ARTIGO - Paróquia de Angicos rumo aos 190 anos

Pe. José Freitas Campos
Do clero da Arquidiocese de Natal
A Paróquia-Santuário de São José de Angicos, no sertão potiguar, prepara-se para celebrar, em outubro próximo, o aniversário de sua criação e instalação. Trata-se de uma caminhada marcada pela fé, pela perseverança e pela profunda devoção de um povo que, ao longo de quase dois séculos, encontrou na Igreja um espaço privilegiado de comunhão, esperança e pertença.
As origens dessa história remontam à construção de uma capela dedicada a São José, iniciada em 1º de janeiro de 1813, na região que então pertencia à jurisdição da Freguesia de São João Batista de Assú (RN), uma das mais antigas do estado do Rio Grande do Norte. Segundo os historiadores, quando Antônio Lopes Viegas realizou a doação de 300 braças de terras e de considerável quantidade de gado para constituir o primeiro patrimônio da capela, lançaram-se as bases não apenas de uma instituição religiosa, mas também de uma devoção popular que haveria de atravessar gerações.
Em 13 de outubro de 1836, por meio da Resolução Provincial nº 9, foi criada a Paróquia de São José de Angicos, com território desmembrado da então Paróquia de Santana do Matos (RN). O Padre Manoel dos Santos Morais Pereira Leitão foi nomeado, pelo bispo de Olinda (PE), como primeiro pároco, permanecendo à frente da comunidade até 1838. Foi também nesse contexto histórico que se consolidou a Vila de Angicos, cuja trajetória passaria a estar profundamente entrelaçada com a presença e a ação evangelizadora da Igreja.
Ao longo desses 190 anos, a Paróquia de Angicos acolheu numerosos sacerdotes que contribuíram, cada qual a seu modo, para a construção de sua história pastoral e espiritual. Entre eles, destaca-se a figura emblemática do Padre Manoel Tavares de Araújo (1936-1958), que posteriormente seria escolhido pelo Santo Padre, o Papa Pio XII, para tornar-se o terceiro bispo diocesano de Caicó (RN).
A memória paroquial também guarda com especial reverência os nomes do Padre Félix Alves de Souza (1845-1895) e do Padre Júlio Alves Bezerra (1916-1920). Merece igualmente destaque o Padre Francisco das Chagas Pereira Pinto, cujo centenário de nascimento celebramos neste ano de 2026, que sucedeu Dom Tavares e se tornou vigário colado a partir de junho de 1959, permanecendo ligado à comunidade até sua morte, em janeiro de 2018. Soma-se a essa galeria de servidores do povo de Deus o Padre José Maria Ibiapina, que, em 1862, esteve relacionado à construção do antigo açude e do cemitério local, situado nas proximidades da matriz.
Nessa caminhada rumo ao jubileu, a devoção a São José, padroeiro da comunidade, permanece como uma das expressões mais vigorosas da identidade religiosa de Angicos. O ponto alto dessa devoção é a festa celebrada anualmente em 19 de março, momento em que a cidade se reúne para honrar aquele que, na tradição cristã, é modelo de silêncio, trabalho, fidelidade e confiança nos desígnios de Deus. No sertão nordestino, a festa de São José também se reveste de particular significado cultural e religioso, pois a tradição popular associa o dia do santo à esperança de um bom inverno e à renovação da vida sobre a terra.



