Eucaristia: pão de vida e de esperança


Prezados leitores/as!

Embora o grande tempo litúrgico, o Tempo Pascal, tenha se concluído com a Solenidade de Pentecostes, este ano celebrada no último dia 5, a Igreja ainda nos propõe algumas solenidades, dentro do Tempo Comum, que nos lembram mistérios relacionados ao evento Pascal, onde se dá o cume da autocomunicação de Deus ao homem e à mulher: Santíssima Trindade, próximo domingo (dia 12 de junho), Corpus Christi, próxima quinta, dia 16, Sagrado Coração de Jesus, dia 24 de junho, esse ano coincidindo com a Solenidade da Natividade de São João Batista. Desejo refletir convosco sobre a solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, mais conhecida como “Corpus Christi”. É uma festa muito antiga, as primeiras notícias vêm do século XIII, na cidade belga de Liège. Depois a festa se estendeu a toda a Igreja, por obra do Papa Urbano IV.


A festa lembra, em primeiro lugar, aquela quinta-feira santa em que Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão e deu graças, deu a seus discípulos; e fez o mesmo com o cálice com vinho e disse: “isto é meu corpo... este é o cálice do meu sangue”. A Eucaristia significa o ato de doação, de entrega que o Filho de Deus feito homem, faz de sua vida. O seu Corpo é entregue como alimento, o seu Sangue é derramado por todos. Na festa de Corpus Christi a Igreja tem mais uma oportunidade de agradecer a Jesus por Ele ser o Redentor, o que resgata a nossa vida do pecado e da morte. Ação de graças este é o nome da Eucaristia. “Na Eucaristia, contemplamos e adoramos o Deus do amor. É o Senhor que não divide ninguém, mas divide-Se a Si mesmo. É o Senhor que não exige sacrifícios, mas sacrifica-Se a Si mesmo. É o Senhor que não pede nada, mas dá tudo. Para celebrar e viver a Eucaristia, também nós somos chamados a viver este amor. Porque não podes partir o Pão do domingo, se o teu coração estiver fechado aos irmãos. Não podes comer este Pão, se não deres o pão aos famintos. Não podes partilhar deste Pão, se não partilhas os sofrimentos de quem passa necessidade. No fim de tudo, inclusive das nossas solenes liturgias eucarísticas, restará apenas o amor. E, já desde agora, as nossas Eucaristias transformam o mundo, na medida em que nós mesmos nos deixamos transformar tornando-nos pão partido para os outros” (FRANCISCO. Homilia da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo. 6 de junho de 2021).


A Festa de “Corpus Christi”, celebrada com tanto fervor e devoção, manifesta nossa fé neste Santíssimo Sacramento. Dele nos vem o sentido verdadeiro do culto, onde podemos celebrar a presença do Cristo glorioso em nossa vida. Um culto que agrada a Deus, pois a graça da comunhão, que não é um “prêmio” dos perfeitos, mas fármaco, sustento de nossa fraqueza, nos faz viver da misericórdia do nosso Deus. “Não posso deixar de lembrar, - afirma Papa Francisco - a questão que se colocava São Tomás de Aquino ao interrogar-se quais são as nossas ações maiores, quais são as obras exteriores que manifestam melhor o nosso amor a Deus. Responde sem hesitar que, mais do que os atos de culto, são as obras de misericórdia para com o próximo: ‘não praticamos o culto a Deus com sacrifícios e com ofertas exteriores para proveito d’Ele, mas para benefício nosso e do próximo: de fato Ele não precisa dos nossos sacrifícios, mas quer que nós os ofereçamos para nossa devoção e para utilidade do próximo. Por isso a misericórdia, pela qual socorremos as carências alheias, ao favorecer mais diretamente a utilidade do próximo, é o sacrifício que mais lhe agrada’” (FRANCISCO. Exortação Apostólica sobre a santidade no mundo de hoje, Gaudete et Exsultate, n. 106).


Vivamos esse dia de Corpus Christi na certeza de que Jesus, o Pão da Vida, nos sustenta e conduz para a alegria perfeita.