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VOCAÇÃO
E MISSÃO DO COMUNICADOR CRISTÃO
I. COMUNICAR TODO MUNDO COMUNICA
Toda pessoa humana sente necessidade de entrar em comunicação
com o(s) outro(s). É por causa desta necessidade que o homem e
a mulher vivem em grupo, em sociedade. Sem um grupo social, sem uma comunidade
para satisfazer a sua necessidade de alteridade, o ser humano ficaria
fragilizado, triste, solitário, deprimido, doente e “morreria
socialmente”, mesmo estando física e biologicamente vivo.
Aliás, a falta de comunicação pode até mesmo
levar à morte biológica. No relacionamento com os outros,
na vivência em grupo ou em comunidade, a pessoa se completa, constrói
sua identidade, ocupa o seu tempo e partilha os seus sentimentos de alegria,
de revolta, de raivas, de amor, os seus desejos, as suas angústias,
os seus medos e tantas outras coisas. A comunicação é
um ótimo remédio para muitos males que afetam a humanidade,
na cultura individualista e egoísta dos tempos atuais.
Nenhuma pessoa deve ser ignorada, isolada, denegada ou abandonada na comunicação
que se realiza na família, no grupo, na comunidade, na Igreja e
na sociedade. As crianças, os idosos, as mulheres, os jovens, os
negros, os índios, os mais pobres, os portadores de deficiências,
todos têm necessidade de ser ouvidos e o direito de estar em permanente
comunicação, para que possa usufruir, plenamente, do direito
à vida. Isolar o idoso, negar atenção ao que a criança
diz, tratar o portador de deficiência como um ser inútil,
considerar os jovens como pessoas vazias, desconsiderar o índio
ou o negro por causa da cor ou raça, tratar a mulher com indiferença
ou violência, são preconceitos que levam a pessoa à
infelicidade, a se sentir inferior.
A denegação é a pior exclusão social. Todos
os seres humanos querem estar incluídos na comunicação
da família, do grupo, da comunidade local e da sociedade para se
sentirem gente. Quando alguém lembra de nós e nos leva em
consideração nos sentimos felizes, incluídos, amados,
pertencentes à família humana e valorizados. É por
isso que a intriga faz tanto mal ao coração dos intrigados.
Torna-se um peso, uma mancha, como se fosse uma nódoa que incomoda
ao coração. O perdão é o melhor remédio
para se apagar esse tipo de “doença” da incomunicação.
A comunicação é fundamental para a felicidade humana,
mesmo sabendo que ela é, também, carregada de conflitos
porque se realiza entre os diferentes. Mas até os conflitos são
essenciais para dar sabor e sentido à vida humana. Ao lutar para
transpor as barreiras dos conflitos, o ser humano sente o prazer de estar
vivo, de estar em relação com o seu próximo, e, conseqüentemente,
tem a garantia de que não está sozinho no mundo.
Através da comunicação, as pessoas trocam experiências,
aperfeiçoam idéias, definem projetos e fazem inúmeras
conquistas. Quanto maior e melhor for o grau de comunicação
humana numa sociedade, maior e melhor será o seu desenvolvimento.
As invenções tecnológicas, o avanço da medicina
tudo só foi possível, até hoje, porque o homem é
um ser em comunicação. Tudo isso foi conquistado em grupo.
Mas não é só nos macro-espaços e nos ambientes
escolares, universitários, políticos etc., que a comunicação
é importante para a vida da gente. Não! Há uma comunicação
diária, cotidiana, entre familiares, vizinhos, colegas de trabalho,
amigos do time de futebol que dá sentido e alegria à vida.
A nossa vida, desde que a gente ainda está na barriga da mãe,
é tecida de comunicação.
A pessoa humana sente necessidade de comunicação porque
foi criada à imagem e semelhança de Deus. A coisa que nos
faz mais semelhantes a Deus é a comunicação, como
chamado à COMUNHÃO.
II. COMUNICAÇÃO
COMO VOCAÇÃO E MISSÃO NA IGREJA
Todos os seres humanos são comunicadores por natureza. Cada pessoa
traz em si o gérmen da comunicação e dispõe
de todos os recursos para se comunicar bem. A comunicação
é inerente à própria condição humana,
desde a criação, quando Deus, no seu mistério intra-trinitário,
diz: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”.
A primeira coisa que nos faz parecidos com Deus é a comunicação.
Nosso Deus é comunicação tão perfeita entre
as três pessoas da Trindade – Pai, Filho e Espírito
Santo – que, no seu mistério, se torna uma só pessoa.
A comunicação entre as três pessoas de Deus é
tão perfeita que se torna comunhão. É por isso que
Ele é amor. Se somos a imagem e a semelhança deste Deus,
trazemos em nós a VOCAÇÃO para a comunicação,
e comunicação que deve gerar comunhão. Tudo o que
impede que a nossa comunicação gere comunhão leva
à negação da presença divina em nosso comportamento
humano. Isto quer dizer que podemos alcançar o paraíso nas
realidades históricas e humanas onde nós vivemos: família,
comunidade, local de trabalho? Não. Perdemos o paraíso há
muito tempo. Mas somos chamados a viver num constante esforço de
recuperação, de conversão, de superação
dos nossos próprios limites humanos. Esse esforço é
o que nos leva à santificação.
Quando fazemos exercícios de tolerância, de convivência
com o diferente, de aceitação, de consensualidade, estamos
recuperando a nossa semelhança com Deus, no âmbito da comunicação.
Tolerar, conviver, fazer consensos, aceitar não significa se anular,
negar a identidade, ser passivo e “maria-vai-com-as-outras”.
Só exercita valores cristãos de comunicação
quem tem identidade, personalidade e convicção do que quer
na vida. Podemos dizer, então, que comunicador não é
apenas quem tem um diploma de radialista, de jornalista, de marketeiro
ou outra formação técnica ou acadêmica. Comunicadores
somos todos nós seres humanos.
Se já somos comunicadores pela própria natureza humana,
o cristão eleva-se nesta condição porque é
chamado a exercer a sua missão através da comunicação,
ou seja, do ANÚNCIO DA BOA-NOTÍCIA. O projeto que Jesus
nos apresenta é um projeto de comunicação: “Ide
e anunciai a todos os povos”. Toda atividade de evangelização
é, também, atividade de comunicação. Isto
quebra aquela concepção ultrapassada de que para ser comunicador
da Pastoral da Comunicação a pessoa precisa ter um diploma
de jornalista, radialista ou outro. É claro que a formação
técnica e acadêmica é importante para a formação
do agente da Pascom, neste mundo globalizado. Mas não é
o mais importante.
Antes de dominar as técnicas e tecnologias dos modernos meios de
comunicação, o comunicador cristão trabalha para
melhorar a sua própria qualidade de agente comunicador. Como eu
ajo nas relações que estabeleço com os outros? Que
comportamentos eu adoto ao me relacionar com os outros dentro de casa,
na vizinhança, no trabalho, na rua, na Igreja? Em todos os lugares,
o cristão (e, mais especificamente, o[a] agente da Pastoral da
Comunicação) testemunha o seu diferencial. Ele ou ela comunica
e cria oportunidades de comunhão em todos os ambientes onde está.
Irradia desejos de unidade e de comunhão no meio das diferenças,
dos conflitos e das crises, sem anular os outros e sem se anular.
O comunicador cristão exerce e se empenha para que os outros exerçam
o direito sagrado da comunicação, da expressão, da
palavra, num mundo violento, injusto e excludente onde tantos irmãos
e irmãs estão denegados, ignorados e desrespeitados. Somente
o comunicador que tem clareza deste seu papel poderá se relacionar
bem e usar os meios de comunicação em função
da verdadeira comunicação que promove, que liberta e que
anima. Caso contrário, poderá reproduzir os erros da comunicação
de massa que predomina na sociedade atual. É por isso que dizemos:
antes de usar os equipamentos de comunicação, é preciso
cuidar da qualidade do comunicador.
A missão do comunicador cristão decorre de sua vocação
e se alimenta na fonte do Batismo. É da graça batismal que
emana nossa missão dentro da Igreja e no mundo. Pelo batismo nos
tornamos cristãos, comunicadores por excelência, evangelizadores
inscritos entre aqueles que são chamados pelo Mestre que passa,
olha nos nossos olhos e nos chama pelo nome para seguí-lo. Estamos
inscritos e fazemos parte do seu grupo de comunicadores. Fomos chamados
a anunciar a Boa Notícia, a proclamar a Boa-Nova sobre todos os
telhados. O mundo é o nosso campo de trabalho, as estradas são
para os nossos pés, as águas são para os nossos barcos.
Somos convidados a adentrar em águas mais profundas; ir mais longe,
sempre. Não há limites de espaço ou de tempo. “Lancem
as redes”: este é o apelo sempre atual. Ele se repete a cada
novo dia, sempre com um novo desafio, de acordo com os sinais dos tempos,
ou seja, de acordo com as realidades que vão aparecendo em nossas
famílias, comunidades, paróquias e em nossa sociedade. Isso
exige renovação dos nossos ânimos. Precisamos estar
sempre motivados pelo Espírito, dispostos a enfrentar barreiras
e passar pela experiência da cruz, mas com os olhos fixos no horizonte
da ressurreição. A certeza da vitória futura nos
impulsiona e nos dá forças para ultrapassar qualquer dificuldade
ou sofrimento. Tudo passa, mas a palavra do Mestre permanece.
Somos chamados a cuidar para que os equipamentos não tomem o lugar
da pessoa, na comunicação. Quando passamos a adorar e a
cultuar as tecnologias avançadas, os equipamentos sofisticados,
colocando a pessoa (sujeito e componente mais importante da comunicação)
em segundo plano, entramos no erro do fetichismo, da idolatria e voltamos
à época dos “bezerros de ouro”. Os meios de
comunicação, as tecnologias, são ferramentas importantíssimas
no mundo atual, mas devem ser vistos como meros instrumentos de trabalho
que devem estar a serviço do ser humano e do bem comum. O meio
em si mesmo não passa de um objeto, de um bem material desgastável,
mas são maravilhas quando postos a serviço do bem, da vida
e da felicidade verdadeira das pessoas.
Fazer Pastoral da Comunicação é, antes de tudo, trabalhar
para melhorar os relacionamentos que se estabelecem entre as pessoas na
família, na escola, no trabalho, na comunidade, na igreja e na
sociedade como um todo. A melhoria da qualidade dos relacionamentos, no
entanto, só acontece quando as pessoas, individualmente, despertam
para um novo comportamento, para uma nova atitude diante dos outros. Então,
nossa missão primeira de comunicadores é despertar os agentes
de pastorais, os padres, os religiosos, as religiosas, os diáconos,
os(as) radialistas, os(as) jornalistas, todos, para um jeito de comunicar
interativo, dialógico, includente e acolhedor. É trabalhar
para que se implante e se vivencie o modelo de comunicação
de Jesus Cristo, permanentemente, dentro ou fora dos meios de comunicação.
Fazer Pastoral da Comunicação é acreditar na possibilidade
de uma Igreja cada vez mais viva, comunicativa, oxigenada pela comunicabilidade,
arejada pela alegria do encontro entre irmãos e irmãs, pessoas
que não querem viver isoladas, egoisticamente. É trabalhar
com a mística cristã da comunhão e da unidade.
III. ESPIRITUALIDADE: VIVER A MÍSTICA DA COMUNICAÇÃO
CRISTÃ.
Mas não basta saber todas estas coisas bonitas, fazer discursos
ou pregações sobre a comunicação ideal. O
comunicador cristão busca se educar e se reeducar, cotidianamente,
para vivenciar o modelo de comunicação revelado por Jesus
Cristo: ir ao encontro, ouvir, valorizar a pessoa do interlocutor. O agente
da Pastoral da Pastoral da Comunicação é chamado
a VIVENCIAR os valores evangélicos da comunicação
cristã, fazendo a experiência do diálogo, da tolerância,
da escuta, do acolhimento, da comunicação positiva, sempre;
comunicação que leva à solidariedade, a comportamentos
justos, à partilha dos bens e dos dons, ao exercício da
cidadania, à transformação pessoal e social. Como
podemos concretizar isto? Dentro das realidades das nossas comunidades,
nos espaço e no tempo em que vivemos, nas circunstâncias
e conjunturas que exigirão respostas e tomadas de atitudes de cada
um de nós. Na Pastoral da Comunicação, estas atitudes
são tomadas de forma individual (no cotidiano de cada agente) e
de forma coletiva(nas ações que se realizam em equipe, de
forma planejada).
Para viver a experiência da Comunicação Cristã,
o agente da Pascom ou de outras pastorais, movimentos e serviços
precisa tomar iniciativa, ter coragem de romper com os velhos hábitos
que o prendem a conceitos e a hábitos antigos, herdados de um modelo
excludente e autoritário de comunicação, assimilados,
muitas vezes, até na própria família. Quando o relacionamento
dentro de casa é marcado pela violência da não-escuta
entre os seus membros, quando a agressão verbal e até física
toma o lugar da conversa e do diálogo, a criança cresce
pensando que aquilo tudo é normal. Aí reproduz estes desvios
de comunicação nas suas relações com as outras
pessoas da sociedade, até mesmo dentro da Igreja.
O modelo de sociedade em que vivemos também é autoritário,
excludente e violento. Também aprendemos com este modelo. Ele impõe
o ponto de vista de poucos sobre muitos, as idéias de uns sobre
os outros. É a chamada violência simbólica atuando
de forma sutil nos meios de comunicação de massa: a massificação
das idéias de um grupo sobre o restante da sociedade. A massificação
da música, da opinião (tornando opinião pública
o que é opinião de um grupo política e economicamente
dominante), dos conceitos, são estratégias usadas para se
ganhar prestígio, poder político e dinheiro. Os meios de
comunicação de massa são as armas para manter este
tipo de dominação velada. Com esse modelo também
vamos absorvendo contra-valores, deformando a nossa comunicação
humana e reproduzindo o protótipo de comunicador que vemos na mídia
lucrativa.
O processo de reeducação para a comunicação
requer alguns exercícios; algumas tomadas de atitudes bem concretas
em nossa vida. São pistas que podem nos ajudar a viver a comunicação
cristã na vida diária, espontaneamente, sem “forçação
de barra”, mas revestidas de mística e de oração.
Esta é a cruz que devemos abraçar para chegarmos à
vitória de um mundo renovado. Queremos nos modificar e restaurar
a comunicação, para que o mundo seja um ambiente de diálogo,
de paz e de respeito mútuo. Eis alguns passos para trabalharmos
a mística da comunicação cristã em nossos
comportamentos diários.
1. Buscar o auto-conhecimento
O primeiro passo neste processo de reeducação para a comunicação
humana e cristã passa por uma avaliação de si mesmo.
Quem sou eu? Como sou? Como me percebo? Como me trato? Como me sinto em
relação a mim mesmo? Quais são as minhas virtudes?
Quais são as minhas fragilidades? Como eu reajo emocionalmente
aos acontecimentos e aos outros? Como anda a minha auto-estima? Como é
o meu lazer? E minha vida afetiva? Como me comunico/ relaciono com as
outras pessoas dentro de casa, na escola, na rua, na Igreja, através
do rádio ou outros meios? Quem busca ter consciência de si
mesmo, ama-se, preza-se. Assim, fica bem mais fácil de amar e prezar
os outros, respeitando suas qualidades e limites humanos. Aceitar-se para
aceitar: este é o caminho do crescimento espiritual do comunicador
cristão.
2. Tomar a iniciativa
de ir ao encontro dos outros
O agente da Pastoral da Comunicação toma a iniciativa e
vai ao encontro do outro, com o objetivo de estabelecer comunicação
e construir comunhão com ele. Nossa missão requer trabalho,
vivacidade, boa esperteza e antenas ligadas. Dormir no ponto ou passar
batido são termos que não devem fazer parte do nosso cotidiano.
Agir, sempre, mas agir no tempo certo, com cautela, usando uma certa diplomacia
para conquistar o coração e a amizade de cada pessoa. Quem
vai com jeito ganha a adesão e a confiança dos outros. Esta
confiança jamais deve ser traída ou abalada. Sem confiança
fica difícil desenvolver qualquer trabalho em comunidade ou em
equipe. A estrada que nos separa dos outros, às vezes, é
muito longa. Nossa missão é encurtar este caminho e até
eliminar distâncias, sem esperar que os outros comecem. Esperar
que as outras pastorais nos chamem, nos enviem notícias é
dormir no ponto.
3. Cultivar a alegria
de viver e a positividade
O agente da Pascom cultiva a alegria e o ânimo. Como Jesus Cristo,
ele é portador da Boa Novidade. Quem entra em contato com o comunicador
cristão sai cheio de boas notícias que trazem esperança.
Já tem gente demais anunciando desgraças e tristezas, enquanto
as coisas boas e os motivos de alegria ficam esquecidos. Aqui não
cabe a alegria falsa, inventada, alienada. Estamos falando da alegria
verdadeira que brota do coração e se expressa em pessoas
que têm os pés no chão da realidade. Pessoas que,
mesmo vivendo no meio de uma sociedade como a nossa, anunciam que um mundo
novo é possível, quando fazemos alguma coisa para transformá-lo,
aqui e agora, hoje. Estamos falando da alegria de ser solidário,
de se despojar para experimentar a caridade, de fazer o bem, de escutar
quem não tem chance de se dizer no modelo de comunicação
que predomina nesta sociedade excludente. Em tudo, mesmo nas situações
mais frustrantes e dolorosas, podemos encontrar uma face positiva, um
motivo de esperança e de ânimo. “Tudo posso naquele
que me fortalece”, diz São Paulo.
4. Cultivar a paciência
para ouvir os outros com o coração
A escuta requer abertura ao outro. Quem escuta, verdadeiramente, procura
entender e acolher o que o seu interlocutor está querendo comunicar.
Não é simular que está ouvindo, martirizando-se.
O coração de quem escuta tem paciência verdadeira
e doa-se para fazer o outro mais feliz. Quanto bem pode fazer uma escuta
verdadeira! Quem é escutado se sente valorizado, amado, acolhido.
O comunicador é, antes de tudo, escutador: realiza-se, também,
na escuta. É assim que podemos convencer os outros a também
escutarem os outros, nas suas respectivas pastorais, movimentos, serviços
e no cotidiano de suas vidas. O agente da Pascom educa pelo testemunho
da comunicação.
5. Ser democrático
e dividir responsabilidades com os outros
Autoritarismo não combina com comunicação cristã.
A arrogância bloqueia, cria barreiras, provoca ruídos e corta
qualquer possibilidade de comunhão. Nosso objetivo é gerar
comunidade, espaços de diálogo. O comunicador educa-se,
dia após dia, para dividir responsabilidades e deixar que outros
exerçam o direito de dar opinião, de participar das decisões,
de expressar suas idéias, de exercer a sua cidadania também
dentro da Igreja. A Igreja não é propriedade privada de
ninguém. Não somos donos; somos, apenas, filhos do Dono.
Todos temos iguais direitos de exercer o direito de ser Igreja, cada um
com a sua especificidade: leigos, padres, bispos, diáconos, religiosos
e religiosas. O Batismo nos declara pertencentes, dignos, cidadãos
de Cristo. Devemos encarar nossas funções no trabalho pastoral
da Igreja como serviço e não como poder de mando, tipo “eu
mando e você faz”. “Deus não escolhe os capacitados;
capacita os escolhidos”, diz uma frase de efeito. Quantos de nós
não começamos a trabalhar na Igreja de forma tímida?
A capacitação é conseqüência da nossa
perseverança no trabalho. O tempo vai passando e vamos adquirindo
saberes com a vivência pastoral, com a prática e nos momentos
de estudos. Jesus Cristo confiou responsabilidades aos seus discípulos.
Eles vestiram a camisa por causa desta confiança demonstrada por
Jesus.
6. Falar e testemunhar
com autoridade
O testemunho é o instrumento de trabalho mais eficaz do comunicador,
dentro da comunidade. Ao viver os valores da comunicação
cristã, o agente da Pastoral da Comunicação ganha
credibilidade, confiança e amizade. É isso o que torna a
equipe de Pascom uma referência para os outros agentes de pastoral,
para as outras pastorais, setores da Igreja e outros segmentos da sociedade
local. O comunicador cristão se capacita para desempenhar melhor
a sua comunicação ao estabelecer contatos interpessoais,
nos momentos de falar em público, com representantes de outras
instituições e através dos meios de comunicação.
Falar com segurança, expressando-se com qualidade, com convicção
é o segredo de sua autoridade. Mais uma vez, aqui não cabe
autoritarismo, arrogância e nem agressividade. Cabe, sim, a serenidade,
a espontaneidade, a harmonia dos gestos e da fala, a sobriedade no jeito
de falar e se comportar.
7. Cultivar o espírito
comunicativo
Ser comunicador da Pastoral da Comunicação é um apostolado.
Quem opta pelo projeto de comunicação de Jesus Cristo cultiva
o ardor missionário e procura viver os valores deste projeto, em
todas as ocasiões e em todos os ambientes. Somos chamados a viver
esta experiência pastoral muito mais com atitudes do que com palavras.
O que significa cultivar um espírito comunicativo? Significa estar
disponível à escuta, ao encontro, à visita, aos contatos,
à comunicação. Significa cultivar a saúde
da mente, do corpo e do espírito para estabelecer sintonia com
o outro, sinergia. Em outras palavras, a comunicação do
agente da Pascom atrai as outras pessoas, provoca empatia, faz os outros
se sentirem bem. Só alcança este tipo de comunicação
quem cultiva a espiritualidade. Você deve estar perguntando: “Um
comunicador assim não seria um super-homem? Um espécie de
anjo?” É bom lembrar que somos humanos e temos nossas quedas,
nossos dias de mau-humor, nossos limites. Por isso que é imprescindível
conhecer esses limites para superá-los. Ser um comunicador cristão
é uma luta diária para vencer aquilo que atrapalha a boa
comunicação.
PARA MEXER COM AS IDÉIAS
1. O que já existe de positivo, no seu comportamento, que já
revela a vivência de uma espiritualidade da boa comunicação?
2. Que compromissos pessoais você pode tirar deste encontro, com
o objetivo de melhorar, ainda mais, a vivência da espiritualidade
da comunicação cristã?
3. Que sugestões você dá para que a equipe da Pastoral
da Comunicação possa cultivar melhor, a vivência da
espiritualidade cristã da comunicação?
IV. ACOLHIMENTO: EXERCÍCIO DO MODELO CRISTÃO DE
COMUNICAÇÃO
Acolher é abrir o coração a si mesmo e ao outro.
Quem faz o exercícios diários de acolhimento está
em contínuo processo de educação para a comunicação
cristã. O comunicador cristão se educa e se reeduca no acolhimento
para exercer a sua missão dentro da Igreja e no mundo. Não
estamos falando de recepção e nem de recepcionistas que
ficam na frente da Igreja, antes das missas, ou em outros ambientes católicos,
às vezes, até fardados. Nossa Igreja não precisa
de recepcionistas de portas de lojas. Nossas comunidades, paróquias
e dioceses precisam de pessoas acolhedoras, amigas, humanas, dispostas
a criar ambientes espontâneos de vivência comunitária
da fé.
Há uma tendência, atualmente, de se pensar que o acolhimento
é missão de algumas pessoas da Igreja. Chega-se a definir
agentes para formar o grupo da acolhida ou a Pastoral da Acolhida. São
pequenos grupos que trabalham, geralmente, nas portas das Igrejas, antes
de algumas missas. A acolhida, neste caso, fica restrita a um grupo. Ora,
a acolhida não é missão de uma parcela da Igreja,
mas de todos os agentes de pastorais, padres, religiosos, religiosas,
diáconos, secretários e secretárias paroquiais, enfim,
de todos os cristãos. Não foi isso que Cristo nos ensinou?
A Pastoral da Comunicação tem a missão de observar
a comunicação que se realiza nestes espaços e ajudar
a todas as pastorais, movimentos, serviços e outros setores da
Igreja a acolherem bem, tanto os que já estão inseridos
no trabalho, como aqueles que procuram informações, esporadicamente.
A acolhida, de forma concreta pode se dar de diversas formas, de acordo
com as diversas situações e realidades. Vejamos algumas
atitudes que podemos desenvolver em relação aos outros:
1. Cumprimentar
Parece simples e óbvio, mas não é. Um bom dia, boa,
tarde ou boa noite pode ser o segredo para desmanchar muitas barreiras
e aproximar as pessoas na família, na vizinhança, no trabalho,
na Igreja e na sociedade. Tome a iniciativa. Eduque-se neste gesto de
comunicação. Cumprimente com alegria verdadeira, como missionário
da comunicação onde você se encontra. Faça-o
com alegria, olhando as pessoas nos olhos. Elas se sentirão valorizadas,
atraídas pela sua simpatia, amadas.
Deixe que a beleza humana e divina que se esconde dentro do seu mistério
de pessoa venha à tona e se expresse, sem timidez e sem vergonha
de ser gente. Dentro de você tem muitos tesouros, muitas belezas.
Quanto mais explorá-las, no decorrer da sua vida, mais surpresas
você vai encontrar. Como você vai descobrir isto? Na reação
e nas respostas que os outros vão dar às suas atitudes de
acolhimento. Cultive a alegria de viver e faça de cada dia, de
cada tarde, de cada noite, um BOM DIA, uma BOA TARDE ou uma BOA NOITE.
Deixe que os outros percebam isso em você. Irradie esta sensação
com sinceridade e espontaneidade através dos seus cumprimentos
carregados de vida. Você é imagem e semelhança do
Deus da Vida. Mostre o rosto de Deus em seu rosto. Há muita gente
precisando da presença de Deus. Você pode ser um instrumento
para levar Deus aos outros na alegria de um cumprimento. Assim, você
ajuda ao outro a descobrir a beleza que é VIVER E NÃO TER
A VERGONHA DE SER FELIZ.
2. Abraçar
Este é um gesto de amizade. Estamos falando do abraço verdadeiro
e não do abraço formal, ensaiado. Para abraçar não
precisamos somente dos braços, mas do coração, também.
No abraço, tocamos a outra pessoa, entramos em contato físico,
sentimos a pulsação, o calor do seu corpo humano, a vibração
de sua vida, a casa do seu espírito. O comunicador cristão
educa-se para o abraço verdadeiro, para a afetividade. O abraço
quebra barreiras, desmancha as distâncias, desperta o amor fraterno
adormecido na dureza dos corações empedernidos pela falta
de carinho, de respeito, de afetividade. Quantas pessoas sequer foram
abraçadas em sua infância? Quantas não tiveram acesso
a um abraço dentro da própria família? Há,
em nossa sociedade, os excluídos do carinho, da afetividade. São
os rejeitados, os que se sentem pouco amados, enfim, pouco acolhidos.
Os próprios meios de comunicação excluem os considerados
feios pela estética dominante, os deficientes, os baixos, os gordos,
os idosos, os que vestem roupas simples e tantos outros. Nós, muitas
vezes, repetimos este gesto do mau acolhimento, até dentro de casa.
Na hora do abraço da paz, nas missas, quantos não escolhem
os que vão abraçar, pela aparência? O lugar privilegiado
de comunicação, de fraternidade, pode virar lugar de exclusão
afetiva, sem falar noutros tipos de exclusão. O abraço da
paz quase sempre tem se tornado aperto de mão, cumprimento formal,
sem calor humano. O que fazer para transformar aquele momento em oportunidade
de abraçar o irmão ou irmã da nossa comunidade, de
vivenciar a comunhão, de conhecê-lo(a), de aprender o seu
nome?
A educação para o abraço verdadeiro começa
dentro de casa, na família. É neste ambiente familiar onde
já podemos começar a abraçar: os pais, os irmãos,
os avós, os tios, os primos. Às vezes, torna-se mais fácil
fazer este exercício fora do que dentro de casa. Também
o abraço deve ser espontâneo, contextualizado e no momento
certo. Se de uma hora para outra sairmos abraçando todos os que
encontrarmos pela frente, só porque somos da Pascom, pode se tornar
ridículo, artificial. Mas nunca perca a oportunidade de abraçar!
É bom para você; faz bem ao outro.
3. Convidar
Se fôssemos mais cuidadosos em fazer convites cheios de calor humano
e de vida, teríamos muito mais pessoas integradas nos serviços
pastorais das nossas dioceses, paróquias, comunidades e pastorais.
Aproxime-se das pessoas com alegria. Além de cumprimentá-las,
convide-as. Interesse-se por elas. Saiba mais sobre os dons de cada uma
delas. Chame-as pelo nome. Valorize-as e convide-as para fazer parte do
trabalho pastoral, conforme suas habilidades e aptidões. Jesus
Cristo não perdeu tempo: saiu por todos os lugares convidando pessoas
para trabalhar na sua equipe. Ele não convidou somente os letrados,
os “perfeitos”, os sabichões e nem os endinheirados.
Ele formou um grupo diversificado, sabendo que ali havia gente com qualidades
e defeitos. Jesus nos ensina que é preciso chamar pelo nome. E
o convite é para “hoje”. Os convites feitos ao microfone,
de forma impessoal, não tocam o coração e não
mobilizam nenhuma vontade no coração do outro. O convite
verdadeiro, direto, pessoal, corpo-a-corpo, desperta desejo na pessoa
convidada.
4. Pedir para entrar
e sentar
Abra as portas. Muitas vezes, as portas estão abertas, mas as pessoas
não se sentem à vontade porque quem já está
dentro é fechado. A porta que deve se abrir para que as pessoas
cheguem, entrem e se sintam à vontade está no seu coração.
É aí que está a porta que precisa ser aberta. Mas
tem um detalhe: só você tem a chave para abrir-se e abrir
a Igreja aos outros. Você é a Igreja viva. Zele por ela em
sua comunicação, em seus comportamentos. Faça afago
a quem chega. Peça para que a pessoa entre e sente. Deixe-a à
vontade. A Igreja é a casa de todos e todos têm o direito
de ser bem acolhidos ou acolhidas. Dê atenção a quem
chega sentindo-se estranho. Deixe que a pessoa se sinta bem na casa de
Deus e tenha o desejo de voltar à nossa comunidade de fé.
Trate a todos por igual, sem distinção e sem preconceitos.
A Igreja é a comunidade da fraternidade.
5. Informar bem
Muitas pessoas procuram informações na rua, nas instituições,
nas empresas e na Igreja. A informação é um bem precioso
no mundo de hoje. Vivemos num mundo inflacionado de informações,
o que chega inclusive a atrapalhar. Este excesso de informações
pode causar ruídos: é a entropia. Paradoxalmente, constatamos
que muitas pessoas ainda estão excluídas dos processos informativos.
Muitos ainda são as pessoas que não sabem ler e nem escrever
e, por isso, ficam privadas de obter informações escritas,
sobretudo, nas ruas. Muitas não têm acesso a tecnologias.
Outras, não entendem termos técnicos, jurídicos,
teológicos, científicos. A maioria procura informações
mais simples: horários das missas, como fazer um documento, como
chegar a determinado local da cidade, o que fazer para. Muitas vezes,
quando buscam estas informações, deparam-se com gente mau-humorada,
grossa, agressiva, fechada. Isso leva as pessoas ao sofrimento provocado
pela não-informação. Viva a comunicação
cristã: dê a informação clara e precisa, explique
a quem ainda não entendeu, com carinho, com atenção,
com interesse. Nossa missão de comunicadores é despertar
as outras pessoas da nossa comunidade e da nossa Igreja para isso também.
Não somos obrigados a ter todas as informações, mas
partilhar todas as informações que tivermos com quem necessita
delas.
6. Dar a palavra
Todos têm o direito de falar, de dizer a sua palavra. Na verdade,
ninguém dá a palavra ao outro, porque o outro tem o direito
humano de se pronunciar também. Devemos nos educar para dizer somente
o necessário, respeitando o tempo do interlocutor. A ganância
pelo dizer, em nossa sociedade, provoca a não-escuta e deixa muita
gente sem espaço para dizer-se. Se uns são condenados ao
silêncio, é porque outros estão falando demais. Apropriar-se
do tempo que o outro teria para se pronunciar é roubo. Temos a
missão de educarmo-nos e educarmos os outros para o uso racional
do nosso tempo de fala, reconhecendo o direito de expressão dos
nossos interlocutores, seja na comunicação interpessoal
ou através dos meios de comunicação. Somos chamados
a ser interativos. Nos meios, isto se dá através de entrevistas
e de outros formatos que oportunizam espaços às pessoas
da comunidade. E não estou falando apenas de autoridades e nem
de representantes legais de grupos legalmente constituídos. Falo
das pessoas simples, anônimas, denegadas e excluídas pela
sociedade vigente.
7. Incluir os que ainda
estão por fora
A metodologia da comunicação cristã envolve, convida,
chama pelo nome, inclui. Se uma ovelha está fora do rebanho, deixa-se
as noventa e nove para buscá-la e incluí-la. Quantas ovelhas
ainda estão fora da sua paróquia? Quantas sequer receberam
um estímulo que lhes motivasse a fazer parte da vida pastoral?
Quando queremos nos livrar desta responsabilidade, atribuímos a
culpa aos outros: “Eles não querem nada”. Aí
ficamos tranqüilos, comodamente na mesmice do nosso grupinho de sempre.
É daí que surgem “os donos” na Igreja, acostumados
a mandar e desmandar. O comunicador cristão educa-se para incluir
os outros em tudo que faz. É assim que ele desperta os outros para
fazer o mesmo, em todos os setores da Igreja. Muitas vezes, as pessoas
ficam por fora do nosso trabalho pastoral porque não têm
chance para entrar e fazer parte, principalmente, quando já existem
os donos, o grupinho que manda e não partilha responsabilidade.
Devemos trabalhar para mudar este comportamento incompatível com
o modelo cristão de comunicação.
8. Ser espontâneo
Tudo isto não se aprende em cartilhas e nem em livros. Não
há receitas. Cada um vai encontrando as oportunidades e o tempo
certo de exercitar estes princípios da comunicação
cristã, em todos os momentos da sua vida. Devagarinho, num processo
de auto-educação e de conversão para a comunhão,
todas estas coisas vão virando hábito e se incorporando
ao nosso comportamento, ao nosso cotidiano. E tudo deve ser feito de uma
forma espontânea, sem artificialismos e nem teatro. O Espírito
Santo vai nos educando a vivenciar a comunicação cristã.
Mas cada um terá de fazer a sua parte: abrir-se ao novo.
PARA MEXER COM AS IDÉIAS
1. Que experiências positivas de acolhimento você tem para
contar lá da sua paróquia?
2. Que comportamentos ou atitudes você percebe, na sua paróquia,
que ainda dificulta o acolhimento? (contra testemunhos).
3. O que a equipe da Pastoral da Comunicação pode fazer
para melhorar a qualidade do acolhimento em sua paróquia? Dê
sugestões de atividades.
V. RESPONDER
AO CHAMADO ATRAVÉS DOS MCS
Vamos, agora, tratar de um assunto que extrapola o âmbito da comunicação
interna da Igreja: os meios de comunicação sociais ou a
comunicação à distância. É óbvio
que estamos nos referindo aos meios de longo alcance e de tecnologias
mais sofisticadas. Eles são muito importantes no mundo de hoje
e devemos usá-los a serviço da comunicação
cristã, solidária, democrática, comunitária
e dialógica. Podemos dizer que a comunicação através
dos MCS COMPLEMENTA a comunicação interpessoal e inter-grupal
(inter-pastoral, inter-comunitária), no contexto do trabalho da
Pastoral da comunicação. A comunicação interpessoal,
inter-grupal, inter-pastoral é prioridade da Pastoral da Comunicação.
Em seguida, vem a comunicação à distância,
a comunicação midiática, para completar o nosso trabalho
pastoral. Os instrumentos e as tecnologias midiáticas cumprem a
sua função quando reforçam essa primeira modalidade,
ou seja, a comunicação que se estabelece entre as pessoas,
entre os grupos sociais, entre as pastorais.
O agente da Pastoral da Comunicação zela pela função
social dos meios de comunicação, utilizando o rádio,
a televisão, o jornal impresso, a revista, a internet e outros,
a serviço da vida humana e do bem-comum. Para cumprir bem essa
missão:
1. Capacita-se
O agente da Pascom descobre o seu dom e o coloca a serviço da comunicação.
Esta é a sua missão na Igreja. É um chamado que emana
do Batismo. Para responder bem esse chamado da graça batismal e
desempenhar, com zelo pastoral, esta sua missão, procura se CAPACITAR.
A primeira etapa de capacitação se refere aos princípios
humanos, cristãos, éticos. Diríamos que é
a etapa em que se sensibiliza a pessoa que vai operar os instrumentos,
as tecnologias midiáticas, para que possa fazê-lo com responsabilidade,
com respeito aos outros e com ética. A qualidade humana do comunicador
é mais importante do que a qualidade técnica ou do que a
quantidade de equipamentos disponíveis. Depois, vem a outra e também
indispensável etapa: a capacitação TÉCNICA,
profissional, do agente da Pascom. De acordo com a habilidade de cada
um, a equipe paroquial da comunicação busca capacitar seus
integrantes para que operem produzam e veiculem suas edições
com qualidade técnica. Daí a importância das oficinas
e dos cursos de rádio, de comunicação impressa, de
fotografia, de informática e outras.
2. Interage
A nossa prática cristã de comunicação pressupõe
interatividade. Interagir é garantir espaço ao outro; é
levá-lo em consideração como sujeito; como participante
ativo do processo de comunicação. Ao invés de excluir,
como muitas vezes fazem os grandes meios, INCLUÍMOS. Não
basta possuir meios de comunicação na paróquia ou
diocese; faz-se necessário definir como vamos operá-los
a serviço das pessoas, levando em consideração a
voz, a palavra, a opinião das famílias e a expressão
cultural dos grupos que formam a comunidade. Nos programas de rádio,
nos jornais e boletins impressos, na internet e noutros meios, somos chamados
a INTERAGIR com as pessoas que escutam, lêem ou vêem nossas
produções. As entrevistas, enquetes, comentários,
histórias de vida, artigos, todos esses formatos podem ser usados
para inserir as pessoas da comunidade no trabalho realizado pela Pascom,
através dos meios. Isto exige esforço, preparação,
trabalho em equipe e dinamicidade. O resultado? Mais gente ouvindo, lendo,
vendo e se interessando pelos nossos programas, jornais, páginas.
O trabalho com os meios de comunicação deve ser a extensão
daquele outro trabalho de acolhimento, de escuta e de bom relacionamento
que fazemos na comunicação presencial, interpessoal, inter-grupal
ou inter-pastoral. Complementam-se para gerar comunhão e solidariedade.
O comunicador é um amigo da comunidade que está a seu serviço,
em permanente contato com as pessoas e as comunidades.
3. Mobiliza
A metodologia interativa leva em consideração a vida das
pessoas: seus problemas sociais, buscas de soluções, expressões
culturais (música local, poesia, festas populares da região,
violeiros etc.), opiniões da população sobre determinados
temas (tabus, preconceitos, política, religião, aumento
de preços, futebol etc.) e tantas outras coisas. Este trabalho
pode levar à mobilização da comunidade, para que
esta se organize e busque melhorar as suas próprias condições
de vida: saneamento básico, melhor atendimento ou construção
do posto de saúde, escola de qualidade para as crianças,
construção da capela do bairro etc. Os programas de rádio,
as difusoras, os jornais impressos podem mexer com a vida da comunidade,
resgatando a esperança e fazendo surgir coisas boas. Como podemos
fazer isso? Despertando as pessoas, o poder público, as instituições
locais a fazerem juntos, a trabalharem em parceria, cada um fazendo a
sua parte. O objetivo é o bem comum e o desenvolvimento sustentável
da comunidade. Nossos programas de rádio, por exemplo, podem colocar
em debate o problema do lixo. Podem provocar uma reunião para os
vários setores da comunidade planejem como vão resolver,
cada um fazendo o que está ao seu alcance. Nosso trabalho de comunicação
ganha mais vida, tem mais sabor quando gera atitudes de solidariedade
e desperta para a organização comunitária. Mas isso
só se consegue com programas bem planejados, bem montados, cheios
de vida e de calor humano, com matérias bem feitas que despertem
vontades nas pessoas, que as façam sair do comodismo.
4. Presta
serviços
Tudo o que o(a) comunicador(a) cristão(ã) faz através
dos meios deve estar a serviço das pessoas, das famílias
e da comunidade. Assumir-se como SERVIDOR e não como “estrela”
é um passo importante para se fazer comunicação cristã.
Os “estrelas” fazem o contrário: trabalham para brilhar
sozinhos, falam muito, querem destaque e fazem de tudo para que a comunidade
esteja a seu serviço. O agente da Pascom fica feliz quando o seu
programa ou seu jornal presta serviço e facilita a vida das pessoas.
Quando isso acontece, a resposta vem logo: a comunidade se identifica
com o programa ou jornal, as passam a ser ouvintes ou leitores assíduos,
tornam-se amigas dos comunicadores. Prestar serviço vai desde os
avisos, os comunicados dos horários das missas, do dia do pagamento
dos funcionários, até as dicas para tirar manchas de roupas,
para evitar acidentes domésticos e tantas outras coisas. A própria
mobilização para melhorar a vida da comunidade já
é uma prestação de serviços. Os programas
e jornais que trazem coisas concretas, úteis à vida das
pessoas, ganham ouvintes e leitores.
5. Valoriza
a cultura local
A evangelização exige inculturação. A encarnação
do evangelho se dá nas realidades históricas, no hoje de
cada tempo e no terreno da cultura. As pessoas criam, pensam, tentam interpretar
o sentido da vida, o mundo. Criam linguagens para expressar o que deduzem,
os saberes que elaboram, as interpretações que dão
às coisas, a partir das experiências cotidianas. Sentem necessidade
de partilhar tudo isso e socializam, comungam seus pensamentos, suas interpretações,
suas idéias. Criam-se, assim, manifestações culturais
coletivas que são carregadas de significados. São expressões
da alma de um povo, de um grupo. Geram-se, desta forma, culturas diversas,
dando interpretações diferentes do mundo. Este multiculturalismo,
esta pluralidade de culturas, enriquece a humanidade. As culturas dos
grupos humanos - de cada etnia, existente nas mais diversas regiões,
nas pequenas comunidades – formam o patrimônio da humanidade.
Quando a cultura de um grupo humano é esquecida ou eliminada, a
humanidade toda empobrece.
Jesus Cristo nos ensina, no seu jeito de se comunicar, que o respeito
à diversidade cultural é imprescindível. Seu projeto
de comunicação inclui o diferente, cria espaços de
diálogo e realiza-se de acordo com as realidades humanas. Não
foi isso que aconteceu com a samaritana, no Poço de Jacó?
O comunicador cristão valoriza e leva em consideração
a cultura local, dentro dos meios de comunicação. A música
local, o sotaque da região, as expressões religiosas, as
festas populares, a poesia matuta são valores que devem ter espaços
em nossos meios de comunicação.
6. Evangeliza
Respeitar as pessoas, passar informações corretas, mobilizar
para a solidariedade, dar chances para que as pessoas exerçam o
direito humano da comunicação, atuar com ética e
em favor da vida, tudo isso faz parte do trabalho de evangelização.
Evangelizar é despertar o desejo de viver os princípios
do Evangelho no coração das pessoas. É animar para
que as pessoas transformem este desejo em atitudes, em ações
concretas. Usamos os meios para evangelizar através das mensagens,
das histórias de vida que apresentamos nos MCS, das orações,
dos depoimentos, das missas transmitidas etc.
7. Gera comunhão
A metodologia interativa gera participação e comunhão,
também através dos MCS. Neles, exercemos o nosso apostolado,
a nossa vocação. Com eles podemos adentrar em águas
mais profundas e ir além dos muros ou das quatro paredes das nossas
paróquias ou pastorais. Chegar aos outros, à multidão
que está lá fora, é o grande desafio que temos para
este século. Mas chegar a eles através do diálogo,
da amizade, do serviço, tudo para a construção da
unidade e da paz.
Para lembrar:
Quando só existe o trabalho com os meios de comunicação,
numa paróquia ou diocese, já há um embrião,
mas ainda não podemos dizer que há a Pastoral da Comunicação.
O mais importante para se fazer Pastoral da Comunicação
não é, simplesmente, adquirir equipamentos de comunicação
para a comunidade, paróquia ou diocese, e pronto. Não! O
mais importante é fazer um trabalho para que as pessoas comecem
a melhorar o jeito de comunicar. Nossa MISSÃO é doar a vida
ao serviço de evangelizar e humanizar as relações
interpessoais, inter-grupais, inter-pastorais e aquelas relações
que se estabelecem à distância, através do rádio,
da televisão, dos impressos, da informática e outros. Trabalho
pastoral se faz com gente. Precisamos lançar as redes em águas
mais profundas para alcançar qualidade na nossa comunicação
humana e cristã. Quando integramos os meios a este processo de
melhoria gradativa da comunicação humana, aí, sim,
eles ganham sentido. Caso contrário, poderemos ter um sofisticado
arsenal de equipamentos na paróquia ou na diocese, e, paralelamente,
sofrermos as conseqüências de uma comunicação
humana superficial, com dificuldades nos relacionamentos entre as pessoas,
grupos e pastorais.
Quando já existe um trabalho de educação para a comunicação
cristã, aí, sim, os meios ganham relevância e são
importantíssimos para potencializar o trabalho da Pastoral da Comunicação.
O trabalho da equipa da Pascom se completa com o uso dos meios, dos equipamentos
sofisticados, com as tecnologias a serviço da vida, da solidariedade,
da esperança e da paz. Para isso, é preciso investir na
qualidade humana e técnica do comunicador. Os cursos, as oficinas,
os seminário, todas as atividades de capacitação
vão contribuindo para que possamos exercer a nossa vocação
e na nossa missão de comunicadores cristãos, no rádio,
na televisão, nos impressos, na internet e outros.
PARA MEXER COM AS IDÉIAS
1. Com que meios de comunicação a equipe da Pascom da sua
paróquia trabalha?
2. Que orientações para o trabalho com os MCS, descritos
acima, já são colocadas em prática em sua paróquia?
3. O que ainda precisa ser superado pela sua paróquia no trabalho
com os MCS?
4. Que sugestões de atividades, concretamente, você dá
para melhorar o trabalho com os MCS em sua paróquia?
VI. PASCOM:
FERMENTO QUE AGE EM PROL DA PASTORAL DE CONJUNTO
O termo Pastoral de Conjunto vem sendo usado há muito tempo, A
PARTIR do Concílio Vaticano II. Embora tanto já se tenha
falado na necessidade de uma atuação conjunta, unida, integrada,
de todos os organismos que fazem a ação evangelizadora da
nossa Igreja, ainda é pouco o que se tem conseguido. As dioceses
reclamam que muitas paróquias só pensam em si mesmas e se
fecham no seu “mundinho”, algumas mais interessadas em mostrar
que são mais organizadas, mais animadas, mais assíduas,
e, para surpresa nossa, até mais ricas que as outras.
Paróquias e dioceses reclamam que muitas pastorais, serviços
e movimentos não se comunicam entre si. Cada um ou cada uma “puxa
a brasa para a sua sardinha”, fecham-se, como se o seu trabalho
não tivesse nada a ver com o trabalho dos demais. Também
querem demonstrar que são MAIS. Perguntamos: este jeito de ser
não está muito parecido com o da sociedade mercadológica
competitiva, excludente e perversa que aí está? Não
estaremos reproduzindo os contra-valores desta sociedade pecaminosa dentro
do nosso trabalho pastoral? É urgente a nossa conversão!
Precisamos rever nossos comportamentos pastorais e lançar as redes
em águas mais profundas, recuperando os valores cristãos
em nossas experiências pastorais.
Há pouco mais de 40 anos, as nossas dioceses e, posteriormente,
as paróquias, começaram a fazer os seus planos pastorais.
Têm início as assembléias pastorais diocesanas e paroquias,
com o objetivo de proporcionar melhor organização e unidade
ao trabalho de evangelização, em tos os aspectos: social,
catequético e outros. A finalidade era que isto favorecesse o surgimento
de uma pastoral de conjunto, facilitando o trabalho integrado entre as
várias paróquias, comunidades e pastorais. De fato, as assembléias
e o planejamento do trabalho pastoral ajudou no crescimento e na organização
da nossa Igreja, mas ainda há muito o que se fazer. É preciso
avançar mais.
Em muitos casos, as paróquias e pastorais só se reúnem
entre si no momento da assembléia. Ali cada uma define o que vai
fazer no ano seguinte e volta para o seu “mundinho”. Resultado:
não se definem estratégias que possam levar as pastorais,
serviços e movimentos a uma ação integrada, uns complementando
o trabalho dos outros. Muitas vezes, a Pastoral da Juventude e a Pastoral
do Idoso, por exemplo, trabalham numa mesma realidade, mas nunca se perguntaram
que ações poderiam fazer juntas ali. Desta forma, o trabalho
pode ficar pulverizado, fragmentado e vulnerável.
As nossas assembléias devem facilitar a vivência da Pastoral
de Conjunto, fortalecendo a unidade e a comunhão entre todos os
setores da Igreja, no cotidiano. Na verdade, isto não se consegue
apenas com um plano, com um papel, com alguns dias de assembléia,
mas com a abertura de coração de cada agente de pastoral,
padre, diácono, religioso e religiosa. Pastoral de Conjunto é
muito mais uma atitude de abertura para se trabalhar em equipe, do que
um documento escrito.
É função da Pastoral da Comunicação,
em primeiro lugar, trabalhar para fortalecer os laços entre os
organismos pastorais de uma diocese ou paróquia. Isto se consegue
criando oportunidades de convivência, de troca de experiências
e de comunhão entre as pessoas que coordenam os setores ou que
participam do trabalho. A Pascom não vive em função
de si mesma, mas em função do conjunto, contribuindo para
emendar onde o vaso estiver trincado, unindo, costurando comunicação.
No entanto, precisamos de cautela, de jeito, de cuidado e de muita perseverança.
Para tudo há o seu tempo. Quem se apressa pode dar com os burros
n’água e até adquirir a antipatia do padre e dos outros
agentes. Primeiro é preciso se colocar a serviço, escutar,
ajudar, criar empatia, valorizar cada pastoral e cada agente. Só
os amigos têm liberdade de dizer determinadas coisas sem ferir e
sem espantar. A pressa é inimiga do trabalho da Pascom. As conquistar
são feitas com paciência histórica, porém,
dentro de um certo ritmo. Cada equipe da Pascom deve perceber o ritmo
que pode ser adotado na sua diocese, paróquia ou comunidade.
Na Arquidiocese de Natal, uma das estratégias que a Pastoral da
Comunicação está usando para fortalecer a Pastoral
de conjunto é a reunião mensal entre as coordenações
das pastorais, serviços e outros setores do Centro Pastoral Pio
X. Foi preciso muito tempo para se fazer esta conquista. Tomamos a iniciativa.
Entregamos convite escrito em cada sala. No dia marcado saímos
da nossa sala para a sala de reuniões com a sensação
que uma ou duas pessoas apareceriam. Para nossa surpresa, a sala lotou.
Todos os setores convidados estavam presentes, participaram, opinaram.
Gostaram tanto que sugeriram a continuidade das reuniões e que
preparássemos um lanche após cada uma delas. Cada pastoral,
serviço e setor vai expor o que faz, nas futuras reuniões.
Gostamos. Comer juntos foi umas das estratégias mais eficientes
que Jesus encontrou para aproximar as pessoas e construir comunidade.
Nossa Igreja se reúne em torno da mesma mesa para comer e beber
juntos o pão da vida e o cálice da salvação.
Este é o sentido da missa: sentar-se ao redor da mesa, como família,
para pedir perdão, glorificar, escutar a palavra, oferecer o que
somos e temos, saciar nossa fome e dar graças. Mas não é
só na missa que devemos viver esta experiência; é
no dia-a-dia. Cada equipe paroquial da Pascom deve planejar suas próprias
estratégias para aproximar as várias pastorais, movimentos,
secretário(a) paroquial e outros envolvidos no trabalho pastoral.
Cremos que é urgente criar a noção de COMUNHÃO
VIVENCIADA ou a CONSCIÊNCIA DA COMUNHÃO PASTORAL entre os
que fazem as nossas paróquias, pastorais e todos os setores eclesiais.
A comunhão eucarística é o ápice da nossa
vivência comunitária, fraterna, solidária. O sentido
do seu mistério requer uma vivência de comunicação
entre irmãos e irmãs que se amam e, por isso mesmo, permanecem
em comunhão. Parece que, para muitos, o significado da comunhão
desvinculou-se da vida, do compromisso social com um mundo melhor, mais
acolhedor, mais solidário e mais justo. É com o outro, em
comunidade, que cada um deve viver a força viva da comunhão,
ao redor do Cristo, centro e ápice da nossa unidade.
PARA MEXER
COM AS IDÉIAS
1. Quais são os avanços que presenciamos, em nossa paróquia,
que dão sinais de uma Pastoral de Conjunto?
2. O que percebemos, concretamente, nos comportamentos dos agentes de
pastorais, padres e outros que trabalham na paróquia, que dificulta
a existência de uma Pastoral de Conjunto?
3. Que atividades a Pastoral da Comunicação pode fazer,
em nossa paróquia, para facilitar ou fortalecer a Pastoral de Conjunto?
Como fazer isso? Dê sugestões.
Natal-RN, Quaresma de 2003.
Francisco Morais.
Da equipe de Coordenação da Pascom - Arquidiocese de Natal
(Ao
reproduzir este texto, favor respeitar os direitos autorais)
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