Igreja: memória da Graça e sinal de esperança


Dom Jaime Vieira Rocha Arcebispo de Natal


Prezados leitores/as!

Nesta semana que se aproxima do seu final, a Igreja lembra três comemorações que nos ajudam a refletir sobre a missão e a realidade da Igreja: a memória de São João Maria Vianney, patrono dos padres, celebrada ontem, mas que se repete neste primeiro domingo do mês, a memória da Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, hoje e a Festa da Transfiguração do Senhor, amanhã, 6.


Proclamado patrono de todos os párocos do mundo, pelo Papa Pio XI, em 1929, celebrado pelos últimos santos papas, como São João XXIII, que lhe dedicou uma carta encíclica, “Sacerdotii nostri primordia” (“... as primícias do nosso sacerdócio”), no centenário de sua morte, em 1959, São João Paulo II celebrou, em Ars, na França, em 1986, o bicentenário de seu nascimento, Bento XVI proclamou o Ano Sacerdotal, por ocasião do 150º aniversário de sua morte, em 2009 e em 2019 Papa Francisco celebrou os 160 anos de sua morte, o Santo Cura d’Ars, como é conhecido, é uma inspiração para todos os presbíteros da Igreja Católica, especialmente a humildade, a simplicidade e a caridade. O Concílio Vaticano II afirma que o Sacerdócio ministerial não é um super poder que torna o presbítero um super-cristão, superior aos outros, mas é chamado a viver o seu ministério com as mesmas virtudes do seu patrono. Sim, o sacerdócio a que o padre é configurado parte do Sacerdócio comum a todos os batizados.


O sentido religioso e teológico da Festa da Dedicação de uma igreja é lembrar a todos os fiéis que Deus habita entre nós, que Ele, ao criar o mundo, desejou viver uma história de sua presença na vida dos homens e das mulheres.


De fato, aqui vale lembrar a teologia de São Paulo que afirma que nós somos o templo de Deus, templo do Espírito Santo. “Acaso ignorais que vosso corpo é templo do Espírito Santo que mora em vós e que recebestes de Deus?” (1Cor 6,19). Como somos templos de Deus? São Paulo responde com o significado de Cristo e de sua redenção: “nós não pertencemos a nós mesmos, fomos comprados por preço muito alto”, isto é, ser templo de Deus é uma graça concedida a nós pela bondade e misericórdia de nosso Deus. Que Ele habite em nós é fruto de seu amor infinito, de sua vontade de ternura que criou o mundo para ser o espaço de comunhão dele com os homens e as mulheres (cf. 1Cor 6,19-20). Mas, a base e a fonte da teologia do templo se encontram no próprio Jesus. Ele é o verdadeiro templo de Deus. Nele habita toda a plenitude da divindade, como afirma também São Paulo na carta aos colossenses (cf. 2,9). Ele mesmo proclamou-se Templo, quando do episódio da expulsão dos vendilhões do templo: “Destruí este templo, e em três dias eu o reerguerei...Ora, ele falava isso a respeito do templo que é seu corpo” (Jo 2,19-21).


A Transfiguração do Senhor, mistério luminoso, lembra a todos nós que o destino da humanidade do Filho de Deus é glória divina. Embora seja um episódio temporário, lembra um evento permanente: a Ressurreição. “Mistério de luz por excelência é a Transfiguração que, segundo a tradição, se deu no Monte Tabor. A glória da Divindade reluz no rosto de Cristo, enquanto o Pai O acredita aos Apóstolos extasiados para que O « escutem » (cf. Lc 9,35 par) e se disponham a viver com Ele o momento doloroso da Paixão, a fim de chegarem com Ele à glória da Ressurreição e a uma vida transfigurada pelo Espírito Santo” (SÃO JOÃO PAULO II. Carta Apostólica sobre o Rosário, Rosarium Virginis Mariae, n. 21).