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ARTIGO - O Pacto Educativo e os Candidatos

  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

Pe. Matias Soares

Pároco da paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório

Natal-RN

Capelão da UFRN


O nosso estado não tem tido bons resultados na sua educação. Os números são normalmente preocupantes. O jogo das narrativas é constante; mas, quando aparecem os dados, não há como ficar ‘tapando o sol com a peneira’. É uma obrigação de todos os potiguares, nos voltarmos para esse drama social; pois sem educação, não há desenvolvimento humano integral. Como o jogo eletivo já começou, as promessas de saúde, segurança e educação começarão a aparecer. Todos abraçam estas causas e fazem o jogo discursivo, sobre elas, como principais pautas, e também acerca de outras, que são relevantes para suas defesas eleitoreiras. Contudo, depois das eleições ficamos no mais do mesmo. A questão educativa precisa ser levada muito a sério por estes que pretendem ser representantes do povo. O serviço à população deve ser qualificado pela busca de uma educação inclusiva e de promoção da dignidade para todos os norte-rio-grandenses.

 

A província eclesiástica do Rio Grande do Norte, que é composta pelas Arqui(Diocese) de Natal, Caicó e Mossoró, tem defendido a proposta da realização do ‘Pacto Educativo Estadual’. O seu fundamento está na proposição feita pelo Papa Francisco de um Pacto Educativo Global, com sete princípios, num primeiro momento, e mais três atualizados pelo Papa Leão XIV (cf. https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/apost_letters/documents/20251027-disegnare-nuove-mappe.html). A Igreja sempre teve a educação como um dos seus braços do processo de evangelização. Por ela, há o entendimento de que é promovida a dignidade da pessoa na sua totalidade. Com ela, as pessoas tornam-se sujeitos da história, tanto nas conjunturas eclesiais, quanto nas sociais. A Igreja no Rio Grande do Norte deseja ser timoneira desta bandeira em nossa ordem sistêmica. Com a proposta do Papa Francisco, que foi recepcionada pela Campanha da Fraternidade de dois mil e vinte dois, foi retomada essa preocupação de relançarmos a nossa inserção, não só através das nossas instituições educativas, como também nos lançamos para envolver a sociedade nesta luta, que urge ser assumida, afetiva e efetivamente, por todos.

 

Nas proximidades das eleições e cientes da importância do cenário para os rumos políticos do nosso estado, vamos propor que os candidatos, sejam os que pleiteiam assumir o executivo, ou cadeiras no legislativo, assinem o compromisso com o Pacto Educativo Estadual. Nos próximos meses, antes das eleições, teremos dois momentos, que ampliam a discussão sobre esta Aliança nas regiões de Mossoró - dois de junho - e Caicó - vinte e cinco de agosto. Já tivemos um em Natal e outro em Angicos. Nos seguintes estaremos abordando dois princípios: “O papel da mulher no processo educativo do RN” e “Os desafios climáticos e o Pacto Educativo na região do Seridó”. As articulações estão sendo permanentes. O tema da educação não pode ser somente sazonal, nem objeto de lutas políticas de grupos. É uma bandeira a ser carregada por todos. Sem ela, estaremos fadados à alienação e ao subdesenvolvimento. O contexto sócio-político e religioso, massacrado pela polarizações que beneficiam justamente aos grupos políticos, necessita ser desenvolvido pelo investimento no processo de educação inclusivo e para cada potiguar, desde a infância até a fase idosa.

 

No acompanhamento de grupos que tratam da temática da educação, também podemos perceber que essa luta não pode ficar limitada a reuniões burocráticas. Os que são beneficiados por estas estruturas tentam ‘tribalizar’ essa proposta. Infelizmente, considerando os números que nos são apresentados constantemente, essa metodologia é fracassada. Está falida. Ou envolvemos cada instituição e sujeitos sociais nas suas mais variadas expressões, ou não iremos a lugares comuns de progresso e desenvolvimento integral para todas as pessoas. A Igreja com a sua capilaridade e credibilidade pode dar uma excelente contribuição. No momento, temos também a nosso favor o Plano Nacional de Educação, que deve ser acolhido por todos, como uma bússola a ser seguida em nosso projeto. Todos esses fatores poderão servir à tecitura que desejamos alinhar para que o Pacto Educativo seja assumido pela classe política, empresários, associações, igrejas, movimentos sociais e demais entes sociais. Não podemos dar trégua aos desafios ao serem superados para que tenhamos a garantia do direito fundamental à educação. O Rio Grande do Norte, através dos seus representantes, deve abraçar essa nobilíssima causa.

 

A Igreja Católica no estado continuará a buscar diálogos e firmar parcerias. Tanto externamente, quanto internamente, assumirá esse propósito. Está presente em todos os recantos do nosso amado Rio Grande. Tem suas estruturas e poderá fazer muitas ações que favoreçam o processo educativo. Tem as instituições educativas ligadas às congregações religiosas e escolas paroquiais. Testemunhando a sinodalidade, pode fazer acontecer “um novo Movimento de Natal” (cf. https://www.ihu.unisinos.br/categorias/656757-um-novo-movimento-de-natal-uma-possibilidade-artigo-de-matias-soares). A CNBB acaba de construir as suas novas Diretrizes à ação evangelizadora. Com elas, estaremos nos próximos seis anos aprimorando os nossos planos missionários e pastorais, que não podem sonegar a importância e a urgência do Pacto Educativo Estadual, que, a partir das comunidades paroquiais, poderá chegar a todos os municípios potiguares (cf. https://www.arquidiocesedenatal.org.br/post/artigo-os-pactos-educativos-municipais). O desafio é grande, mas com compromisso eclesial e social, podemos dar a nossa parcela de contribuição. Esperamos que os nossos candidatos queiram estar conosco nesta luta. Quem não assumir essa responsabilidade, não merece o nosso voto. Pacto Educativo sim, voto sim! Pacto Educativo não, voto não! Assim o seja!

 


 
 
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