É desconhecida a data da
criação da Paróquia de Nossa Senhora da Apresentação.
A referência mais antiga é a provisão do Pe. Gaspar
Gonçalves Rocha como “vigário do Rio Grande”,
a 3 de fevereiro de 1598. A paróquia funcionava no acampamento
provisório, situado na praia, para abrigar a população
lusitana durante a construção da Fortaleza. A Cidade do
Natal só seria fundada dois anos depois, a 25 de dezembro de
1599.
O documento mais antigo com o nome de Nossa Senhora da Apresentação,
como titular da Paróquia, data de 1660, na sesmaria concedida
ao Pe. Leonardo Tavares de Melo, “vigário de Nossa Senhora
da Apresentação, matriz desta Capitania do Rio Grande,
que ele está servindo à dita igreja vai em quatro anos.”
A nomeação do Pe. Leonardo foi, portanto, em 1656.
Frei Agostinho de Santa Maria na sua obra “Santuário Mariano”,
publicada em 1722, faz a seguinte descrição da igreja
de Natal: “Foi levantada uma paróquia que se dedicou à
Rainha dos Anjos, Maria Santíssima com o título de Apresentação,
quando seus Santíssimos Pais, Joaquim e Ana, a foram oferecer
no Templo, sendo da idade de três anos. Na capela-mor, se colocou,
pouco depois, um grande e formoso quadro de pintura, em que se vê
o mesmo mistério da Senhora historiado”. Nossa Senhora
da Apresentação era, portanto, a padroeira de Natal, muitos
anos antes de sua “apresentação” no rio Potengi.
Esta é uma tradição popular, sobre a qual não
há prova histórica, mas há consenso dos historiadores
sobre a sua veracidade. Fala-se num documento que existiria no arquivo
da Intendência Municipal, mas este papel nunca foi encontrado.
A imagem que se pensou ser Nossa Senhora do Rosário pela posição
das mãos, teria encalhado na pedra do Rosário à
margem do Potengi, a 21 de novembro de 1753, com esta inscrição:
“Onde esta imagem parar, nenhuma desgraça acontecerá”.
O vigário Pe. Manoel Correia Gomes levou a imagem para a Matriz
e entronizou-a como Padroeira. Um outro quadro da Apresentação
foi pintado por João Gregório, em 1841, e colocado no
forro da capela-mor. Anos depois, nos trabalhos executados pelo Pe.
João Maria na pintura interna da igreja, o quadro foi apagado.
Uma terceira tela da Apresentação foi encomendada nos
anos 60, pelo Pe. Antônio Moreira ao Pe. Eládio Monteiro
e afixado no teto da nave central. Também este quadro foi retirado,
posteriormente, por um dos seus sucessores.
Nossa Senhora da Apresentação é a Padroeira da
Cidade e da Arquidiocese de Natal, aclamada pela devoção
popular. Para oficializar este título Dom Marcolino Dantas fez
um pedido à Santa Sé. O Santo Padre Pio XII, de venerável
memória, expediu a Bula “Quae mortalibus”, a 17 de
novembro de 1953. No documento o Papa autoriza Dom Marcolino a coroar
a imagem com a coroa de ouro. Isto aconteceu no dia 21 de novembro de
1953, nas festas do Bicentenário da aparição da
imagem no Rio Potengi. Nas comemorações dos 250 anos da
aparição (2003), a imagem foi restaurada pelo museólogo
Hélio de Oliveira, “em que foram devolvidos à escultura
seus valores históricos e estéticos”.
Dois hinos foram compostos em honra da Padroeira que se tornaram mais
populares: o de Palmira Wanderley, verdadeira obra-prima poética,
e o de Edith Serra, que hoje se canta com muito entusiasmo pelos devotos:
“Tu quiseste um dia trazer alegria ao nosso cantar
E vieste Maria, com Jesus nos braços, nas ondas do mar! ...
Pescadores te acharam, com amor te acolheram, ó Mãe sem
igual!
Entre o Potengi e as águas tranquilas, do mar de Natal.
|