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Laudato si e sua continuação


Dom Jaime Vieira Rocha Administrador apostólico de Natal

Prezados/as leitores/as!

O Papa Francisco anunciou, no dia 30 de agosto passado, que publicará, no dia 4 de outubro, uma segunda Exortação Laudato si’, com a intenção de atualizar as reflexões com os problemas mais recentes no que diz respeito ao cuidado com a casa comum. Por isso, quero retomar alguns pontos daquela Encíclica considerada um dos mais lidos e discutidos dos documentos do Papa.

Por uma ecologia integral

Um tema se destaca na Encíclica e já suscitou comentários e resenhas em vários ambientes: a ecologia integral. E o Papa exorta crentes e não-crentes para sua tarefa na complexa crise ecológica. Não apenas se lamentar, mas agir. “Laudato si” é também um chamado à Igreja e às religiões. Sobre a sabedoria religiosa argumenta: “se tivermos presente a complexidade da crise ecológica e as suas múltiplas causas, deveremos reconhecer que as soluções não podem vir duma única maneira de interpretar e transformar a realidade” (idem, n. 63). Ele reconhece que as diversas riquezas culturais dos povos podem contribuir para essa urgente tarefa. E, como não podia deixar de ser, já que o texto é um documento pontifício, Francisco, no segundo capítulo, apresenta o “Evangelho da criação”, com uma teologia da criação que reconhece que a fé cristã tem motivações altas para assumir uma ecologia integral. Citando São João Paulo II, Francisco lembra que “os cristãos, em particular, advertem que a sua tarefa no seio da criação e dos seus deveres em relação à natureza e ao Criador fazer parte da sua fé” (FRANCISCO. Idem, n. 64).

O exemplo de São Francisco de Assis

Numa página cheia de contemplação, mostrando que a harmonia entre homem e mundo, entre ser humano e natureza, foi rompida pelo pecado, o Papa evoca o testemunho de São Francisco de Assis, considerando-o exemplo de sanação daquela ruptura. Um dos biógrafos do santo de Assis, afirmava que, através da reconciliação universal com todas as criaturas, Francisco voltara de alguma forma ao estado de inocência original (SÃO BOAVENTURA, citado por FRANCISCO. Idem, n. 66). O pecado, ao romper a harmonia querida por Deus, possibilita guerra, violências e abusos, abandono dos mais frágeis, ataques contra a natureza. Eis que, à luz da fé e da Palavra de Deus, somos chamados a viver uma ecologia integral que nos leve a lutar contra tudo isso, pois como redimidos por Cristo, somos criaturas novas e entendemos mais ainda o significado da criação.

Conversão ecológica – espiritualidade ecológica

Antes, quero sublinhar a citação de um documento da CNBB, A Igreja e a questão ecológica, de 1992: “toda a natureza, além de manifestar Deus, é lugar da sua presença. Em cada criatura, habita o seu Espírito vivificante, que nos chama a um relacionamento com Ele” (n. 88).

Linhas de espiritualidade ecológica: 1) uma paixão pelo cuidado do mundo; 2) uma espiritualidade não desligada do próprio corpo nem da natureza ou das realidades deste mundo, mas vive com elas e nelas, em comunhão com tudo o que nos rodeia; 3) conversão ecológica: do encontro com Jesus emergem as consequências das relações com o mundo; 4) ser guardiões da obra de Deus – não é algo opcional nem aspecto secundário da experiência cristã, mas parte essencial de uma existência virtuosa; 5) da conversão integral da pessoa: mudar a partir de dentro; 6) atitudes de gratidão e gratuidade, consciência amorosa de não estar separado das outras criaturas, mas de formar com os outros seres do universo uma estupenda comunhão universal, uso da criatividade e entusiasmo para resolver os dramas do mundo.

Eis o convite do Papa: “Convido todos os cristãos a explicitar esta dimensão da sua conversão, permitindo que a força e a luz da graça recebida se estendam também à relação com as outras criaturas e com o mundo que os rodeia, e suscite aquela sublime fraternidade com a criação inteira que viveu, de maneira tão elucidativa, São Francisco de Assis”.

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