A fé que anima a Igreja


Queridos irmãos e irmãs!


No Rito da Comunhão durante a Celebração da Eucaristia nós afirmamos: “não olheis os nossos pecados, mas a fé que anima a vossa Igreja”. Com o Ano da Fé, proposto pelo Papa emérito Bento XVI, temos a oportunidade de refletir sobre a fé da Igreja e reconhecermos que ela anima a sua vida, seja na Profissão da fé, seja na caridade, pois como afirma São Paulo: “a fé age pela caridade” (Gl 5,6). Nas comemorações do Ano da Fé, a Igreja é convocada a refletir sobre sua fé e esta é uma ação constante na vida da Igreja. Ela se faz necessária e urgente no tempo em que vivemos, devido a tantos apelos e desafios que a Igreja tem a enfrentar. A fé da Igreja está resumida no Símbolo da Fé, também conhecido como o Credo. Conhecemos, de modo especial, dois modelos de Símbolos da Fé: o Símbolo apostólico e o Símbolo niceno-constantinopolitano. Neles encontramos a Fé exposta para se crer. É a Fé da Igreja.


Mas, a Fé é também celebrada. Na Liturgia, especialmente nos Sacramentos, a Igreja celebra a sua fé. Celebramos a vinda de Deus ao mundo, a manifestação de Deus por meio de seu Filho e do seu Espírito. Esta automanifestação, que é o sentido da Revelação divina (cf. CONCÍLIO VATICANO II, Constituição dogmática Dei Verbum, 2), leva os homens e as mulheres à comunhão com Deus. A automanifestação leva à autocomunicação. É a vida da graça, vida que celebramos na Liturgia.


Muito se falou já da fé como dom de Deus e como resposta do homem. A fé é uma virtude teologal, isto é, com a esperança e a caridade, nos coloca na relação com o próprio Deus. Essas virtudes nos são dadas pelo mesmo Deus. São virtudes infusas. Mas, a fé é uma resposta do homem, ela significa que o homem, ao ser interpelado por Deus é conduzido pelo mesmo Deus a dar uma reposta. Ter fé significa responder a Deus. Como dom de Deus ela não é uma coisa a ser adquirida. A fé é um evento, um acontecimento, uma Pessoa. Na verdade, ela indica uma ação de Deus que se dá a conhecer para se comunicar ao homem e à mulher. Esta autocomunicação de Deus acontece na vida de Jesus e no dom do Espírito Santo. É o que nós afirmamos no Credo, o Símbolo da Fé: creio em Deus Pai, em seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor e no seu Espírito, Senhor que dá a vida. Mas, a resposta do homem não é um artificio intelectual. Ela se dá no amor a Deus e ao próximo. A vinda de Deus, a sua revelação ao povo de Israel e, sobretudo, a manifestação da encarnação do Filho de Deus, Jesus Cristo, aconteceram por causa do infinito amor de Deus pelo homem e pela mulher (cf. Ef 2,4). Deus amou tanto o mundo que enviou o seu Filho (Jo 3,16), e seu envio é para que sejamos resgatados pelo amor. Por isso, a fé como reconhecimento do amor de Deus por nós será sempre uma resposta a esse amor, resposta que se manifesta no amor a Deus, acima de todas as coisas e no amor ao próximo, criado à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1,26).


A fé que anima a Igreja fortalece-a para o testemunho da caridade. De fato, como consequência da fé que age pela caridade, está a Doutrina Social da Igreja, tão importante e tão pouco conhecida por muitos católicos. “Pela relevância pública do Evangelho e da fé e pelos efeitos perversos da injustiça, vale dizer, do pecado, a Igreja não pode ficar indiferente às vicissitudes sociais. Compete à Igreja anunciar sempre e por toda a parte os princípios morais, mesmo referentes à ordem social, e pronunciar-se a respeito de qualquer questão humana, enquanto o exigirem os direitos fundamentais da pessoa humana ou a salvação das almas”.


Conheçamos mais esse corpo doutrinal, tão desenvolvido pelos Papas desses dois últimos séculos. Que ela seja luz para nossas ações pastorais.