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“N”
de Natal na década de 40 |
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Por
Mons. Francisco de Assis Pereira Postulador e Arquivista da Arquidiocese assispereira@supercabo.com.br |
| No
final da II Guerra Mundial, Natal experimentou uma série de mudanças
sociais, causadas pela presença dos americanos, a construção
da Base Aérea de Parnamirim e de quartéis militares, novos
costumes e incremento do comércio. Contudo, este aparente progresso
não proporcionaria uma melhoria de vida para a população.
A instalação das bases militares e a chegada de técnicos
e tropas americanas provocaram um desequilíbrio da organização
social da área com a consequente elevação do custo
de vida, crise habitacional, mudanças de comportamento e proliferação
das casas de tolerância. A oferta da mão de obra para as
novas construções provocou a imigração rural
em larga escala que, no final da guerra, fez crescer o número de
desocupados. A população de Natal, que em 1940 era de 54.836,
quase que dobrou no final da década e os problemas aumentaram:
desemprego, prostituição, delinqüência e formação
de favelas. Foi neste quadro que chegaram a Natal dois jovens sacerdotes recém-ordenados para trabalhar na cidade: Pe. Eugênio de Araújo Sales, ordenado a 21 de novembro de 1943 e Pe. Nivaldo Monte, ordenado a 12 de janeiro de 1941. O desafio era grande mas os sacerdotes tiveram a assessoria de um grupo de jovens e moças da Ação Católica nos seus dois ramos especializados, a Juventude Masculina Católica (JMC) e a Juventude Feminina Católica (JFC). Padres e leigos entraram em campo com entusiasmo, mas logo perceberam que uma obra social na periferia exigiria recursos que eles não possuíam. Por isso, procuraram ajuda junto a entidades governativas que atuavam na assistência social, como a Legião Brasileira de Assistência (LBA) e o Serviço Estadual de Reeducação e Assistência Social (SERAS), com os quais fizeram convênios e parcerias que deram muitos frutos. Pe. Eugênio estreou o seu trabalho com uma das faixas mais desprotegidas da sociedade: os presidiários, para os quais criou a assistência religiosa e social. Depois, se voltou para a periferia, levando seu grupo da JMC, entre os quais João Wilson Mendes Melo, Valdomiro Nascimento e Geraldo Gilberto de Oliveira, para o Morro Branco, hoje bairro chique da cidade, mas, naquele tempo, uma simples favela. Adquiriram uma casa modesta, depois ampliada, onde começou a funcionar, a 20 de abril de 1947, a Escola-ambulatório Pe. João Maria, com o Clube de Mães e a Casa da Criança sob os cuidados das Irmãs de Caridade. Outras obras sociais foram sendo criadas: uma escola na Vila dos Pobres, bairro do Carrasco, que depois se transformou na Escola-ambulatório Mateus Moreira, inaugurada a 5 de junho de 1949; o Patronato de Ponta Negra, em 1948, em convênio com o Serviço de Assistência aos Menores (SAM) e, neste mesmo ano, o Instituto Bom Pastor, no bairro das Quintas, para as menores transviadas que foram confiadas às Irmãs do Bom Pastor. Paralelamente ao trabalho da JMC, o ramo feminino da Ação Católica, liderado pelo Pe. Nivaldo Monte, se voltou para outros bairros periféricos. Na Baixa da Coruja, hoje, bairro Dix-Sept Rosado, foi fundado o Centro Social e Ambulatório Cônego Monte, inaugurado em dezembro de 1946; nas Rocas, em 1947, o Centro Social Leão XIII; em Nova Descoberta, o Centro Social Dom Marcolino e no Areial, o Centro Social Nossa Senhora de Fátima. As pioneiras deste trabalho foram Teresinha Vilar, Margarida Filgueira e Maria de Lourdes Miranda. Para dar um melhor direcionamento a estas obras de assistência social, já em fins de 1944, surgiu a idéia da criação de uma Escola de Serviço Social. Este projeto foi levado à frente com entusiasmo por Pe. Nivaldo Monte, com a cooperação da LBA, então presidida por Aluísio Alves. A 2 de junho de 1945, foi instalada a Escola de Serviço Social, a primeira instituição de ensino superior do Rio Grande do Norte. Daí em diante, a Diocese, os órgãos governamentais e as instituições privadas passaram a contar com pessoal especializado, formado aqui mesmo em Natal. |