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A primeira igreja construída em Natal foi a Matriz de Nossa Senhora
da Apresentação, que, por muitos anos, foi também
a Catedral da Diocese, de 1909 até 1988. Começando como
uma humilde “capelinha de barro socado e coberta de palha”
(Cascudo), cuja data de construção é incerta, provavelmente
logo depois da fundação da cidade a 25 de dezembro de
1599, passou por inúmeras ampliações e reformas
ao longo desses 410 anos de existência. Em 1614, estava ainda
sem portas e em 1619, ficou pronta a primeira capela, que se tornou
templo calvinista durante o período holandês (1633-1654).
Destruída pelos flamengos no final da guerra, o vigário
padre Leonardo Tavares de Melo a reconstruiu em 1656, ainda de taipa.
A reforma mais sólida e mais ampla foi feita a partir de 1672,
pelo padre Paulo da Costa Barros, prolongando-se até 1694, como
se vê por uma pedra que se encontra na nave central. Em 1786,
foram construídas as capelas do Santíssimo e do Senhor
dos Passos. Em 1862, no paroquiato do vigário Bartolomeu, foi
erguida a torre. Padre João Maria (1881-1905) embelezou mais
a Matriz com a abertura de seis arcadas e seis tribunas na nave, novos
púlpitos, ladrilhamento e forro na capela-mor.
Seu substituto, o padre Moisés Ferreira do Nascimento (1906-1910)
executou os trabalhos em vista da transformação de Matriz
em Catedral: modificações no altar-mor e nos altares laterais,
substituindo a madeira por alvenaria. No ano de 1936, o pároco
Mons. Alves Landim deixou o toque de sua passagem, colocando quatro
vitrais: dois na capela do Santíssimo, Santa Ceia e Anjo Adorador;
um na capela dos Passos, Ecce Homo; um no batistério, Batismo
de Jesus, além do revestimento de mármore da capela do
SSmº. Pureza de estilo e retorno ao plano original foram a tônica
da última reforma executada pelo Mons. Agnelo Dantas Barreto,
em 1994-95.
A segunda Igreja mais antiga de Natal é a do Rosário,
com magnífica vista para o rio Potengi. Iniciada provavelmente
em 1713, era o lugar privilegiado para as orações dos
pretos, dos pobres e dos escravos, que participavam da Irmandade de
Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Inicialmente era composta
apenas da capela-mor e da nave. A ala lateral e a torre são posteriores
e se aproximam do estilo neoclássico. Foi inaugurada pelo vigário
Padre Simão Rodrigues de Sá, a 2 de julho de 1714.
A terceira Igreja é a de Santo Antônio, construída
entre 1763 e 1766. A torre só foi concluída em 1799 e
o galo de bronze que se ergue altaneiro sobre ela é de 1800.
Eis a descrição que Cascudo faz deste belo templo: “É
a mais linda da Cidade. Sua torre, encimada de azulejos reluzentes,
com o galo heráldico, como um timbre numa cimeira feudal, a majestade
do frontão com os motivos em arabescos, num barroco sugestivo
e que se convencionou chamar jesuítico, as tochas estilizadas
na cimalha, os desenhos em revelo, correndo e volteando a frontaria,
dão um aspecto de majestade simples, imponente mas acolhedora
e simpática.” As três igrejas situadas no centro
histórico de Natal são a mais bela expressão do
estilo colonial e barroco de nossa cidade, enriquecendo o patrimônio
cultural e religioso de nossa terra.
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