática se exercitam tantas virtudes como neste sacramento: a fé, a esperança, a caridade, a humildade... Quem se confessa com frequência, dispõe mais eficazmente a receber a graça de Deus. A vida na graça é um convite constante à intimidade com Deus, a graça é um dom de Deus que nos capacita a participar de Sua vida divina. Viver na graça é, portanto, viver em amizade com Deus, afastando-nos do pecado e buscando uma vida de santidade. São João nos lembra: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar de toda injustiça”. (1Jo, 1-9).
Desta maneira, o sacramento da confissão é essencial para renovar essa amizade e nos reintegrar à comunhão com Deus. A confissão é mais do que apenas um ato de penitência, é uma expressão profunda de fé e confiança na misericórdia de Deus. O sacramento da reconciliação nos oferece a oportunidade de examinarmos nossa consciência, reconhecermos nossas falhas e recebermos a graça santificante que nos purifica e nos fortalece contra o mal, como nos ensina o Catecismo da Igreja Católica, nos parágrafos 1422 e 1498. Por isso, o pecador que pela graça de Deus misericordioso trilha o caminho da penitência regressa ao Pai que “nos amou primeiro” (1Jo 4,19).
Confessar-se bem, é muito importante. A primeira condição para fazer uma boa confissão é dispor-se a receber o sacramento com espírito de fé, ou seja, ver a pessoa de Jesus em qualquer confessor. É preciso reavivar a fé, pensando que nos confessamos com Nosso Senhor, e que Ele mesmo é quem nos diz: “Eu te absolvo”. Com o Sacramento da Reconciliação, a Igreja Católica oferece-nos a possibilidade de cura profunda. Em cada confissão rompe-se o poder do pecado e tornas-nos mais fortes, mais livres e mais sãos. Na confissão, o próprio Jesus espera-nos e, através do sacerdote, dirige-nos palavras de consolo e cura: “Os teus pecados estão perdoados, vai em paz” (cf. Lc 7, 48-50; Lc 5, 20; Mc 2,5). A segunda condição para fazer uma boa confissão é um cuidadoso exame de consciência. Nada de escrúpulos... e também não confessar as virtudes ou os pecados dos outros, mas os próprios pecados, pecados verdadeiros, advertidos, voluntários. Os Dez Mandamentos, por exemplo, podem facilmente ser usados como referência na preparação para a confissão. São como uma espécie de espelho no qual podemos olhar-nos e refletir: Que importância tem Deus na minha vida? Como trato os outros? Como me trato a mim mesmo? Devemos procurar as raízes dos nossos pecados, sempre à luz da misericórdia de Deus. A preparação para a confissão requer uma reflexão profunda sobre si mesmo e honestidade com os próprios pensamentos e ações. Através do Sacramento da Confissão, a pessoa experimenta um “update”, uma atualização purificadora. Como é evidente, reconhecer os pecados implica sempre uma boa dose de sinceridade e humildade.
Depois, para se fazer uma confissão bem feita, devemos ter o arrependimento. É neste ponto que faltamos mais facilmente. Dado que normalmente nos confessamos de coisas pequenas, acabamos por nos confessar sem o devido arrependimento. Não é preciso senti-lo, mas ter o desejo de tê-lo. Contudo, não voltar sempre sobre as culpas cometidas. Quando um pecado é perdoado, não pensemos mais nele, a fim de que o Senhor não tenha que nos dizer: “Até quando tereis o coração endurecido? (Sl 4,3). Cuidemos de apreciar convenientemente este sacramento. É um exercício santo, não devemos considera-lo um peso, não devemos ter medo de nos confessar, mas devemos ter medo de perder a graça de Deus por nossos pecados. Não devemos envergonhar-nos de buscar a confissão, mas sim acambulharmos de nos afastarmos de Deus, de cometermos os pecados.
Por fim, depois de cada confissão, devemos dar graças a Deus pela misericórdia que teve conosco e deter-nos, ainda que brevemente, a concretizar o modo de pôr em prática os conselhos ou indicações recebidas ou de tornar mais eficaz o nosso propósito de emenda e melhora. Devemos cumprir com muito amor e humildade a penitência que o sacerdote nos impõe antes de dar a absolvição. Costuma ser fácil e, se amamos de verdade o Senhor, perceberemos como é grande a desproporção entre ela e os nossos pecados. Amemos este Santo Sacramento! Desejemos reconciliação! Busquemos a misericórdia de Deus! Abramos o nosso coração a Deus para que Ele nos resgate em nossas misérias, para que nos alcance e nos eleve em Sua Misericórdia.



