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O trabalho de renovação pastoral iniciado por um grupo
de padres da Diocese de Natal na década de 40, sob a liderança
dos padres Eugênio Sales e Nivaldo Monte, ficou conhecido nacional
e internacionalmente como “Movimento de Natal”. O Movimento
tentava dosar equilibradamente a evangelização e a ação
social e caritativa, tanto nos ambientes urbanos como na área
rural. Paralelamente ao trabalho desenvolvido na periferia de Natal
com a colaboração de um grupo de jovens da Ação
Católica, Padre Eugênio voltou-se para os problemas do
campo, cuja dramaticidade, com o fenômeno das secas, da desnutrição
e do analfabetismo, era gritante. Para coordenar as iniciativas em prol
do homem do campo, Padre Eugênio fundou em Natal no dia 22 de
dezembro de 1949 o Serviço de Assistência Rural (SAR),
ligado ao mesmo grupo da Juventude Masculina Católica que já
atuava com ele.
Os inícios foram extremamente modestos: o SAR funcionava numa
dependência do Salão da Divina Providência, cedido
por Padre Nivaldo e a sua Juventude Feminina Católica, na antiga
Praça Pio X, onde hoje está o prédio da Rádio
Rural. Na sala do Padre Eugênio, havia apenas um birô, uma
máquina de escrever e cadeiras. Uma das primeiras realizações
do SAR foi a Semana Rural, que teve lugar em Jundiaí de 22 a
27 de janeiro de 1951. Depois desta, realizaram-se 15 eventos deste
tipo. As Semanas Rurais eram movimentos de massa que tinham, porém,
a vantagem de levantar os problemas do campo. Depois, foi constituída
a Missão Rural Ambulante, composta por uma equipe de voluntários,
que se deslocava para o interior com médicos, dentistas, agrônomos,
assistentes sociais e padres. Esta equipe proporcionava às comunidades
assistência médico-dentária, orientação
sanitária e alimentar, elevação do padrão
de agricultura e pecuária, e instrução religiosa.
Posteriormente, superando um mero assistencialismo, o SAR evoluiu para
uma educação mais profunda, visando uma mudança
das estruturas que estavam na raiz do problema. Falava-se naquele tempo
em educação de base e conscientização dos
direitos e deveres do cidadão. Nesta linha, surgiram os vários
setores do SAR: cooperativismo, artesanato, sindicalismo rural, escolas
radiofônicas, colonização e educação
política. Alguns desses setores evoluíram muito na sua
estrutura e se tornaram segmentos autônomos, como o Movimento
de Educação de Base, de âmbito nacional, a Federação
dos Trabalhadores Rurais do RN e a Fundação Pio XII, atuando
na experiência de colonização agrícola de
Punaú.
Uma necessidade urgente era a formação do pessoal, especialmente
os líderes comunitários que levavam adiante esses projetos.
O SAR construiu na praia de Ponta Negra um Centro de Treinamento de
Líderes, que, após a visita do Papa a Natal, que se hospedou
no prédio, recebeu o nome de Centro de Treinamento João
Paulo II de Ponta Negra. Este local, posteriormente ampliado, tornou-se
um centro não só de treinamento de líderes rurais,
mas a sede de todos os encontros pastorais da Arquidiocese, como a Reunião
Mensal do Clero com a participação de leigos, a Assembléia
Pastoral Arquidiocesana, retiros e cursos para sacerdotes, leigos e
religiosas.
Durante toda a sua permanência em Natal, como Bispo Auxiliar e
Administrador Apostólico, Dom Eugênio acumulou as funções
de Presidente do SAR. Era a pupila de seus olhos: lá ele dava
expediente, lá ele recebia os padres e comandava todo o trabalho
sócio-pastoral da Arquidiocese. Com a sua transferência
para Salvador, assumiu a presidência do SAR o seu Bispo Auxiliar,
Dom Antônio Soares Costa. Hoje, o SAR tem uma ação
mais restrita, pois os seus antigos setores alcançaram maioridade
e têm uma caminhada autônoma, mas a sua presença
continua marcante nos projetos que desenvolve nas comunidades rurais.
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