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ARTIGO - Recorramos a São José!

  • há 2 horas
  • 4 min de leitura

Pe. Luiz Antônio Aguiar da Silva

Vice-reitor do Seminário de São Pedro

 

A tradição da Igreja atribuiu uma devoção especial a cada mês do ano, e o mês de março é dedicado em particular a são José, casto esposo da Virgem Maria e padroeiro da Igreja Universal. São José é conhecido como o “santo do silêncio” porque não se conhece uma palavra pronunciada por ele, mas sim as suas obras, sua fé e amor que influenciaram em Jesus e em seu santo matrimônio.


São José é invocado na Igreja como padroeiro e intercessor em diversas situações: Patrono universal da Santa Igreja - Proclamado pelo Papa Pio IX em 1870, como protetor de toda a Igreja Católica; Padroeiros dos Trabalhadores - Sua profissão como carpinteiro (ou "operário" – cf. Mt 13, 55) representa a dignidade do trabalho humano, sendo celebrado especificamente como São José Operário em 1º de maio; Protetor das Famílias - Ele é um modelo de pai e esposo dedicado, que cuidou e protegeu a Sagrada Família de Nazaré; Intercessor dos Moribundos (Boa Morte) - Por ter tido uma morte tranquila, com Jesus e a Virgem Maria ao seu lado, é invocado como o padroeiro da boa morte; Padroeiro dos Necessitados e Desanimados - Sua intercessão é buscada por aqueles que estão em necessidade; Pai Nutrício - É o modelo de pai que ensinou e cuidou de Jesus como seu próprio filho; Padroeiro dos Agricultores - No Brasil, também é tido como padroeiro dos agricultores em algumas regiões, especialmente para os sertanejos nordestinos.


Assim, depois de Nossa Senhora, é a São José que devemos honrar e venerar de forma especial. Devemos recorrer a ele em nossas necessidades espirituais e temporais. Santa Teresa D’Ávila já nos diz: “Não lembro de ter rezado a São José, implorando alguma graça, que não a tenha recebido”. E Santa Teresa ainda afeiçoava repetir que “outros santos parecem ter um poder especial para resolver certos problemas. Mas Deus concedeu a são José um grande poder para ajudar em tudo”. Dom Bosco também costumava dizer: “Nunca me acontece de pedir uma graça a São José que não a alcance”. O Papa Francisco escreveu na Carta Apostólica Patris Corde, convocando a Igreja para o Ano de São José: “Todos podem encontrar em são José – o homem que passa despercebido, o homem da presença cotidiana discreta e escondida – um intercessor, um amparo e uma guia nos momentos de dificuldade”. Peçamos a São José muitas coisas, peçamos-lhe em primeiro lugar as graças espirituais e ele nos alcançará também as outras coisas. A Sagrada Escritura lhe dá o denominativo de justo (cf. Mt 1,19). Ele foi justo na observância da lei e dos mandamentos; justo nas palavras, nos juízos, nas obras. Peçamos-lhe esta “justiça”, que significa santidade.


Para honrar um santo de verdade, não basta invoca-lo, é preciso também imitá-lo. Por isso, São José é um especial modelo de fidelidade e de vida interior. Devemos imitar suas virtudes. Ele não fez nada mirabolante, não fez eloquentes pregações, contudo atingiu uma grande santidade, porque foi humilde e fiel às pequenas coisas. Fidelidade às pequenas coisas: eis o grande segredo de São José para cada um de nós. Além disso, São José é perfeito modelo de vida interior. Quem não sabe rezar, quem não sabe meditar, ou tem dificuldade em manter o recolhimento, recomende-se a ele. Em meio a vida agitada do nosso dia a dia, devemos imitar São José, que envolvido em sua missão, permaneceu sempre unido a Cristo e a Virgem Maria, aquecendo o próprio coração junto à lareira sempre viva daquele Sagrado e daquele Imaculado coração.


Devemos, ainda, imitá-lo na vida de humildade, oculta e laboriosa. Trabalhava e mantinha-se com a renda do seu trabalho. Deus o conduziu pelo caminho comum do trabalho, da vida oculta e silenciosa, do sacrifício. São José, contudo, trabalhava generosamente, com “espírito”. Punha todo seu empenho e cuidado em guardar e proteger a vida de Jesus e de Nossa Senhora. Nós também, como ele, devemos empenhar todos os nossos esforços em zelar pela causa e pela honra de Deus. São José procurava, de todos os modos, proporcionar alegria a Nosso Senhor e a Nossa Senhora. A seu exemplo, nós também devemos fazer todas as coisas para dar-lhes alegria, para guardar e zelar vossos corações, para sermos verdadeiros discípulos de Cristo e devotos fervorosos de Nossa Senhora.


Peçamos ainda a São José o amor a Nossa Senhora e à virtude da castidade. Não resta dúvida: ele devia ser “castíssimo” se o Pai lhe confiou a guarda dos seus bens mais preciosos. Embora ele vivesse com a mulher mais atrativamente virtuosa de todos os tempos, ele manteve seu amor “castíssimo” por ela, vendo a Deus dentro dela durante a gravidez e, depois, reverenciando-a com amor puro. Assim, ele se torna modelo de cavalheiro cristão, que regula e canaliza seu amor à esposa de acordo com a vocação e o bem integral dela, e não com seus próprios desejos e necessidades. 

São José é o grande guardião da Igreja, o grande guardião da família e protetor de to

dos nós! Deus o escolheu para uma posição fundamental: cuidar, guardar, vigiar aquilo que é d’Ele, para que Sua graça não se perca em nós, para que não desperdicemos aquilo que Deus nos deu. Recorramos a São José, olhemos Seu exemplo de amor, fidelidade e entrega a Deus, recorramos à Sua proteção! Que a nossa devoção a ele esteja “encarnada” em nossa vida espiritual. “Peçamos a São José o dom da perseverança até o fim” (São  Padre Pio de Pietrelcina).

 
 
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