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ARTIGO - O julgamento final e a Doutrina do Purgatório

há 2 dias
4 min de leitura

Diácono Paulo Gabriel Batista de Melo         

Capelania Nossa Senhora do Loreto         

Ordinariado Militar do Brasil – Parnamirim (RN)

 

Como Membro da FDMD – Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus – que tem por carisma a escatologia, sempre refletimos se purgatório deixará de existir após o Juízo Final? A Escatologia, primeira disciplina que lecionei no Seminário São Pedro em Natal, também conhecida por “Novíssimos” ou “coisas derradeiras”, nos dá dimensão destes dias finais da humanidade. Segundo Schneider (2012, p. 339), “no Símbolo dos Apóstolos – a ressurreição dos mortos e a vida eterna – são a última explicação da fé”. O autor aborda que a consumação do indivíduo, pessoal, e incondicional é tratada na “Escatologia individual”, enquanto que a consumação da humanidade, ou mesmo do mundo será tratada na Escatologia Geral dentro da Teologia Dogmática.


Para responder vamos usar como fonte Teológica o Magistério, o Catecismo da Igreja Católica, os Concílios Ecumênicos e as fontes Bíblicas. Quando Jesus voltar na Parusia, a Sua segunda vinda, a história humana chegará ao fim, os mortos ressuscitarão e o purgatório será totalmente esvaziado. Logo, a partir desse momento, existirão apenas dois destinos eternos para a alma o Céu, para aqueles que estão salvos e o Inferno para os condenados eternamente.


            Nos fundamentos bíblicos, vemos Já no Livro do Gênesis que Deus nos apresenta a Terra prometida para seus servos Abraão e Moisés. Já nos tempos de Jesus, começa a esperança do Messias e a libertação, que acreditavam os judeus seria das tropas estrangeiras, afirma Schneider (2012, p. 333s).


A Bíblia nos mostra que o fim dos tempos separará o mundo em apenas dois lados: o das ovelhas e dos cabritos, ou seja, aqueles que estão salvos e os que foram condenados.


Em Mateus 25, 31-46, nós vimos que Jesus aborda o Juízo Final. Ele diz que os benditos irão para o Reino do Pai e os malditos para o fogo eterno, mostrando que restam apenas duas opções.


O apóstolo das missões, Paulo, afirma em 1 Coríntios 3, 13-15 de um fogo que prova a obra de cada um. A teologia entende que essa purificação acontece no decorrer da história, no purgatório, mas cessa quando a eternidade total for estabelecida. Os nossos irmãos separados não acreditam que exista o purgatório em momento nenhum, nem antes, nem depois do Juízo, e defendem que a alma vai direto para o Céu ou Inferno logo após a morte, mas muitos foram os momentos que Jesus nos disse “não sairás de lá até que pagues o último centavo”.


            Na abordagem histórico-dogmática podemos nos fazer uma pergunta: o que de verdade acontecerá no Juízo Final? Aprendemos com a nossa Santa Doutrina que o purgatório é temporário, que ele serve apenas para purificar as almas dos que estão salvos e que morreram com pequenas imperfeições antes da volta de Jesus.


Porém, nos fins dos tempos, teremos o Juízo Final, e ele marcará o fim do mundo atual como o conhecemos. Como toda a história humana será finalizada, não haverá mais necessidade de um estado intermediário de limpeza. O Padre Arminjon (2021) afirma que o purgatório também será ocupado pelas almas condenadas nos tempos finais como o novo inferno.


De certo que os destinos definitivos, após a segunda vinda de Cristo, ocorrerá que todas as almas que estavam no purgatório terminarão sua purificação antes ou exatamente no momento da vinda de Jesus e entrarão na glória do Céu. A humanidade será dividida em definitivo.


Também o Magistério da Igreja já se debruçou sobre esta temática, e para  entendermos essa reflexão escatológica, a Igreja Católica se baseia em seus documentos oficiais e na Bíblia, vejamos:


Aprendemos no Catecismo da Igreja Católica, que é o documento oficial da doutrina católica, que ele  explica afirmando ser “o Juízo Final é o momento da palavra definitiva de Deus sobre a história”, e isso decorre em seus parágrafos 1038 “A ressurreição de todos os mortos, ‘dos justos e dos injustos’, antecederá o Juízo Final”, logo, isso significa que todos recebem seus corpos de volta para o destino eterno final, iremos para o céu ou inferno em corpo e alma, já no parágrafo 1040, ele explica que no Juízo Final, Cristo “pronunciará então a sua palavra definitiva sobre toda a história”. Os bons irão para a vida eterna e os maus para o suplício eterno, sem menção ao purgatório após esse dia.


Também os santos Concílios Ecumênicos trabalharam a doutrina do purgatório que foi detalhada e confirmada em especial dois dos grandes encontros de bispos na história. O primeiro deles foi o Concílio de Florença que ocorrera em 1439, e o Concílio de Trento realizado em 1563). Estes concílios afirmaram que o purgatório é uma “purificação final” apenas para as almas que partem desta vida antes do último dia.


Como reflexão sistemática, fFeita com base na Tradição, Escritura e Magistério, afirma Schneider (2012, p. 364) que a “Escatologia não tinha interesse no curso da história, mas apenas de seu fim”, e que para Bultmann o momento escatológico seria a vinda de Cristo.


            Afirma ainda Schneider (2012, p. 364), que a fé e a esperança estão fundamentadas “na fidelidade de Deus, que mantém sua Palavra de Promessa”. Também para Karl Rahner “o reino de Deus é feito de Deus, ele virá e porá um termo na história e a guardará”. Também definiu a Confissão Sinodal de Würzburgo que “nós cristãos esperamos pelo novo homem, pelo novo céu e a nova terra na consumação do Reino de Deus”.


            Afirma ainda Schneider (2012, p. 372), que o “fim do mundo não é a sua destruição, mas sua consumação”, e que esta consumação se dará pela vinda de Cristo.

Portanto, o Juízo Particular é uma sentença individual e espiritual, enquanto o Juízo Final é uma confirmação pública, pois pecamos publicamente na presença de Deus que está em todo lugar, corporal e definitiva dessa mesma sentença para todo o universo ver.


            Que Maria Santíssima nos ajude, interceda por nós, para ao chegar a esse dia terrível para muitos, vamos gozar em Deus, no céu com sua visão beatífica pela eternidade.


REFERÊNCIAS

AMORTH, Pe. Gabriele, Rodari, Paolo. O último exorcista: minha batalha contra Satanás. Campinas – SP: Ecclesiae, 2012.

ARMINJON, Charles. Do fim do mundo, dos sinais que o precederão. Osasco – SP: Domine, 2021.

CIC. Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Edições Loyola, 2006.

SCHNEIDER, Theodor. Manual de Dogmática. 5ª Ed. Petrópolis – RJ: Vozes, 2012.

 
 
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