BOLETIM IMPRESSO

PLANEJANDO...

Antes de lançar um boletim, é muito importante que haja planejamento. Este deve seguir as seguintes etapas:

a) Análise: nesta etapa, deve-se refletir: o boletim é, realmente, o que precisamos para ampliar a comunicação em nossa paróquia? A comunidade quer mesmo o boletim? Quem será o nosso público? Quantos parceiros e voluntários necessitamos para dar os passos iniciais? É viável a produção do informativo? Temos recursos financeiros para este empreendimento?
Também é importante fazer uma pesquisa junto à comunidade para saber se o povo queria mesmo o Boletim e o que deveria ser publicado. Se a Paróquia define, por exemplo, que o público-alvo do boletim será as pessoas que freqüentam as missas, então deve preparar um questionário para ser aplicado junto aos fiéis, antes e depois das missas. Dados coletados e compilados, é hora de partir para a segunda etapa:

b) Planejamento: O planejamento evita que façamos as coisas aleatoriamente. Fazer por fazer, sem saber porque se está fazendo, é irracional e provoca desperdício de tempo, de recursos e, o pior, provoca desânimo.
No planejamento, devem ser levados em consideração os seguintes pontos:
- O que vamos fazer? Um boletim. Mas, será semanal, mensal, bimensal? Qual o seu tamanho?
- Para quê vamos produzir um boletim? Este é o momento de elaborar objetivos claros, de explicitar os resultados que o grupo quer alcançar com a atividade a ser realizada. Os objetivos devem ser curtos, simples e claros. O objetivo pode ser geral (a longo prazo) ou específico (a médio e curto prazos). Nesta etapa, a equipe não pode esquecer de definir a linha editorial (estilo) do Boletim: será informativo, formativo, trará notícias “velhas” ou apenas notícias “quentes”, divulgará somente notícias da Paróquia?
- Como vamos fazer? Agora, os participantes pensam a sua metodologia de trabalho. A equipe define que programa de computador vai usar (Word, PageMaker, CorelDraw, Quaker Express ...), onde vai imprimir, como vai distribuir o informativo etc. Aliás, aqui é importante a equipe definir que materiais dispõe e quais precisa adquirir: sala, computador (de preferência, com programas próprios para trabalhar com jornal - Ex.: PageMaker), impressora, scanner, máquina fotográfica, papel ofício. Tudo deve ficar suficientemente explicado e claro.
- Quando vamos fazer? Aqui, são definidas datas, prazos. Quando vai ser a reunião de pauta, quando os repórteres devem entregar as matérias, quando “fechar”a edição, quando distribuir etc.
- Onde? Neste ponto, é definido onde vai produzir o informativo, além de identificar o raio de alcance geográfico do trabalho: quantas comunidades querem abranger?
- Quem vai fazer o quê? Não basta ter tudo definido e arrumado no papel. O plano, por si só, não teria vida, sem as pessoas que vão colocá-la em prática. Assim, é hora de definir quem vai buscar as notícias, redigir, fotografar, buscar anúncios, revisar, levar para a gráfica e distribuir o Boletim.
- E os recursos? Agora é hora de definir como arrumar dinheiro para as despesas com material de expediente, equipamentos, impressão...? Dízimo? Anúncios? Promoções? Assinaturas?

Tudo o que vamos fazer exige um pensar antes. Este é um exercício de racionalidade, associado à nossa instituição e aos nossos sentimentos.

c) Implementação: esta é a hora de colocar a mão na massa. É hora de fazer a pauta, redigir, editar, diagramar, revisar, acertar detalhes gráficos e distribuir o impresso. Nesta etapa, a equipe não pode esquecer, em nenhum momento, o que já foi planejado.

d) Avaliação: isso deve ser feito sempre. Avaliar não somente com a própria equipe, mas como os leitores também, através de uma pesquisa. A avaliação é uma ferramenta importante, uma vez que, através dela, podemos verificar se estamos no caminho certo, corrigindo os possíveis erros, aperfeiçoando cada vez mais o nosso trabalho. Com a avaliação, concluímos se está no momento de parar uma atividade ou de continuar.

TRABALHO EM EQUIPE

Todo trabalho se torna mais produtivo quando é feito em grupo, principalmente o trabalho de comunicação, que exige a divisão de tarefas, de acordo com os dons de cada um e com as diversas modalidades.
Para produzir um bom boletim paroquial, é importante que a equipe responsável se divida em:
. Conselho editorial: grupo responsável por planejar as pautas (assuntos) a serem publicados.
. Pauteiro: é a pessoa encarregada da elaboração das pautas (lista de assuntos ou temas que deverão entrar uma edição do boletim), informando aos repórteres o fato e qual o enfoque deve ser dado a ele, ou seja, como a matéria ou entrevista deve ser direcionada. Ele também pode ser o responsável pelo contato com as fontes (pessoas com as quais os repórteres devem conversar).
. Editor: este tem uma função muito importante e responsável. É ele quem checa a fidelidade da pauta, antes de publicá-la. Cabe ao editor, conferir dados, informações e garantir a veracidade da notícia. E ainda mais: definir se tal matéria deve ocupar um lugar privilegiado ou não; se tal matéria deve ser maior ou menor etc.
. Repórtes e redatores: são os responsáveis pela coleta de informações. São eles quem entrevista o padre, o prefeito, o agente de pastoral... E, também são responsáveis pela redação das notícias.
. Revisor: para que o boletim não saia cheio de erros gramaticais, a Paróquia pode convidar um professor de Língua Portuguesa para fazer parte da equipe. Logo, esta pessoa passa a corrigir os erros de ortografia, de concordância e de digitação.
. Diagramador: é a pessoa que tem mais habilidade em informática, principalmente com o programa utilizado para a montagem do boletim. É essa pessoa quem vai distribuir as matérias e suas respectivas ilustrações nas páginas do impresso.

TEXTO BOM ATRAI LEITOR. TEXTO RUIM ESPANTA LEITOR

Todo texto jornalístico deve ser claro, objetivo, conciso e, principalmente, “sedutor”. No entanto, pequenos detalhes os diferenciam uns dos outros. Vamos conhecer alguns tipos de textos?
a) Artigo: texto jornalístico, opinativo, informativo e assinado pelo autor. Possui estrutura semelhante à de um comentário.
b) Editorial: texto jornalístIco, opinativo e informativo, não assinado pelo autor. Exprime a opinião do Meio de Comunicação (em nosso caso, do Boletim). Pode se referir a alguma notícia publicada na edição ou não.
c) Crônica: texto poético. Geralmente é narrativo. Ë leve e tem humor.
d) Notícia: texto informativo, inédito, impessoal, que relata um fato ocorrido ou que está para acontecer. Prioriza a objetividade, clareza e imparcialidade.
e) Reportagem: é uma notícia ampliada, com maior riqueza de detalhes, contendo entrevistas, pesquisas, depoimentos etc.
f) Nota (“notinhas”): informação mais curta, de um único parágrafo, menos relevante do que a explorada em uma notícia ou reportagem. Geralmente responde às perguntas: o que, quem,quando, onde e como.
g) Coluna: é identificada pelo autor que a assina e emite opiniões sobre determinados assuntos.
h) Entrevista: constitui uma das principais fontes de informação de um jornal e está presente, direta ou indiretamente, na maioria das notícias que ele publica. Ela pode ser a própria reportagem como apenas parte dela. Alguns meios de comunicação impressos preferem abordar determinados assuntos em forma de perguntas e respostas.
i) Enquete: pesquisa, baseada em testemunhos e opiniões, sobre determinado assunto. Geralmente, os Meios de Comunicação publicam o resultado da enquete.
h) Carta: é a opinião do leitor sobre determinado assunto.

REDAÇÃO JORNALÍSTICA

Antes de detalharmos cada parte que compõe a redação jornalística, é bom refletirmos sobre Texto Jornalístico. Este deve ter uma linguagem clara e objetiva, principalmente quando se trata de um texto para um boletim paroquial. Vamos lembrar que o nosso público é heterogêneo, isto é, vai desde professores, doutores, até os menos escolarizados.
Há alguns elementos essenciais que devem ser considerados:
- Objetividade: o redator deve se ater ao acontecimento ou fato, sem muitos rodeios e floreios.
- Clareza: nada de termos rebuscados, confusos, de pouco uso. É melhor usar palavras simples, do dia-a-dia.
- Concisão: não seja prolixo, seja breve.
Use sempre:
- Ordem direta das frases: sujeito + verbo + complemento.
- Frases curtas, em parágrafos de quatro a oito linhas, em média.
- Verbos de ação (realizar, capacitar, dizer, comemorar etc):
- Textos imparciais e objetivos (não exponha opiniões, mas fatos, para que o leitor tire deles as próprias conclusões).
- Em primeiro lugar, a designação do cargo ocupado pelas pessoas e não pelo nome.Ex.: O Arcebispo de Natal, Dom Matias Patrício de Macêdo.
- Os números de um a dez, assim como cem, mil, milhão, bilhão, devem ser escritos por extenso. Os demais, em algarismo. Exceções: datas, horas, endereços e idades podem ser representados por algarismos.
- Quando aparecerem siglas pela primeira vez no texto, indicar por extenso o significado, antes da sigla. Ex.: Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB. A partir da segunda vez pode usar apenas a sigla.
Evite sempre:
- Adjetivos, como: grande, importante, valioso, bonito, magnífico...
- Formas pessoas (eu, nós).
- Começar períodos ou parágrafos seguidos com a mesma palavra.
- Gíria, jargão e coloquialismo.
- Termos técnicos. Só use quando for absolutamente indispensável e, nesse caso, coloque o significado entre parênteses.
- Termos como: “senhor”, “dona”, “seu fulano”. Médicos, engenheiros, advogados não devem ser chamados de “doutores” e, sim, com a denominação de suas profissões. Ex.: O pediatra, Joaquim Navarro; a advogada, Cristina Silva...
- Preciosismos ou expressões que pretendem substituir termos comuns, como: causídico, soldado de fogo, elenco de medidas, , chefe do executivo, precioso líquido, aeronave, casa de leis etc

Mas, enfim, o que é notícia?
- É um fato atual, de interesse para um grande número de pessoas.
- É um recorte da realidade que está a nossa volta, e que se destaca pela importância que assume na vida das pessoas.
Para ser notícia, o fato precisa responder a pelo menos dois, dos seguintes temas:
- Imediatismo: o que agora é sempre mais importante do que já não é mais novidade. Quanto mais fresquinha for a notícia, melhor. Notícia é coisa da “hora”. Se o fato já aconteceu, só o conte se, por causa dele, aconteceu outra coisa importante, isto é, deve um desdobramento.
- Ineditismo: priorize as coisas inéditas, que não acontecem normalme e sem todos os dias. A novidade, o curioso, o inédito torna o fato uma boa notícia para qualquer meio de comunicação: rádio, jornal, revista, televisão...
- Proximidade geográfica - os fatos locais são sempre mais interessantes para as pessoas do que aqueles que acontecem distante delas. Assim, contar o que acontece na própria comunidade ou município chama a atenção e desperta o interesse das pessoas pelo meio de comunicação.

A notícia parte por parte

Para se redigir uma boa notícia, principalmente, quando se trata de reportagem, a primeira coisa que se deve fazer é elaborar uma pauta. Ela (a pauta) é a orientação para que o repórter construa a matéria, baseada em informações vindas das fontes (relises, telefones, e-mails, fax, matérias divulgadas em outros Meios, entrevistas, conversas informais).
Agora que você já sabe o que uma boa reportagem nasce de uma boa pauta, vamos falar do LEAD (ou lide, em português). O lide é o início do texto, que alguns chama de ‘cabeça da matéria’, porque contém as informações mais importantes, de forma bastante clara. O lide deve responder a seis perguntas:
1) O quê? (O que aconteceu, está acontecendo ou ainda vai acontecer).
2) Quem? (Os personagens que participam do fato).
3) Quando? (Dia e hora do acontecimento).
4) Onde? (Local: bairro, cidade, comunidade rural).
5) Como? (De que forma tudo aconteceu, está acontecendo ou vai acontecer).
6) Por quê ou para quê? (Motivos e/ou objetivos).
É importante saber que não existe uma ordem exata para responder às perguntas que compõem o lide. O redator pode usar a criatividade, pois uma mesma notícia pode iniciar com “o quê” ou com “quem”ou com qualquer uma das outras perguntas. Todavia, o comunicador precisa ter sensibilidade para começar o texto com o aspecto mais importante da notícia.
O lide deve está localizado no primeiro parágrafo da matéria. Porém, vale observar que nem todo lide responde às seis perguntas. Em alguns casos, o “como” e o “por que” aparecem em parágrafos posteriores à “cabeça” da matéria. Tudo depende da importância que essas duas perguntas têm para a notícia.
Há uma técnica chamada de “pirâmide invertida”, que nos ajuda a elaborar a notícia. Esta técnica consiste em construir o texto em seqüência, partindo dos dados mais importantes para os secundários.

Pronta a notícia, é a vez de elaborar o TÍTULO, uma das partes mais lida do Boletim. Aqui, estão algumas dicas para elaborar um título bem atrativo, sedutor:
. A ordem direta é primordial (Ex.: Arquidiocese celebra festa da padroeira).
. Conter poucas palavras.
. Trazer sempre um verbo de ação e, preferencialmente, no presente do indicativo.
. Deve ser um resumo do texto
. Dá preferência às frases afirmativas.
E o SUBTÍTULO? Alguns o chamam de gravata ou sutiã. É a frase que vem logo abaixo do título. É uma espécie de complemento do título.
Também há o INTERTÍTULO. Trata-se de uma ou duas palavras colocadas entre um parágrafo e outro para dar uma suavidade à página. O intertítulo resume o assunto do parágrafo seguinte. É aconselhável que sejam usados a cada 25 ou 30 linhas.
CHAPÉU. É uma única palavra que vem logo acima do título. É como se fosse o resumo do texto, numa só palavra.
OLHO não é apenas uma parte do corpo humano. Ele também está presente no texto jornalístico. Trata-se de uma frase, diagramada em destaque, no meio do texto.

PROJETO GRÁFICO: A “CARA” DO BOLETIM

O Projeto Gráfico de um Boletim (ou jornal) pode ser definido, de forma simplista, como sendo a elaboração de um fluxograma (conjunto) de fases que irão compor o trabalho. O projeto define todos os detalhes que, juntos, depois de impressos, vão formar o que tecnicamente é chamado de “mancha gráfica” (= todos os elementos impressos + os espaços em branco). Todos os elementos impressos (textos, fotos e gráficos ilustrativos + os espaços em branco) juntos constituem ou formam a “cara” do Boletim (jornal).
O Projeto Gráfico se constitui na parte mais técnica do Boletim. É nele que se define o cabeçalho (cabeça do Boletim), as fontes (e respectivos tamanhos) usadas em cada parte (textos, títulos, intertítulos, legendas, créditos, olho, gravata etc). O Projeto é, enfim, um detalhamento das linhas gerais elaboradas no Planejamento de um meio impresso.

NOME: o nome de um Boletim (jornal) deve ser legível, preciso, curto, marcante, significativo. Sua disposição (ocupação do espaço) no cabeçalho deve estar em destaque, se sobrepor aos demais textos, de forma que seja a “identidade” do Boletim (jornal). É preciso que o Boletim, ao ser visualizado, seja imediatamente identificado.
Além do nome, o cabeçalho deve conter: data, ano e número do Boletim (exemplo: João Pessoa – PB, 04 de novembro de 2005 – Ano I – Nº 01) e o nome do proprietário do meio (Arquidiocese, Paróquia etc.). Esta última informação (proprietário) pode ficar no “Expediente”. Deve existir um elemento (fio, retícula) para separar a cabeça do Boletim do espaço destinado ao conteúdo mutável (chamadas, fotos etc de cada edição) da primeira página.
As páginas internas também devem ter um cabeçalho que identifique, ao menos, a editoria, a página e a data do Boletim. Também devem ter um elemento que separe o cabeçalho do espaço destinado às matérias (textos, fotos e demais ilustrações). Essa separação deve ficar bem definida.

FORMATO: é a definição do tamanho (as dimensões: largura versus altura) do Boletim. As medidas a seguir são apenas exemplos. Não precisam, necessariamente, ser seguidas a rigor. Elas devem se adequar ao formato que se definir no planejamento do Boletim (Projeto Gráfico), levando em consideração os objetivos da publicação e o menor preço de impressão. Basicamente, existem três formatos (mais usados): a) Standart (formato padrão dos jornais comerciais), b) Tablóide (alguns jornais comerciais também são publicados nesse tamanho) e c) House Organ (trad.: órgão da casa), também chamado Boletim, Boletim Informativo etc.
a) Formato Standart: é o formato mais comum, no caso dos jornais comerciais. Em média, mede 38 cm de largura por 53 cm de altura (fechado).
b) Formato Tablóide: é menos comum, do ponto de vista comercial, mas mesmo assim é bastante usado. Mede, geralmente, 29 cm de largura por 38 de altura. Dois exemplos de jornais comerciais formato Tablóide que conheço: O Mossoroense, da cidade de Mossoró-RN, Zero Hora, de Porto Alegre-RS e JH Primeira Edição, de Natal-RN.
c) Formato Boletim (House Organ): é muito comum, principalmente quando se trata de uma publicação destinada a divulgar instituições (empresas, dioceses, paróquias, organizações não-governamentais etc.). Normalmente, o Boletim é uma publicação institucional, destinada à difusão das ações da instituição que representa, seus serviços, projetos etc. O que define um House Organ (ou boletim institucional) não é seu formato, mas sua linha editorial, seu conteúdo. Mesmo um impresso no formato de Tablóide, como o da Pastoral da Criança, por exemplo, é considerado um House Organ. As dimensões mais comuns de um boletim (House Organ) são, em média: 22,5 cm por 31 cm. Essas são as dimensões do jornal “A Ordem”, da Arquidiocese de Natal.
Observação: Nada impede que um Boletim ou House Organ também seja chamados de jornal, independentemente do formato ou conteúdo.

PÁGINAS / EDITORIAS: a definição do número de páginas, das editorias e das colunas (normalmente três, por página) deve ser feita no planejamento do impresso (Projeto Gráfico). Editoria é a temática que você quer abordar (publicar) em cada página (opinião, liturgia, cultura, notícias etc). Os boletins de poucas páginas (4, 6, 8) não proporcionam a criação de muitas editorias. Um impresso de 12 páginas acima, pode ter um bom número de editorias. Mesmo nos de poucas páginas, é bom criar “colunas temáticas”.
No nosso caso, consideremos um Boletim de 8 páginas, em formato 22,5 X 31 cm.
Capa – Nos jornais, boletins, revistas e demais impressos, a capa é uma das partes mais importantes e, por isso, deve ser bem trabalhada. Ela é a “embalagem” do impresso. É ela que vai dar a primeira impressão ao leitor. Deve, pois, ser de um visual agradável para causar a melhor das impressões ao leitor. Recomenda-se não “poluir” a capa com muitos textos e muitas fotos.
O conteúdo da capa deve priorizar: a chamada da matéria principal, em lugar de destaque (no primeiro plano, abaixo da cabeça), acompanhado de foto e pequeno texto de chamada, indicando a página onde a matéria se encontra; o restante do espaço da capa deve ser ocupado com algumas chamadas de matérias secundárias.
Página 2 – É destinada à opinião (editorial e artigo) e ao expediente.
Página 3 – É a mais importante das páginas internas. É para ela que o leitor dirige seu primeiro olhar, ao abrir o jornal. Preferencialmente, nela deve estar a matéria de destaque, cuja chamada principal estará na capa, em lugar privilegiado. O tamanho da fonte do título dessa matéria deve ser um pouco maior que o dos demais títulos. A matéria deve ter uma ilustração (foto, preferencialmente).
Páginas 4 e 5 – No caso de um Boletim de 8 páginas, como estamos abordando, estas são, também, paginas importantes, por ficarem no centro do veículo. Nelas podem ser publicadas, também, matérias de destaque. Os que preferirem, podem até dedicar uma ou as duas páginas a uma única matéria, para abordagem do tema com maior profundidade.
Páginas 6 e 7 – São menos privilegiadas que a 3, a 4 e a 5, mas, nem por isso, devem ser relegadas a segundo plano, quando se tratar de diagramar e ilustrar. Por isso mesmo, devem merecer esmero na distribuição das matérias e ilustrações.
Página 8 – É a segunda página externa (no caso de um boletim de 8 páginas) e, por isso, merece atenção tão especial quanto a capa. Alguns leitores de jornais lêem, primeiro, as chamadas de capa e, em seguida, ou vão à página 3 ou, simplesmente, viram o jornal e olham a última página (no caso, a outra página externa).
Colunas – Os jornais e boletins devem ter os seus textos e ilustrações distribuídos, nas páginas, em colunas. Isso evita textos com linhas longas (como se fossem livros), o que dificulta a leitura. No caso em que estamos trabalhando neste texto, devemos usar três colunas, para melhor distribuição das matérias e ilustrações. Mas essa regra pode, perfeitamente, ser violada, caso seja conveniente usar duas colunas ou, mesmo, uma.
Também recebe o nome de “coluna” o espaço, normalmente delimitado por uma tarja ou um friso, destinado ou a um tema específico (opinião do leitor, aniversários etc).

Expediente – É melhor colocá-lo no rodapé da página 2. Deve conter o endereço completo do impresso, os nomes dos que assumem o boletim (Editor, jornalista responsável, colaboradores, revisor etc), nome da gráfica, tiragem e periodicidade.
Anúncios – Se o boletim tiver anúncios (é bom ter, para cobrir as despesas ou parte delas), eles devem entrar no rodapé das páginas internas.

PADRONIZAÇÃO: se você observar os boletins e jornais que lhe chegam às mãos, perceberá que todos adotam formas harmonicamente padronizadas. Os lugares destinados à Cabeça (nome do jornal ou boletim), título principal não mudam.
Nome – O nome do jornal e o formato do nome (fonte, tamanho, cor etc) são fixos. Só devem mudar quando for elaborado um novo projeto gráfico, destinado a dar um novo visual ao jornal. E não se deve ter um novo projeto gráfico em pequeno espaço de tempo, para fazer com que o leitor identifique o jornal ou boletim. Se houver mudanças em espaços de tempo curto, o boletim perde sua identidade(ela não se fixa na mente do leitor). Mas mudam a forma de distribuir o pequeno texto de chama e a localização da ilustração, dentro do espaço aos dois destinados.
Fontes – Devem ser as mesmas e com o mesmo corpo (tamanho), em todas as edições, conforme o que ficar definido no Projeto Gráfico. Ou seja, também devem seguir um padrão. Nunca use letras muito miúdas (corpo tamanho 8) nos textos das matérias. Fonte pequena dificulta a leitura.

DIAGRAMAÇÃO: a diagramação de um impresso é a “arrumação” das matérias e respectivas ilustrações nas páginas do Boletim (jornal). Depois de “arrumadas” nas páginas, tem-se uma visão geral de como o Boletim vai sair. É o “lay out” do impresso. A diagramação de cada página é pensada, já, no Projeto Gráfico: define-se os lugares das matérias mais importantes, das secundárias, das notinhas, das editorias etc.
A diagramação do todo (jornal inteiro) se consegue a partir da diagramação de cada matéria. Existem tipos diferentes de diagramação das páginas de um impresso e, também, de cada matéria.

1)Tipos de diagramação das páginas
. Horizontal – consiste na distribuição horizontal das matérias, ocupando duas ou mais colunas. O título da matéria pode ficar em uma coluna (mais usado em revistas), ou centralizado ou, ainda, alinhado à esquerda, ocupando todas as colunas.
. Vertical – Organiza verticalmente as matérias, nas colunas, com o título acima de cada matéria, de tal forma que uma matéria sucede a outra.
. Modular – Organiza as matérias em módulos horizontais.

1) Tipos de diagramação das matérias
. Em forma de ELE (L) – Ao inserir a ilustração no texto, a figura ocupa o lugar correspondente ao canto superior direito do texto, e este fica em formato de “L”.
. Em forma de SETE (7) – A ilustração ocupa o canto inferior esquerdo do texto e este fica em formato de 7.
. Em forma de “U” – A ilustração ocupa a parte superior central do texto e este fica em formato de “U”.
. Em forma de “O” – A ilustração ocupa o centro do texto e este fica ao redor da ilustração, em formato de “O”.

1) Alinhamento de Títulos e textos
Os textos e títulos podem ser alinhados às esquerda, à direita, justificados ou centralizados, conforme a opção que se escolher, no planejamento do impresso.
É mais comum usar a justificação nos textos das matérias, mas isso não impede que se possa trabalhar com eles alinhados à esquerda. Em matérias maiores não é comum usar o texto centralizado.
É mais comum usar os títulos com alinhamento à esquerda e centralizados. São raros os casos de alinhamento à direita ou justificados.

ILUSTRAÇÃO: a ilustração das matérias pode ser feita com fotos, charges, gráficos, retículas, frisos, chapéus, olho, entre outras. A função da ilustração é tornar o texto mais atraente ao leitor e deixar a página do imprenso mais agradável à visão. Quando se coloca somente textos e estes são longos, a página fica “pesada” ao olhar do leitor e, muitas vezes, ele desiste da leitura.
Foto – Ela deve acrescentar uma informação imagética ao texto. Jamais se deve usar uma foto que “desminta” o texto. No mínimo, ela reforça o que está escrito.
Charge – Tem a mesma função da foto. Acrescentar informação ou reforçar a informação do texto. Na maioria das vezes a charge traz um peso satírico ou uma crítica. Muitas vezes ela não faz parte de um texto, mas vem em espaço privilegiado e, por si só, já diz tudo sobre determinado tema.
Gráficos – Ilustram, quantitativamente, a matéria. Dão uma dimensão visual ao que o texto diz, principalmente quando se trata de estatísticas ou números. Normalmente vem ao lado ou na parte inferior da matéria.
Retícula – É usada como um Box (caixa) e tem o objetivo de realçar uma informação, que pode ser um pequeno texto (como no olho) ou uma palavra (como no chapéu).
Box – É um caixa dentro da qual fica determinado texto. É usado para isolar um texto dos demais. Às vezes é usado para determinar que aquele texto é uma matéria paga, não produzida pelos produtores do impresso.
Fios – São linhas, de diferentes espessuras, usados para formar um box ou para circular uma foto ou, ainda, para separar ou delimitar colunas temáticas. Também são chamados de frisos.
Chapéu – Ficam acima, ou antes, do título da matéria, à esquerda. Normalmente se constitui de uma palavra, que define o tema da matéria, e uma pequena tarja ou retícula.
Cores – Nas ilustrações ainda podem ser usadas cores, sejam em retículas, tarjas ou palavras, conforme preveja o Projeto Gráfico. Nos boletins de duas cores (preto e branco), o recurso se limita ao cinza ou preto (suavizar ou acentuar a cor preta). O uso das cores vem carregado de intenções: a cor vermelha, por exemplo, é usada em matérias emotivas ou relacionada às lutas de classes; o verde pode ser usado nas matérias sobre meio-ambiente; o preto diz respeito a medo, luto tec. Não se deve usar, indiscriminadamente, muitas cores em um impresso. Ele pode ficar “enfeitado” de mais.

PRODUÇÃO:
Diác. José Bezerra
Cacilda Medeiros
Pastoral da Comunicação / Arquidiocese de Natal
Av. Floriano Peixoto, 674
Tirol
59020-500 – Natal – RN
Fone/fax: (84) 3615-2800
e-mail: pascom@arquidiocesedenatal.org.br

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BORGES, Rosane S (org). JORNAL IMPRESSO: da forma ao discurso. São Paulo, Paulinas, 2003.
COLLARO, Antônio Celso. Projeto Gráfico – Teoria e Prática de Diagramação. 2ª ed. São Paulo, Summus Editorial, 1987.
FERREIRA, Carla. Oficina de Boletim Impresso. Salvador-BA, 2003.
FILHO, Genésio Zeferino da Silva. Comunicação e Pastoral. 2ª ed. São Paulo, Ed. Salesiana, 2003.
JORNAL ESTADO DE SÃO PAULO. Manual de Redação e Estilo. São Paulo.
KOPPLIN, Elisa; FERRARETO, Luiz Artur. Assessoria de Imprensa – teoria e prática. 4ª ed. Porto Alegre, Ed. Sagra Luzzatto, 2001.
LAGE, Nilson. Linguagem Jornalística. São Paulo, Editora Afiliada, 2001.
PASTORAL DA CRIANÇA. Cartilha de Assessoria de Comunicação e Mobilização Social. Curitiba-PR, 2003.