ARTIGO - Monsenhor Francisco Pereira Pinto, patrono da educação angicana

Damião Teixeira Alves
Marileide Matias da Silva
Agentes pastorais na Paróquia de São José - Angicos
QUEM FOI MONS PINTO? SUAS ORIGENS? Nasceu na fazenda São Francisco, na antiga povoação de Gaspar Lopes, atualmente Pedro Avelino. No seu registro de batismo, consta Epitácio Pessoa, isso por que por razões políticas, aquela cidade, em diferentes momentos históricos mudou de nome.
Filho de um casal Agropecuarista. Seu pai Francisco Horácio Pereira Pinto, conhecido por toda sociedade pedro-avelinense por seu Quitó e Anna Amélia Pereira Pinto, sua mãe com quem aprendeu as primeiras letras. Padre Pinto teve apenas uma irmã, por nome Maria do Carmo que morreu solteira. Certa vez, fazendo referência às suas origens, ele disse:
PAPAI, DAMIAO, TEVE UMA FAMILIA PEQUENA, APENAS EU E MINHA IRMÂ, EU FUI SER PADRE, MINHA IRMÂ, MORREU SOLTEIRA, ACABOU A FAMILIA. Teve também um importante papel na sua vida pessoal a sua babá, que ele chamava carinhosamente de Joaninha, e ela referia-se a ele como o meu Chiquito. Foi com ela que ele veio morar aqui em Angicos, para continuar seus estudos.
DESPERTAR VOCACIONAL – influência de Padre Tavares.
• O menino Francisco Pinto, partiu de sua terra natal para Angicos, afim de aperfeiçoar seus estudos. Aqui, dentre as relações estabelecidas, uma foi primordial e a ação providente de Deus na sua vida. Conhecer um outro santo sacerdote, que lhe fez uma pergunta, si o mesmo queria ser padre, sua resposta foi imediata e para surpresa de todos nós, negativa. Mas, no entanto, talvez para não decepcionar o vigário, ou mesmo já sentindo dentro de si as inquietações do chamado divino, prometeu ao Padre Tavares que ia pensar. Vale salientar, que o menino Francisco das Chagas Pereira Pinto era de família abastada, escolheu o sacerdócio por vocação, isso por que a atuação do Pe Tavares possibilitou a ele, como a tantos outros pré-adolescentes e jovens daquela época, desenvolverem dentro das escolas da Paróquia, um processo de discernimento vocacional, quero recorda que Dom Tavares sempre dizia que no seu roçado, ou seja as escolas, de padres á Juízes, de Operários a Doutores, de marceneiros á professores, tudo tinha dado. Que apostolado fecundo! Como todos podem perceber, é extremamente impossível falar do despertar vocacional de Francisco Pinto, sem a participação do seu grande promotor vocacional Padre Tavares. Padre Tavares, ao criar em Angicos, a escola Apostólica Cura d Ars, talvez nem imaginasse, que num futuro tão próximo, haveria de oferecer a Igreja, grandiosos sacerdotes e até um Bispo. Sim, um legitimo sucessor dos Apóstolos, aqui viu desabrochar sua vocação, sob o olhar de São José, e a educação na fé, dada por Pe Tavares. É mister nesse momento, a partir Dom Matias, nosso estimado arcebispo emérito, mencionar todos os que foram ordenados, ex-alunos da escola Apostólica cura ars, alguns por serem filhos genuínos de Angicos, aqui presidiram suas primeiras missas.
• Cônego Antônio Antas (in memoria) também ilustríssimo filho de Pedro Avelino, que após ordenado, além de Vigário Coadjutor de Angicos, foi o primeiro Pároco da Paróquia de São Paulo Apostolo criada aos 17 de abril de 1952.
• Mons. José Edson Monteiro (in memória) filho da antiga vila de São Romão, atual Cidade de Fernando Pedrosa.
• Mons Vicente de Paulo da Costa Vasconcelos (in memoria) que neste ano também celebramos seu centenário de nascimento, por quase 40 anos foi pároco de Lajes e por quase duas décadas, também curou a paróquia de São Rafael.
• Mons. Lucilo Alves Machado (in memória) filho genuíno desta terra de São José, dentre os inúmeros ofícios que teve na Igreja particular de Natal, quero destacar que foi reitor do Seminário de São Pedro.
• Mons. Inácio, de Loiola Bezerra, Filho de Afonso Bezerra, nos seus 87 anos, é um testemunho de amor e serviço à Igreja de Deus, residi atualmente no seminário de São Pedro, foi o sacerdote que sendo pároco de Macau, batizou o Mons. Jailton.
• Padre Francisco Canindé dos Santos, como ele mesmo sempre diz: Filho de Pelo-sinal no pé da serra do Cabugi. Daqui saiu e ingressou no seminário da Diocese de Mossoró. Nos seus 61 anos de sacerdócio, há 60 anos está em Assú, como grande missionário de Deus, e anunciador do evangelho.
• Padre Antônio Xavier de França (in memória) genuíno filho de Angicos, ordenado aos 23 de setembro de 1962, aqui celebrou sua primeira missa em 30 de setembro.
• Padre Jocelim Martins de Azevedo. Dos encaminhados por Pe Tavares ao Seminário, foi o último a ser ordenado.
OBSERVAÇÂO IMPORTANTE: Estes dois últimos sacerdotes citados, ambos posteriormente deixaram o ministério sacerdotal, e após dispensa do estado clerical, contraíram o sacramento do matrimônio. Sempre presentes com suas famílias em nossa comunidade, sobretudo nas festas de São José, é, portanto, para todos nós, testemunhas da fé e do amor em Deus e de fidelidade a Cristo e a Igreja.
Por alguns instantes, estamos a contemplar o frutuoso trabalho vocacional, que o Pe Manoel Tavares desempenhou em Angicos, por isso ao ser nomeado para substitui-lo, em 1959, o jovem Padre Pinto, sempre relatou em diversas ocasiões que teve medo. Lembro bem, que na Celebração do seu Jubileu de Ouro sacerdotal, em 08 de dezembro de 2005, ele disse na Missa campal, na praça Capitão José da Penha:
Quando fui nomeado para Angicos, tive medo, pois substituir o Monsenhor Tavares para mim não era uma tarefa fácil, mas sempre contei com a graça de Deus, e a poderosa intercessão de Nossa Senhora e São José.
Com o povo angicano, Padre Pinto viveu as inúmeras transformações sociais, políticas, educacionais e até eclesiais, a saber:
• Eletrificou a matriz de São José, como sabemos a luz elétrica chegou ao RN, 1963 no governo do angicano, Dr Aluízio Alves.
• Atuou na fundação do Sindicato dos trabalhadores rurais, uma das iniciativas protagonizadas pela Doutrina Social da Igreja, sem esquecer que Pe Pinto, além de continuador do trabalho de Dom Tavares, ele foi ordenado presbítero, por Dom Eugenio Sales, Bispo auxiliar de Natal, idealizador e uma das mentes pensantes, do histórico Movimento de Natal.
• Implementação do Concilio Vaticano II- Pe. Pinto, não só, acolheu de bom grado o protagonismo dos leigos, como viveu a Transição litúrgica.
• TRANSIÇÂO LITURGICA: Quando foi ordenado, até o início do seu ministério aqui, celebrou em latim, eu mesmo tive o privilégio, de ver o seu Missal Romano, utilizado na sua primeira missa, tudo em latim. Para isso, o mesmo mandou confeccionar, 03 Altares em madeira, 01 para a matriz de São José e 02 para as Capelas de Fernando Pedroza e Afonso Bezerra, isso por que além das Missas passarem a serem celebradas na língua vernácula, fez-se necessário, mudanças no espaço litúrgico.
Padre Pinto, cultivava por Angicos, grande afeto. Na última Missa, por ele celebrada na Matriz de São José, na memorável noite de 08 de dezembro de 2017, a grandiosa solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria, aniversário de sua Ordenação, após pedir perdão ao povo angicano, si ele tivesse magoado alguém, ou ao menos, não correspondido o esperado, concluiu suas emocionantes palavras dizendo:
• sou angicano
• Amo Angicos
• Amo a Igreja de Angicos.
Por fim, agradeço ao Monsenhor Jailton, pelo convite e a Prof. Marileide Matias por compartilhar com ela, esse momento histórico de nossa tão estimada paroquia, em homenagem ao centenário de nascimento daquele que, sendo filho de um abastado fazendeiro, por amor abraçou o sacerdócio, e tornou-se um servidor da fé, da educação e do amor, nestas terras do Glorioso São José.
Para concluir, recordo, como nos aconselha o autor sagrado da Carta aos hebreus 13,7:
• Lembrai-vos de vossos dirigentes, que vos pregaram a palavra de Deus, e, considerando o fim de sua vida, imita-lhes a fé.
Aqueles que de fato, querem preservar a memória e o legado do Monsenhor Pinto, imiti-o nas suas virtudes...
---Antes de tudo, quero expressar minha gratidão a Deus por esta manhã ensolarada de sexta-feira e, sobretudo, pelo dom da vida e pela oportunidade de estarmos reunidos neste momento tão significativo para a história de Angicos.
Quero manifestar também minha profunda gratidão ao vereador Francisco Batista Filho, pela tão nobre proposição de tornar Mons. Francisco Pereira Pinto Patrono da Educação Angicana, e aos demais vereadores desta Casa Legislativa pelo acolhimento e aprovação de uma iniciativa que reconhece a importância de um homem cuja vida esteve profundamente ligada à educação, à religião e à história do nosso povo.
Falar sobre Mons. Francisco Pereira Pinto é falar sobre Angicos. É falar sobre a nossa história, sobre a formação de gerações e sobre um homem que dedicou grande parte de sua existência ao serviço de Deus e da comunidade.
ANTECEDENTES DE UMA HISTÓRIA DE DEDICAÇÃO À EDUCAÇÃO
Para compreendermos a dimensão do trabalho realizado por Mons. Pinto, é importante recordar aqueles que o antecederam e que também contribuíram para a construção da história educacional de Angicos.
Entre os anos de 1936 e 1959, esteve à frente da Paróquia de São José dos Angicos o Pe. Manoel Tavares de Araújo, que posteriormente deixou Angicos para tornar-se bispo da Diocese de Caicó.
Pe. Manoel Tavares foi um homem que viveu muito além de seu tempo. Durante sua permanência em Angicos, foram construídas duas das maiores instituições de ensino da cidade. O Colégio Cônego Leão Fernandes, criado inicialmente para atender às meninas, foi inaugurado em 1949 e corresponde hoje ao Educandário Padre Félix. Já o Colégio Padre Félix, destinado aos meninos, foi inaugurado em 1952 e corresponde atualmente à Escola Estadual Joana Honório. Também foi responsável pela criação do Albergue para Idosos São Francisco de Paula, inaugurado em 24 de dezembro de 1958, cuja memória permanece viva no espaço que hoje conhecemos como a casa de Dona Bena.
Quando Dom Manoel Tavares de Araújo deixou Angicos, em 12 de janeiro de 1959, quem passou a celebrar as missas dominicais na Paróquia de São José dos Angicos, até a posse do novo vigário, foi o Pe. José Edson Monteiro, que já atuava na Paróquia de Santana do Matos.
Entretanto, a exemplo do Pe. João Teotônio, Pe. José Edson recusou-se a residir e assumir definitivamente a Paróquia de Angicos, por ser natural de Fernando Pedroza e considerar que a proximidade com os laços familiares poderia dificultar essa missão.
Foi então que, em 23 de junho de 1959, o Sr. Arcebispo Dom Marcolino Esmeraldo de Souza Dantas anunciou a nomeação do Pe. Francisco das Chagas Pereira Pinto para a Paróquia de São José dos Angicos, nomeação feita pela S. S. Papa São João XXIII.
Poucos dias depois, em 5 de julho daquele mesmo ano, acompanhado pelo Bispo Auxiliar Dom Eugênio de Araújo Sales, Pe. Francisco Pereira Pinto tomou posse da paróquia, às 19 horas. Na ocasião, houve discursos de boas-vindas por parte das autoridades presentes. Começava, naquele momento, uma história que se prolongaria por quase meio século à frente da Paróquia e por quase seis décadas de convivência com o povo de Angicos.
PE. PINTO: SACERDOTE, EDUCADOR E CONSTRUTOR DE GERAÇÕES
Mons. Francisco Pereira Pinto permaneceu durante 49 anos como administrador da Paróquia de São José dos Angicos. Mesmo depois de deixar a administração paroquial, em 2008, continuou profundamente ligado à cidade, convivendo conosco até janeiro de 2018, quando fez sua Páscoa definitiva. Isso significa que tivemos o privilégio de conviver com Mons. Pinto durante 57 anos.
Ele gozava ainda da prerrogativa de ter sido o último dos chamados vigários pontifícios do Rio Grande do Norte, por ter sido nomeado pároco diretamente pelo Papa São João XXIII. A expressão "pontifício" está relacionada justamente a essa nomeação feita pela autoridade do Papa, o Pontífice Romano.
Falar sobre o legado deixado por Mons. Pinto pode parecer fácil, porque muitos dos que estão aqui tiveram o privilégio de conviver com ele. Mas, ao mesmo tempo, é uma tarefa difícil, porque foram tantos os seus feitos que corremos o risco de sermos injustos e deixarmos de mencionar alguma de suas inúmeras contribuições. A importância de Pe. Pinto para a educação de Angicos e de toda a nossa região foi gigantesca. Ao assumir o pastoreio da Paróquia de São José dos Angicos, em 1959, Pe. Pinto iniciou também uma trajetória que, logo no começo da década de 1960, o levaria a uma participação direta e decisiva no campo educacional.
Em 1960, foi responsável pela chegada da CNEC — Campanha Nacional de Escolas da Comunidade — a Angicos. Com ela, veio também o Ensino Médio, então denominado 2.º grau, para toda a região central do Rio Grande do Norte. Jovens de Fernando Pedroza, Afonso Bezerra, Pedro Avelino, Lajes, São Rafael, da Algodoeira São Miguel e de Santana do Matos deslocavam-se todas as noites para Angicos em busca de formação.
Hoje, mais de cinco décadas depois, é impossível não perceber a força simbólica dessa história. A cena, de certa maneira, volta a se repetir: Angicos continua recebendo jovens de diferentes municípios da região, agora não mais para cursar o Ensino Médio, mas para buscar uma formação superior na UFERSA, (Universidade Federal Rural do Semi Árido).
A relação de Pe. Pinto com Angicos não se limitava, portanto, ao exercício do sacerdócio. Ela se expressava também na educação e na convivência cotidiana com a população. Pe. Pinto realizou um feito extraordinário. Foi sacerdote de Angicos, Pedro Avelino, Afonso Bezerra e Fernando Pedroza, além de atender pastoralmente à comunidade da Algodoeira São Miguel. Paralelamente ao sacerdócio, exerceu também a função de diretor de duas das principais escolas existentes na cidade: a CNEC exerceu a direção de 1960 a 1984, durante 24 anos, quando passou a direção ao professor Manoel Heleno Alves. (in memorian) e a Escola Estadual de Angicos, hoje Escola Estadual Joana Honório da Silveira Moura, exerceu a direção de 1971 a 1997, permanecendo por 26 anos à frente da instituição. Em 1997, passou a direção para a professora Maria Ivoná Lopes de Araújo. E não parou por aí. Foi também professor de Língua Inglesa, Moral e Cívica, Organização Social e Política do Brasil — OSPB — e Francês. Esses números revelam muito mais do que longos períodos administrativos. Revelam principalmente, compromisso, perseverança e uma compreensão muito clara de que para ele a educação era um dos principais caminhos para o desenvolvimento de uma comunidade.
UMA VIDA DEDICADA À FORMAÇÃO DA JUVENTUDE
Na condição de vigário da Paróquia de São José dos Angicos, Pe. Pinto construiu sua relação com a cidade por meio de inúmeras ações pastorais: batizados, confissões, primeiras eucaristias, casamentos e tantos outros momentos que marcaram a vida religiosa das famílias.
Em janeiro de 1966, recebeu na paróquia as Irmãs Doroteias, para auxiliá-lo no trabalho pastoral junto às comunidades. A chegada das religiosas contou com a presença do então governador do Estado, o Exm.º Sr. Aluízio Alves. Na ocasião, foi criado o Colégio São José, instalado no prédio do Instituto Cônego Leão Fernandes.
Pe. Pinto e a cidade de Angicos construíram, assim, um projeto educativo voltado para o progresso intelectual de toda a região. A formação oferecida por essas escolas contemplava especialmente as áreas das Humanidades, com atenção à educação retórica, moral e cívica. A vida religiosa e a vida educacional de Pe. Pinto se entrelaçavam como as páginas de um grande palimpsesto — aquele antigo manuscrito escrito sobre uma superfície que, mesmo depois de apagada, conserva marcas de textos anteriores.
A formação de Mons. Pinto começou muito antes de sua chegada a Angicos. Teve suas primeiras raízes em sua família, especialmente na figura de sua mãe, Dona Anna Amélia Pereira. Tudo aquilo que ele viria a realizar posteriormente era também resultado de uma formação humana, religiosa e intelectual construída ao longo de toda a sua vida.
O PASTOR E SUA COMUNIDADE
Como pastor dos fiéis da Paróquia de São José, Mons. Pinto foi reconhecido pela população como um zeloso condutor de seu rebanho. Sua vida e sua obra estão intimamente relacionadas ao contexto histórico de Angicos e da região. Afinal, construir uma biografia significa também compreender o contexto social em que o indivíduo atuou, os espaços em que viveu e as múltiplas relações estabelecidas ao longo de sua existência.
Na segunda metade do século XX, Pe. Pinto estabeleceu com Angicos uma relação profunda, marcada pelas práticas religiosas, pela educação e pela convivência cotidiana com as pessoas. Seja como responsável pela instalação da Escola Cenecista, seja como diretor da Escola Estadual de Angicos, como professor ou como sacerdote, a vida de Pe. Pinto esteve sempre ligada a esta cidade e, por que não dizer, a toda esta região.
Seu nome se inscreveu na história educacional de Angicos por suas iniciativas e práticas de implantação, organização e fortalecimento do ensino. Foi responsável por transformar a cidade em um verdadeiro núcleo de irradiação da sabedoria sertaneja para toda a região. A CNEC e a Escola Estadual de Angicos, pela notoriedade e longevidade que alcançaram, expressam a importância da ação de Pe. Pinto no campo educacional de Angicos e de sua circunscrição.
UMA PRESENÇA QUE ULTRAPASSOU OS MUROS DA IGREJA E DA ESCOLA
Francisco das Chagas Pereira Pinto escreveu seu nome na história e na memória de um povo com marcas religiosas, sociais e educacionais. Mas essa escrita não pode ser limitada apenas a esses campos. Como vigário da Paróquia de São José dos Angicos, pároco de Pedro Avelino, Afonso Bezerra e Fernando Pedroza, diretor e professor das escolas já mencionadas, Pe. Pinto estabeleceu uma relação estreita e, ao mesmo tempo, ampla com toda a microrregião central do Rio Grande do Norte. Sua atuação alcançou diferentes dimensões da vida comunitária: a religiosa, a econômica, a social e a educacional.
Sua presença se fez sentir nas famílias, nas igrejas, nos funerais, nos sítios e fazendas, nas instituições públicas e privadas e nos mais diversos espaços de sociabilidade. No campo religioso, Mons. Pinto esteve à frente da Paróquia de São José dos Angicos desde 1959 até 4 de agosto de 2008, quando passou a administração paroquial ao Revmo. Vigário Administrador, Pe. Vicente Fernandes Neto, tornando-se Pároco Emérito da Paróquia de São José dos Angicos. Sua formação clássica, sua educação estética e retórica e sua experiência pastoral contribuíram para a construção de um modo muito particular de exercer o sacerdócio e de se relacionar com a comunidade.
O RECONHECIMENTO DE OUTROS MUNICÍPIOS
A importância de Mons. Pinto não foi reconhecida apenas em Angicos. Em 13 de outubro de 1995, recebeu o Título de Cidadão Afonso-Bezerrense, por solicitação do vereador Francisco Nilo da Cruz, por ocasião dos quase 40 anos de sua vida sacerdotal. Em 19 de agosto de 2000, recebeu o título de Monsenhor, outorgado pelo então Papa São João Paulo II. Em 20 de dezembro de 2008, recebeu o Título de Cidadão Fernandopedrozense, concedido por iniciativa do então vereador Magnos Alves Batista. Na ocasião, essa que expressa o reconhecimento do povo de Fernando Pedroza pela sua grandeza espiritual e o testemunho transmitido aos fiéis e conterrâneos ao longo de sua caminhada.
Em seu discurso, Mons. Pinto afirmou:
“Cumpre salientar que, se não posso apresentar algo deslumbrante aos olhos, é porque muitas vezes o essencial é invisível.”
E acrescentou que seu maior legado estava no trabalho persistente realizado durante mais de 40 anos na Paróquia de São José dos Angicos, especialmente no patrimônio espiritual construído junto ao povo de Fernando Pedroza.
Mons. Pinto também recordou sua presença na vida das pessoas: “Quase todos os pedrozenses nascidos de família católica nesta gleba, no espaço de 40 anos, podem exibir seu título de cristão, do qual fui protagonista.”
E completou:
“Estive presente na vida deste povo, em todos os momentos circunstanciais de alegria ou de tristeza, do berço ao túmulo.”
Mas sua preocupação, como ele próprio fez questão de destacar, não se restringia ao campo religioso. Ele também se dedicou à educação.
Ao falar sobre sua trajetória, recordou a criação da Escola do Comércio de Angicos, de nível ginasial, que posteriormente se tornou o Centro Educacional Padre Félix e se expandiu para o Ensino Médio, que até então não existia na região.
O EDUCADOR QUE AJUDOU A TRANSFORMAR DESTINOS
Na condição de educador, Pe. Pinto assumiu diversas disciplinas e, muitas vezes, precisou estar além dos limites paroquiais. Mas sua ausência física da paróquia representava, na verdade, outra forma de presença: a presença junto aos jovens, às escolas e aos projetos responsáveis pela ampliação do conhecimento e pela construção de novas oportunidades profissionais.
Por meio da educação, Pe. Pinto ajudou a abrir caminhos. Jovens que antes precisariam deixar suas cidades para buscar formação passaram a encontrar em Angicos uma possibilidade concreta de estudar, crescer e construir seus próprios caminhos. É por isso que a ligação entre Pe. Pinto e Angicos não pode ser compreendida apenas como uma relação entre um sacerdote e sua paróquia, ou entre um professor e suas escolas. Trata-se de uma relação muito mais profunda: a relação entre um homem e uma comunidade que ele ajudou a formar.
UM LEGADO QUE PERMANECE
Hoje, quando essa nobre Casa Legislativa reconhece Mons. Francisco Pereira Pinto como Patrono da Educação Angicana, não está apenas homenageando um sacerdote. Está reconhecendo um educador. Está reconhecendo um homem que compreendeu que evangelizar também poderia significar educar; que cuidar de uma comunidade também significava abrir escolas, formar professores, ensinar jovens e criar oportunidades.
Mons. Pinto escreveu seu nome na história de Angicos não apenas com palavras, mas com ações. Escreveu seu nome nas salas de aula, nos livros, nos registros paroquiais, nas cerimônias religiosas, nas famílias, nas lembranças dos seus alunos e na memória de todos aqueles que tiveram o privilégio de conviver com ele. E há algo particularmente bonito em sua história: o desejo de permanecer junto daqueles a quem dedicou a vida.
Uma das frases que mais nos transmitem a boniteza da vida de Mons. Pinto foi justamente aquela em que expressou o desejo de ser sepultado perto dos seus.
Perto do seu povo.
Perto de Angicos.
Perto daqueles com quem compartilhou alegrias, tristezas, conquistas, dificuldades, fé, educação e esperança.
E talvez seja exatamente por isso que, mesmo depois de sua partida, Mons. Pinto continue tão presente.
Porque algumas pessoas partem fisicamente, mas permanecem na história.
Permanecem na memória. Permanecem nas obras que construíram.
Permanecem nas pessoas que ajudaram a formar. E Mons. Pinto permanece em Angicos.
Permanece em cada geração de estudantes que passou pelas escolas que ajudou a construir.
Permanece nas famílias que receberam seu cuidado pastoral.
Permanece na memória daqueles que aprenderam com ele.
Permanece na história desta cidade.
GRATIDÃO
Por tudo isso, podemos falar com orgulho da honra de termos convivido com um ser humano ímpar, cuja vida foi marcada pela fé, pelo conhecimento, pelo trabalho e pela dedicação ao próximo.
Para os jovens de hoje, talvez pudéssemos dizer, em uma linguagem mais contemporânea:
“Mons. Pinto, o senhor foi — e continua sendo —realmente um homem diferenciado.”
E é com esse sentimento de gratidão que encerramos nossa participação nesta Sessão Solene.
Gratidão a Deus pela vida de Mons. Francisco Pereira Pinto.
Gratidão por tudo aquilo que ele representou para Angicos e para toda a região.
Gratidão a todos aqueles que continuam preservando sua memória e seu legado.
E, de modo muito especial, muitíssimo obrigada a todos os vereadores desta Casa Legislativa por proporcionarem este momento tão significativo para a cidade de Angicos, sobretudo para aqueles que tiveram o privilégio de conviver com nosso querido Mons. Pinto.
Que esta homenagem não seja apenas uma lembrança do passado, mas também um compromisso com o futuro. Que o nome de Mons. Francisco Pereira Pinto, agora reconhecido como Patrono da Educação Angicana, continue inspirando nossas crianças, nossos jovens, nossos educadores e toda a nossa comunidade a compreender que a educação transforma vidas e que uma vida dedicada ao bem comum jamais será esquecida.



