"V" de Virgem da Apresentação
Por Mons. Francisco de Assis Pereira
Postulador e Arquivista da Arquidiocese
assispereira@supercabo.com.br

É desconhecida a data da criação da Paróquia de Nossa Senhora da Apresentação. A referência mais antiga é a provisão do Pe. Gaspar Gonçalves Rocha como “vigário do Rio Grande”, a 3 de fevereiro de 1598. A paróquia funcionava no acampamento provisório, situado na praia, para abrigar a população lusitana durante a construção da Fortaleza. A Cidade do Natal só seria fundada dois anos depois, a 25 de dezembro de 1599.
O documento mais antigo com o nome de Nossa Senhora da Apresentação, como titular da Paróquia, data de 1660, na sesmaria concedida ao Pe. Leonardo Tavares de Melo, “vigário de Nossa Senhora da Apresentação, matriz desta Capitania do Rio Grande, que ele está servindo à dita igreja vai em quatro anos.” A nomeação do Pe. Leonardo foi, portanto, em 1656.
Frei Agostinho de Santa Maria na sua obra “Santuário Mariano”, publicada em 1722, faz a seguinte descrição da igreja de Natal: “Foi levantada uma paróquia que se dedicou à Rainha dos Anjos, Maria Santíssima com o título de Apresentação, quando seus Santíssimos Pais, Joaquim e Ana, a foram oferecer no Templo, sendo da idade de três anos. Na capela-mor, se colocou, pouco depois, um grande e formoso quadro de pintura, em que se vê o mesmo mistério da Senhora historiado”. Nossa Senhora da Apresentação era, portanto, a padroeira de Natal, muitos anos antes de sua “apresentação” no rio Potengi.
Esta é uma tradição popular, sobre a qual não há prova histórica, mas há consenso dos historiadores sobre a sua veracidade. Fala-se num documento que existiria no arquivo da Intendência Municipal, mas este papel nunca foi encontrado. A imagem que se pensou ser Nossa Senhora do Rosário pela posição das mãos, teria encalhado na pedra do Rosário à margem do Potengi, a 21 de novembro de 1753, com esta inscrição: “Onde esta imagem parar, nenhuma desgraça acontecerá”. O vigário Pe. Manoel Correia Gomes levou a imagem para a Matriz e entronizou-a como Padroeira. Um outro quadro da Apresentação foi pintado por João Gregório, em 1841, e colocado no forro da capela-mor. Anos depois, nos trabalhos executados pelo Pe. João Maria na pintura interna da igreja, o quadro foi apagado. Uma terceira tela da Apresentação foi encomendada nos anos 60, pelo Pe. Antônio Moreira ao Pe. Eládio Monteiro e afixado no teto da nave central. Também este quadro foi retirado, posteriormente, por um dos seus sucessores.
Nossa Senhora da Apresentação é a Padroeira da Cidade e da Arquidiocese de Natal, aclamada pela devoção popular. Para oficializar este título Dom Marcolino Dantas fez um pedido à Santa Sé. O Santo Padre Pio XII, de venerável memória, expediu a Bula “Quae mortalibus”, a 17 de novembro de 1953. No documento o Papa autoriza Dom Marcolino a coroar a imagem com a coroa de ouro. Isto aconteceu no dia 21 de novembro de 1953, nas festas do Bicentenário da aparição da imagem no Rio Potengi. Nas comemorações dos 250 anos da aparição (2003), a imagem foi restaurada pelo museólogo Hélio de Oliveira, “em que foram devolvidos à escultura seus valores históricos e estéticos”.
Dois hinos foram compostos em honra da Padroeira que se tornaram mais populares: o de Palmira Wanderley, verdadeira obra-prima poética, e o de Edith Serra, que hoje se canta com muito entusiasmo pelos devotos:

“Tu quiseste um dia trazer alegria ao nosso cantar
E vieste Maria, com Jesus nos braços, nas ondas do mar! ...
Pescadores te acharam, com amor te acolheram, ó Mãe sem igual!
Entre o Potengi e as águas tranquilas, do mar de Natal.