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Um encontro terno e consolador


Dom Jaime Vieira Rocha Arcebispo de Natal

Prezados/as leitores/as!

Todos sabemos que a Semana Santa começa com o Domingo de Ramos e da Paixão, este ano celebrado no dia 2 de abril. Mas, para a nossa Igreja em Natal, esta Semana é precedida pela tradicional “Procissão do Encontro”. Hoje, sexta-feira da quinta semana da Quaresma, acontece a procissão que lembra o encontro do Filho redentor, carregando a cruz, com sua Mãe, a Virgem dolorosa. Este encontro que faz parte da Via Sacra, embora não esteja relatado nos Evangelhos, é uma piedosa tradição que retrata, dentro da fé da Virgem de Nazaré, o caminho de sua relação com Jesus, seu Filho. Indica sua total entrega aos desígnios divinos. De fato, que a Mãe de Jesus tenha acompanhado seu Filho no caminho até o Calvário, se deduz da sua presença na cruz, relatada no Evangelho segundo São João, como também, a partir da própria profecia de Simeão (cf. Lc 2,34-35).

A Virgem Maria participa da missão do seu Filho. Também ela está incluída na exigência do discipulado cristão: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt 16,24). Esse encontro é marcado pela dor, pelo sofrimento. Mãe e Filho se encontram nas estradas de Jerusalém. Mas, tal encontro não acontece por acaso, mas dentro de uma dinâmica de encontros que marcam a fé cristã. Não é um encontro desesperado, de uma tristeza perdedora. Maria vive esse encontro fortalecida por aquele encontro com o mensageiro de Deus, o portador da alegre e boa notícia: “eis que conceberás e darás à luz um filho... Descerá sobre ti o Espírito Santo...” (Lc 1,31.35). O próprio Jesus vive a dor da paixão sustentado pelo Espírito Santo recebido no Batismo no Jordão. Com o Espírito é possível suportar todo sofrimento.

O Espírito Santo nos encontra, faz possível o nosso encontro com Jesus. Isso é fundamental. O Papa Francisco, dentro do espírito eclesial latino-americano, ressalta sempre: o encontro pessoal com Jesus é o ponto determinante para toda nossa vida de fé e nosso zelo apostólico. “Ter encontrado Jesus foi o melhor que ocorreu em nossas vidas”, afirma o Documento de Aparecida (n. 29). A partir desse encontro a nossa vida, cheia de outros encontros e desencontros, se desenrola toda envolvida pelo Mistério. É o Mistério em nossa vida, presença do Deus Trindade de amor, que nos fortalece e sustenta. Nos três últimos domingos da Quaresma, os Evangelhos apresentam relatos de encontros de Jesus com pessoas que tiveram suas vidas mudadas, algumas contendo curas, ressurreição e conversão. No terceiro domingo da Quaresma, Jesus encontra uma mulher samaritana e ela se torna mensageira dele no seu povoado. No quarto domingo, Jesus realiza a cura do cego de nascença e ensina sobre a luz que Ele traz para toda a humanidade. O encontro com Jesus nos liberta de tudo o que prejudica nossa visão. Não se trata da visão do sentido, mas da visão com os “olhos da fé” (Pierre Rousselot), pois a fé tem a sua luz. No domingo passado, o quinta da Quaresma, Jesus encontra suas amigas, Marta e Maria, e elas relatam a Jesus sobre a morte do irmão Lázaro. O encontro de Jesus com a dor das irmãs de Betânia traz a vida para Lázaro. É um encontro de ressurreição e vida. Ao encontrar Jesus, encontramos um caminho de vida, não de morte. E todo encontro com Ele nos liberta da morte do amor, pois São João no seu relato apresenta Lázaro como um amigo que Jesus ama.

O encontro que vamos contemplar nesta sexta-feira, na Procissão do Encontro, deve lembrar a todos nós que Jesus nos consola pelos desencontros que nos entristecem, mas sobretudo, Ele nos fortalece na fé para que a graça doo encontro da nossa vocação sustente a nossa caminhada e nos faça lembrar, como certamente Ele disse à sua Mãe: “Eis que faço novas todas as coisas” (Is 65,17).

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