Nas
comemorações do centenário da Diocese de Natal,
não poderíamos deixar de reverenciar a memória
de um sacerdote que, embora tendo falecido antes da criação
da diocese, marcou profundamente a história da Igreja de Natal,
como Vigário da Paróquia da Apresentação,
durante 24 anos, de 1881 a 1905: o Padre João Maria Cavalcanti
de Brito, nascido a 23 de junho de 1848, em Jardim de Piranhas.
No início do seu ministério sacerdotal, a Paróquia
de Natal bem como todas as paróquias do Rio Grande do Norte pertenciam
à Diocese de Olinda, que estava vacante na data da ordenação
do Padre João Maria, no dia 30 de novembro de 1871, razão
por que o jovem levita foi ordenado sacerdote por Dom Luiz Antônio
dos Santos, bispo de Fortaleza. O seu primeiro bispo diocesano, Dom
Vital Maria Gonçalves de Oliveira, sofreu grande perseguição
por causa de sua luta contra a Maçonaria. Este bispo, no seu
breve governo, não teve tempo de visitar Natal, mas seu sucessor,
Dom José Pereira da Silva Barros, fez uma visita pastoral às
paróquias do Rio Grande do Norte, entre agosto e setembro de
1882, quando o Padre João Maria era Vigário de Natal e
festivamente acolheu o bispo, na Matriz, belamente ornamentada. Dom
José Pereira elogiou o Vigário e fez questão de
visitar os pobres e os doentes assistidos pelo venerando sacerdote:
“reservou um dia para os infelizes... e lá foi ver os presos
da cadeia e os doentes do hospital da caridade.”
Em 1892, foi criada a diocese da Paraíba e a Paróquia
de Natal passou a depender juridicamente do bispado da Paraíba.
Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, o 1º bispo, esteve
várias vezes em Natal, durante o paroquiato do Padre João
Maria. Quando, finalmente, veio à capital em 1907, para constituir
a comissão encarregada de preparar a nova diocese, o zeloso sacerdote
já havia falecido, em Natal, no dia 16.10.1905.
O Padre João Maria não viu sua querida Matriz se tornar
Catedral, mas fez boas reformas na Igreja, abrindo seis arcadas na nave,
construindo as tribunas e reformando os velhos púlpitos. Ao Padre
João Maria se deve também a construção de
uma Matriz mais ampla no local onde, mais tarde, seria erguida a nova
Catedral em estilo moderno. Naquela Natal de 20.000 habitantes, o Vigário
conseguiu mobilizar a população, que trazia em procissão
pedras da Praia de Areia Preta para construir a nova Igreja que, infelizmente,
foi demolida por não se achar no alinhamento das novas avenidas
do Plano Palumbo.
A verdadeira igreja construída pelo Padre João Maria não
foi de tijolos e de alvenaria, mas a Igreja viva, constituída
de pessoas pobres, enfermas, desvalidas, que ele conseguiu resgatar
no seu abnegado trabalho de caridade, sobretudo no período da
epidemia de varíola, nos últimos anos de sua vida. Seu
amor aos pobres foi o grande feito que o consagrou como Apóstolo
de Natal e Anjo da Caridade.
O seu Processo de Beatificação, aberto no dia 22 de fevereiro
de 2002, pelo Arcebispo Dom Heitor de Araújo Sales, fará
justiça a este virtuoso sacerdote que, já sendo venerado
espontaneamente pelos fiéis, terá o reconhecimento oficial
da Igreja, primeiro como Beato e depois como Santo.
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