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A experiência de
renovação pastoral, iniciada informalmente na diocese
de Natal por um grupo de padres (eram seis), liderado pelo Pe. Eugênio
Sales, começou a tomar vulto com a sua ascensão a Bispo
Auxiliar, em 1954, e posteriormente, a Administrador Apostólico,
em 1961, assumindo plenamente o governo diocesano. Com o alargamento
das iniciativas de caráter sócio-pastoral, o conjunto
dessas atividades passou a ser chamado “Movimento de Natal”.
A expressão foi cunhada por Dom Tiago Cloin, bispo redentorista
que, ao visitar Natal, ficou entusiasmado com o trabalho de Dom Eugênio
e assim o definiu num artigo: “O Movimento de Natal é uma
ação conjugada de evangelização e de ação
social, e constitui, sem dúvida, a mais bem sucedida experiência
pastoral de envergadura, em extensão e profundidade, realizada
no Brasil”.
O Movimento teve um grande crescimento quantitativo e qualitativo nas
décadas de 50 e de 60, a partir da criação em 1949
de um órgão centralizador e impulsionador: o Serviço
de Assistência Rural. Em 1958, era fundada a Emissora de Educação
Rural com a sua rede de escolas radiofônicas espalhadas no perímetro
rural, que captavam através de rádios cativos à
pilha as aulas transmitidas pela emitente central. Não era uma
simples alfabetização mas uma educação de
base com orientações de saúde, agricultura, direitos
humanos e doutrina religiosa. Em 1964 já havia mais de mil escolas
radiofônicas.
O setor de sindicalismo rural foi outra arrojada frente de atuação
do SAR a partir de 1960. Em 1964 já havia 45.000 sindicalizados,
reunidos na Federação dos Trabalhadores Rurais do RN.
O cooperativismo, trazido a Natal pelo 2º bispo de Natal, Dom José
Pereira Alves, que criou a Cooperativa Central de Credito sob os cuidados
de Ulisses de Góis, ampliou suas atividades através do
SAR numa rede de 11 cooperativas de credito, e mistas de produção,
entre as quais a Cooperativa de Produtores Artesanais, que coordenava
e comercializava toda a produção dos artesãos e
artesãs do interior. Vale apena salientar também, no setor
agrícola, o grande projeto de Colonização do Vale
de Punaú através da Fundação Pio XII, em
convênio com o governo do Estado. Estes são apenas alguns
exemplos da área social do Movimento de Natal.
No campo da pastoral, uma série de iniciativas renovadoras veio
dinamizar a ação das paróquias e dos setores pastorais:
a realização de 20 semanas bíblicas em toda a diocese,
o planejamento anual da pastoral de conjunto, o Encontro Mensal do Clero
e os curso de atualização para sacerdotes, religiosos
e leigos, os cursos de preparação para o batismo, crisma
e matrimonio, a criação de conselhos paroquiais e a participação
ativa dos leigos na vida paroquial.
Um prelado do Vaticano descreve o Movimento de Natal como “vasta
iniciativa de renovação integral cristã inspirada
nas Encíclicas sociais, especialmente Mater et Magister com a
colaboração entre bispos, sacerdotes, religiosos e leigos”.
Um verdadeiro trabalho de Igreja que precedeu e aplicou o Concilio Vaticano
II.
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