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“M”
de Dom Marcolino Dantas |
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Por
Mons. Francisco de Assis Pereira Postulador e Arquivista da Arquidiocese assispereira@supercabo.com.br |
| Depois
de três governos de brevíssima duração, menos
de cinco anos cada um, Natal recebeu um Pastor que veio da Bahia e aqui
permaneceu por 38 anos, o mais longo governo de nossa história,
como quarto Bispo (1929) e primeiro Arcebispo (1952): Dom Marcolino Esmeraldo
de Souza Dantas. Acolhido pelo Governador Dr. Juvenal Lamartine de Faria,
pelo Mons. Alfredo Pegado Cortês, Vigário Capitular, que
foi confirmado como Vigário Geral, pelo Clero e pelo povo, Dom
Marcolino, na mensagem de saudação, já mostrou o
seu estilo característico de orador: “Natal, Natal, Natal!
Terra do meu episcopado, da minha querida Diocese! Recebestes-me há
poucos dias no coração da vossa cidade, hoje eu vos recebo
na cidade do meu coração.” Dom Marcolino era o protótipo dos bispos de sua época: firme nas suas decisões e consciente de sua autoridade episcopal, não admitia contestações. As transferências dos padres eram feitas por telegrama, sem nenhuma consulta e, por incrível que pareça, os padres o amavam e veneravam como a um pai, pois ele se colocava sempre ao seu lado, apoiando-os e defendendo-os de acusações sem fundamento ou maledicências. Dois fatos relevantes marcaram o seu governo: a criação de duas novas dioceses no Estado, Mossoró(1934) e Caicó (1939) e a elevação de Natal a arquidiocese em 1952. Preocupava-se com a formação adequada de seus seminaristas, tendo construído a imponente sede do Seminário de São Pedro no Tirol e para os outros estudantes leigos o Colégio das Neves e o Colégio Santo Antônio. Toda a sua ação social e caritativa concentrava-se no Dispensário Sinfrônio Barreto, cujas dependências foram construídas e inauguradas por ele em 1936, com salão dos pobres, escola para seus filhos e empregadas domésticas, farmácia e residência das Irmãs de Caridade que cuidavam dos pobres, além de um auditório com capacidade para 800 pessoas, chamado Confederação Católica, onde se realizavam as sessões solenes e as assembléias da Ação Católica. Por causa de problemas de saúde, uma hérnia e dores na perna em conseqüência de um acidente automobilístico em 1944 e, sobretudo, por causa de uma cegueira galopante que o perseguiu nos últimos anos de vida, Dom Marcolino dificilmente saía de Natal, preferindo governar desde sua residência episcopal. Durante sua permanência de 38 anos como bispo, foi uma só vez à sua terra natal, a Bahia, para visitar sua mãe enferma, uma vez ao Rio para o Concílio Plenário Brasileiro e duas vezes a João Pessoa, a sede metropolitana. Não costumava fazer visitas pastorais nas paróquias, visitando apenas Mossoró, Caicó e três outras cidades que realizavam Congressos Eucarísticos. Dom Marcolino era um homem de letras, renomado orador, poeta e compositor. Entre os seus sonetos se destaca “O sofrimento”, publicado em várias antologias e entre as músicas, o hino de Nossa Senhora da Assunção. Era famoso pelos seus trocadilhos, às vezes sérios, às vezes jocosos. Quando o seminarista Armando, hoje Monsenhor e Pároco de Goianinha, foi pedir licença para passar uns dias de repouso numa fazenda em Boa Saúde, respondeu: Vai Armando para Boa Saúde, volta armado com a saúde boa. Não fazia visitas às famílias, a não ser durante a campanha da construção do Seminário, para angariar donativos, usando um expediente curioso. Como era exímio pianista, escolhia as casas que tinham piano e visitava-as, de improviso, fazendo concertos domésticos. As famílias ficavam encantadas e davam-lhe generosas ajudas para o Seminário. Por outro lado, a sua residência na Rua Santo Antônio era habitualmente freqüentada por um grupo de amigos, além dos padres que eram sempre bem acolhidos: Dr. Hellen Costa, seu médico particular, Ulisses de Góis, líder católico, Dr. Otávio Tavares, o engenheiro de suas obras, João Carlos de Vasconcelos, o tipógrafo que publicava os seus sonetos, Paulo Viveiros, Manuel Rodrigues, Otto Guerra, Câmara Cascudo e outros. |