ARTIGO - Pacto Educativo: um compromisso de todos

Dom João Santos Cardoso
Arcebispo de Natal
Na última reunião do clero e dos articuladores pastorais da Arquidiocese de Natal, dedicamos especial atenção ao Pacto Educativo. Não se trata de um tema ocasional. As novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2026-2032 (Doc. 114 da CNBB), inserem o Pacto Educativo Global entre os compromissos sinodais. Em nossa Arquidiocese, ele integra o Plano Pastoral 2026-2029, que prevê sua implementação nas paróquias, em diálogo com o poder público, famílias, escolas e sociedade.
O tema ganhou novo impulso nestes dias. A Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação da CNBB acaba de apresentar a publicação Novos compromissos do Pacto Educativo Global – Guia pedagógico-pastoral para a Educação Básica, que busca traduzir para a realidade concreta de nossas escolas os três novos compromissos acrescentados pelo Papa Leão XIV ao Pacto Educativo Global: educar para a paz, para a interioridade e para um mundo digital mais humanizado, oferecendo sugestões pedagógicas e pastorais que auxiliem os educadores na concretização desses compromissos.
Tudo isso confirma uma convicção fundamental: educar é compromisso de todos e pertence à missão evangelizadora da Igreja. A educação não pode limitar-se à transmissão de conhecimentos ou à preparação para o mercado de trabalho. Educar é contribuir para o desenvolvimento integral da pessoa, formando a inteligência e a consciência, cultivando a afetividade e a espiritualidade e despertando a responsabilidade social e a capacidade de conviver com os outros.
O Pacto Educativo Global parte justamente dessa compreensão. As novas Diretrizes reafirmam que a pessoa humana deve permanecer no centro do processo educativo e destacam os dez compromissos do Pacto Educativo, que oferecem um horizonte para uma educação verdadeiramente integral: ouvir as novas gerações, corresponsabilizar a família, acolher os mais vulneráveis, cuidar da Casa Comum, cultivar a vida interior, formar para o uso crítico e responsável da inteligência artificial e das novas tecnologias e promover uma cultura de paz, entre outros compromissos.
Nenhuma instituição, porém, educa sozinha. Precisamos reconstruir uma verdadeira aldeia educativa, reunindo família, escola, Igreja, universidades, poder público, organizações sociais, setores produtivos e comunidades. Mais do que distribuir tarefas, é necessário criar vínculos de confiança, corresponsabilidade e cooperação.
No Rio Grande do Norte, temos procurado avançar nessa direção mediante o Pacto Educativo Estadual, articulando a Igreja com instituições de ensino, universidades, gestores públicos, educadores e organizações da sociedade civil. A Igreja não pretende substituir o Estado nem transformar a educação em instrumento de disputas político-partidárias. Deseja servir, mobilizar, promover o diálogo e colaborar para que a educação seja assumida como compromisso permanente com o bem comum.
Também nossas paróquias têm muito a oferecer. Nosso Plano Pastoral determina que o Pacto seja conhecido nas escolas dos territórios paroquiais e propõe encontros envolvendo pais, educadores, estudantes, lideranças comunitárias e agentes pastorais.
Temos uma bela herança educativa, das escolas paroquiais às Escolas Radiofônicas e ao Movimento de Educação de Base. O desafio agora é atualizar essa tradição diante das novas realidades. Educar é semear futuro. Construir juntos uma grande aliança pela educação é ajudar a traçar, no chão potiguar, novos mapas de esperança.



