ARTIGO - Fraternidade e moradia – onde moras?
- pascom9
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Diác. Francisco Teixeira,
Coordenador Estadual do Seapac
Ao se aproximar o Tempo Quaresmal, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, propõe a CAMPANHA DA FRATERNIDADE. Neste ano de 2026, o tema é “Fraternidade e Moradia”, e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). A Igreja, no Brasil, nos convida a refletir sobre a importância da moradia digna como expressão concreta de fraternidade e justiça social. Inspirada no exemplo de Jesus, que escolheu habitar entre nós, a Igreja quer nos interpelar a olhar com atenção para as condições de vida de nossos irmãos e irmãs, especialmente daqueles que vivem em situações de vulnerabilidade habitacional, cuja maioria está nas periferias de nossas cidades e dispersas na zona rural de nossos municípios. Quase não lembramos que as famílias campesinas são constantemente alijadas das políticas públicas básicas!
Essa é a segunda vez que a CNBB propõe como tema para o Tempo Quaresmal, a moradia. A Campanha da Fraternidade de 1993 teve como tema “Fraternidade e Moradia” e lema “Onde moras?”. O objetivo central foi afirmar o direito à terra e à moradia como condição básica para a vida plena, valorizando a dignidade do indivíduo, o papel da família como espaço de acolhida e defesa da vida, a fraternidade como exercício de solidariedade e a cidadania como direito de viver em ambientes saudáveis e dignos.
Desde a Rerum Novarum (Leão XIII) até as encíclicas recentes, como a Laudato Si' (Papa Francisco), os papas têm enfatizado a necessidade de combater a falta de moradia e a especulação imobiliária. O Papa Francisco, com muita frequência, nos recordava a doutrina de que a propriedade privada tem uma "hipoteca social" e a necessidade de "teto, terra e trabalho" para todos.
O tema da moradia foi urgente ontem e assim continua hoje. MORADIA: uma situação que se agrava. Basta dar uma olhada nas cidades e notar o contraste que existe entre uma minoria que DOMINA e desfruta dos bens e a maioria que é explorada e marginalizada. São milhares de favelas, de menores abandonados, de pessoas vivendo sem água e sem esgoto, sem saúde e educação, segurança e paz, ou as mínimas condições de vida. A grande maioria mora distante do trabalho, o que aumenta o desgaste físico e diminui a renda familiar.
A escolha do tema proposto reflete a preocupação da Igreja no Brasil, por meio da CNBB, em promover uma sociedade mais justa e solidária, onde todos tenham acesso a uma moradia que proporcione segurança, dignidade e bem-estar. É um chamado à ação concreta em favor dos que não têm um lar adequado, incentivando políticas públicas iniciativas comunitárias que garantam esse direito fundamental. São João Paulo II, ao divulgar sua mensagem de abertura da Campanha da Fraternidade de 1993, pontificou: Cumpre-nos defender o direito, que todos têm, de viver, de possuir o necessário para desenvolver uma existência digna, de trabalhar e descansar, de formar um lar, de passar serenamente o tempo da doença ou da velhice, mas sobretudo de conhecer e de amar a Deus. Quando alguns dos discípulos encontram a Jesus pela primeira vez, eles perguntam espontaneamente: “Mestre, onde moras?” E o Senhor lhes responde: “Vinde e vede” (Jo 1,37-38). Nós também, que fomos chamados “familiares de Deus” (Ef 2,19), Lhe perguntamos: Aonde vives Senhor? Aonde estás, para que nós possamos estar junto de Ti, e viver na condição de filhos de Deus, criados à Tua Imagem e semelhança? A Igreja – e com ela os seus Pastores – assume a grave responsabilidade de responder, em nome de Deus, vinde e vede! Ela tem o dever inalienável de exigir o respeito da pessoa humana, que tem origem nos direitos derivados da sua dignidade de criatura.
Cristo, o Deus feito Homem, veio à terra nos redimir, sem se afastar minimamente das condições de vida que qualquer pessoa se submete neste mundo. O ser humano tem necessidade desse lugar, que não é apenas físico, mas também afetivo, integrador e educativo. A moradia é direito pessoal e familiar. E também importante fator de estabilidade social”.








