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Criatividade Pastoral X Dinamismo Superficial


Por Pe. Matias Soares Pároco da Paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório - Conj. Mirassol - Natal


Com a instantaneidade promovida pelas Mídias Sociais, temos a oportunidade de visualizar algumas atitudes, no mínimo curiosas, de muitas manifestações de ministros ordenados nas celebrações litúrgicas nos vários recantos da Igreja no Brasil. São Padres andando de patins, outros descendo em cordas, outros ainda na procissão de entrada para a celebração da Santa Missa, em bicicletas, e assim por diante. As prosopopeias são variadas. Muitos fiéis acham cômico, outros ficam escandalizados e, deste modo, as racionalizações justificam o que podemos perceber como um dos grandes fenômenos da posmodernidade, que é a sua atenção ao efêmero.


O Papa Francisco, numa das suas catequeses sobre a Eucaristia admoestou que “missa não é espetáculo, é ir ao encontro da paixão e ressurreição do Senhor”. Tomo esta passagem porque a vejo como chamada de atenção para tantos outros comportamentos que, infelizmente, são tidos por irmãos que presidem as celebrações litúrgicas, como algo relativo. Um aprofundamento acerca do significado da mistagogia das celebrações públicas da Igreja, como manifestação da ação trinitária, e acolhida com espírito de fé, deve ser levado em consideração nas Dioceses e paróquias.

Uma das características do dinamismo frenético é a sua superficialidade. Na sociedade do espetáculo, muitos necessitam de um espaço para a sua autorreferencialidade. O centro não é o substrato, mas a superfície. Há uma crise da razão. Mas, com essa também acontece a da estética. Basta perceber as concepções de arte que alguns estão querendo impor como dimensão do belo. O interessante é que, pouco a pouco, parece ser não só uma característica étnica; mas fruto de uma época que vive de modalidades desvinculadas do que deveria ser vinculante. O Pontífice já ensinou que “temos necessidade de uma mudança de mentalidade pastoral, mas não de uma ‘pastoral relativista’ — não, isto não — que no seu desejo de estar presente na ‘cozinha cultural’ perde o horizonte evangélico, deixando o homem confiado a si mesmo, emancipado da mão de Deus. Não, isto não! Este é um caminho relativista, o mais fácil. E ele não poderia chamar-se pastoral!(27/11/2014)”.


As comunidades cristãs precisam redescobrir, pela via da contemplação e da formação cristãs, que têm na celebração e participação da vida sacramental da Igreja um dos seus lugares de encontro privilegiados com o Senhor, a fonte de encantamento com mistério de Deus. Processos qualificativos precisam ser dados. Uma atenção à questão é necessária, pois se há quem ofereça o produto é porque tem alguém que, sem discernimento, o acolhe.


Quando fala sobre a paróquia, Francisco afirma que a docilidade e a criatividade missionária é o que dará plasticidade ao dinamismo da vida paroquial (cf. EG, 28). Essa criatividade pastoral, ou missionária, exige dos membros dos que a compõem essa capacidade de saída e de sinodalidade, ou seja deste caminhar junto ao encontro dos outros, nas diferenças. Tanto uma, como outra, é fruto da conversão pessoal. Sempre podemos ter presente que a formação permanente dos próprios ministros ordenados entra como ponto importante nesta construção artesanal. Há uma constatação de que as tantas atitudes excêntricas são formas, na maioria das situações, de compensação do hiato que existe de algo mais substancioso.


Por fim, esses sinais precisam ser levados em consideração nas reflexões e organização da ação evangelizadora da Igreja, na formação das comunidades, no conhecimento do que a Igreja ensina, sempre podendo renovar o que é secundário, sem permitir que Jesus Cristo, que é o centro da ação celebrativa da Igreja venha a ser eclipsado. Assim o seja!

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