ARTIGO - Tornar-se só consigo: a síntese do pensamento existencialista
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Pe. José Marcos Silva de Lima
Graduando em Psicologia
Tanto na filosofia, quanto na psicologia, o pensamento existencialista é bastante presente em estudos da subjetividade humana, nos quais temas como liberdade, angústia, medo e culpa são refletidos tendo como respaldo teóricos que aprofundaram essas questões. Entre estes, podemos elencar Soren Kierkegaard (1813-1855), nascido na Dinamarca, considerado pai do existencialismo. Além de filósofo, Kierkegaard era teólogo luterano, teologia essa, que irá influenciar todo o seu pensamento. Ele irá trabalhar de modo especial o tema da angústia existencial. Jean Paul Sartre (1905 - 1980). Filósofo francês, expoente do existencialismo ateu e do tema da liberdade condicionada. É dele a expressão, A existência precede a essência. Na visão de Sartre, primeiro existimos para depois nos construir. Essa visão será também a base para se entender o existencialismo como um todo. Martin Heidegger (1889 - 1976). Nascido na Alemanha, é um importante filósofo para se estudar o tema da finitude humana. Foi aluno de Edmund Husserl, pai da fenomenologia. Viktor Frankl (1905-1997), Austríaco, fundador da Logoterapia, de cunho existencialista, sobrevivente dos campos de concentração nazista. Segundo este autor, no ser humano existe uma vontade de sentido, mesmo diante de situações limites da existência. Com relação a finitude que é um dos temas peculiares do existencialismo, a morte, sobretudo para Heidegger é a libertação de tudo e ao mesmo, a totalidade do projeto do ser humano.
Estes são apenas alguns dos pensadores que moldaram a corrente existencialista, não só com suas contribuições teóricas, mas, sobretudo com suas experiências de vida, por vezes dramáticas. Aliás,viver será sempre um drama, e é nesse drama existencial que vivemos procurando dar um sentido a todas as coisas.
O título desse artigo elucida uma questão muito presente nesta sociedade , que segundo, Byung-Chul Han, chamou de Sociedade do Cansaço, Título, inclusive, de sua célebre obra. Uma sociedade de pessoas ansiosas, tremendamente angustiadas e sem repouso mental. O que vemos é uma preocupante, para não dizer angustiante, solidão existencial mortífera. Mesmo em meio a uma multidão, o medo do desamparo e da rejeição se torna brutalmente presente no interior humano. Uma solidão assim não leva senão ao desespero diante da vida, conforme já bem trabalhou Kierkegaard em sua obra O desespero Humano, de 1849. Tornar-se só consigo é a síntese de todo o pensamento existencialista. Uma vez que estamos no mundo à procura de um sentido para a vida em meio ao medo, a angústia e ao desespero. Lançados ao mundo somos responsáveis pelo que fazemos ou deixamos de fazer. Escolher não é uma mera opção e sim uma necessidade existencial. Quando escolho não escolher, já estou escolhendo. O caminho existencial da vida é sempre uma tentativa de sair dessa solidão tecida de carências afetivas e materiais para uma solitude na qual a única companhia será a de nós mesmos na grande aventura da busca pelo sentido da vida que não está fora nas coisas e pessoas, e sim dentro de nós, na angústia de sermos humanos.



