“S” de Serviço de Assistência Rural
Por Mons. Francisco de Assis Pereira
Postulador e Arquivista da Arquidiocese
assispereira@supercabo.com.br

O trabalho de renovação pastoral iniciado por um grupo de padres da Diocese de Natal na década de 40, sob a liderança dos padres Eugênio Sales e Nivaldo Monte, ficou conhecido nacional e internacionalmente como “Movimento de Natal”. O Movimento tentava dosar equilibradamente a evangelização e a ação social e caritativa, tanto nos ambientes urbanos como na área rural. Paralelamente ao trabalho desenvolvido na periferia de Natal com a colaboração de um grupo de jovens da Ação Católica, Padre Eugênio voltou-se para os problemas do campo, cuja dramaticidade, com o fenômeno das secas, da desnutrição e do analfabetismo, era gritante. Para coordenar as iniciativas em prol do homem do campo, Padre Eugênio fundou em Natal no dia 22 de dezembro de 1949 o Serviço de Assistência Rural (SAR), ligado ao mesmo grupo da Juventude Masculina Católica que já atuava com ele.

Os inícios foram extremamente modestos: o SAR funcionava numa dependência do Salão da Divina Providência, cedido por Padre Nivaldo e a sua Juventude Feminina Católica, na antiga Praça Pio X, onde hoje está o prédio da Rádio Rural. Na sala do Padre Eugênio, havia apenas um birô, uma máquina de escrever e cadeiras. Uma das primeiras realizações do SAR foi a Semana Rural, que teve lugar em Jundiaí de 22 a 27 de janeiro de 1951. Depois desta, realizaram-se 15 eventos deste tipo. As Semanas Rurais eram movimentos de massa que tinham, porém, a vantagem de levantar os problemas do campo. Depois, foi constituída a Missão Rural Ambulante, composta por uma equipe de voluntários, que se deslocava para o interior com médicos, dentistas, agrônomos, assistentes sociais e padres. Esta equipe proporcionava às comunidades assistência médico-dentária, orientação sanitária e alimentar, elevação do padrão de agricultura e pecuária, e instrução religiosa. Posteriormente, superando um mero assistencialismo, o SAR evoluiu para uma educação mais profunda, visando uma mudança das estruturas que estavam na raiz do problema. Falava-se naquele tempo em educação de base e conscientização dos direitos e deveres do cidadão. Nesta linha, surgiram os vários setores do SAR: cooperativismo, artesanato, sindicalismo rural, escolas radiofônicas, colonização e educação política. Alguns desses setores evoluíram muito na sua estrutura e se tornaram segmentos autônomos, como o Movimento de Educação de Base, de âmbito nacional, a Federação dos Trabalhadores Rurais do RN e a Fundação Pio XII, atuando na experiência de colonização agrícola de Punaú.

Uma necessidade urgente era a formação do pessoal, especialmente os líderes comunitários que levavam adiante esses projetos. O SAR construiu na praia de Ponta Negra um Centro de Treinamento de Líderes, que, após a visita do Papa a Natal, que se hospedou no prédio, recebeu o nome de Centro de Treinamento João Paulo II de Ponta Negra. Este local, posteriormente ampliado, tornou-se um centro não só de treinamento de líderes rurais, mas a sede de todos os encontros pastorais da Arquidiocese, como a Reunião Mensal do Clero com a participação de leigos, a Assembléia Pastoral Arquidiocesana, retiros e cursos para sacerdotes, leigos e religiosas.
Durante toda a sua permanência em Natal, como Bispo Auxiliar e Administrador Apostólico, Dom Eugênio acumulou as funções de Presidente do SAR. Era a pupila de seus olhos: lá ele dava expediente, lá ele recebia os padres e comandava todo o trabalho sócio-pastoral da Arquidiocese. Com a sua transferência para Salvador, assumiu a presidência do SAR o seu Bispo Auxiliar, Dom Antônio Soares Costa. Hoje, o SAR tem uma ação mais restrita, pois os seus antigos setores alcançaram maioridade e têm uma caminhada autônoma, mas a sua presença continua marcante nos projetos que desenvolve nas comunidades rurais.