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Seminário: Escola de Discípulos?


Por Pe. Matias Soares Pároco da Paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório - Mirassol - Natal


Uma das grandes preocupações da Igreja, na atualidade, é com a formação dos futuros Presbíteros. Algumas situações de escândalos, perpetrados por ‘poucos’, e agora amplamente divulgados nas mídias sociais, têm portado muitos sofrimentos para todo o corpo eclesial; para o povo de Deus, que ama à Igreja.


Depois do Concílio de Trento (1545-1563), que trouxe a necessidade da implantação de um ordenamento formativo para os candidatos ao ministério ordenado, a Igreja tem reiterado a importância do cuidado com a formação dos mesmos. Podemos, imediatamente , afirmar que a santidade, a saúde e a sabedoria eram as qualidades mais exigidas daqueles que precisavam do itinerário de aprimoramento. Depois do Vaticano II (1962-1965), houve a direção para uma formação integral que contemplasse as seguintes dimensões: humana, espiritual, intelectual e pastoral.


O magistério eclesial, pós-Vaticano II, especialmente com a ‘Pastores Dabo Vobis’, de São João Paulo II, foi referência tida e continua a ser até hoje a bússola para as razões formativas dos seminários. Durante a minha permanência em Roma para estudos teológicos, tive a oportunidade de fazer um curso para formadores de seminários, onde estudei as atuais normativas, já à luz do magistério do Papa Francisco, que trazem para o conjunto das proposições a justa aplicação do ‘discernimento’ a ser exigido no processo de formação. Para que os desafios a serem vividos pelos presbíteros deste hoje, se faz necessário que eles sejam homens de discernimento, ou seja, homens que buscam viver o Evangelho, tendo abertura aos sinais do Espírito Santo em duas vidas.


Uma questão chave, que não pode ser calada, neste contexto tão complexo, é se os nossos Seminários estão atentos a uma formação que prepare os futuros sacerdotes para serem ‘Discípulos de Jesus Cristo’? Será que um mergulho no Evangelho para que os valores do Reino de Deus sejam acolhidos permanentemente e testemunhados por eles, não se faz urgente? Ou será que o grande estilo a ser almejado é o das vaidades, pompas, desvios de caráter, liturgia do pano, dos carreirismos e práticas simoníacas?


Enfim, as situações a serem postas diariamente são muitas e difíceis. Não é possível ser relativizado ou escondido, como alguns faziam antigamente e insistem em fazer até hoje, os desvios existentes? A política é a da seriedade e a da responsabilidade com o bem da Igreja e do Povo de Deus, que a compõe. Querer conduzir os rumos institucionais desta mãe tão antiga e tão nova, não pode ser negligenciado, tendo em vista o bem dos próprios ministros ordenados, que no final de tudo acabam sendo vítimas destas mesmas situações. Vamos em frente com estes questionamentos. Assim o seja!

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