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ARTIGO - Dom Sílvio, nosso bispo auxiliar

  • há 5 horas
  • 3 min de leitura

Padre João Medeiros Filho

Assistente eclesiástico do Mosteiro das Filhas de Santana

 

No primeiro dia de maio (mês mariano), às nove horas, na Catedral Metropolitana de Natal, sob a égide de São José, que inspirou o seu prenome, Dom José Sílvio de Brito será ordenado bispo, sucessor dos apóstolos. Nasceu, cresceu e continua protegido pela Mãe de Deus. Recebeu o batismo em Cruzeta (RN), seu torrão, cuja padroeira é Nossa Senhora dos Remédios, comunidade católica profundamente devota da Mãe de Cristo. Tal veneração especial é fruto das pregações de Dom José Delgado, criador da paróquia e do testemunho cristão de Dr. Nemésio Palmeira, líder mariano, cheio de amor à Mãe do Senhor. Dom Sílvio une-se a Dom João na proclamação da ternura divina, da face misericordiosa de Cristo e do rosto materno de Maria.


Aos oito anos, Sílvio veio para Natal, conheceu o padre belga Tiago Theisen (seu grande orientador espiritual), apóstolo da Zona Norte, pároco de Santa Maria Mãe. Nesta comunidade, despertou sua vocação sacerdotal. Em 1993, entrou para o Seminário de São Pedro para iniciar a formação eclesiástica. Nossa Senhora acompanha sua vida. Das seis paróquias onde exerceu o sacerdócio, cinco são dedicadas à Virgem Maria. Será bispo da Igreja de Cristo, auxiliando Dom João a apascentar a grei do Senhor neste arcebispado, cuja padroeira é Nossa Senhora da Apresentação, primeira paróquia no Brasil detentora desse orago. É o vigésimo segundo antístite nascido em solo potiguar e o sexto seridoense.


O que é um bispo, indagam os fiéis. Trata-se de um presbítero, ungido na plenitude do sacerdócio como sucessor dos apóstolos. Tem como missão colocar-se a serviço de determinada porção do Povo de Deus. Na colegialidade com o Papa e irmãos do episcopado, deverá manifestar “a solicitude por todas as Igrejas” (2Cor 11,28). Para expressar essa colegialidade, os arcebispos e bispos auxiliares recebem a titularidade de uma diocese inativa, lembrando que são pastores. No presente caso, Dom Sílvio detém o título da diocese de Menefessi, na Tunísia. “Deus não o ungirá para privilégios, mas para o serviço”, afirma Santo Inácio de Antioquia. É deste a frase: “Onde está o bispo, aí está a comunidade. Onde está Cristo, aí está a Igreja católica.” Tem também por missão anunciar a Palavra. Por isso, na sé episcopal há a cátedra, cadeira daquele que ensina e orienta. São Leão Magno aconselhava um ordenando: “Seja santo para rezar, prudente para governar e sábio para ensinar.”


Como deve ser um bispo? A literatura eclesiástica é rica sobre o assunto. Antológica é a frase de Santo Agostinho: “Para vós sou bispo; convosco, sou cristão. Aquele é nome de ofício; o outro, da graça.” Infere-se a necessidade da comunhão e fraternidade. Sua virtude indispensável deve ser a humildade. Na primeira audiência com o Cardeal-Prefeito da Congregação para os Bispos, João Paulo II, perguntado sobre os critérios para a eleição ao episcopado, responde-lhe: “O primeiro é a humildade. Aqueles que querem o poder, nós não os queremos!” O Papa Francisco advertia contra a “burguesia espiritual, a tentação de ser meros executivos do sagrado e clientes ‘vips’ de companhias aéreas.” Os eleitos devem ser homens de oração, anunciadores do Evangelho, semeadores da fé, esperança e alegria.


Dom Sílvio sempre foi um padre humilde. Nunca se ouviu falar que aspirava o poder e a ostentação. Discreto, fraterno, acessível, é um homem da liturgia. Nela encontra a figura de Cristo, “Caminho, Verdade e Vida.” Escolheu por lema episcopal as palavras do Ressuscitado aos apóstolos: “Ite et nuntiate” (“Ide e anunciai.” Mc 16,15). Análoga mensagem foi confiada a Madalena, recomendando-lhe comunicar a Ressurreição aos discípulos. Dom Sílvio se propõe ser um arauto da alegria pascal, ao lado de nosso arcebispo, partilhando deste o carisma de fraternidade, diálogo, caridade e acolhimento. Exímio mestre de cerimônias, Dom Sílvio contribuía para torná-las um encontro vivo com Cristo. Seus acólitos da Zona Norte de Natal perguntavam-lhe carinhosa e inocentemente (em razão das vestes litúrgicas de cerimoniário): “Na Catedral, o senhor vai celebrar ou ser coroinha?” Não imaginavam que a batina violeta que usava seria o prenúncio do episcopado. Senhor bispo, abençoe-nos. Faça sempre como o salmista: “Proclamarei o teu nome a meus irmãos” (Sl 22/21, 22).

 
 
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