Nota do Setor de Leigos da Arquidiocese de Natal

Passado o tempo pascal, eis que a Igreja de Jesus Cristo, que é presença viva e atuante, no chão da Arquidiocese de Natal, volta, neste momento, a sentir em suas entranhas as mesmas angústias, dores, sofrimentos e cruz, há séculos experimentada pelos protomártires do Brasil, os Mártires de Cunhaú e Uruaçu. Eles banharam as terras potiguares com o sangue vertido como testemunha do amor inconteste a Jesus Cristo, como sublime defesa da fé cristã católica.


Hoje, esse martírio se perpetua quando nós, cristãos, não damos testemunho de um amor incondicional ao próximo, seja ele quem for. No Evangelho de Mateus, 25,31-46, Jesus se identifica com, e personaliza, o faminto, o sedento, o abandonado, o excluído, o encarcerado, o rejeitado, o maltratado. Urge ver na dor do irmão a presença do próprio Senhor da Vida; as suas feridas estão nas feridas dos pobres, dos pequenos, do “cancelados” da sociedade presente. Por isso, o Papa Francisco nos admoesta: “Quem toca o corpo do pobre, toca o corpo do Cristo. E quem também fere o corpo do pobre fere o corpo de Cristo”.


Jesus revelou em Sua vida e em Seu testemunho como seguir os mandamentos e ensinou-nos a compreender de maneira plena, profunda o seu significado. Ensinou que todos os mandamentos são vividos amando a Deus acima de tudo e ao próximo como a si mesmo. Nisso está toda a vontade de Deus. Quem ama não mata, não rouba, não profana, não se deixa levar pela ambição do ter, do prazer, do poder, não calunia, não cobiça ninguém nem coisa alguma. Agir de forma diferente do que fora testemunhado por Jesus e seus discípulos, certamente é uma das maiores incoerências que cometemos, muitas vezes, justificada pela desastrosa defesa do que julgamos ser a nossa fé.


Fizemos esse prelúdio para convidar os fiéis cristãos católicos a se unir à Igreja de Cristo que está em Natal, nesse momento em que alguns do clero da nossa Arquidiocese sofrem calúnias e difamação por parte de um irmão que se viu contrariado nos seus interesses imediatos.


Os impropérios direcionados ao nosso arcebispo, Dom Jaime Vieira Rocha, e seus padres colaboradores, são vis e desconforme ao que nos ensina a Fé cristã. O nosso irmão, infelizmente, preferiu se apoiar nas eventuais falhas e limites humanos dos acusados, sem o menor zelo pela Igreja e suas instituições, das quais gostaria de participar. Temos, uma Igreja formada por pessoas humanas, tão humanas como quaisquer irmãos de fé ou não, cristãos ou não. Contudo, somos convidados por Jesus para respeitá-los em suas individualidades e diversidades. Jamais se estribar no comportamento meramente humano para impingir a outrem acusações que denigrem a imagem, a honra e, principalmente, a dignidade do encargo dentro da Igreja.


Dom Jaime, nos seus gestos e ações, constituiu-se numa graça singular para toda a Igreja de Cristo e para todo o Povo de Deus de quem foi e é pastor, guia e mestre. Inicialmente, na querida Diocese de Caicó; depois nas Dioceses de Campina Grande e Guarabira; e, enfim, na Arquidiocese de Natal, como arcebispo metropolitano. Dentre os muitos valores que cultiva, carrega no coração e que emoldura a sua índole, destaca-se a sua humanidade. Ser humano. Profundamente humano! Esse é, sem dúvida, um dos dons mais expressivos que Deus, por generosidade, dotou esse Servidor do Evangelho de Cristo, para fazê-lo servo da humanidade da Igreja, que é o Povo de Deus a ele confiado.


Quem se aproxima desse servita de Deus constata o quanto ele é sensível ao sofrimento dos mais pobres, dos doentes, dos presos, das mulheres que, sozinhas, carregam o peso, o cuidado de uma família. Percebe-se o quanto ele é solidário com os que mendigam pão, consolo, atenção e acolhimento.


Suas entranhas estremecem de dor ante as injustiças sociais impostas aos que vivem do trabalho, ou que padecem de qualquer tipo de discriminação, ou ainda, do descaso para com os jovens e idosos.


Dom Jaime é capaz de chorar – e chora lágrimas de compaixão - diante dessas situações tão adversas, nas quais os mais excluídos são as principais vítimas. Não fica indiferente à agressão à mãe natureza, ao meio ambiente ou à violência contra toda a obra da criação.


Dom Jaime tem consciência de que a defesa da pessoa humana é uma das dimensões do empenho pastoral de um bispo, segundo o Papa Francisco: “Para ser pastores segundo o coração de Deus, devemos ser os primeiros na opção de anunciar o Evangelho aos pobres. Não devem subsistir dúvidas nem explicações que debilitem esta mensagem claríssima. Hoje e sempre, os pobres são os destinatários privilegiados do Evangelho, e a evangelização dirigida gratuitamente a eles é sinal do Reino que Jesus veio trazer. Há que afirmar sem rodeios que existe um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres. Não os deixemos jamais sozinhos”, conclui o sucessor de Pedro. Dom Jaime é um homem de permanente exercício de generosidade e gratidão. Seu exemplo nos ensina que a gratidão “é sempre uma arma poderosa”. Só se formos capazes de contemplar e agradecer por todos os gestos de amor, generosidade, solidariedade e confiança, bem como de perdão, paciência, suportação e compaixão com que fomos tratados, é que deixaremos o Espírito obsequiar-nos com aquele ar puro capaz de renovar (e não remendar) a nossa vida e missão” (Papa Francisco).


A generosidade e a gratidão, ambas plasmadas e lapidadas pelo humanismo ínsito à personalidade, à índole e ao caráter de Dom Jaime, o colocam bem acima de suas limitações, porque transcendem o faz discípulo-missionário daquele que também sofreu todo tipo de insulto, injúrias e calúnias, Jesus, Nosso Senhor, que morreu numa cruz e Ressuscitou.