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ARTIGO - Extremoz: entre as ruínas jesuíticas e a devoção a São Miguel

  • há 1 hora
  • 2 min de leitura

Pe. José Freitas Campos

Do clero da Arquidiocese de Natal

 

A freguesia de São Miguel Arcanjo, na então Vila de Extremoz, foi criada no Rio Grande do Norte por Alvará Régio de 6 de junho de 1755, assinado pelo rei de Portugal, D. José I, no contexto político do governo do Marquês de Pombal, período em que o povoado foi confiscado aos jesuítas. Extremoz teve sua origem no núcleo indígena dos potiguares, denominado Guajiru, estabelecido às margens da lagoa que recebeu o nome de Extremoz.


Desde os primórdios da ocupação e da evangelização daquela região, a ação missionária foi confiada à Companhia de Jesus. Os jesuítas edificaram o convento e a igreja que, à época, figuravam entre os mais belos templos da Capitania do Rio Grande. Daquele conjunto arquitetônico, testemunho eloquente da presença missionária e da história religiosa do período colonial, restam hoje apenas as ruínas. O antigo templo, posteriormente, passou à condição de igreja matriz da sede paroquial de Extremoz, cuja paróquia foi instalada em 3 de maio de 1760.


Nos arquivos da Arquidiocese de Natal, encontra-se o registro de que o padre Francisco de Souza Nunes exerceu a função de coadjutor da Paróquia de Extremoz em 1762, assumindo o ofício de pároco a partir de 1763. Sua nomeação ocorreu por meio de Provisão Canônica expedida pelo então bispo de Olinda/PE, D. Francisco Xavier Aranha, que esteve à frente daquela Diocese de 1757 a 1771.


Em 15 de abril de 1982, por decreto de D. Nivaldo Monte (in memoriam), então Arcebispo Metropolitano de Natal, foi restaurada a Paróquia de São Miguel de Extremoz. Para inaugurar essa nova etapa de sua caminhada pastoral e de sua reestruturação paroquial, foi nomeado como primeiro pároco o padre Inácio Loyola Bezerra. Cumpre destacar que a Paróquia de Extremoz foi a quinta paróquia criada no território do Rio Grande do Norte, ocupando, portanto, lugar singular na história eclesiástica do Estado.

Sob o patrocínio de São Miguel Arcanjo, cuja devoção se encontra profundamente arraigada no coração do povo brasileiro e que, ao longo dos séculos, se difundiu por diferentes regiões do país, a comunidade paroquial vive a preparação para a festa de seu santo padroeiro, celebrada anualmente no dia 29 de setembro.


Recentemente, a Arquidiocese de Natal foi consagrada a São Miguel Arcanjo, em solene cerimônia presidida pelo Arcebispo Metropolitano, D. João Santos Cardoso, com expressiva participação dos fiéis, realizada no anfiteatro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O ato de consagração reveste-se de particular significado espiritual, ao renovar a confiança do povo de Deus na intercessão daquele que a tradição cristã reconhece como príncipe das milícias celestes e defensor da fé.


Que São Miguel Arcanjo, príncipe das milícias celestes, continue a proteger e guardar os habitantes desta Arquidiocese de Natal, fortalecendo-os na fé, na esperança e na caridade, e que sua presença espiritual permaneça como sinal de proteção e bênção sobre esta Igreja Particular.

 

 

 
 
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