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ARTIGO: A dignidade humana no centro da educação

  • pascom9
  • há 13 horas
  • 2 min de leitura

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Dom João Santos Cardoso

Arcebispo de Natal

 

Nessa quinta-feira (28/08/2025), a Arquidiocese de Natal, em parceria com instituições públicas, privadas e da sociedade civil, promoveu o Seminário “Pacto Educativo Global: Desafios e Possibilidades para a Educação do Rio Grande do Norte”. O encontro reuniu representantes de universidades, escolas, órgãos públicos, entidades de classe, educadores e lideranças de diversos segmentos sociais, com o objetivo de recolocar a educação no centro do desenvolvimento humano, social e cultural do nosso Estado.


A iniciativa inspira-se no chamado feito pelo Papa Francisco, em 2019, para reconstruir um Pacto Educativo Global, capaz de unir famílias, escolas, Igrejas, governos, empresas e comunidades na formação integral das novas gerações. Mais do que um evento, o Seminário foi o ponto de partida de um pacto pela educação que exige corresponsabilidade e compromisso coletivo. Afinal, a educação não é tarefa exclusiva da família ou da escola, é missão de toda a sociedade.


A Arquidiocese de Natal possui uma trajetória marcada por iniciativas educacionais inovadoras. Em 1958, o Movimento de Natal lançou as Escolas Radiofônicas, que alfabetizaram milhares de pessoas no meio rural e inspiraram, em nível nacional, o Movimento de Educação de Base (MEB). Hoje, retomando esse legado, a Igreja une esforços com universidades, órgãos públicos e entidades civis para enfrentar os desafios atuais da educação, que vão desde os índices ainda elevados de analfabetismo até a fragilidade na formação integral de crianças, jovens e adultos. As mesas de debate e as propostas apresentadas no Seminário apontaram para a construção de um modelo educativo mais inclusivo, participativo e integral, atento tanto às necessidades locais quanto aos princípios universais que orientam o Pacto.


Entre esses princípios, destaca-se o de colocar a pessoa humana no centro de cada processo educativo, valorizando sua identidade, seus talentos e sua capacidade de relação, em oposição a toda forma de descarte e desumanização. A educação deve formar pessoas conscientes, livres e responsáveis, capazes de viver em comunidade e de contribuir para o bem comum.


Esse princípio se torna ainda mais urgente no mundo de hoje. Avanços em genética, inteligência artificial e neurociência, aliados ao predomínio da lógica econômica, vêm diluindo as fronteiras entre humano, animal e máquina. O risco é reduzir a pessoa a mero recurso, dado ou objeto de manipulação. Falar de dignidade humana, nesse contexto, é reafirmar que ninguém pode ser tratado como meio, mas sempre como fim em si mesmo. É garantir que a ciência, a economia e a política estejam a serviço da vida, e não o contrário.


Educar, portanto, não é apenas transmitir conteúdos, mas trilhar um caminho de humanização. Significa cuidar de todas as dimensões da pessoa — intelectual, ética, espiritual e afetiva —, preparando-a para ser protagonista de um mundo mais justo, solidário e sustentável. Por isso, o Pacto Educativo propõe reconstruir a confiança entre escola, família e comunidade, tão abalada nos tempos atuais, e restaurar a autoridade pedagógica como serviço ao bem comum.


O Seminário realizado em Natal é, assim, um ato de esperança. Ao assumirmos juntos esse compromisso, abrimos caminhos para uma educação que seja luz para nossas escolas, alegria para nossas famílias e sinal de futuro para o Rio Grande do Norte.

 

 
 
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