Tempo do Advento: espera daquele que vem


Dom Jaime Vieira Rocha Arcebispo de NatalVamos, pois, com alegria, é o Advento do Senhor. Para nós, na Eucaristia, o Natal se adiantou”.

Prezados leitores/as !

No próximo domingo, iniciaremos um novo Ano Litúrgico. Na Igreja, o ano começa com o Primeiro Domingo do Advento e se conclui com a Solenidade de Cristo Rei, celebrada domingo passado. Neste domingo, o primeiro do novo tempo litúrgico, o Advento, se inicia para nós a caminhada de fé em Jesus Cristo, salvador da humanidade. Com a vinda de Jesus Cristo ao mundo inicia-se a nova criação, o novo tempo. O Filho de Deus, tornando-se filho do homem, isto é, humano, inaugura o tempo da relação definitiva de Deus com os homens e as mulheres. Ele se uniu a nós. Ao celebrarmos este acontecimento de salvação, somos convidados pela Igreja a viver a fé como relação interpessoal com o Deus de Jesus Cristo, seu Pai e nosso Pai. Por ser esta vinda do Filho de Deus celebrada no Natal, a Igreja começa sempre o novo ano litúrgico com a preparação para esta celebração.

Advento quer dizer “o que está por vir”. Na Igreja, é a recordação da vinda do Redentor, do seu advento que já aconteceu. No ano litúrgico da Igreja não celebramos acontecimentos do passado, mas celebramos no mesmo acontecimento que significa a chegada, a entrada de Deus na história dos homens e das mulheres. De fato, não falamos de uma “segunda vinda”, como se ela fosse desconectada da “primeira”. Na realidade, trata-se de um único advento, que já aconteceu para nós, em Belém, quando o Filho de Deus, tornando-se o que nós somos, possibilitou-nos ser o que ele é. Isto é, o tempo do Advento nos recorda que já estamos no tempo de Deus e que, em cada celebração, mas não somente nela, festejamos, agradecemos e oferecemos nossa vida ao Deus que se ofereceu, entregando o seu Filho para nós (cf. Jo 3,16). No Natal nós celebramos Deus que se torna vida humana para que o homem se torne participante da vida divina. Por isso, nós devemos entender: Ele veio e permanece para sempre conosco. Por esta sua vinda é que entramos no tempo de Deus, a eternidade se une ao tempo de tal modo que não existe mais separação, não existe mais um Deus distante e vingativo, o que aliás nunca existiu de verdade, apenas no coração de homens e mulheres que não souberam reconhecer o Deus vivo verdadeiro. No Advento nós celebramos Deus que entra para sempre na nossa história. Por isso, o tempo que iniciamos hoje, é tempo de renovação da fé. Por Deus ter vindo e vindo para nós, acontece a transformação do nosso coração. Deus está conosco. Por isso, o seu Advento torna-se nosso Advento, isto é, Ele veio para nós e quer que nós nos dirijamos a Ele. Advento é tempo da profecia. Meditaremos sobre a figura de João Batista, o profeta que anuncia o Messias, o consolador. No advento nós contemplaremos a Mãe do Messias, em quem se cumpre a profecia. Eis o que somos chamados a ser: profetas, não no estilo demagogo e charlatão de alguns, mas no sentido bíblico e cristão. Nós anunciamos não uma catástrofe, não uma condenação, não uma predestinação à perdição, mas uma boa notícia que quer dizer: Deus enviou seu Filho para nós.

Vivamos esse novo início, acompanhemos a catequese que será proporcionada pela leitura do Evangelho de São Mateus e, busquemos contemplar o sinal de ternura da Mãe santíssima que acolhe o Menino Deus vindo ao nosso encontro.