ARTIGO - O diaconato em uma Igreja que serve
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Diácono Paulo Gabriel Batista de Melo
Capelania Nossa Senhora do Loreto
Ordinariado Militar do Brasil – Parnamirim (RN)
A palavra mais forte no chamado diaconal é o servir. Cf. At6, 13. A Santa Mãe Igreja apresenta o diaconato como um dos três graus do sacramento da Ordem, configurado a Cristo Servo. “O serviço diaconal realiza-se especialmente em três dimensões: liturgia, Palavra e caridade, sempre em comunhão com o bispo e o presbitério”, nos lembra a LG 29 do Santo Concílio Vaticano II.
Dessa forma o texto afirma que os diáconos recebem a imposição das mãos, “Não para o sacerdócio, mas para o ministério”.
Nascidos no coração de Cristo, pela necessidade da Igreja, no diz o Santo Concílio que “fortalecidos pela graça sacramental, servem o povo de Deus: na diaconia da liturgia, da Palavra e da caridade”.
Segundo o documento conciliar o diácono também são suas funções a de “administrar solenemente o Batismo, conservar e distribuir a Eucaristia, assistir e abençoar o matrimônio em nome da Igreja, levar o Viático aos moribundos, proclamar a Escritura, pregar, presidir orações, administrar sacramentais e dedicar-se às obras de caridade e administração”, o que já não é pouco o seu servir.
Nos ensina também o CIC & 1554 e 1569–1571, que o sacramento da Ordem possui três graus: episcopado, presbiterado e diaconato. Os diáconos recebem a ordenação “não para o sacerdócio, mas para o ministério”, corroborando com a LG.
Afirma o CIC, ao tratar especificamente do diácono, que “ele é ordenado para servir a Igreja sob a autoridade do bispo, especialmente: no anúncio da Palavra, no culto divino, na celebração do Batismo, na assistência e bênção do matrimônio, na presidência de exéquias e sacramentais e no serviço da caridade”.
Deixa claro o CIC que o diaconato permanente pode ser conferido a homens casados e que os diáconos não recebem o sacerdócio ministerial, embora pertençam ao sacramento da Ordem.
O Santo Padre Paulo VI, na carta apostólica Ad pascendum de 1972 diz que, “trata da instituição de leitores e acólitos, da admissão dos candidatos ao diaconato e ao presbiterado e do celibato sagrado. É importante para compreender a preparação e o itinerário vocacional dos candidatos às Ordens sacras”.
É um importante documento que nos recorda o testemunho antigo da Igreja segundo o qual o diácono deve ser: “continente e misericordioso; diligente e fiel à verdade; servidor do povo de Deus; atento aos enfermos, pobres, órfãos e viúvas e dedicado à proclamação da Palavra”. Afirma ainda o documento que, “na tradição antiga, os diáconos levavam a Eucaristia aos doentes, administravam o Batismo e pregavam a Palavra segundo a missão recebida do bispo”.
Outro Santo Padre de nossa geração, São João Paulo II, em uma audiência geral realizada em de 13 de outubro de 1993, explicou que “a posição do diácono na hierarquia ministerial da Igreja” e ainda “retoma a Lumen gentium e sublinha que o diácono é ordenado para o serviço, não para o sacerdócio”.
São João Paulo II, nos lembra que “o serviço diaconal não deve ser entendido apenas como auxílio ao bispo, mas como serviço ao povo de Deus, em comunhão com o bispo e os presbíteros”. O Papa também recorda que Santo Inácio de Antioquia chamava os diáconos de “ministros da Igreja de Deus”.
Para nós do corpo diaconal, foi um dos melhores documentos produzidos, pois São João Paulo II, no ‘Directorium pro ministerio et vita diaconorum permanentium’, reforça em 1998, apresenta as orientações principais sobre:
ü identidade teológica do diácono;
ü espiritualidade diaconal;
ü formação inicial e permanente;
ü relação com o bispo, os presbíteros e os leigos;
ü ministério da liturgia, da Palavra e da caridade;
ü vida familiar e profissional dos diáconos permanentes;
ü obediência e colaboração pastoral;
ü exercício responsável dos ofícios e encargos eclesiais.
Nos lembra o papa em uma perspectiva fundamental que o diácono deve ser uma presença sacramental de Cristo Servo, não um “substituto do padre”.
Também o Diác. Manoel Carlos, em seu artigo “O Diaconato é o serviço da Igreja sacramentalizado”, diz que “Santo Inácio de Antioquia, martirizado no ano 107, foi o primeiro a apresentar o diaconato como um grau da hierarquia. Segundo ele os Diáconos não se limitam ao ‘serviço das mesas’, mas, junto com os Presbíteros se tornam os primeiros colaboradores do bispo e devem ser honrados como se fossem o próprio Jesus Cristo”.
Ainda no mesmo artigo Manoel Carlos afirma que São Policarpo foi ordenado pelo Apóstolo São João, segundo Tertuliano, e “lembra que os Diáconos ‘são servidores de Deus e de Cristo, e não dos homens’.
Em uma importante colocação, Manoel Carlos afirma que “a ordenação significa que o diaconato é um dom feito aos homens pelo Espírito Santo, a fim de que os diáconos se identifiquem a Cristo servidor”. E diz ainda que “o diácono torna-se sinal sacramental da presença e da ação do Espírito Santo, um testemunho do que Ele realiza nas pessoas, na Igreja, na história e no mundo, enviando-nos a dar a vida a serviço dos mais pobres, dos mais necessitados e dos excluídos”, uma colocação reflexiva e profunda sobre a diaconia.
Que São Lourenço interceda pelos diáconos em sua importante missão para com o povo de Deus, e que Maria Santíssima os cubra com seu Manto Sagrado.
SALVE MARIA SANTÍSSIMA”



