"O" de organização da Diocese
Por Mons. Francisco de Assis Pereira
Postulador e Arquivista da Arquidiocese
assispereira@supercabo.com.br

O trabalho de preparação para a criação de uma nova diocese é muito complexo. É necessário, antes de tudo saber se a área territorial e a população justificam que ali se instale uma nova circunscrição eclesiástica; se o número de paróquias e o número de padres são suficientes para a sua assistência religiosa; se há uma organização pastoral que possa alimentar as necessidades espirituais e sociais dos fiéis e, finalmente, se há um patrimônio econômico que assegure a manutenção da diocese.
Evidentemente, o fato de ser Natal a capital de um Estado e o território da diocese coincidir com a inteira superfície do Rio Grande do Norte, densamente povoado, justificavam plenamente a sua separação da então Diocese da Paraíba, que englobava os dois estados. O número de paróquias, 31 ao todo, a maioria das quais regidas por padres naturais do Rio Grande do Norte, era suficiente para a presença de um bispo que as governasse de perto.

Tudo isto foi atentamente observado pelo bispo da Paraíba, Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques que, na sua qualidade de pastor da diocese-mãe, coordenou o processo da criação da diocese potiguar. A primeira visita pastoral de D. Adauto ao Rio Grande do Norte começou pela capital Natal no dia 12 de novembro de 1895, incluindo as paróquias de Ceará-Mirim, Macaíba, São José de Mipibu. Arez, Goianinha, Penha e Nova Cruz. Numa outra visita, percorreu sete paróquias, inclusive Mossoró e Macau, num percurso total de 125 léguas a cavalo.

Em dezembro de 1907, D. Adauto veio a Natal com uma missão especial: constituir uma comissão encarregada de preparar a criação da diocese e cuidar de seu patrimônio. A comissão era composta das seguintes pessoas: Dr. Olimpio Manuel dos Santos Vital, Des. Jerônimo Américo Raposo da Câmara, Dr. Luiz Manuel Fernandes Sobrinho, Cel. Pedro Soares de Araújo, Pe. Moisés Ferreira do Nascimento, Com. Ângelo Roselli, Dr. Augusto Leopoldo Raposo da Câmara, Dr. Elói Castriciano de Sousa, Cel. Francisco Cascudo, Pe. José de Calazans Pinheiro e Des. João Dionísio Filgueira. A comissão atuou bem, pois no espaço de dois anos era criada a Diocese de Natal pela Bula “Apostolicam in Singulis” do Papa Pio X.

A diocese estava criada, mas foi necessário esperar 10 meses para sair a nomeação do 1º Bispo Dom Joaquim Antônio de Almeida, que só veio a tomar posse no dia 15 de junho de 1911. Neste ínterim, D. Adauto fazia os preparativos para a instalação da diocese na qualidade de Administrador Apostólico. A 25 de dezembro de 1910, aniversário da cidade, D. Adauto escreveu uma Carta Pastoral, transmitindo solenemente aos filhos do Rio Grande do Norte a Bula de criação da diocese. Mostra-lhe a solicitude paternal do Santo Padre Pio X em lhe dar uma Cátedra Episcopal e, dirigindo-se especialmente aos fiéis da cidade, garante que conservará no escudo de suas armas episcopais a Estrela do Natal, que lhe lembrará para sempre esta amada cidade.