ARTIGO - De que forma o uso excessivo de respostas prontas geradas por Inteligência Artificial pode afetar o desenvolvimento das competências cognitivas e comunicacionais de um profissional?
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Paulo Roberto Teixeira
Cursando 1° Ano de Teologia
Catequista e MESCE
Paróquia de Nossa Senhora da Conceição - Mãe Luiza - Natal
A contemporaneidade é marcada por uma dicotomia, pois ao mesmo tempo que dispomos de ferramentas capazes de processar dados em velocidades superior a capacidade humana, corremos o risco da busca por informação pronta, sem a cara ou perfil que não condiz com a mensagem/resposta desejada, gerando um excesso de informações. Além disso, não haverá um perfil específico, pois para cada mensagem o emissor terá um perfil, ou seja, um diálogo humanizado, que é constituído de uma fala iniciar, desde a comunicação até a recepção da mensagem ou conclusão do diálogo/pensamento. Como aponta Byung-Chul Han, o excesso de informação não se traduz em conhecimento se não houver a mediação do sujeito. No âmbito profissional, o uso acrítico de respostas prontas geradas por Inteligência Artificial (IA) ameaça o desenvolvimento das competências cognitivas e comunicacionais ao promover uma passividade intelectual.
O primeiro argumento central reside na redução do esforço cognitivo. A neurociência, representada por Miguel Nicolelis, nos adverte que o cérebro opera sob a lógica da plasticidade. Quando um profissional delega a totalidade de sua produção textual ou analítica à IA, ele interrompe o processo de síntese e reflexão do pensamento, sendo essencial para a formação de uma base de conhecimento sólida. Em segundo lugar, a autonomia comunicativa é prejudicada. A comunicação autêntica exige empatia e contextualização, coisa que a IA não reconhece e nem possui, causando uma discrepância muito grande, entre as relações humanas, que além do diálogo, gera afeto, relacionamento e socialização. A dependência excessiva gera profissionais incapazes de sustentar argumentos sem o suporte de uma tela, fragilizando a liderança e a tomada de decisões.
Na área da Educação e Gestão, por exemplo, o uso da IA para a elaboração de planos de ensino ou relatórios de desempenho é comum. Um exemplo concreto é o uso do ChatGPT para redigir feedbacks de alunos ou colaboradores. Se o gestor apenas copia o texto gerado, ele ignora as nuances subjetivas do indivíduo avaliado, transformando a relação humana em um processo burocrático e frio. Além disso, especificamente com relação ao curso de Teologia, já imaginou desenvolver um pensamento reflexivo sobre
um livro sagrado, como a Bíblia e desenvolver uma homília ou estudo bíblico por meio de um aplicativo da IA. Com certeza não teremos uma reflexão que envolva um pensamento fraterno e afetivo, como nos pede o próprio Evangelho, um olhar de caridade e misericórdia para com o nosso irmão. Embora a IA seja uma ferramenta de auxilio poderoso para estruturar dados, o cérebro humano deve reter o protagonismo na curadoria e na interpretação final. Sendo assim, devemos utilizar a tecnologia ao nosso favor e não deixá-la que nos domine, principalmente o nosso pensamento, sendo a autonomia intelectual o maior ativo de um profissional. A tecnologia deve servir como uma extensão da capacidade humana, e não como um substituto que torna o pensamento obsoleto. Preservar o esforço de pensar, questionar e adaptar é o que garante que a comunicação continue sendo um elo de comunidade e o conhecimento.



