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HISTÓRIA

A Arquidiocese de Natal é uma Igreja viva com uma vocação missionária, que tem raízes profundas em um processo de evangelização que remonta ao período colonial do Brasil. Os primeiros missionários a chegarem ao território da Arquidiocese foram os padres jesuítas Francisco Lemos, Gaspar de Samperes e Francisco Pinto. A presença destes missionários e sua atuação evangelizadora junto aos índios potiguara foram essenciais, para o processo de pacificação dos índios, o que possibilitou a ocupação colonizadora e a propagação da Fé Católica em terras potiguares.

Além da ação catequética, o período colonial da Igreja de Natal foi marcado pelo martírio dos Protomártires do Brasil, em Cunhaú e Uruaçu. O martírio, acontecido em 1645, está inserido no contexto da ocupação holandesa no atual Nordeste do Brasil. Os holandeses, de origem calvinista, que dominaram a Capitania do Rio Grande impuseram muitas restrições à prática do catolicismo.

Os conflitos de religião se intensificaram no período final da ocupação holandesa. Com a notícia do início da guerra de reconquista em Recife, os holandeses liderados por Jacó Rabi, juntamente com um grupo de indígenas aliados do governo holandês, vitimaram um grupo de fiéis reunidos para a missa dominical na capela do engenho Cunhaú. Na manhã do dia 16 de julho de 1645, fieis estavam reunidos na igreja de Nossa Senhora das Candeias no Engenho Cunhaú, com seu vigário, o padre André de Soveral, quando foram atacados e martirizados. Outro grupo de fiéis que habitavam a cidade do Natal foi levado para a localidade de Uruaçu, às margens do rio Potengi, onde também foram martirizados. Neste segundo grupo foi martirizado, junto com o padre Ambrósio Francisco Ferro, que era Vigário do Natal, o leigo Mateus Moreira, que em sua agonia proclamou a fé bradando: “Louvado seja o Santíssimo Sacramento”. Os mártires de Cunhaú e Uruaçu foram beatificados no dia 5 de março de 2000, pelo papa São João Paulo II. O beato Mateus Moreira foi proclamado padroeiro dos Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística no Brasil.

A devoção a Nossa Senhora é um traço marcante da Arquidiocese. Essa devoção tem sua expressão máxima na veneração filial à padroeira da cidade do Natal e de toda a Arquidiocese, Nossa Senhora da Apresentação. Segundo a documentação oficial, conhecida pela historiografia local, o título de Nossa Senhora da Apresentação como padroeira de Natal, remonta pelo menos a 1660, conforme consta Carta de Data e Sesmaria concedida ao Pe. Leonardo Tavares de Melo, datada de 2 de janeiro de 1660.

Contudo, foi no dia 21 de novembro de 1753, que segundo a tradição oral, um prodigioso fato marcou profundamente a relação dos natalenses com a sua padroeira. Trata-se do achado de pobres pescadores locais, que ao irem para sua lida diária, bem de madrugada, se depararam com um caixote de madeira encalhado na margem do Potengi, no lugar que, a partir de então, seria conhecido como “Pedra do Rosário”. Ao abrir tal caixote tiveram a surpresa de encontrar uma bela imagem de Nossa Senhora e, junto a ela, uma nota onde, segundo antiga tradição, relatada em 1950, por Mons. José Landim, estava escrito: “Onde parar essa imagem, tirem-na e rendam-lhe culto. Nossa Senhora protegerá o local e defendê-lo-á de todas as desgraças”. Outra versão oral, relatada por Joaquim Lourival Soares da Câmara, diz: “No ponto onde der este caixão não haverá nenhum perigo”. A peculiar frase logo se popularizou na versão defendida por Câmara Cascudo, hodiernamente conhecida e repetida por numerosos devotos: “Onde esta imagem parar, nenhuma desgraça acontecerá”. Os pescadores levaram a imagem para a igreja matriz, onde foi acolhida pelo padre Manoel Correa Gomes, então vigário colado (pároco) da cidade, que a abençoou e a colocou no altar mor. O fato da imagem, que é de Nossa Senhora do Rosário, ter sido encontrada no dia da festa de Nossa Senhora da Apresentação, fez com que logo os fiéis a venerassem com este título.

A aparição da imagem marcou profundamente a religiosidade dos moradores da então pequenina cidade. O rio Potengi, que deu nome à Capitania (e posteriormente ao Estado) do Rio Grande e que acolheu em suas margens o nascimento da cidade do Natal, foi também cenário para o nascimento de uma relação afetuosa e de fé entre a Virgem da Apresentação e a jovem Capital. A imagem de Nossa Senhora da Apresentação, mais que uma bela obra sacra é a expressão material de um sentimento de filiação mariana, uma herança cultural e religiosa enraizada em nossa sociedade. Pelas mãos de pobres pescadores, cujas identidades se perderam na poeira da história, foi atualizado o brado amoroso do Crucificado: “Eis tua mãe” (Jo 19,27).

Quando, em 1889, foi proclamada a República, o Brasil contava apenas com 12 dioceses. Com o intuito de intensificar a presença da Igreja, que a partir do advento republicado havia se separado do Estado, o papa Leão XIII reestruturou a divisão das dioceses. Com a bula “Ad Universas Orbis Eclesias”, a Igreja do Brasil foi dividida em duas Províncias Eclesiásticas, a do Brasil-Norte, com sede em Salvador e a do Brasil-Sul, com sede no Rio de Janeiro. A referida bula papal criou ainda quatro novas dioceses, entre ela a diocese da Paraíba, a qual o Rio Grande do Norte passava a fazer parte.

O primeiro bispo da Paraíba, Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, fez várias visitas ao Rio Grande do Norte. Dom Adauto logo percebeu que o Estado já tinha maturidade para tornar-se uma Igreja Particular independente da Paraíba. Já existiam 31 paróquias, a maior parte provida com padres norte-rio-grandenses. O prelado então liderou os esforços para a criação da diocese de Natal. Em dezembro de 1907, Dom Adauto veio a Natal com o intuito de constituir uma comissão encarregada de preparar a criação da diocese e cuidar das questões patrimoniais. A comissão era composta por: Dr. Olimpio Manoel dos Santos Vital, Des. Jerônimo Américo Raposo da Câmara, Dr. Luiz Manuel Fernandes Sobrinho, Cel. Pedro Soares de Araújo, Pe. Moisés Ferreira do Nascimento, Com. Ângelo Roselli, Dr. Augusto Leopoldo Raposo da Câmara, Dr. Elói Castriciano de Sousa, Cel. Francisco Cascudo, Pe. José de Calazans Pinheiro e Des. João Dionísio Figueira. Em um espaço de dois anos do início dos trabalhos da comissão foi criada a Diocese de Natal, pela Bula “Apostolicam in Singulas”, do papa São Pio X, em 29 de dezembro de 1909.

Dez meses após a criação da nova diocese foi nomeado o primeiro bispo de Natal, Dom Joaquim Antônio de Almeida, que tomou posse no dia 15 de junho de 1911. Até essa data a diocese esteve sob a responsabilidade do bispo da Paraíba Dom Adauto, na qualidade de Administrador Apostólico.

No ano de 1918, tomou posse o segundo bispo de Natal, Dom Antônio dos Santos Cabral, que era sergipano, natural do município de Propriá. Seu governo à frente desta diocese durou quatro anos.

Com a transferência de Dom Antônio dos Santos Cabral para a diocese de Belo Horizonte  (MG), em novembro de 1921, a diocese de Natal foi confiada a Dom José Pereira Alves. Em 1928, ele foi então transferido para diocese de Niterói (RJ).

No dia primeiro de março de 1929, o papa Pio XI nomeou o quarto bispo de Natal, Dom Marcolino Esmeraldo de Souza Dantas, que foi o bispo com o mais logo pastoreio nesta diocese. Foram 32 no efetivo governo diocesano e seis anos como Arcebispo Resignatário. A extensão territorial da diocese e o crescimento no número de fiéis foram fatores que levaram o bispo de Natal a promover a criação de outras duas dioceses no interior do Estado: a primeira em Mossoró (1934), na região oeste, e Caicó (1939), no sertão do Seridó Potiguar. Com a criação das novas dioceses, o papa Pio XII criou a Província Eclesiástica de Natal, elevando a Igreja de Natal ao grau de Arquidiocese, como a Bula “Arduum Onus”, datada de 16 de fevereiro de 1952. Dom Marcolino foi, portanto, o primeiro Arcebispo Metropolitano de Natal.

Em dia 9 de dezembro de 1961, a Santa Sé nomeou Dom Eugênio Sales, Administrador Apostólico Sede Plena. Dom Marcolino faleceu seis anos depois, em Natal, no dia oito de abril de 1967.

Em 1965, Dom Eugênio foi transferido para a Arquidiocese de Salvador  (BA), sendo designado Dom Nivaldo Monte como novo Administrador Apostólico. Após o falecimento de Dom Marcolino, Dom Nivaldo foi nomeado segundo Arcebispo de Natal, em 1967.

Dom Alair Vilar foi o terceiro arcebispo, nomeado em 1988. Ele consagrou a nova Catedral, no dia 21 de novembro de 1988. Uma das principais realizações do pastoreio de Dom Alair e da Arquidiocese foi a realização do XII Congresso Eucarístico Nacional, de 6 a 13 de outubro de 1991. O congresso contou com a presença do papa São João Paulo II.

O quarto Arcebispo de Natal foi Dom Heitor de Araújo Sales, que tomou posse em 15 de dezembro de 1993 e renunciou dia 26 de novembro de 2003. Foi em seu governo que houve a beatificação dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, em 5 de março 2000.

Já de 2004 a 2011, esteve à frente da Arquidiocese Dom Matias Patrício de Macedo, que a mobilizou para um grande projeto de missões populares, visitando várias paróquias na capital e interior.

Nosso atual Arcebispo, Dom Jaime Vieira Rocha, tomou posse no dia 26 de fevereiro de 2012, sendo o 6º Arcebispo Metropolitano de Natal.

Por José Rodrigues da Silva Filho
Historiador