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ARTIGO - O Pacto Educativo estadual e a Questão Climática

  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Pe. Matias Soares

Pároco da Paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório – Conj. Mirassol – Natal

Capelão da UFRN

  

A Província Eclesiástica de Natal realizou no dia vinte e cinco de agosto do corrente ano o Seminário de Caicó, com a temática do “cuidado com a nossa casa comum”, considerando especificamente os desafios existentes na região do Seridó do nosso RN. Esse é o quarto acontecimento realizado para o desenrolar do Pacto Educativo Estadual, proposto pela Arquidiocese de Natal (cf. https://agorarn.com.br/ultimas/arquidiocese-de-natal-projeto-pacto-educativo-global). Na linha da Doutrina Social da Igreja, a questão climática é o sétimo princípio norteador da proposta do Pacto Educativo Global, lançado pelo Papa Francisco e reafirmado pelo Papa Leão XIV (cf. https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/apost_letters/documents/20251027-disegnare-nuove-mappe.html: 10.1). O evento contou com a participação de mais de duzentas pessoas, com representações institucionais, lideranças políticas, professores, estudantes, ministros ordenados e tantos populares que ali tinham ‘esperança’ de socializar e serem ouvidos nas suas dores e angústias. As três Igrejas Particulares - Arquidiocese de Natal, Caicó e Mossoró - estavam muito bem representadas, com a presença marcante dos bispos, ou seus representantes.

 

A programação constou de acolhida e formação de mesa, assinatura de protocolos de intenções entre as Dioceses e a UERN, com o intuito de serem firmadas parcerias em prol de projetos que somem esforços para o processo educativo e promoção humana das comunidades, conferências de professores que nos apresentaram os desafios que teremos pela frente com a chegada do ‘El Ninõ’, que está a bater às nossas portas, com a contínua problemática social da verticalidade versus a horizontalidade estrutural, que sempre impõe as penalidades aos mais pobres. Essa problemática, naquela região do nosso estado, encontra maiores preocupações devido à exploração mineral que está acontecendo em Currais Novos, que tem tido encantos econômicos imediatos para uma parte da população e sofrimentos para outra, que tem sofrido com as consequências ambientais destas interferências da força das maquinas e presenças ofensivas aos que ali moram e são habitantes nativos.

 

Por trás de tudo isso está a narrativa do progresso, o emprego, a renda e o desenvolvimento; contudo, é sempre necessário perguntar: esses para quem? Para que? A que custo? O que está em jogo é sempre o problema da colonização. Quem tem as possibilidades de domínio e, neste caso, as grandes empresas e mineradoras, que detêm o capital, vem, explora, tira as nossas riquezas, acumula seus lucros e as pessoas, com sua dignidade, são descartadas. Neste contexto, especificamente, a destruição ambiental chegará e só tornará inóspito o cenário que será contaminado e destruído pelas ações humanas. No testemunho das pessoas, que participavam conosco, foi relatado que as mesmas não têm mais a quem recorrer. O poder público, com seus órgãos de controle, não interfere e nem responde às denúncias feitas. Casas estão rachadas e sinais de problemas de saúde já aparecem. Os animais e a vegetação típica da região, a água, que já é de difícil acesso, tendem a ser cada vez mais escassos, devido ao uso descontrolado e à sua possível contaminação futura.

 

Diante de tudo isso, foi indagado o que eles esperam da Igreja. Num primeiro momento, tanto um dos professores, quanto um dos moradores, responderam que esperam a sua “proximidade”. Esperam ser ouvidos e a sua maior inserção na vida das comunidades. O que vale ressaltar, pelo menos neste primeiro momento, é que a mesma Igreja possibilitou este espaço de fala e debate, justamente como um mecanismo de projeção e agendamento dos desafios. É tempo de ver e analisar com toda a sociedade, com uma ampla mobilização e organização popular para que tenhamos meios de resistência e diálogo para possíveis consensos. Neste sentido, não só a Diocese de Caicó, quanto as demais Dioceses da Província, têm que trabalhar de modo sinodal e profético, com anúncio e denúncia. O poder público também deve ir ao encontro das pessoas, principalmente dos mais pobres para sentir os seus dramas; pois ele existe justamente para garantir a “dignidade humana de todas as pessoas’.

 

Enfim, mesmo tendo clareza que a questão ambiental é uma temática transversal, o Pacto Educativo Estadual tem como principal objetivo promover e desenvolver um ‘Movimento’ que priorize a “educação integral e inclusiva” para todos os Potiguares. Para isso, urge uma ‘constelação dos saberes’ (cf. https://cnbbne2.org.br/artigo-o-encontro-de-angicos-e-a-constelacao-de-saberes). Esse é um dos tantos desafios que, todos nós, com essa ‘Aliança Educativa’, temos a responsabilidade cristã, eclesial e cidadã, como norte-rio-grandenses, de enfrentar para o bem-estar do nosso presente e, especialmente, para as futuras gerações. A conversão ecológica, sobre a qual nos admoestou o Papa Francisco, precisa ser ecoada testemunhada em nosso Estado, que não pode entregar-se ao canto das sereias. Para isso, temos que investir na proposta do Pacto Educativo Estadual, que, antes de tudo, tem que ser um projeto de povo (cf.https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2026-05/natal-pacto-educativo-estadual-sociedade-potiguar.html), a fim de que possa ser civilizatório. Assim o seja!

 

 
 
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