PASTORAL DA COMUNICAÇÃO

I - O QUE É?
A Pastoral da Comunicação (Pascom) é uma pastoral ainda nova, na Igreja. Os documentos da Igreja que tratam do tema comunicação são recentes. O primeiro, o Inter Mirifica, é do Concílio Vaticano II, aprovado em 1964. Mas, esse documento ainda não explicita a necessidade da existência de uma Pastoral da Comunicação.
Em termos do Brasil, o primeiro documento publicado sobre o tema é o 59, da CNBB, com o título Igreja e Comunicação rumo ao Novo Milênio, fruto da Assembléia Geral dos Bispos do Brasil, realizada em abril de 1997, em São Paulo. É esse o primeiro documento da CNBB que trata da necessidade da criação e organização da Pascom nas dioceses e paróquias.
Na Arquidiocese de Natal, ela foi criada, oficialmente, em 1998. De lá para cá é constante o trabalho de implantação e fortalecimento dessa pastoral, nas paróquias.

1.1 – O que é a Pastoral da Comunicação?
Esta é uma indagação ainda presente, em nossa Igreja. Há os que acham que a turma da Pascom quer se exibir, fazer fotografias, filmar, aparecer na hora dos avisos no final da missa, ter o nome do expediente do boletim paroquial, falar na rádio etc.
A experiência tem mostrado que atuar na Pascom é coisa séria e tem muito o que fazer. Sabe por quê? Porque a Pascom não é uma pastoral que trabalha isoladamente. Ela passa por dentro de todas as outras pastorais, movimentos e serviços, levando o oxigênio da comunicação a toda paróquia.
Então, a Pascom serve para:
a) Evangelizar, afinal, como diz o Documento de Puebla (1063): “evangelizar é comunicar”. A Pascom trabalha para que todos os membros da Igreja (bispos, padres, diáconos, religiosos, leigos) adotem uma postura de comunicação mais humana, fraterna.
b) Dar unidade às práticas de comunicação existentes na Igreja. Quantas paróquias têm programas de rádio, site, jornal, mural, mas cada um feito por uma pessoa ou um grupo, isoladamente? A Pascom existe para dar unidade as estas ações.
c) Construir comunhão: antes de pensar na comunicação na sociedade, é preciso avaliar se não estamos reproduzindo o modelo pecaminoso de comunicação, no interior da própria Igreja. O objetivo da Pascom não é, simplesmente, produzir e emitir informações. Antes disso, é preciso pensar em melhorar a qualidade da comunicação entre as pessoas, pastorais e setores, para que a comunicação gere comunhão, a exemplo das primeiras comunidades cristãs. Devemos comunicar para gerar comunhão.
d) Promover a pessoa: você já presenciou a alegria de uma pessoa simples ou das pessoas de uma comunidade, quando se vêem num vídeo? Ou quando escutam suas vozes num programa de rádio? Ou quando vêem sua fotografia numa boa notícia dos nossos jornais? A comunicação pode promover a pessoa, dessa maneira, ou levando-as à mobilização por melhores condições de vida, na sociedade. O meio pode estimular processos comunitários pela cidadania.

II – MÍSTICA DA PASTORAL DA COMUNICAÇÃO:
Todo pensamento leva a uma atitude, ou seja, toda concepção resulta numa prática. Aplicando este pressuposto à comunicação, podemos dizer que a forma como estabelecemos as relações de comunicação com os outros, com nós mesmos e com Deus, depende do conceito de comunicação que, culturalmente, internalizamos. Fazer comunicação na Igreja exige uma resposta para uma pergunta: “que modelo comunicacional deve nortear as práticas da nossa comunidade de fé?”
O modelo de comunicação cristã tem como fonte inspiradora o Mistério Trinitário (comunitário) de Deus - Pai, Filho e Espírito Santo. A comunicação intra-trinitária é tão perfeita que leva è perfeita comunhão entre três pessoas divinas: unidade. Em toda a história humana, Deus toma a iniciativa de se comunicar com o seu povo. Em cada momento e em cada contexto, Deus se comunica através de sinais adequados à compreensão do homem e da mulher, a partir da realidade história em que estavam vivendo.
O desejo de comunicação de Deus junto ao seu povo é tão grande que Ele resolve se comunicar de igual para igual com os homens e mulheres na história. Por isso, assume as características humanas e vem para o meio da realidade vivida pelas pessoas, através do seu filho, Jesus Cristo.
Ele (Jesus) é o modelo de comunicador perfeito. Ele é o próprio Deus que encarna e mostra como deve ser a relação de comunicação entre as pessoas. Por isso, todo agente da Pascom deve seguir o exemplo de Jesus Cristo. Ele nos ensina um modelo de comunicação que serve para todo comunicador cristão, orientando suas práticas, em quaisquer circunstâncias, desde o contato com as pessoas mais simples, até o uso dos meios de comunicação mais sofisticados. Seguir o modelo de comunicação de Jesus requer auto-avaliação constante, conversão e urgente mudança de atitudes.
E como é o modelo de comunicação ensinado por Jesus Cristo?

a) Ia ao encontro das pessoas – quando as pessoas se sentiam acolhidas, valorizadas e escutadas por Jesus, mudavam de vida, mesmo quando seus pecados eram considerados horríveis pela sociedade da época. Certamente eram pessoas que não se sentiam bem porque praticavam coisas erradas, porém, não viam outra saída a não ser permanecer nos erros habituais. Mas, a comunicação de Jesus lhes mostrava perspectivas diferentes, saídas e possibilidades para começar um novo jeito de viver, com qualidade de vida. Assim aconteceu com Zaqueu e com Maria Madalena, por exemplo.

b) Acolhia e ouvia quem queria lhe dizer algo – Lembram do cego de Jericó, gritando no meio da multidão, querendo entrar em comunicação com Jesus, para lhe falar do seu desespero e da sua vida? Jesus pára, pede que tragam o cego até ele (ou vai até o cego?) e ali se instaura uma nova fase, na vida daquele homem. Já pensou quantas possibilidades se abriram para aquele que vivia como pedinte, dependente de guias, privado de enxergar igual aos outros? Com a vista recuperada, ele recuperou, também, a auto-estima, a cidadania, a chance de conduzir sua própria vida...

c) Valorizava a pessoa / interlocutor – Na hora do sol mais quente, de maior cansaço físico, Jesus encontra a samaritana, no meio de seus afazeres, à beira do poço. Ele encontra uma mulher, talvez mais rejeitada e inferiorizada naquela época, do que em nossa cultura. É com essa mulher subjugada ao anonimato, portadora de outra cultura, numa região de tantas dificuldades, que Jesus puxa conversa e estabelece diálogo. Sua comunicação a encanta, desperta interesse e tem sabor de vida. Ela logo percebe o diferencial daquele jeito de comunicar. Sentiu-se valorizada. Jesus age com simplicidade: pede água e se iguala à condição social da samaritana, que também viera buscar água. Ali, ambos expressaram seus pontos de vista, sem que nenhum saísse prejudicado, nem pela condição de gênero, nem pela diferença cultural e nem por outras questões.

d) Falava com atitudes – a credibilidade de Jesus vinha de suas atitudes. O que o povo ouvia de Jesus era condizente com a sua prática. A evangelização passa, necessariamente, pelo testemunho. As atitudes de Jesus comunicavam esperança e certeza numa vida nova, diferente daquele modelo vigente na sociedade da época. Os olhos do povo brilhavam diante da comunicação calorosa e testemunhal de Jesus.

e) Falava coisas de se entender – as palavras de Jesus tinham sabor de vida, de realidade, da cultura de cada região em que ele ia passando e pregando. Atraía a beleza daquelas falações cheias de significado para o povo. Jesus contava histórias, narrava e falava de igual para igual. O mais curioso é que ninguém ficava tímido para falar diante de Jesus. Para conversar com Ele, vinham os cegos, os leprosos, os pobres, os considerados mais pecadores, as criancinhas, e Jesus falava a linguagem de todos eles. É por isso que o povo sentia prazer de escutar Jesus, a ponto de passar um dia inteiro andando de um lugar para outro, com fome, atrás dele. O povo tinha mais fome da Sua comunicação, do que de comida.

f) Era simples – a simplicidade de Jesus era o que mais chamava a atenção de quem entrava em comunicação com Ele. Enquanto alguns se preocupavam com a retórica, com a arte de falar bonito para esnobar, nos lugares públicos, diante de platéias selecionadas, Jesus procurava os lugares onde havia gente esquecida e denegada. Qualquer lugar era lugar de comunicação, para Jesus, e qualquer pessoa merecia a atenção dele. Subia nas barcas, chamava pescadores para seguí-lo, comia na casa de gente errada, subia para pregar em cima das serras, caminhava a pé e vivia a vida normal das comunidades. Ele não dava destaque a si mesmo. Anunciava, com entusiasmo, a boa notícia de que um novo reino, um novo modelo de sociedade era possível de ser construído.

g) Planejava e sabia o que queria – Jesus planejava tudo. Tudo dele era pensado e avaliado, antes. Até para enviar os discípulos, mandou que fossem de dois em dois, pois conhecia muito bem, como, na realidade, tudo seria muito difícil. Quando vai entrar em Jerusalém, ele planeja uma entrada que cause impacto e repercussão. Manda, primeiro, buscar um jumentinho, monta e, certamente, já havia muita gente articulada e avisada para recebê-lo. Como Ele queria mostrar que o seu modelo de sociedade era diferente, planejou uma entrada triunfal, mas, com muita humildade.

h) Utilizava os meios para chegar a um fim – Jesus usou todos os meios de que dispunha em sua época, com o objetivo de melhorar a qualidade da sua comunicação. O meio de comunicação, para Ele, era, apenas auxiliar. A barca e a montanha, por exemplo, foram meios usados para amplificar a sua comunicação, fazendo com que sua voz e seus gestos chegassem mais longe. E não era em todo momento que Jesus usava a barca. Era de acordo com a realidade, com o contexto e a necessidade. O que Jesus queria mesmo era comunicar, estabelecer diálogo com as pessoas, olhando olho no olho, face a face. Deus havia se tornado homem, porque somente a pessoa tem todos os recursos de comunicação para entrar em sintonia com o outro. Depois de ter experimentado todas as tentativas de estabelecer comunicação com o ser humano, Deus radicaliza e resolve se tornar pessoa humana, encarnando-se, para se revelar melhor.

i) Era portador da Boa Notícia - apesar de ser contra as estruturas sociais e políticas de seu tempo, Jesus não andava pregando desgraças. Ao contrário, ele anunciava possibilidades. E era anunciando possibilidades de uma vida nova, de uma sociedade justa e solidária, que Jesus fazia o povo se tocar de que muita coisa precisava mudar. Ele diz que Lázaro não morreu, que o cego vai passar a ver, que Madalena pode ficar de consciência tranqüila, pois seus erros já foram perdoados. A positividade fazia parte da comunicação de Jesus, animando cada pessoa e as comunidades, em busca de uma vida nova.

j) Trabalhava em equipe – A primeira coisa que Jesus fez, mesmo antes de começar a sua vida pública, foi compor uma equipe de trabalho. Antes de começar o trabalho, ele escolheu os doze apóstolos para trabalhar com ele. Com eles, Jesus dividiu responsabilidades, caminhou de um lugar para outro, promoveu momentos de capacitação (ensinando-os), realizava momentos de oração e planejava as coisas. Jesus era um coordenador do seu grupo. Portanto, o modelo de coordenação, na igreja, é o modelo de Jesus: não centraliza, não impõe, dá espaço para os outros crescerem, ajuda o grupo a discernir as coisas e acertar. Coordenar, na visão cristã, é estar a serviço.

l) Avaliava a eficácia de suas ações – se Jesus fosse autoritário não teria dado atenção ao que as pessoas e comunidades pensavam sobre Ele e sobre o seu trabalho. Mas, sua prática revelava uma pedagogia nova e um exercício de autoridade inédito, colocando em xeque o velho modelo. Por isso, avaliava o que fazia. Queria saber como estava repercutindo o seu trabalho, junto às pessoas e comunidades. Avaliava em dois níveis: no âmbito da comunidade e dentro da equipe de trabalho. Primeiro pergunta: “quem dizem que eu sou?”. Depois, faz a avaliação com os seus próprios discípulos: “E vocês?”. A avaliação é imprescindível em qualquer trabalho pastoral, principalmente, no trabalho da Pastoral da Comunicação, num momento em que as experiências estão começando.

m) Cuidava da mística: se retirava para orar – Jesus mostrava aos seus seguidores a necessidade de cuidar da espiritualidade e da mística, para perseverar na prática da comunicação cristã. É uma prática exigente, comprometida, e isso requer, do comunicador, meditação, oração e recolhimento, para se abastecer com o combustível da fé.

III – O QUE A PASTORAL DA COMUNICAÇÃO FAZ?
Anteriormente, se viu que a Pascom é coisa séria e tem muito que fazer. Tudo deve ser feito a partir de um plano, elaborado pela equipe local da Pastoral da Comunicação. Abaixo, sugestões de várias atividades que são próprias da Pascom. Claro que são apenas sugestões. Cada Diocese ou Paróquia tem uma realidade própria. Vamos conhecer as sugestões?

a) Acolhida: Em primeiro lugar, o agente da Pascom deve adotar o espírito acolhedor, em casa, na Igreja, no trabalho... Depois, deve ter consciência que quem vai à Igreja (templo ou secretaria da paróquia) espera ser bem acolhido, principalmente quando vai pela primeira vez. É a mesma coisa que acontece quando se vai a uma loja ou a outra instituição qualquer: sempre esperamos que nos recebam bem. Quanto mais na “Casa de Deus”!
É tarefa da Pascom receber bem as pessoas dentro e fora da Igreja. Nada de artificialismo, de sorrisos forçados. Mas ser simpático e atencioso com quem pede uma informação, ver se as pessoas estão bem acomodadas etc.

b) Capacitações: os agentes pastorais são sedentos de formação. A Pascom pode colaborar na formação dos agentes das demais pastorais, promovendo capacitações sobre temas relacionados à comunicação. Afinal, ninguém vive sem ela (a comunicação). Como falar em público, Comunicação Pessoal e Grupal (como trabalhar com grupos), Comunicação na Liturgia, Curso para Leitores das Celebrações Litúrgicas, Linguagem e Produção Radiofônica, Acolhida, Fotografia, são apenas alguns exemplos de capacitações que a Pastoral da Comunicação pode oferecer para os agentes de outras pastorais.

c) Mural: nada mais feio do que um mural, exposto na parede da Igreja, abarrotado de cartazes (uns até vencidos), avisos mal elaborados, prestações de contas, entre outras “informações”. A Pascom tem a missão de atualizar, semanalmente, os murais, deixando-os bem apresentáveis, com informações atualizadas e objetivas. Uma moldura bonita, fotos, um mural colorido (sem exageros) chama a atenção das pessoas e desperta o interesse delas para a leitura.

d) Avisos: o final da missa é um momento complicado para informações. Quando o padre diz: “por favor, sentem um pouco para ouvir os avisos paroquiais”, logo se ouve o cochicho rolando. São as pessoas reclamando, por terem que esperar cinco ou dez minutos, até que acabem os intermináveis e confusos avisos. Para evitar as reclamações dos fiéis, a Pastoral da Comunicação deve montar um plantão na sacristia ou na secretaria da paróquia para receber todos os avisos, antes da missa. Daí, então, é só os agentes da Pascom redigirem os avisos, de forma objetiva, simples e com todas as informações necessárias. Exemplo: “Estão abertas as inscrições para a preparação para a primeira Eucaristia. As inscrições podem ser feitas na Secretaria Paroquial, de segunda a sexta-feira, no horário das duas às cinco da tarde, até o dia 10 de março. Podem se inscrever crianças que tenham, no mínimo, oito anos de idade”. Viu? Em quatro linhas, o aviso foi dado com todas as informações básicas.

e) Divulgação: há muitas ações importantes acontecendo em nossas paróquias. São ações realizadas pelo padre, pelos religiosos, pelas pastorais e que, muitas vezes, ficam escondidas na comunidade, além de eventos, como a festa do padroeiro, congressos, romarias etc. Enfim, a vida paroquial nunca pára.
É atividade da Pascom divulgar as ações e eventos que acontecem nas paróquias. Como e onde divulgar? Em primeiro lugar, é necessário ter uma lista, atualizada, com endereços (telefones, fax, e-mails) e o nome dos responsáveis pela redação de todos os Meios de Comunicação da cidade e/ou região, além dos Meios pertencentes à (Arqui)diocese. Lista na mão, prepare uma notícia, bem elaborada, com todas as informações. Daí, então, é só enviar para os Meios de Comunicação. Não pode esquecer de, no final da notícia, colocar o nome e o número do telefone das pessoas responsáveis pela ação ou evento, além do assessor de comunicação da paróquia, ou seja, do agente da Pascom responsável pela divulgação das informações. Os Meios de Comunicação podem querer mais detalhes sobre a notícia enviada pela paróquia.

f) Jornal A Ordem: É o Jornal da Arquidiocese de Natal, que circula semanalmente. As equipes paroquiais da Pascom devem enviar, sistematicamente, notícias para serem publicadas no Jornal. Mas, atenção: se forem notícias de eventos (festa do padroeiro, encontros, congressos, gincanas, romarias etc) devem ser enviadas antes de serem realizadas. Vale lembrar que não só eventos são notícias. Notícia é algo diferente, um fato, uma ação realizada na Paróquia. Não vale dizer que não há notícia na Paróquia. Há, sim! Basta “garimpar”!

g) Programa Ritmo Pastoral: É o informativo da Arquidiocese de Natal, levado ao ar de segunda a sábado, pela Rádio Rural de Natal – AM 1090. De segunda a sexta, o programa é apresentado das 13 às 13h30 e, aos sábados, das 7 às 7h30. De segunda a sexta, o programa conta com a participação dos correspondentes (agentes da Pascom) das Paróquias. Cada correspondente participa uma vez por semana (num dia fixo), por telefone, durante, no máximo, três minutos.
É tarefa da equipe paroquial da Pascom escolher um membro da equipe para ser o “Correspondente do Programa Ritmo Pastoral”.

h) Arquivo (Cliping): os jornais comerciais estão sempre divulgando notícias que dizem respeito à Igreja. A Pascom deve arquivar em uma pasta, bem organizada, tudo que sai nos jornais impressos, que tratam da Igreja, principalmente da Paróquia. Se houver condições, também é importante arquivar o que é veiculado na internet, na televisão e no rádio.

i) Fotografia e vídeo: o registro fotográfico e, também, em vídeo, das principais ações é muito importante para a história da paróquia. Por isso, é importante que a Pascom disponha de uma máquina fotográfica e, se possível, de uma filmadora, para registrar os principais fatos que acontecem na paróquia. Mas, atenção, é preciso saber fotografar e filmar. Fazer fotografia ou filmar de qualquer jeito, cortando a cabeça ou os pés das pessoas, deixando as imagens escuras ou claras demais, não adianta.
Fotografias ou vídeo na mão, escolha as melhores fotos ou imagens e arquive em lugar seguro, longe do calor excessivo e da umidade. Não esqueça de colocar uma etiqueta, com informações sobre o evento, a data, o local e o nome do fotógrafo ou cinegrafista.

j) Jornal: muitas paróquias gostam de divulgar suas ações por meio de um boletim impresso. Geralmente, os boletins paroquiais são pequenos (tamanho ofício), com 4 ou 8 páginas e com periodicidade mensal. Mais uma atividade da Pascom: planejar o boletim, decidir o que vai ser publicado, buscar as informações, redigir, diagramar, enviar para a gráfica e distribuir. Além disso, caso a paróquia não tenha condições financeiras de custear o boletim, a Pascom deve buscar patrocínios para cobrir as despesas.

l) Rádio: hoje em dia, com a expansão das Rádios Comunitárias, é muito comum nossas paróquias ganharem espaços para programas radiofônicos. É missão da Pastoral da Comunicação produzir (ou, pelo menos, colaborar) na produção e apresentação dos programas.

m) Site: com o advento e desenvolvimento da internet, chegando até mesmo às cidades interioranas, é interessante que a paróquia possua um site, para divulgar sua história, suas pastorais, suas ações, notícias, informações diversas. A Pastoral da Comunicação deve ser a responsável pela produção e atualização (que é fundamental) do site da paróquia.
Atualmente, os “blogs” também fazem sucesso, na internet. Caso fique oneroso para a Paróquia manter um site, a turma da Pascom pode criar um blog, que é um espaço gratuito.

n) Estudo: nem só de programas de rádio, de boletins, avisos, murais, sites, vive a Pascom. Para que o trabalho seja desenvolvido com profissionalismo, sem atropelos e improvisações, é fundamental que todos os agentes da Pascom busquem se capacitar, principalmente para as tarefas a eles incumbidas. Mas, não basta se capacitar tecnicamente, é necessário, também buscar a formação espiritual. Por isso, um dia de retiro, pelo menos uma vez por ano, é muito importante para o fortalecimento e coesão da equipe.
As equipes paroquiais também não podem deixar de participar das atividades de comunicação que acontecem em nível de Zonal e de Arquidiocese.

IV – COMO IMPLANTAR A PASCOM?

a) Primeiro passo: a iniciativa deve partir do padre ou dos fiéis, quando perceberem a necessidade de ter uma pastoral que cuide da comunicação na Igreja (comunicação interna e externa). Daí, é só convidar as pessoas certas para formar a equipe. É importante lembrar que a melhor forma de convidar é ir diretamente à pessoa, ou seja, o convite pessoal, chamando pelo nome. A pessoa convidada vai se sentir valorizada.
Às vezes, os padres perguntam: “Mas, quem devo convidar para fazer parte da Pastoral da Comunicação?” Em primeiro lugar, a pessoa deve gostar de se comunicar com os outros. Ela também deve ser uma pessoa dinâmica, desinibida, aberta a adquirir novos conhecimentos e, acima de tudo, comprometida com a ação da Igreja.
Outra pergunta bastante comum é: “Qual é o número ideal de pessoas para compor a equipe da Pascom?” Isto só o trabalho vai dizer. Há paróquias onde uma equipe de 5 pessoas dá conta do recado; outras, 10 pessoas e assim por diante. O importante é ter uma equipe formada por pessoas dispostas a “colocarem a mão na massa”, que saibam dividir e executar as tarefas.

b) Segundo passo: pessoas convidadas e convite aceito é hora de marcar uma reunião para a implantação da Pascom. É importante entrar em contato com a coordenação arquidiocesana e ou com o articulador da Pascom, no Zonal, para participar desta reunião.

V – ENCONTRO OU REUNIÃO DE IMPLANTAÇÃO DA PASCOM
É bom que este encontro seja dirigido pela Coordenação Arquidiocesana ou pela equipe de articulação da Pascom, no Zonal. Mas, o que conversar, ou seja, qual deve ser a pauta da reunião de implantação da Pascom? Vamos ver o roteiro, abaixo?

1º ) Oração

2º ) Apresentação dos participantes (é importante que cada um fale sobre seu engajamento pastoral e se já faz alguma atividade ligada à comunicação)

3º ) Ler o trecho do evangelho de Mateus (Mt 4, 18-22):
“Jesus andava à beira do mar da Galiléia, quando viu dois irmãos: Simão, também chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam jogando a rede no mar, pois eram pescadores. Jesus disse para eles: “Sigam-me e eu farei de vocês pescadores de homens”. Eles deixaram imediatamente as redes, e seguiram a Jesus. Indo mais adiante, Jesus viu outros dois irmãos: Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca com seu pai Zebedeu, consertando as redes. E Jesus os chamou. Eles deixaram imediatamente a barca e o pai, e seguiram a Jesus.”

4º ) Comentar a leitura, acima, em grupos:
a) O que este trecho do Evangelho tem a ver com o nosso encontro de hoje?
b) Como cada um se sente sendo chamado ou chamada para fazer parte da equipe de Pastoral da Comunicação da Paróquia?
c) Por mais pobres que sejamos, todos nós temos dons que Deus nos deu. Se Ele nos deu estes dons e habilidades, agora é a hora e a vez de apresentarmos a Deus o que podemos oferecer à nossa Igreja, no trabalho de comunicação. O que cada pessoa, aqui presente, oferece a Deus como dom que pode ser útil à Pastoral da Comunicação?
Depois, cada grupo deve apresentar o resultado da conversa, no plenário.

5º) Falar sobre a “Mística da Pascom” (ver nº II).
. Falar ponto a ponto, do modelo de Jesus (se puder expor em tarjeta, retroprojetor ou datashow, melhor ainda).
. Depois, entregar folhas de papel, em branco, e lápis de cor aos participantes e pedir que eles desenhem algo que simbolize: “Que tipo de comunicador devo ser?” . Depois de desenharem, os participantes devem apresentar e explicar seus desenhos aos demais.

6º) Explicar o que é a Pastoral da Comunicação (ver nº I)

7º ) Explicar quais são as atividades da Pascom (pedir que cada um leia uma atividade)

8º ) No final do encontro, é importante eleger as pessoas para formarem a coordenação da equipe. Pode ser só uma pessoa, como coordenador/articulador, ou mais de uma, formando uma equipe de coordenação. No final, o assessor deve sugerir que a equipe marque a data da próxima reunião para elaborar um plano de ação, para atuar na Paróquia.

9) Agradecimentos e oração final.

VII – ELABORAÇÃO DO PLANO PAROQUIAL DA PASCOM
Equipe formada e capacitada é hora de se reunir para elaborar o plano de ação. Essa reunião já deve ser dirigida pela coordenação paroquial da Pascom.
O plano deve ser o instrumento norteador da prática, fruto do esforço coletivo do grupo, onde se podem encontrar orientações e diretrizes claras para as ações.
O planejamento evita que façamos as coisas aleatoriamente. Fazer por fazer, sem saber porque se está fazendo, é irracional e provoca desperdício de tempo, de recursos e, o pior, provoca o desânimo. Você já ouviu contar a história de um homem que comprou um ônibus e resolveu sair pelo mundo sem destino? Preste atenção:
“Zé vivia juntando dinheiro, não sabia para quê. Mas gostava de fazer isso, talvez por esporte. Quando já tinha bastante dinheiro guardado, pensou em gastá-lo em qualquer coisa. Um ônibus. Isto mesmo: um ônibus. Desde criança, sempre achara o ônibus uma coisa encantadora. Agora que já estava crescido, que tal brincar com um ônibus de verdade? Comprou o gigantesco veículo e já chegou em sua rua buzinando, orgulhoso, espalhafatoso, chamando a atenção de toda a vizinhança. Um prazer de criança tomava conta de seu sorriso de adulto, coisa que Zé não conseguia conter. O que vai fazer com esse ônibus, Zé, perguntava um; Pensa em abrir alguma linha?, indaga outro. Que nada, rapaz! Comprei por esporte, argumentava o sorridente Zé. No fim, acabou anunciando àquela roda de curiosos que no dia seguinte sairia em viagem. Para onde, Zé? O rapaz desdenhava da pergunta e respondia: Não sei. Isso pouco me importa. Vou para qualquer lugar e já é muita coisa. E tem mais: quem quiser embarcar comigo, arrume as malas. Não faltou gente. No outro dia, bem cedo, a casa de José estava repleta de gente disposta a ir para lugar nenhum. Na saída foi aquela algazarra, aquela euforia. Uma aventura, diziam. E partiram. Outros ficaram. Admiravam-se com aquele burburinho. E o ônibus sumiu por trás da última ladeira, no rumo de lugar nenhum, levando uma lotação de passageiros sem destino. Andaram muitos dias. Para onde vai este ônibus? Em cada cidade que passavam, sempre a mesma pergunta e a mesma resposta: para algum lugar. Riam. Espantava a convicção e a firmeza com que respondiam. Com mais de um mês de viagem, faltou dinheiro para o combustível. Todos estavam lisos. Todos os recursos já haviam sido gastos naquela viagem sem fim. O combustível daria para chegar? Mas, chegar aonde? Indagou o Joca. Uns, desanimaram e, cansados, resolveram pegar carona de volta para casa. Outros, entraram em pânico, sem saber o que fazer. Os mais apavorados começaram a acusar o Zé, que logo acusava a cada um: veio porque quis. E tudo terminou numa grande confusão. No final, o Zé foi obrigado a vender o ônibus para pagar as passagens de volta. Decepcionados, jamais souberam se haviam chegado. Hoje, antes de embarcar em qualquer linha, perguntam sempre aonde aquele ônibus pretende chegar”.
Moral da história: é sempre necessário planejar o que se quer fazer.
(Texto de Francisco Morais).
O planejamento exige alguns passos. Há determinadas perguntas que, quando respondidas, são o caminho para a montagem do plano. Planejamento é o processo no qual respondemos criativamente a estas perguntas. O conjunto das respostas que damos às perguntas a seguir é o plano. Elaborar o plano é fácil. Basta responder às seguintes perguntas:
. O que fazer?
. Para quê?
. Como fazer?
. Com quem?
. Quando?
. Que onde?
. Que fontes?

O que responder em cada uma destas perguntas? Veja as dicas:
a) O que fazer?
Aqui, a equipe planeja que atividades vão executar. Pode ter até uma chuva de idéias, dos participantes do grupo. Algumas vezes, uma idéia se junta a outra (s), gerando uma terceira idéia, complementando-se, enriquecendo-se. Nesta fase é preciso muita abertura e entrosamento do grupo. Mas, atenção: é importante lembrar que a equipe deve colocar no plano apenas aquilo que sabe que vai ter condições de executar. Se, por exemplo, tem consciência que, durante o ano, só vai poder atualizar, semanalmente, o mural; redigir e apresentar os avisos, no final da missa, e registrar (fotografar) os eventos da paróquia; participar como correspondente do Programa Ritmo Pastoral ( Rádio Rural de Natal) e enviar notícias para o Jornal A Ordem, que coloque apenas isto no plano. Se, na equipe, tem o número de pessoas suficiente (número e com condições) para executar dez atividades, durante o ano, que seja colocado no plano.
A ordem de prioridades das atividades? O que fazer primeiro? É a equipe, que conhece a realidade da Paróquia, quem vai definir o que fazer primeiro.

b) Para quê?
Para cada atividade planejada, é preciso elaborar um para que, ou seja, um objetivo. Às vezes, para uma atividade surge mais de um objetivo. O importante é definir, com clareza, onde se quer chegar. Os objetivos devem ser curtos, simples e claros.

c) Como?
Atividade e objetivos definidos, deve ter um “como fazer”. Agora, o grupo vai definir como é que cada atividade vai ser executada. Tudo deve ficar suficientemente explicado e claro, até como o trabalho vai ser avaliado durante e depois da realização das atividades.

d) Quem vai fazer?
Não basta ter tudo definido e arrumado no papel. O plano, por si só, não teria vida, sem as pessoas que vão colocá-lo em prática. Cada pessoa do grupo de planejamento vai assumir responsabilidades, de acordo com suas habilidades, seus dons. O plano deve conter os nomes das pessoas responsáveis por cada coisa.

e) Quando?
Este é o momento de prever a duração de cada atividade; de prever o tempo que cada atividade vais gastar: uma hora? Um dia? Duas semanas? Três meses? Dois anos? Depende do que for ser feito e da realidade do grupo. Esta também é a ocasião de marcar as datas, nas quais as atividades vão acontecer. Isto se chama cronograma.

f) Onde?
O grupo define o espaço geográfico de seu trabalho. No plano, é importante que o local da ação seja identificado. Os participantes do planejamento identificam o raio de alcance geográfico do trabalho: quantas comunidades queremos abranger? Neste ponto, é importante definir os locais de realização dos eventos: escolas, ruas, rádio, centro comunitários, igrejas, sindicatos e outros.

g) Com quais recursos?
Na verdade, a pergunta é: “que fontes vamos buscar?” Na basta só colocar no papel que a equipe vai realizar tais atividades. É de suma importante que o grupo pense onde vai buscar os recursos (humano, material e financeiro) para realizar as atividades planejadas.

Não basta só elaborar o plano. Ele não pode ficar guardado dentro das gavetas ou pastas, nas casas dos membros da equipe. Ele é para ser posto em prática. E mais: não basta só fazer e fazer. É preciso avaliar sempre, para ver o que foi bom e o que precisa melhorar.
Agora, é arregaçar as mangas, vestir a camisa e começar o trabalho. Medo? Não devemos ter, pois o Deus da vida estará conosco em todos os momentos. E quem alicerça a sua fé no Deus da vida, nunca desanima.
Bom trabalho!!!!!!!!

Produção: Cacilda Medeiros
Colaboração: Francisco Morais
Revisão: José Bezerra
Natal – RN, maio de 2007


Equipe de Articulação da Pascom, na Arquidiocese de Natal:
. Pe. Edilson Nobre (assistente eclesiástico)
. Diác. José Bezerra
. Cacilda Medeiros

Endereço:
Arquidiocese de Natal
Pastoral da Comunicação
Av. Floriano Peixoto, 674
Tirol
59020-500 – Natal / RN
Fone/fax: (84) 3615-2800
E-mail: pascom@arquidiocesedenatal.org.br