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de Movimento de Natal (I) |
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Por
Mons. Francisco de Assis Pereira Postulador e Arquivista da Arquidiocese assispereira@supercabo.com.br |
| Os
padres ordenados na década de 40 iniciaram seu ministério
sob o influxo renovador da Ação Católica, instalada
oficialmente no Brasil pelo Cardeal Leme, a 9 de junho de 1935, aprovando
seus estatutos assinados por todo o Episcopado. Em Natal, a Ação
Católica foi fundada em 1936, com a Juventude Feminina Católica,
cujo assistente era o Pe. Monte. A 21 de novembro de 1943, era ordenado
um jovem sacerdote, Pe. Eugênio de Araújo Sales que, depois
de um breve tirocínio na paróquia de Nova Cruz, chegou a
Natal em agosto de 1944, indo servir como Capelão do Colégio
Marista. O contato com os jovens estudantes despertou no Pe. Eugênio
o desejo de criar um núcleo de Ação Católica
também para os rapazes. Para isto, começou a se reunir com
um grupo de jovens, preparando-os na mística da Ação
Católica. A Juventude Masculina Católica foi fundada a 28 de outubro de 1945, com 18 militantes. Usando o método Ver, Julgar e Agir, o grupo logo iniciou um trabalho na Casa de Detenção de Petrópolis, organizando aulas e prestando assistência social. Natal, naquela época, em plena guerra mundial, era uma cidade cheia de problemas, sobretudo na periferia. A presença dos rapazes, em Morro Branco, então favela de Natal, levou-os a fundar, em 1947, a Escola-Ambulatório Pe. João Maria, numa casa antiga, depois reformada. Em agosto de 1947, Pe. Eugênio conseguiu, por doação da Prefeitura, um grande terreno, onde instalou a Obra do Bom Pastor para a assistência das moças abandonadas e, logo depois, no bairro do Carrasco, a Escola-Ambulatório Matias Moreira. Pe. Eugênio logo percebeu que os problemas da cidade tinham origem no campo, donde saíam levas de pessoas para as periferias urbanas. Fundou, então, em Natal, um organismo polivalente, ao qual deu o nome de Serviço de Assistência Rural, instalado em 1949. Estava assim implantado o trabalho social, ao mesmo tempo nas áreas urbana e rural, que se tornou mundialmente conhecido como Movimento de Natal. Vale salientar que esta iniciativa, que aos poucos estendeu os seus tentáculos para uma série de empreendimentos na área religiosa e social, teve o apoio de um grupo de padres novos, cheios de zelo pastoral. Além de Pe. Eugênio e de Pe. Nivaldo, que dirigia o ramo feminino da Ação Católica, faziam parte do grupo os padres Expedito Medeiros, Manoel Tavares, Alair Vilar e Pedro Moura. Aos poucos, o Movimento foi se alargando, dando origem ao encontro mensal do Clero, em Ponta Negra. As primeiras iniciativas do SAR foram as Semanas Rurais, movimentos de massa que tiveram o mérito de despertar o povo para os grandes problemas do campo: secas, direitos do cidadão, exploração do homem pelo homem, coronelismo, sindicalismo rural, entre outros. A atuação do SAR se diversificou através da criação dos setores especializados: clubes agrícolas, centros sociais, ambulatórios, alfabetização, treinamento de lideres, colonização agrícola, artesanato, cooperativismo e sindicalismo rural. Alguns desses setores se organizaram em grandes associações que tiveram enorme repercussão social, como a Emissora de Educação Rural, com o seu programa de escolas radiofônicas, e a Federação dos Trabalhadores Rurais do RN, com a sua rede de sindicatos rurais no Estado. O Movimento de Natal teve um crescimento constante e criativo até 1964, quando dois acontecimento abalaram sua estrutura, mas não o seu ardor: a transferência de Dom Eugênio para Salvador e a revolução de 64, que, porém, não conseguiram eliminar o espírito que ainda hoje anima a Igreja de Natal. |