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I - O QUE
É? 1.1 –
O que é a Pastoral da Comunicação? II –
MÍSTICA DA PASTORAL DA COMUNICAÇÃO: a) Ia ao encontro das pessoas – quando as pessoas se sentiam acolhidas, valorizadas e escutadas por Jesus, mudavam de vida, mesmo quando seus pecados eram considerados horríveis pela sociedade da época. Certamente eram pessoas que não se sentiam bem porque praticavam coisas erradas, porém, não viam outra saída a não ser permanecer nos erros habituais. Mas, a comunicação de Jesus lhes mostrava perspectivas diferentes, saídas e possibilidades para começar um novo jeito de viver, com qualidade de vida. Assim aconteceu com Zaqueu e com Maria Madalena, por exemplo. b) Acolhia e ouvia quem queria lhe dizer algo – Lembram do cego de Jericó, gritando no meio da multidão, querendo entrar em comunicação com Jesus, para lhe falar do seu desespero e da sua vida? Jesus pára, pede que tragam o cego até ele (ou vai até o cego?) e ali se instaura uma nova fase, na vida daquele homem. Já pensou quantas possibilidades se abriram para aquele que vivia como pedinte, dependente de guias, privado de enxergar igual aos outros? Com a vista recuperada, ele recuperou, também, a auto-estima, a cidadania, a chance de conduzir sua própria vida... c) Valorizava a pessoa / interlocutor – Na hora do sol mais quente, de maior cansaço físico, Jesus encontra a samaritana, no meio de seus afazeres, à beira do poço. Ele encontra uma mulher, talvez mais rejeitada e inferiorizada naquela época, do que em nossa cultura. É com essa mulher subjugada ao anonimato, portadora de outra cultura, numa região de tantas dificuldades, que Jesus puxa conversa e estabelece diálogo. Sua comunicação a encanta, desperta interesse e tem sabor de vida. Ela logo percebe o diferencial daquele jeito de comunicar. Sentiu-se valorizada. Jesus age com simplicidade: pede água e se iguala à condição social da samaritana, que também viera buscar água. Ali, ambos expressaram seus pontos de vista, sem que nenhum saísse prejudicado, nem pela condição de gênero, nem pela diferença cultural e nem por outras questões. d) Falava com atitudes – a credibilidade de Jesus vinha de suas atitudes. O que o povo ouvia de Jesus era condizente com a sua prática. A evangelização passa, necessariamente, pelo testemunho. As atitudes de Jesus comunicavam esperança e certeza numa vida nova, diferente daquele modelo vigente na sociedade da época. Os olhos do povo brilhavam diante da comunicação calorosa e testemunhal de Jesus. e) Falava coisas de se entender – as palavras de Jesus tinham sabor de vida, de realidade, da cultura de cada região em que ele ia passando e pregando. Atraía a beleza daquelas falações cheias de significado para o povo. Jesus contava histórias, narrava e falava de igual para igual. O mais curioso é que ninguém ficava tímido para falar diante de Jesus. Para conversar com Ele, vinham os cegos, os leprosos, os pobres, os considerados mais pecadores, as criancinhas, e Jesus falava a linguagem de todos eles. É por isso que o povo sentia prazer de escutar Jesus, a ponto de passar um dia inteiro andando de um lugar para outro, com fome, atrás dele. O povo tinha mais fome da Sua comunicação, do que de comida. f) Era simples – a simplicidade de Jesus era o que mais chamava a atenção de quem entrava em comunicação com Ele. Enquanto alguns se preocupavam com a retórica, com a arte de falar bonito para esnobar, nos lugares públicos, diante de platéias selecionadas, Jesus procurava os lugares onde havia gente esquecida e denegada. Qualquer lugar era lugar de comunicação, para Jesus, e qualquer pessoa merecia a atenção dele. Subia nas barcas, chamava pescadores para seguí-lo, comia na casa de gente errada, subia para pregar em cima das serras, caminhava a pé e vivia a vida normal das comunidades. Ele não dava destaque a si mesmo. Anunciava, com entusiasmo, a boa notícia de que um novo reino, um novo modelo de sociedade era possível de ser construído. g) Planejava e sabia o que queria – Jesus planejava tudo. Tudo dele era pensado e avaliado, antes. Até para enviar os discípulos, mandou que fossem de dois em dois, pois conhecia muito bem, como, na realidade, tudo seria muito difícil. Quando vai entrar em Jerusalém, ele planeja uma entrada que cause impacto e repercussão. Manda, primeiro, buscar um jumentinho, monta e, certamente, já havia muita gente articulada e avisada para recebê-lo. Como Ele queria mostrar que o seu modelo de sociedade era diferente, planejou uma entrada triunfal, mas, com muita humildade. h) Utilizava os meios para chegar a um fim – Jesus usou todos os meios de que dispunha em sua época, com o objetivo de melhorar a qualidade da sua comunicação. O meio de comunicação, para Ele, era, apenas auxiliar. A barca e a montanha, por exemplo, foram meios usados para amplificar a sua comunicação, fazendo com que sua voz e seus gestos chegassem mais longe. E não era em todo momento que Jesus usava a barca. Era de acordo com a realidade, com o contexto e a necessidade. O que Jesus queria mesmo era comunicar, estabelecer diálogo com as pessoas, olhando olho no olho, face a face. Deus havia se tornado homem, porque somente a pessoa tem todos os recursos de comunicação para entrar em sintonia com o outro. Depois de ter experimentado todas as tentativas de estabelecer comunicação com o ser humano, Deus radicaliza e resolve se tornar pessoa humana, encarnando-se, para se revelar melhor. i) Era portador da Boa Notícia - apesar de ser contra as estruturas sociais e políticas de seu tempo, Jesus não andava pregando desgraças. Ao contrário, ele anunciava possibilidades. E era anunciando possibilidades de uma vida nova, de uma sociedade justa e solidária, que Jesus fazia o povo se tocar de que muita coisa precisava mudar. Ele diz que Lázaro não morreu, que o cego vai passar a ver, que Madalena pode ficar de consciência tranqüila, pois seus erros já foram perdoados. A positividade fazia parte da comunicação de Jesus, animando cada pessoa e as comunidades, em busca de uma vida nova. j) Trabalhava em equipe – A primeira coisa que Jesus fez, mesmo antes de começar a sua vida pública, foi compor uma equipe de trabalho. Antes de começar o trabalho, ele escolheu os doze apóstolos para trabalhar com ele. Com eles, Jesus dividiu responsabilidades, caminhou de um lugar para outro, promoveu momentos de capacitação (ensinando-os), realizava momentos de oração e planejava as coisas. Jesus era um coordenador do seu grupo. Portanto, o modelo de coordenação, na igreja, é o modelo de Jesus: não centraliza, não impõe, dá espaço para os outros crescerem, ajuda o grupo a discernir as coisas e acertar. Coordenar, na visão cristã, é estar a serviço. l) Avaliava a eficácia de suas ações – se Jesus fosse autoritário não teria dado atenção ao que as pessoas e comunidades pensavam sobre Ele e sobre o seu trabalho. Mas, sua prática revelava uma pedagogia nova e um exercício de autoridade inédito, colocando em xeque o velho modelo. Por isso, avaliava o que fazia. Queria saber como estava repercutindo o seu trabalho, junto às pessoas e comunidades. Avaliava em dois níveis: no âmbito da comunidade e dentro da equipe de trabalho. Primeiro pergunta: “quem dizem que eu sou?”. Depois, faz a avaliação com os seus próprios discípulos: “E vocês?”. A avaliação é imprescindível em qualquer trabalho pastoral, principalmente, no trabalho da Pastoral da Comunicação, num momento em que as experiências estão começando. m) Cuidava da mística: se retirava para orar – Jesus mostrava aos seus seguidores a necessidade de cuidar da espiritualidade e da mística, para perseverar na prática da comunicação cristã. É uma prática exigente, comprometida, e isso requer, do comunicador, meditação, oração e recolhimento, para se abastecer com o combustível da fé. III –
O QUE A PASTORAL DA COMUNICAÇÃO FAZ? a) Acolhida:
Em primeiro lugar, o agente da Pascom deve adotar o espírito
acolhedor, em casa, na Igreja, no trabalho... Depois, deve ter consciência
que quem vai à Igreja (templo ou secretaria da paróquia)
espera ser bem acolhido, principalmente quando vai pela primeira vez.
É a mesma coisa que acontece quando se vai a uma loja ou a outra
instituição qualquer: sempre esperamos que nos recebam
bem. Quanto mais na “Casa de Deus”! b) Capacitações: os agentes pastorais são sedentos de formação. A Pascom pode colaborar na formação dos agentes das demais pastorais, promovendo capacitações sobre temas relacionados à comunicação. Afinal, ninguém vive sem ela (a comunicação). Como falar em público, Comunicação Pessoal e Grupal (como trabalhar com grupos), Comunicação na Liturgia, Curso para Leitores das Celebrações Litúrgicas, Linguagem e Produção Radiofônica, Acolhida, Fotografia, são apenas alguns exemplos de capacitações que a Pastoral da Comunicação pode oferecer para os agentes de outras pastorais. c) Mural: nada mais feio do que um mural, exposto na parede da Igreja, abarrotado de cartazes (uns até vencidos), avisos mal elaborados, prestações de contas, entre outras “informações”. A Pascom tem a missão de atualizar, semanalmente, os murais, deixando-os bem apresentáveis, com informações atualizadas e objetivas. Uma moldura bonita, fotos, um mural colorido (sem exageros) chama a atenção das pessoas e desperta o interesse delas para a leitura. d) Avisos: o final da missa é um momento complicado para informações. Quando o padre diz: “por favor, sentem um pouco para ouvir os avisos paroquiais”, logo se ouve o cochicho rolando. São as pessoas reclamando, por terem que esperar cinco ou dez minutos, até que acabem os intermináveis e confusos avisos. Para evitar as reclamações dos fiéis, a Pastoral da Comunicação deve montar um plantão na sacristia ou na secretaria da paróquia para receber todos os avisos, antes da missa. Daí, então, é só os agentes da Pascom redigirem os avisos, de forma objetiva, simples e com todas as informações necessárias. Exemplo: “Estão abertas as inscrições para a preparação para a primeira Eucaristia. As inscrições podem ser feitas na Secretaria Paroquial, de segunda a sexta-feira, no horário das duas às cinco da tarde, até o dia 10 de março. Podem se inscrever crianças que tenham, no mínimo, oito anos de idade”. Viu? Em quatro linhas, o aviso foi dado com todas as informações básicas. e) Divulgação:
há muitas ações importantes acontecendo em nossas
paróquias. São ações realizadas pelo padre,
pelos religiosos, pelas pastorais e que, muitas vezes, ficam escondidas
na comunidade, além de eventos, como a festa do padroeiro, congressos,
romarias etc. Enfim, a vida paroquial nunca pára. f) Jornal A Ordem: É o Jornal da Arquidiocese de Natal, que circula semanalmente. As equipes paroquiais da Pascom devem enviar, sistematicamente, notícias para serem publicadas no Jornal. Mas, atenção: se forem notícias de eventos (festa do padroeiro, encontros, congressos, gincanas, romarias etc) devem ser enviadas antes de serem realizadas. Vale lembrar que não só eventos são notícias. Notícia é algo diferente, um fato, uma ação realizada na Paróquia. Não vale dizer que não há notícia na Paróquia. Há, sim! Basta “garimpar”! g) Programa
Ritmo Pastoral: É o informativo da Arquidiocese de Natal,
levado ao ar de segunda a sábado, pela Rádio Rural de
Natal – AM 1090. De segunda a sexta, o programa é apresentado
das 13 às 13h30 e, aos sábados, das 7 às 7h30.
De segunda a sexta, o programa conta com a participação
dos correspondentes (agentes da Pascom) das Paróquias. Cada correspondente
participa uma vez por semana (num dia fixo), por telefone, durante,
no máximo, três minutos. i) Fotografia
e vídeo: o registro fotográfico e, também,
em vídeo, das principais ações é muito importante
para a história da paróquia. Por isso, é importante
que a Pascom disponha de uma máquina fotográfica e, se
possível, de uma filmadora, para registrar os principais fatos
que acontecem na paróquia. Mas, atenção, é
preciso saber fotografar e filmar. Fazer fotografia ou filmar de qualquer
jeito, cortando a cabeça ou os pés das pessoas, deixando
as imagens escuras ou claras demais, não adianta. j) Jornal: muitas paróquias gostam de divulgar suas ações por meio de um boletim impresso. Geralmente, os boletins paroquiais são pequenos (tamanho ofício), com 4 ou 8 páginas e com periodicidade mensal. Mais uma atividade da Pascom: planejar o boletim, decidir o que vai ser publicado, buscar as informações, redigir, diagramar, enviar para a gráfica e distribuir. Além disso, caso a paróquia não tenha condições financeiras de custear o boletim, a Pascom deve buscar patrocínios para cobrir as despesas. l) Rádio: hoje em dia, com a expansão das Rádios Comunitárias, é muito comum nossas paróquias ganharem espaços para programas radiofônicos. É missão da Pastoral da Comunicação produzir (ou, pelo menos, colaborar) na produção e apresentação dos programas. m) Site:
com o advento e desenvolvimento da internet, chegando até mesmo
às cidades interioranas, é interessante que a paróquia
possua um site, para divulgar sua história, suas pastorais, suas
ações, notícias, informações diversas.
A Pastoral da Comunicação deve ser a responsável
pela produção e atualização (que é
fundamental) do site da paróquia. n) Estudo:
nem só de programas de rádio, de boletins, avisos,
murais, sites, vive a Pascom. Para que o trabalho seja desenvolvido
com profissionalismo, sem atropelos e improvisações, é
fundamental que todos os agentes da Pascom busquem se capacitar, principalmente
para as tarefas a eles incumbidas. Mas, não basta se capacitar
tecnicamente, é necessário, também buscar a formação
espiritual. Por isso, um dia de retiro, pelo menos uma vez por ano,
é muito importante para o fortalecimento e coesão da equipe. IV – COMO IMPLANTAR A PASCOM? a) Primeiro
passo: a iniciativa deve partir do padre ou dos fiéis,
quando perceberem a necessidade de ter uma pastoral que cuide da comunicação
na Igreja (comunicação interna e externa). Daí,
é só convidar as pessoas certas para formar a equipe.
É importante lembrar que a melhor forma de convidar é
ir diretamente à pessoa, ou seja, o convite pessoal, chamando
pelo nome. A pessoa convidada vai se sentir valorizada. b) Segundo passo: pessoas convidadas e convite aceito é hora de marcar uma reunião para a implantação da Pascom. É importante entrar em contato com a coordenação arquidiocesana e ou com o articulador da Pascom, no Zonal, para participar desta reunião. V –
ENCONTRO OU REUNIÃO DE IMPLANTAÇÃO DA PASCOM 1º ) Oração 2º ) Apresentação dos participantes (é importante que cada um fale sobre seu engajamento pastoral e se já faz alguma atividade ligada à comunicação) 3º ) Ler o
trecho do evangelho de Mateus (Mt 4, 18-22): 4º ) Comentar
a leitura, acima, em grupos: 5º) Falar sobre
a “Mística da Pascom” (ver nº II). 6º) Explicar o que é a Pastoral da Comunicação (ver nº I) 7º ) Explicar quais são as atividades da Pascom (pedir que cada um leia uma atividade) 8º ) No final do encontro, é importante eleger as pessoas para formarem a coordenação da equipe. Pode ser só uma pessoa, como coordenador/articulador, ou mais de uma, formando uma equipe de coordenação. No final, o assessor deve sugerir que a equipe marque a data da próxima reunião para elaborar um plano de ação, para atuar na Paróquia. 9) Agradecimentos
e oração final. VII –
ELABORAÇÃO DO PLANO PAROQUIAL DA PASCOM b) Para
quê? c) Como? d) Quem
vai fazer? e) Quando? f) Onde? g) Com quais
recursos? Não basta
só elaborar o plano. Ele não pode ficar guardado dentro
das gavetas ou pastas, nas casas dos membros da equipe. Ele é
para ser posto em prática. E mais: não basta só
fazer e fazer. É preciso avaliar sempre, para ver o que foi bom
e o que precisa melhorar. Produção:
Cacilda Medeiros
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