ARQUIDIOCESE DE NATAL
PASTORAL DA COMUNICAÇÃO
3ª SEMANA ARQUIDIOCESANA DA COMUNICAÇÃO

TEMA: Comunicação e Responsabilidade Social

PERÍODO: 29 de maio a 04 de junho de 2005

SUBSÍDIOS PARA AS COMUNIDADES

Objetivo: despertar nas comunidades, nas pastorais, movimentos e outros setores da Igreja e da sociedade, o interesse pelo debate sobre a interferência da comunicação social, na vida da pessoa, da família, da comunidade e da sociedade, a partir de uma visão cristã e cidadã.


Dia 29/05/05 – Pascom divulga Pascom

Abertura da 3ª Semana Arquidiocesana da Comunicação

Este dia é muito importante para fazer com que a comunidade perceba duas coisas:
1. Que a Pastoral da Comunicação está presente e atuante na vida da Paróquia;
2. Que, neste dia, começa a programação da Semana da Comunicação.
A equipe da Pascom local pode se reunir, agora mesmo, trocar idéias, levantar sugestões e planejar o que vai fazer para atrair a atenção de todas as comunidades da Paróquia, mobilizando as pessoas para participarem das atividade da Semana da Comunicação Social. Sempre tem alguém que ainda não tomou conhecimento do que a Pastoral da Comunicação faz na comunidade.
O Pascom divulga Pascom, como o próprio nome já diz, é uma oportunidade de mostrar, ao público, tudo que Pascom faz e que, muitas vezes, não chega ao conhecimento das outras pastorais, dos movimentos eclesiais e de setores da sociedade. Às vezes, nem o Padre sabe o que a Pascom faz. Então, está na hora de fazer propaganda das nossas boas ações de comunicação. Para isso, é preciso criar, inventar, planejar e trabalhar para realizar, com muito entusiasmo, essa atividade que abre a Semana da Comunicação.

Vamos construir juntos?
- Uma exposição, em lugar aberto e público, sobre tudo o que existe de comunicação na Paróquia (murais, fotografias, boletim impresso, programa de rádio etc.). É preciso divulgar o evento na cidade, convidar as outras pastorais, decorar o ambiente, ir aos meios de comunicação locais, chamar as escolas, os sindicatos, as associações e, até, outras igrejas cristãs.
- Uma palestra ou uma mesa redonda com profissionais convidados ou da própria comunidade (agentes de pastorais, religiosas, padres, professores, jornalistas, psicólogos e outros), sobre o tema da comunicação. A palestra e a mesa redonda também podem estar dentro da programação da exposição.
- Convidar cantores locais, poetas populares, compositores, grupos de teatro, para uma noite cultural de abertura da Semana da Comunicação.
- Uma caminhada pela cidade, com o tema comunicação e paz.
- Um programa especial de debate numa rádio local, com a participação do padre, de professores, pais, profissionais, pastorais, sobre a influência dos meios de comunicação na vida das pessoas (filhos, alunos, casais etc.).
- Chamar toda a comunidade para ver um filme num local público, com direito a telão e tudo. Bom, outras boas idéias ficam por conta de vocês.


Dia 30/05/05 - Educação e comunicação para a paz

Os professores ou professoras são comunicadores por excelência. Educação é comunicação de saberes entre pessoas. Ao contrário de antigamente, o(a) professor(a) é mais um amigo ou amiga, um facilitador ou facilitadora de aprendizagem, um animador ou animadora da troca de saberes, do que um sabe-tudo, um vigia carrasco ou um punidor. Tudo isso depende do relacionamento estabelecido entre o educador ou educadora e os seus alunos.
Há professores(as) que são ótimos comunicadores(as), que levam em conta as experiências de vida dos seus alunos. São educadores(as) que escutam, acolhem, animam e tornam os seus alunos mais felizes, porque dão chance para que todos falem, participem e expressem seus pontos de vista. Mas, há educadores que se fecham, não escutam, apenas dão o conteúdo de seus cadernos e livros e tratam os(as) alunos(as) como se fossem máquinas de decorar saber dos outros. E o saber que seus alunos(as) trazem da vida?
A Educação que gera comunicação democrática entre alunos e professores, forma cidadãos para a Paz. O educador ou educadora sai do seu pedestal para ficar junto com os seus alunos, conversando com todos, estimulando para que cada um e cada uma expresse seus sentimentos, suas opiniões, seus conhecimentos sobre vários assuntos. Nessa pedagogia cheia de comunicação, todos se tornam educadores e educandos, ao mesmo tempo, pois partilham o que sabem. O educador/educadora apenas coordena a sala de aula. A escola se torna, então, um lugar de troca de experiências e de construção coletiva de conhecimentos, um lugar especial onde todos aprendem e ensinam em mutirão. Assim, cada pessoa experimenta se expressar e escutar os outros. Mesmo quando há discordância, um aprende a respeitar a opinião diferente do outro, sem ferir ninguém, sem se magoar ou se sentir rejeitado(a).
A Educação autoritária, opressiva, torna as pessoas insatisfeitas, violentas e incapazes de diálogo. Não basta discursar sobre a paz; é preciso vivê-la em cada momento da vida: na família, na sala de aula e em todos os espaços onde estivermos. Quem planta uma educação autoritária colhe uma sociedade violenta. Educação e comunicação caminham juntas e geram cidadania e amor. E o amor transforma o mundo porque transforma os corações. Corações transformados escutam, respeitam, toleram e geram novas atitudes.
Mas, a educação não acontece, apenas, na escola. A família é a primeira escola na vida do ser humano. A criança que não recebe estímulo, afetividade, amor e noção de limites, na família, dificilmente será um aluno participativo, criativo, amigo e respeitoso, na escola. Família e escola educam, juntas, cidadãos para a paz na comunidade e no mundo.

Para conversar em grupo:
1. Você sabe de alguma história em que a escuta, o amor, a comunicação transformou uma situação de conflito, de insatisfação, em situação de paz e de bons resultados na escola?
2. O que podemos fazer para termos uma educação cheia de comunicação?
3. Que compromissos podemos assumir, como professores e alunos, para a construção de uma comunicação melhor nas escolas da nossa comunidade?

Vamos construir juntos?
Sugerimos que equipe da Pastoral da Comunicação Paroquial busque as escolas da cidade, para um trabalho em conjunto. Para isso, é necessário que a equipe da Pascom convide diretores, professores e outros educadores locais, para uma reunião, com os objetivos de:
a) Expor os objetivos da Pascom e da Semana da Comunicação;
b) Ler e debater, em conjunto, o texto acima, com a finalidade de sensibilizar os educadores para a importância dessa discussão na escola;
c) Planejar em conjunto (Pascom e escolas) o que se pode fazer nesse dia (caminhadas, palestras, ato público, mesa redonda...)
• Que tal a escola fazer um trabalho com os alunos, terminando com uma exposição de desenhos das crianças, adolescentes e jovens da cidade, sobre a Paz?
• Que tal a montagem de uma peça teatral sobre a Paz?
• E se a Pascom, junto às escolas, fizesse uma gincana para angariar roupas usadas, alimentos não-perecíveis e outras coisas para serem distribuídas a famílias pobres da comunidade?
A criatividade é o combustível que vai fazer a Semana da Comunicação funcionar bem, na sua paróquia!


Dia 31/05/05 - Comunicação e dignidade da pessoa

Comunicação é um direito que toda pessoa tem. Nenhuma autoridade, nenhum poder político, nenhuma família, ninguém deve proibir outra pessoa de expressar o que pensa, o que sente e o que imagina. Uma pessoa impedida de se comunicar torna-se triste, desanimada, depressiva, angustiada e doente. Quem está em comunicação com os outros, com direito de dizer a sua palavra, de ser ouvido, de expressar suas opiniões, de informar e ser informado tem mais saúde, mais prazer de viver, mais alegria diante de si e dos outros. A comunicação é um ato de amor entre pessoas. Todos têm necessidade de comunicação, assim como tem necessidade de comida, de bebida e de ar para respirar. Vivemos numa sociedade cheia de pessoas depressivas. O mundo está cheio de meios de comunicação (celulares, canais de televisão, rádios, jornais, revistas, internet etc.) e, ao mesmo tempo, num mundo da não-escuta. As informações são muitas, mas a comunicação entre as pessoas é pouca. Nos meios de comunicação, fala-se muito das pessoas importantes (Xuxa, Ratinho, Ronaldinho, Cicarelli, Hebe Camargo, de quem tem dinheiro e poder). Só não se fala na vida dos que apenas assistem, sem direito à palavra. E a comunicação poderia ser um canal no qual o povo pudesse dizer o que precisa para viver melhor, o que sugere ao poder público, em relação a: educação, saúde, agricultura etc. Cada pessoa tem direito á palavra. Porque só os políticos e os empresários têm direito a dar opinião e debater sobre os problemas e soluções para a comunidade e a sociedade em geral? Os meios de comunicação precisam ser fiéis ao seu nome: Meios de Comunicação “Social”. Ou seja: os meios de comunicação devem cumprir a responsabilidade de servir a todos, à sociedade, a cada pessoa, sem distinção. Não devem servir, apenas, a um dono.
Quando a pessoa se sente por fora da comunicação, esquecida, denegada e ignorada pelos outros, em qualquer comunidade ou grupo social, acha-se diminuída em sua dignidade. Sente-se um zero à esquerda, um peixe fora d´água, uma pessoa desprezada e sem valor. Aí, dá vontade de chorar, de sumir do mundo, de brigar com tudo e com todos. A pessoa que não é escutada vai ficando revoltada porque os outros a rejeitam. Uma pessoa rejeitada pelos outros pode fazer qualquer coisa para dizer “estou aqui”, para mostrar que está presente no mundo e para ser levada em consideração. Muitas pessoas se entregam às drogas, à violência ou à depressão, por se sentir sem vez, na convivência com os outros. Agredir, muitas vezes, passa a ser o único meio que a pessoa tem para reclamar contra a rejeição que está sentindo.
Rejeitar ou negar a palavra a qualquer pessoa é uma afronta ao direito humano da comunicação. Isolar qualquer ser humano é um ato de perversidade. Quem nega comunicação ao próximo, nega um dom de Deus, pois todas e todos somos chamados a viver em sintonia uns com os outros, recebendo e dando informações, interagindo, completando-nos mutuamente. Trazemos, em nossa condição humana, o gérmen da comunicação perfeita que existe entre as três pessoas da Santíssima Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo. Somos imagem e semelhança dessa Trindade comunicativa, comunicadora e comunicante. A comunicação é tanta, entre essas três pessoas, no mistério trinitário, que elas já não são mais três, mas um só Deus. A comunicação gera a comunhão.
Por isso, quem rejeita seu irmão ou irmã, quem deixa os outros excluídos da família, da comunidade, da equipe, da pastoral, de qualquer grupo social, é contra a comunicação que gera comunhão. Deus quer “que todos sejam um”. Comungar significa estar em comunhão, em comunicação com todos os irmãos e irmãs. Se alguém ainda não está em comunhão com o seu próximo, dentro de casa ou na comunidade, deve ir ao encontro da pessoa, conversar, pedir perdão. O perdão devolve a dignidade das duas ou mais pessoas que voltam a se comunicar.
Na sociedade, muita gente sofre porque não tem o direito de comunicar respeitado, por diversas justificativas preconceituosas:
- Porque é mulher;
- Porque é analfabeto;
- Porque é velho;
- Porque é criança;
- Porque é negro;
- Porque é pobre;
- Porque é jovem;
- Porque não é do mesmo partido político;
- Porque “não concorda comigo”;
- Porque é de outra religião...
Vamos lembrar como Jesus tratava as pessoas?
- Comia na mesma mesa com os pecadores;
- Acolhia a prostituta mais discriminada da cidade;
- Convidava os analfabetos, cobradores de impostos e pescadores pobres para trabalharem como seus discípulos;
- Ouvia os deficientes (cegos, mudos etc.);
- Dava vez e atenção às crianças que ninguém queria acolher.

Para conversar em grupo:
1) Como anda a comunicação entre nós, na comunidade?
2) Quem são as pessoas mais rejeitadas da nossa comunidade?
3) Como podemos receber e acolher bem essas pessoas na nossa família, nas nossas pastorais e na nossa Paróquia? Quando e como vamos fazer isso?

Vamos construir juntos?
- Sugerimos que a Pascom convide uma ou mais pessoas da comunidade para dar testemunho de sua mudança de vida, através de uma ação social (Alcoólicos Anônimos – AA, de uma escola ou outra ação da Igreja, da Pastoral Carcerária, da Pastoral da Criança etc.) As atividades desse dia podem começar com uma celebração de agradecimento pela vida, na qual as pessoas conduzam e acendam velas. Cada fogo representará uma vida acesa na comunidade. Uma pergunta pode ser lançada: “O que podemos fazer para que essas luzes, essas vidas acesas da nossa comunidade, não se apaguem e brilhem cada vez mais?”
- As pessoas podem ser motivadas a se desenharem e colocarem o seu nome numa folha de papel. Depois podem colorir seus desenhos e afixá-los num Painel da Vida, no local da atividade. A criatividade de como fazer isso, de forma descontraída e animada, fica por conta da equipe da Pascom Paroquial.


Dia 01/06/05 - Comunicação e solidariedade na família

A família é o primeiro grupo social da qual a pessoa faz parte. Quando a pessoa nasce, nasce dentro de uma família, com mãe, irmãos, tios, tias, avós. Tem gente que tem pai, mas não o conhece, por diversas razões. A verdade é que ninguém sobrevive, nos primeiros meses e anos de vida, sem ter alguém para cuidar de si.
A família é importante para a criança, não só porque tem alguém para dar comida e água, mas porque há pessoas que abraçam, dão carinho, brincam, balançam para fazer dormir, ensinam a falar, a fazer gestos... Porque incluem a pessoa na vida social. Na família, aprendemos a fazer nossa própria higiene, a trabalhar, a conviver com os outros, a ter responsabilidades, a respeitar o direito das outras pessoas
Mas, há muitos casos em que a pessoa não encontra solidariedade na família:
- Ao invés de carinho, encontra pancadas, surras e agressões;
- Ao invés de respeito, encontra injustiça e desigualdade de tratamento;
- Ao invés de um lugar comunicativo, encontra um “cale a boca”, desde criança;
- Ao invés de um ambiente de paz, encontra briga entre os pais;
A família pode ser uma escola de solidariedade, de união e de comunicação entre as pessoas. Se a criança não participa de um ambiente onde todos se acolhem, respeitam-se e aceitam as diferenças uns dos outros, na família, dificilmente será uma pessoa de paz na escola, na comunidade e na sociedade. As prisões e os hospícios estão cheias de pessoas que, por não terem a chance de uma comunicação sadia, na família, não encontraram a paz. E os que se suicidam por não verem sentido para a vida?
Há muitos problemas que levam a família a ser um ambiente agressivo:
- O alcoolismo (quando os pais e/ou os filhos bebem muito);
- As outras drogas (maconha, cocaína, craque etc.};
- O comportamento agressivo, bruto, sem tolerância;
- A não-escuta;
- A falta de informação;
- O ciúme doentio;
- A miséria (falta de emprego, de moradia, de escola...)
- A ausência de espiritualidade.
É mais fácil se comunicar com os de fora do que com de casa. Tem muita gente que vive uma comunicação aparente, com outros grupos sociais, mas responde mal aos pais, é intolerante e violento com os filhos e agride os irmãos e irmãs, com palavras ou com ações.

Para conversar em grupo:
1. Como anda a comunicação e o espírito de solidariedade dentro das nossas famílias?
2. O que mais agride a dignidade e a comunicação entre as famílias da nossa comunidade?
3. Existe alguma família precisando de nossa ação solidária, para que tenha mais vida e mais paz?
4. O que vamos fazer? Como?

Vamos construir juntos?
- Nesse dia, um grupo de pessoas (jovens, crianças, mulheres e idosos) podem se pintar, vestirem-se de roupas de palhaço e sair na rua, chamando as famílias para um encontro, num local público. Cada família vai, em caminhada, levando uma faixa, cartaz ou pirulito com o sobrenome da sua família (Ex. família Araújo, Silva, Pereira etc). A rua se encherá com os nomes das famílias.
- No local do encontro, as pessoas pintadas apresentam o texto acima, cada um(a) interpretando uma parte, com muita vida, voz e gestos.
- Após a apresentação do texto, as famílias são estimuladas a escreverem suas maiores dores (sofrimentos e dificuldades que atrapalham a paz) e suas maiores alegrias (vitórias e sinais de paz).
- Uma leitura bíblica, cânticos, show, louvor, no qual todos acenam lenços brancos, encerraria a atividade deste dia.


02/06/05 - Comunicação que renova a comunidade

A comunicação que promove a vida é aquela que ajuda a comunidade a viver melhor, com mais qualidade de vida, com mais alegria, mais confiança e paz. A comunicação pode ajudar a todas as pessoas da comunidade a darem sua opinião sobre a realidade do lugar. Uma rádio que é, verdadeiramente, comunitária, por exemplo, leva a voz do povo ao ar e anima as pessoas para buscarem melhores condições de vida: posto de saúde, melhor funcionamento da escola, campanha pela limpeza do bairro e assim por diante. Uma rádio comunitária deve ser dirigida por um conselho formado por pessoas da comunidade. Rádio comunitária não tem uma pessoa como dona (político, empresário etc.). A comunidade pode criar os seus próprios meios de comunicação, para divulgar aquilo que os moradores da região querem dizer, querem sugerir e fazer, para transformar a realidade de sofrimento, numa realidade melhor para todos. Mas, há muitos meios de comunicação que só divulgam a palavra oficial do prefeito, do vereador, do deputado, do empresário, esquecendo dos moradores da comunidade. Eles também têm sua opinião, às vezes, bem diferente da opinião dos que têm o poder político e o dinheiro nas mãos.
Toda rádio ou TV comunitária recebe uma concessão do Ministério das Comunicações (ou seja, uma licença para ir ao ar), assina um compromisso de que aquela emissora será da própria comunidade. A associação é como uma cooperativa: todos são donos e as coisas são decididas em reunião. Por isso, toda rádio ou TV comunitária pertence a uma associação, ou seja, a uma comunidade. Se ela não está cumprindo essa responsabilidade exigida pelo Ministério das Comunicações, a rádio ou TV comunitária pode ser fechada, caso alguém denuncie que ela está servindo a um político, a uma única pessoa.
Falamos que os meios de comunicação podem promover qualidade de vida, na comunidade. Todos têm mais qualidade de vida quando:
. há garantia de um emprego ou outra fonte de renda;
. há casa para morar;
. têm saúde: condições de ir ao médico, de fazer exames, tratamento dentário;
. têm escola funcionando bem na comunidade;
. há harmonia na família;
. há paz de espírito: paz interior.
. se têm acesso a informações;
. uns escutam os outros;
. há participação de todos nas decisões, na vida da comunidade (através de associações, dos conselhos etc.) e outras coisas.
Os meios de comunicação criados pela própria comunidade (mural, difusora boca-de-ferro, página na internet, rádio, jornal e outros) devem ser canais democráticos de comunicação, divulgando aquilo que os grandes meios de comunicação não divulgam sobre a comunidade. Se os grandes canais de televisão, as grandes emissoras de rádio e os grandes jornais impressos não dão chance de as comunidades divulgarem o que pensam e o que sentem, então, nós mesmos podemos criar nossos próprios meios de comunicação, para promover a cidadania, a paz e a vida, enfim, para dar nossa opinião. Não precisa muito dinheiro. Basta que a gente se organize para tentar fazer uma comunicação diferente, com o pouco que estiver à nossa disposição na comunidade.
Quando uma rádio, um jornal, um canal de TV ou outros meios de comunicação só valorizam a cultura que não é da comunidade, quando só divulgam notícias de fora, quando só mostram coisas negativas da vida do povo (crimes, roubos, sexo), deixa de ter uma função comunitária. Mas, quando esses meios de comunicação são criados e administrados, democraticamente, com a participação da comunidade, quando interagem com ela e se tornam porta-vozes dos interesses do bairro, do sítio, do povoado, da cidade, então, podemos dizer que há um jornal comunitário, uma rádio comunitária, uma TV comunitária e assim por diante.
A comunidade tem direito de dizer a sua opinião, de mostrar a sua música, os seus talentos, os projetos que estão dando certo. A comunidade tem o direito de dizer em que e onde as verbas da educação, da saúde, devem ser aplicadas. A comunidade precisa dizer sua palavra nos meios de comunicação, na hora do debate sobre a poluição do rio, a construção de uma barragem, sobre o problema de um esgoto na rua. Os meios de comunicação devem ser canais abertos para renovar a vida da comunidade

Para conversar em grupo:

1. Quais são os meios de comunicação que temos em nossa comunidade?
2. Esses meios de comunicação existem para a comunidade (nossa música, nossas notícias, nossa vida, nossa voz)? Por quê?
3. O que fazer para termos uma comunicação cada vez mais voltada para melhorar a qualidade de vida da comunidade? Como vamos fazer isso?

Vamos construir juntos?

- A equipe da Pascom pode chamar as outras pastorais, com antecedência, para planejar esse dia. Pode convidar, também, os artistas da comunidade (cantadores, poetas, cantores, músicos, atores de teatro, pintores, artesãos etc.). Que tal organizar uma noite de apresentações culturais sobre a Paz?
- Para esse dia, as rádios locais podem ser convidadas para transmitir o evento.
- Se houver possibilidade, seria importante a Pascom convidar representantes dos meios de comunicação que atuam na comunidade (rádios, jornais, difusoras bocas-de-ferro etc), para uma mesa-redonda, na qual os convidados mostrem como esses meios estão servindo e como podem servir, ainda mais, à comunidade. Depois, a comunidade pode fazer perguntas para os representantes dos meios de comunicação e encerrar a atividade com cânticos que falem de paz.


03/06/05 - Comunicação para construir uma sociedade solidária

Se a comunicação pode mudar a vida da pessoa, da família e da comunidade, pode, também, construir uma nova sociedade. Tudo o que o comunicador cristão faz, seja no contato com outras pessoas e grupos, seja nos meios de comunicação, deve fazer com a intenção de fazer o bem, de trazer felicidade e melhores condições de vida para todas as pessoas e comunidades. O comunicador cristão faz tudo pensando em construir um mundo melhor. O cristão é da vitória, da alegria e da confiança num mundo novo. Por isso, trabalha, investe a sua vida na construção de uma sociedade mais humana, democrática, solidária e de paz. Mesmo que o mundo inteiro não acredite que a sociedade tenha mais jeito, o cristão acredita numa outra sociedade possível, numa outra realidade social. O comunicador cristão é mensageiro dessa Boa Notícia.
Enquanto os grandes meios de comunicação estão preocupados em vender informações, a trabalhar para enriquecer seus donos (chefes políticos, pequenos grupos de grandes empresários e outros), o comunicador cristão trabalha para que as pessoas das comunidades tenham direito a ter sua voz na rádio, a ter sua imagem na TV, o seu texto no jornal. O comunicador cristão é o mensageiro da vida. Seu jeito de trabalhar é acolhedor e desperta esperança em quem já não acredita numa saída para a sua situação pessoal ou para a situação do município, do país e do planeta. Se na comunicação das grandes rádios, dos grandes jornais, dos grandes canais de TV, muitos são rejeitados e apenas assistem, escutam ou lêem matérias de algumas pessoas importantes, a comunicação cristã traz os mais pobres, os mais esquecidos, os que estão por fora, para dentro dos meios de comunicação. Assim, os meios de comunicação deixam de ter o lucro como objetivo final. O resultado esperado na comunicação cristã é o bem comum, o bem de todas as pessoas, famílias e comunidades.
Quanto mais gente participar dos nossos programas de rádio e de TV, quanto mais pessoas das comunidades aprenderem a produzir e apresentar programas de rádio e televisão, quanto mais divulgarmos notícias das lutas e vitórias das comunidades, quanto mais ensinamos aos outros como escrever um texto para o jornal, mais democrática e participativa será a comunicação. A nossa meta é o ser humano, para que todos tenham vida e a tenham em abundância, como Jesus Cristo nos ensina.
Alguém poderia perguntar: como eu poderia mudar a sociedade, se apresento um programa numa rádio pequena, se escrevo num boletim paroquial lido por pouca gente, se apenas tenho uma difusora boca-de-ferro, se apenas organizo um mural? Ora, é exatamente usando esses pequenos meios de comunicação que podemos fazer a nossa parte, para construir um outro jeito de nos comunicarmos com as pessoas. Os chefes políticos, os grandes empresários, já têm espaço e já controlam a grande mídia. Agora, nós queremos fazer comunicação com os mais pobres, com os sem vez, com os que não sabem ler nem escrever, com as mulheres simples, com as crianças empobrecidas, com os jovens, com os portadores de deficiências, com os pescadores humildes, com os sanfoneiros, violeiros e artistas da comunidade, com os pequenos comerciantes, enfim, com todos aqueles que estão rejeitados e esquecidos, na sociedade em que vivemos.
Os meios de comunicação não podem continuar agindo, irresponsavelmente, como estão. As empresas de comunicação e os comunicadores precisam sentir que têm uma responsabilidade social muito grande. Uma informação distorcida pode levar à violência, aos vícios, ao sexo pelo sexo. Uma informação bem dada pode salvar a vida de uma criança, pode fazer uma pessoa se sentir gente, pode evitar a corrupção com o dinheiro que vem para a prefeitura aplicar na educação, na construção de um hospital público, na canalização de esgotos etc. Um meio de comunicação pode fazer um grande bem, se quiser servir à comunidade.

Para pensar em grupo:

1. Você viu, ouviu ou leu os grandes meios de comunicação, hoje? De que eles falaram?
2. Qual a diferença entre um grande meio de comunicação e um meio de comunicação da própria comunidade?
3. O que podemos fazer para não engolir tudo que os grandes meios de comunicação nos transmitem, como se fosse verdade?

Vamos construir juntos?

- Nesse dia, a Pascom poderá combinar com o Padre, mobilizar a comunidade, autoridades, diretores de meios de comunicação, educadores de escolas do município, sindicatos, ONGs, para realizar a Missa da Comunicação.
- A coleta dessa missa pode ser destinada para a Pastoral da Comunicação da Paróquia (se o padre aceitar), com o objetivo de apoiar as ações da comunicação da Igreja e para ajudar nas despesas de deslocamento dos agentes para o Mutirão Arquidiocesano de comunicação, em Natal, no dia 04 de junho.
- Que tal a Pascom promover um sorteio ou um leilão, nesse dia? (o sorteio de uma TV ou de um aparelho de som, por exemplo).
- Nesse dia, também, a Pascom poderá intensificar a campanha de assinaturas do jornal A Ordem e divulgar seus próprios meios de comunicação locais.


04/06/05 - Mutirão Arquidiocesano de Comunicação

O ponto alto da Semana da Comunicação acontecerá em Natal, no dia 04 de junho de 2005, quando iremos realizar o 1º Mutirão Arquidiocesano de Comunicação. Será um grande encontro com todas as pessoas que fazem parte das equipes paroquiais da Pastoral da Comunicação. Desde 1998, quando a Pascom foi fundada na Arquidiocese de Natal, nunca houve um encontro de todos os nossos comunicadores paroquiais.
O Mutirão é a chance de a Pascom da sua Paróquia mostrar a cara, trazendo todos os membros da equipe. Nesse dia, vamos saber quanto somos. Devemos nos esforçar para que ninguém falte. Por isso, devemos começar a trabalhar agora, realizando promoções, conseguindo transportes, fazendo campanhas para participar desse momento histórico. A solidariedade, o trabalhar juntos, será indispensável.
As inscrições para o 1º MAC serão feitas de 20 de abril a 10 de maio, nas paróquias, a uma taxa de R$ 10,00 (dez reais) por pessoa. Após essa data, as inscrições só poderão ser feitas, apenas, no Centro Pastoral Pio X, na sala da Pascom, em Natal, até 20 de maio. A taxa de inscrição dará direito a alimentação, água, lanche, papel, caneta, mochila, apostilas das oficinas e certificado para cada participante. Além das oficinas e palestras, teremos estandes montados pelos meios de comunicação (Diário de Natal, Tribuna do Norte, TV Cabugi, TV Ponta Negra, TV Universitária, Rádio Globo, Rádio Rural de Natal, TV Tropical, Rádio CBN, Rádio Poty, entre outros meios). Ainda teremos a participação de estudantes e convidados dos cursos de jornalismo da Universidade Federal do RN, da Universidade Potiguar e outras. A programação será encerrada com show feito por artistas potiguares. O Arcebispo de Natal, Dom Matias Patrício de Macêdo participará da abertura do evento.
MUTIRÃO significa trabalho em conjunto, esforço coletivo, atitude solidária e partilha. O nosso Mutirão já começou: alguém pensou e escreveu esse texto, outros diagramaram, uns planejaram a programação do Mutirão, vocês mobilizam a comunidade e animam os encontros desta Semana da Comunicação etc. Para terminar bem, que tal uma festa, com todo mundo presente? Será um dia de oficinas, de celebração, de palestras, de apresentações. Não deixemos que nenhum irmão e nenhuma irmã da Pascom fique de fora do Mutirão.
Chegou a hora de a Pastoral da Comunicação mostrar que existe, que tem presença marcante na vida da nossa Arquidiocese. Você é responsável pelo êxito do nosso trabalho, tanto na paróquia, como na Arquidiocese. Somos todos responsáveis para que a comunicação da Boa Nova de Jesus Cristo se sobressaia, sobre todos os telhados, sobre todas as antenas, nos campos e cidades, na capital e no interior. É missão de todos nós. Vista a camisa, diga sim ao convite e sigamos os passos do Comunicador Perfeito.


Elaboração:
Francisco Morais
Equipe de Articulação da Pastoral da Comunicação - Arquidiocese de Nata0
E-mail: pascom@arquidiocesedenatal.org.br
Natal-RN, abril de 2005