Você
escuta rádio? Por que você escuta rádio? Quando
você liga o rádio, o que você gosta de ouvir?
Você apresenta programas
de rádio? Você escutaria o programa que você apresenta?
INTRODUÇÃO:
O rádio, mesmo com a penetração da televisão
em quase todos os lares, mas ele ainda é o meio de comunicação
de maior abrangência, no Brasil, segundo dados do IBGE. Nas comunidades
rurais, o rádio ainda é mais companheiro das pessoas,
que nas cidades.
Isto acontece porque o rádio é um grande amigo, aquele
que está pertinho em todas as horas: nos momentos tristes, nos
alegres, é aquele que informa, que evangeliza, que distrai, que
você pode falar com ele (por carta, por telefone, ao vivo)...
E não é o aparelho chamado rádio que faz tudo isso,
mas é a pessoa ou as pessoas que estão lá no estúdio,
falando pra você.
Eis, então, uma grande missão de quem produz e apresenta
os programas. O locutor precisa lembrar que ele não é
“dono” do microfone, que só ele tem a verdade e só
ele pode falar. Todo Meio de Comunicação precisa estar
a serviço do povo, desempenhando, assim, sua função
social. Mas qual é mesmo a função social do rádio?
Dar a palavra à pessoa que está do outro lado, ao pé
do rádio, é a primeira e principal função
social do rádio. Por que as pessoas expressam tanta felicidade
em se ouvir no rádio? Por que as pessoas expressam felicidade
em ouvirem o vizinho ou amigo falando por meio do rádio? Pode
ser um simples fato de “enviar um alô para alguém”
ou para denunciar algum problema que a comunidade enfrenta. Esta manifestação
de sentimento acontece, principalmente, entre pessoas simples, que vivem
em comunidades pequenas, interioranas, sofridas. É a prova da
função social do rádio: dar a palavra (ou devolvê-la)
a quem não tem direito a proclamar seus pensamentos por meio
dos grandes meios de comunicação de massa, como a televisão,
por exemplo. As pessoas ao se ouvirem ou ouvir o parente, o vizinho,
o amigo, sentem a auto-estima valorizada, sentem-se cidadãs.
O primeiro desafio de uma emissora de rádio, com responsabilidade
social, é amplificar a voz do povo.
E com os programas da Igreja também deve ser assim? E por que
não? Por exemplo: no programa de hoje, o tema é a “família”.
Então, o locutor pega um texto que encontrou na internet ou num
livro e começa a ler no rádio, com todo aquele palavriado
complicado, que, muitas vezes, nem ele mesmo entende. Não seria
bem mais interessante levar um casal da Pastoral Familiar ou um casal
da comunidade, quem tem um bonito testemunho de família, para
falar no programa? Certamente, o ouvinte iria prestar bem mais atenção.
CARACTERÍSTICAS:
Quando surgiu a TV, achávamos que aconteceria a decadência
do rádio. Mas, não foi. Veio a internet e o rádio
continua sendo o meio de comunicação mais popular. Por
quê? Talvez porque o rádio possua as seguintes características:
- Sensorialidade: o rádio leva o ouvinte a criar imagens
- Abrangência: o rádio fala para milhões
- Regionalismo: o rádio fala de coisas da comunidade
- Intimidade: o rádio fala cada pessoa, individualmente
- Velocidade: o rádio fala de coisas que acabaram de acontecer
ou que estão acontecendo
- Mobilidade: o rádio pode ser levado a qualquer lugar: cozinha,
banheiro, carro, trabalho
- Acessibilidade: por ter preços razoáveis, o rádio
é acessível a qualquer pessoa
FORMATOS:
Qual é o melhor formato para o programa? “Aquele que mais
comunica. As vantagens ou desvantagens, o que é bom ou que é
ruim de um programa de rádio, não se medem pela obediência
a determinadas regras de produção, e sim pela melhor aceitação
do público”, escreve José Ignácio López
Vigil, em seu livro Manual Urgente para Radialistas Apaixonados. Por
isso, é importante de quando em quando fazer uma “sondagem”
para sentir o que o ouvinte acha do programa.
Comumente, os programas radiofônicos das paróquias são
divididos em: leitura e comentário de um texto bíblico
ou outro texto, notícias, entrevistas.... (Bem que podiam ousar
e inserir outros formatos, como: “enquetes, radiodramas etc. Garanto
que ia ficar mais dinâmicos e, com isso, ter mais audiência.)
Vamos conhecer um pouco sobre cada formato?
a) Comentário: É uma análise da
realidade: de um fato, de uma pessoa, uma situação, uma
entidade ou um movimento social, um problema etc
O comentário pode ser usado em todos os gêneros e fazer
parte de outros formatos. Ele pode, por exemplo, iniciar um debate ou
fechar um noticiário, ser um quadro de programa de variedades.
E, aos poucos, o comentário começa também a usar
outros recursos, além da voz. Sendo assim, é um comentário
ilustrado. Pode, por exemplo, ter seu início com um pequeno diálogo,
ser acompanhado de efeitos sonoros ou música de acordo com o
tema abordado.
O comentário deve ser escrito, porque, no rádio, o improviso
deve ser evitado. Outros formatos podem até ser mais ou menos
improvisado, ou seja, o locutor pode até só fazer algumas
anotações, um roteiro, mas o comentário não
deve ser improvisado. E mais: antes de pegar uma caneta ou sentar-se
na frente do computador, o comentarista deve ter em mente:
. O que quero dizer?
. A quem quero dizer isso? A quem queremos convencer com este comentário?
Decididos o tema e o público, é hora de colocar as idéias
no papel. Parece difícil encarar o papel em branco e nele colocar
as idéias, não é? Mas, aí estão algumas
dicas:
. Primeiro momento: conte um fato. Comece contando um fato real ou uma
historinha. Procure despertar a emoção do ouvinte, mexer
com sua imaginação.
. Segundo momento: analise o fato. Analisar é apontar causas
e efeitos, esclarecer. É preciso argumentar suas idéias,
ou seja, é preciso razões que acompanhem a reflexão
do ouvinte.
. Terceiro momento: resolva o fato. Se já entendemos e analisamos
o fato, é hora de solucionar, de apontar caminhos para a situação
proposta.
Enfim, relatar, analisar e resolver são os três momentos
do comentário. Na verdade, nada mais é do que aquele velho
método que trabalhamos, há séculos, na Igreja:
ver, julgar e agir.
b) Notícia:
é o relato de um fato real, atual e de interesse e importância
para a comunidade.
Há uma regrinha, composta por seis perguntas e chamada de lead
(ou lide), que facilita na hora de redigir uma notícia:
O quê? - o assunto
Quem? - personagens envolvidos
Quando? – data, hora
Onde? – local onde aconteceu (acontece ou acontecerá) o
fato
Como? – modo como aconteceu (acontece ou acontecerá) o
fato
Por quê? – causas
É importante lembrar que se deve começar pela parte mais
importante. Pode ser pelo “o que”, pelo “quem”,
pelo “como”... O importante é começar pela
parte que mais vai chamar a atenção do ouvinte.
Além do lead, há algumas outras orientações
para redação da notícia para o rádio:
a) Não usar o “nós”, o “nossa”
e outros termos que passam pessoalidade (nossa paróquia, nosso
pároco, nosso padroeiro etc), o que compromete a credibilidade
da notícia perante os ouvintes.
b) Evitar verbos no futuro do presente. Para o ouvinte, o tempo deve
ser o mais próximo possível. A linguagem do rádio
é a linguagem do agora. Por exemplo: ao invés de “acontecerá”,
use “acontece” ou “vai acontecer”; ao invés
de “celebrará”, use “celebra” ou “vai
celebrar” etc ..
c) Quando se tratar de horas, diga: “sete e meia da noite”,
“oito e meia da manhã”, “cinco horas da tarde”
e não “dezenove horas e trinta minutos”, “oito
e quinze”, “dezessete horas”. Agindo assim, o comunicador
está simplificando e facilitando o entendimento de quem está,
apenas, escutando, sem chances de reescutar.
d) Usar frases curtas. Ir direto ao assunto.
e) Evitar adjetivos (palavras que exprimem qualidade). Deixe que ouvinte
tire a conclusão de a ação é “grande”,
“pequena”, “maravilhosa”, “majestosa”
etc
f) Não usar gírias, nem chavões, jargões
(Ex.: “Água que passarinho não bebe”, “Foi
preso um elemento” etc)
c) Entrevista: é
uma conversa entre duas ou mais pessoas, com o objetivo de analisar,
informar ou esclarecer sobre um assunto, através de perguntas
e respostas.
A entrevista pode ser:
Individual: quando a conversa acontece entre um entrevistador e um entrevistado;
Grupal: quando o entrevistador faz perguntas a vários entrevistados;
Coletiva: quando as perguntas são feitas por vários entrevistadores
a um só entrevistado.
d) Enquete:
são entrevistas curtas, através de uma pergunta (no máximo
duas) simples, clara e direta sobre um determinado assunto, feita a
várias pessoas. Pode ser realizada na rua, no trabalho, no ônibus,
nas feiras, por telefone etc
LINGUAGEM:
“Falar no rádio” é seduzir o ouvinte. O radialista
pode até ter uma bela voz, entender de técnica, ter cursado
quatro anos de Comunicação Social na Universidade. Mas,
se não entra na magia do rádio, nunca chegará a
ser um bom radialista. Será um “trabalhador” de rádio,
mas não um “comunicador”, porque fala bem, mas não
se comunica, não seduz. Além de falar com clareza, com
boa dicção, o locutor precisar ter “a palavra certa”,
conhecer, realmente, o assunto do qual fala. Por isso, quando um padre,
um religioso ou um leigo aceitam o desafio de apresentar um programa
de rádio, devem se capacitar, não somente na parte técnica
de locução, mas, também, se aprofundar nos assuntos
que vão abordar.
A arte de falar no rádio consiste precisamente em usar palavras
concretas, que transmite uma imagem que possa ser vista, tocada, sentida,
que tenham peso e medida. Palavras materiais que transmitam a realidade.
A linguagem radiofônica é fundamentalmente descritiva,
narrativa, sedutora.
A linguagem, em qualquer programa, tem de ser “quente”,
acolhedora, entusiasta. Nada formal. O rádio está sempre
no presente e é imediatista. Envolve emocionalmente. Cria intimidade.
Portanto, dirija-se ao seu ouvinte de forma direta, no singular.
No rádio, nossa palavra deve ser:
- Clara: não colocar muitas idéias de uma vez só
e não usar palavras que sejam difíceis do ouvinte entender.
- Simples: em rádio deve-se usar palavras fáceis. Não
complique. Lembre-se que você tem que ser um artista da cultura
oral. Não abuse de palavras técnicas, complicadas, abstratas,
estrangeiras, pouco usuais.
- Direta: dizer as coisas sem rodeios, evitando abusar das orações
subordinadas, as metáforas difíceis e a construção
de frases rebuscadas. A maneira mais recomendável é escrever
como se fala, colocando sujeito + verbo + complemento. Quando escrever
para o rádio, primeiro escreva, depois leia em voz alta e, então,
sinta se soa como linguagem oral.
- Precisa: é preciso usar frases curtas para evitar a monotonia.
Uma frase curta tem menos de quinze palavras.
- Amiga: a conversa radiofônica é íntima, se fala
ao ouvido das pessoas. Não faça discurso. Converse com
o ouvinte, falando sempre para uma pessoa, no singular. Nunca imagine
falar para uma multidão, mesmo supondo que sejam muitos os seus
ouvintes. Use sempre o você e não o vocês. Coloque
do seu lado, imaginariamente, um amigo seu; olhe no seu rosto, descubra
as suas inquietações, busque sintonia com ele em seus
acordos e desacordos. Fale diretamente com ele, não com a linguagem
impessoal, mas com o jeito do coração.
O rádio não
é feito apenas de palavras, é também música
e som. Os sons permitem que o ouvinte veja, com a sua imaginação,
o que desejamos descrever. A música permite que ele sinta as
emoções que queremos comunicar-lhe. Por isso, num programa,
a música não deve ser um “tapa buraco”, mas
deve fazer parte do contexto do programa.
Funções da música:
- Tema: música que identifica um programa. Usada, geralmente,
no início e no final do programa.
- Cortina musical: é um espaço musical de curta duração
que se utiliza para separar as cenas ou blocos dos programas e para
acentuar a atmosfera emocional. Para as cortinas, deve-se usar trechos
de músicas instrumentais, sem palavras.
- Fundo musical ou BG: é a música que se escuta em segundo
plano, como fundo das palavras.
COMO FALAR:
Falar no rádio deve ser a mesma coisa que falar com os amigos.
Isto quer dizer que nossa locução deve ser como uma conversa,
assim como um bate-papo com amigos, com muita descontração,
mas, ao mesmo tempo, com a “seriedade” de quem estar falando
para centenas ou milhares de pessoas, de doutores aos poucos letrados.
Para falar no rádio, devemos estar atentos aos componentes: voz,
dicção, articulação e entonação.
Tudo isso junto, de forma harmoniosa, nos possibilitará transmitir,
com segurança, o que queremos. Não basta termos bons programas
com excelentes conteúdos e qualidade técnica, se não
conseguimos, através de nossa fala, transmitir credibilidade,
confiança e simpatia. Ninguém gosta, por exemplo, de ouvir
alguém pigarreando o tempo todo no ar, tossindo, completamente
rouco ou falando estridentemente. Portanto, são fundamentais
alguns cuidados com nossa voz.
Pontos essenciais para falar bem:
- Entusiasmo: falar com o coração. Sentir e acreditar
no que está dizendo.
- Clareza: falar devagar, pronunciando e articulando de modo inteligente.
Não “comer” ou “engolir” os finais das
frases e nem das palavras. Para isso, abra bem a boca, quando estiver
falando, e faça muitos exercícios de leitura.
- Ênfase dar a força de expressão necessária
para a palavra ou a frase. A ênfase é a chave para levar
ao significado do que está escrito. Sem a ênfase a palavra
fica apagada, sem graça.
- Entonação: é a variedade na inflexão do
tom da voz. É preciso saber entonar as frases interrogativas,
imperativas e exclamativas.
- Naturalidade: primeiro: não ler, mas comentar, contar, bater
um papo. Segundo: a voz deve sair livre, sem esforço.
- Pausa: essencial para uma boa locução, mas também
precisa ser dosada. Falar sem pausas é algo mecânico, é
simplesmente soltar as palavras sem tom nem som, é pronunciar
palavras sem sentido.
- Ritmo: Regulado, sem atropelar e sem ficar monótono. O próprio
texto vai indicando onde se deve mudar o ritmo. As coisas tristes, normalmente,
são ditas devagar. Já as descrições são
feitas um pouco mais rápido. Quando se dão ordens, um
pouco mais rápido e enérgico.
Eis, alguns exemplos de exercícios
de dicção/respiração:
. Inspire pelo nariz –
pausa – expire lentamente pela boca (repetir 5 vezes)
Encha a boca de ar e exploda com o som de P
Assobie
Faça caretas colocando a língua fora da boca.
Vibre a ponta da língua – trim, trim, trim.
Pronuncie forçando a musculatura facial – a, i, u –
a, i, u – a, i, u.
Repita em voz alta os fonemas, forçando a consoante final
. Exercício para problemas
de articulação do R
baR – baR – baR deR- deR – deR muR – muR –
muR
feR - feR - feR joR – joR – joR quiR- quiR - quiR
Terê.. Terê.. Terê... Trê....Trê.. Trê
Fara... Fara... Fara... Fra....Fra...Fra
Coró.. Coró.. Coró.. Cró... Cró...
. Pronuncie rapidamente evitando
atropelar as sílabas
Novelas e novelos são
as duas moedas correntes desta terra. Mas tem uma diferença:
que as novelas armam-se sobre o nada e os novelos sobre muito, para
tudo ser moeda falsa.
Pedro Paulo Pereira Pinto
Peixoto, pobre pintor português, pinta perfeitamente portas, portais,
paisagens, prometendo prontidão por pouco.