História

A Diocese de Natal foi criada no dia 29 de dezembro de 1909 através da Bula Pontifícia “Apostolicam in Singulis”, do Papa Pio X. Antes, pertencia à Diocese da Paraíba, com sede em João Pessoa, porém ainda pertencia à Província Eclesiástica de Olinda e Recife, com sede em Recife. No ano de 1914, a bula “Maius Catholicae Religionis Incrementum”, do Papa Pio X, elevou a Diocese da Paraíba à Arquidiocese e Sede Metropolitana e, também, criou a Diocese de Cajazeiras-PB. A Diocese de Natal, passou a pertencer a nova província eclesiástica.

Após a criação, a Diocese de Natal abrangia todo o território do Estado do Rio Grande do Norte. Somente no dia 16 de fevereiro de 1952, o papa Pio XII, através da Bula “Arduum Onus” elevou Natal a condição de Sede Metropolitana e Arquidiocese, criando mais duas dioceses sufragâneas: Mossoró e Caicó.

Em quase cem anos de história, a Diocese de Natal se destaca por iniciativas reconhecidas nacional e internacionalmente. Muitas delas surgiram na década de 1950 e 60 e podemos destacar a Campanha da Fraternidade, realizada até hoje pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Pode-se dizer que o primeiro passo para o desenvolvimento das atividades sociais da Arquidiocese de Natal surgiram com o Movimento de Natal.

No início eram apenas quatro jovens padres: Pe. Nivaldo Monte (arcebispo de Natal de 1967 a 1988, falecido em 2006), Pe. Expedito Sobral de Medeiros (falecido em janeiro do ano 2000), Pe. João Correia de Aquino e o Pe. Eugênio de Araújo Sales (cardeal arcebispo emérito do Rio de Janeiro). No final da década de 1940, esses quatro padres reuniam-se ocasionalmente na casa do Pe. Nivaldo Monte, até que o Pe. Eugênio Sales indicar uma casa em Ponta Negra – na época um local isolado e de difícil acesso. Esses quatro padres passaram a se reunir para lazer, mas com o crescimento da Segunda Guerra Mundial e a instalação de uma base militar dos Estados Unidos em Natal, os padres passaram a discutir assuntos sociais da Diocese. Em pouco tempo, diversos padres, inclusive do interior, passaram a freqüentar aí os encontros. Surgiram aí as reuniões do clero, hoje uma atividade praticada em todas as arquidioceses e dioceses do país.

 

Campanha da Fraternidade

Uma das iniciativas da Arquidiocese de Natal que mais deu frutos foi a Campanha da Fraternidade. Tudo começou em 1962 quando o então Administrador Apostólico de Natal, Dom Eugênio de Araújo Sales, quis fazer uma coleta de recursos “Será feita, no dia 8 de abril, primeiro domingo da Paixão, uma coleta em favor das obras sociais e apostólicas desta Arquidiocese”, afirmava Dom Eugênio Sales, em 1962, durante entrevista às Rádios Rural e Poty. “Não vai lhe ser pedida uma esmola, mas uma coisa que lhe custe. Não se aceitará uma contribuição como favor, mas se espera uma característica do cumprimento do dever. Um elementar dever de cristão...”, enfatizava Dom Eugênio. “Aqui está lançada a campanha em favor da grande coleta do dia 8 de abril, primeiro domingo da Paixão”, concluía ele, e, dessa forma, estava lançada a primeira Campanha da Fraternidade, realizada na Arquidiocese de Natal.

Logo no ano seguinte, em 1963, a Campanha da Fraternidade se estendia a mais 19 dioceses nordestinas. No dia 26 de dezembro do mesmo ano foi feito o lançamento do Projeto da Campanha da Fraternidade, para todo o Brasil, e a primeira CF, em nível nacional, foi realizada na Quaresma de 1964.

 

Protomártires do Brasil

Uma das maiores conquistas da Arquidiocese foi a beatificação dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, reconhecidos pelo Papa João Paulo II como os Protomártires do Brasil. No ano de 1645, quando a colonização do Rio Grande do Norte ainda estava recente, os padres André de Soveral e Ambrósio Francisco Ferro, mais o leigo católico Mateus Moreira e 28 companheiros, foram assassinados por calvinistas holandeses. Durante o martírio, eles afirmaram a fé na Eucaristia. Mateus Moreira, no momento em que lhe arrancavam o coração pelas costas, exclamava: “Louvado seja o Santíssimo Sacramento”.

No dia 5 de março de 2000, após vários anos de trabalho do Postulador da Causa dos Mártires, Mons. Francisco de Assis Pereira, o Vaticano elevou os mártires potiguares aos altares. A beatificação aconteceu no Vaticano, com a presença de vários cristãos da Arquidiocese.

 


A Diocese nos dias atuais

No decorrer de sua história, a Arquidiocese de Natal muito contribuiu para o desenvolvimento do Estado do Rio Grande do Norte. O seu trabalho de evangelização buscou, historicamente, equilibrar fé e vida, pregação e vivência, espiritualidade e promoção humana.

Os tempos mudaram. A realidade do começo do século XXI é outra. Diante do novo contexto histórico, a Arquidiocese de Natal tem buscado atualizar as ações sociais, conforme a Doutrina Social da Igreja, através da alfabetização de jovens e adultos; do apoio projetos comunitários de abastecimento d’água, nas regiões secas; do apoio à produção familiar, em outras várias comunidades; do trabalho junto a milhares de famílias, educando-as para salvar crianças da desnutrição e da morte pré-matura, e de tantas outras ações.

No campo espiritual, o enfoque é para as missões populares. A Arquidiocese viveu o Triênio Missionário (2003-2005). As primeiras atividades aconteceram com a formação dos missionários leigos. São eles que, num segundo momento, partiram em missão, dentro de suas próprias comunidades, evangelizando povos. O encerramento aconteceu dia 3 de outubro de 2005, no monumentos aos Mártires de Uruaçu, em São Gonçalo do Amarante.

A Arquidiocese de Natal também se destaca no zelo pelas vocações sacerdotais e religiosas e pela formação dos leigos para a animação de comunidades e atuação em âmbitos específicos deste ministério. A Escola Diaconal é um dos mais novos empreendimentos no campo das vocações. Em 2007, a Arquidiocese conta com mais de 130 padres, 30 diáconos permanentes e 68 paróquias e 9 área pastorais distribuídas em 13 zonais. Mas de vinte congregações religiosas contribuem com o pastoreio da Igreja em Natal. As experiências pastorais se multiplicam nas comunidades espalhadas pelos 88 municípios abrangidos pela jurisdição arquidiocesana. Nestas realidades, do Litoral ao Sertão, a semente da Palavra de Deus é plantada por cristãos ordenados ou não, povo que assume o seu compromisso de evangelizar.

Nos anos 2007 à 2009, a Arquidiocese vive um momento de festa celebrando o Centenário de Criação. Nestes três anos serão realizadas visitas pastorais, encontrões com os agentes pastorais no zonais, peregrinação da imagem de Nossa Senhora da Apresentação, padroeira da Arquidiocese, entre várias outras atividades.

Site do Centenário de Criação da Diocese de Natal
Sob responsabilidade da Arquidiocese de Natal / Pastoral da Comunicação