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ARTIGO - Arquidiocese de Natal em ritmo sinodal

  • há 4 horas
  • 2 min de leitura

Prof. Tállison Ferreira da Silva

(Membro Sinodal)


O Primeiro Sínodo da Arquidiocese de Natal (RN), convocado pelo Arcebispo Metropolitano, Dom João Santos Cardoso, revela-se como um verdadeiro tempo de graça para todos nós, cristãos batizados, homens e mulheres a serviço do Reino de Deus. Eis um tempo propício ao silêncio orante, à reflexão e ao discernimento comunitário, em vista de uma Igreja cada vez mais sinodal, samaritana e em saída.


Na Missa de Abertura da 1ª Assembleia Sinodal, realizada no Colégio Marista de Natal, no dia 15 de agosto de 2026, Dom João Santos Cardoso ressaltou, em sua homilia, que “é preciso romper as barreiras que nos impedem de vivermos uma Igreja sinodal”. Em seu discurso de abertura, enfatizou também a importância de permanecermos unidos em um só propósito: o de “Caminhar Juntos”. Indubitavelmente, trata-se de manter a unidade na diversidade, sem marginalizar ninguém.


Filosoficamente, o sínodo pressupõe que diferentes experiências, realidades, histórias e perspectivas sejam colocadas em diálogo. Nesse sentido, podemos dizer que uma das contribuições filosóficas para o pensamento sinodal está na hermenêutica que, aos moldes das ideias de Hans-Georg Gadamer (1900-2002), considera que compreender exige abertura ao outro e àquilo que a realidade nos interpela. Assim sendo, o tema “Igreja de Natal, que dizes de ti mesma?” e o lema “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15) inserem-nos nesse caminho que nos permite, a partir da lógica da escuta e do diálogo, da abertura ao outro e da compreensão da realidade, avaliar o que precisamos conservar, transformar, deixar de lado e recriar.


Sob esse ângulo, a nossa Igreja Arquidiocesana, por meio das assembleias sinodais, compostas por padres, diáconos, religiosas, religiosos, seminaristas, leigos e leigas, buscará, pelo exercício da escuta, do diálogo e do discernimento, construir os seus novos Diretórios de Pastoral, de Sacramentos, de Liturgia e de Administração. Assim, os membros e delegados sinodais, nomeados por decreto de Dom João Santos Cardoso, assumem, com seriedade e espírito de serviço, a responsabilidade de discernir, à luz do Instrumento de Trabalho e sob a ação do Espírito Santo, novos caminhos que possam fomentar ainda mais a missão, a comunhão e a participação do povo de Deus.


Por isso, as Assembleias Sinodais não devem se reduzir a meras reuniões formais, constituídas por peritos que analisam documentos tecnicamente e deliberam sobre aquilo que pode ou não ser realizado. Antes, devem constituir-se como espaços privilegiados de escuta do Espírito Santo, que sopra, dinamiza e orienta os novos caminhos de nossa Igreja Arquidiocesana. Trata-se de uma experiência que favorece a escuta, o diálogo, a oração, a interiorização e o discernimento, sob a ótica daquilo que a tradição sinodal denomina “conversação no Espírito”.


Que este caminho sinodal seja, portanto, uma fecunda oportunidade de renovação para toda a Arquidiocese de Natal, fortalecendo a comunhão, a participação e a missão de todos os seus membros.

 

 

 
 
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