"L" de Laicato Católico
Por Mons. Francisco de Assis Pereira
Postulador e Arquivista da Arquidiocese
assispereira@supercabo.com.br

Ao enfocar a presença e a atuação da Igreja em nossa terra, espontaneamente somos levados a destacar, sobretudo, o papel da hierarquia: os bispos que a governaram e os padres, seus principais colaboradores; os outros membros da Igreja, os leigos, que são a maioria, ficam de fora. Na Igreja de Natal não se pode prescindir da influência decisiva dos fiéis leigos em todos os governos diocesanos. Os pastores perceberam, desde o início, que o papel dos leigos é insubstituível na evangelização e na ação social da Igreja. Eles não são meros receptáculos passivos do trabalho desenvolvido pelos bispos e padres, mas são os protagonistas de uma ação que lhes é própria e devida porque fazem parte ativa do Povo de Deus desde o seu batismo. Esta consciência do papel dos leigos na Igreja vem crescendo desde os primeiros anos do século passado até o seu pleno reconhecimento pelo Concílio Vaticano II, quando os leigos obtiveram a sua maioridade na Igreja.

O primeiro bispo Dom Joaquim tratou mais da organização da diocese e de conhecer as bases, isto é, as paróquias, mas a partir do segundo bispo Dom Antônio dos Santos Cabral, teve início a arregimentação dos leigos para o trabalho com a fundação da Congregação Mariana, a 14 de junho de 1918, que conseguiu reunir um grupo de jovens, tendo à frente Ulisses de Góis, que se destacou como grande líder católico no governo de sete bispos ou arcebispos de Natal. Dom Cabral, com a ajuda da Congregação Mariana, fundou a Escola Técnica de Comércio. Posteriormente, Ulisses criou a Faculdade de Ciências Econômicas e a Cooperativa Central de Crédito do RN. Dom José Pereira Alves, sucessor de Dom Cabral, deu todo o apoio à Congregação Mariana e ao cooperativismo e, como homem de letras e grande orador, conseguiu atrair para a Congregação jovens intelectuais, como Afonso Bezerra, morto prematuramente, Nilo Pereira, que migrou para o Recife, e Miguel Seabra Fagundes, que se destacou na área jurídica.

Na década de 30, já no governo de Dom Marcolino, surgiu em Natal a Ação Católica, movimento de apostolado leigo fundado por Pio XI e apoiado no Brasil pelo Cardeal Leme. O primeiro Assistente Eclesiástico foi o Padre Luiz Gonzaga do Monte e um dos seus mais ilustres expoentes foi Otto de Brito Guerra. Formado em Direito, escritor, professor, sociólogo e professor de Doutrina Social da Igreja, Otto se destacou como jornalista, tendo sido um dos fundadores do jornal católico A ORDEM, onde escreveu numerosos artigos. Ao lado de Ulisses de Góis, foi um dos mais competentes assessores dos bispos em vários governos. No âmbito internacional, foi escolhido pelo Papa Paulo VI para o cargo de Consultor da Pontifícia Comissão das Comunicações Sociais, no Vaticano, por dois mandatos de cinco anos. Os dois líderes católicos foram agraciados com uma comenda da Santa Sé: Ulisses de Góis na Ordem de São Sivestre e Otto Guerra na Ordem de São Gregório Magno.

A partir dos anos 50, a Ação Católica passou por uma reestruturação, com a instituição de setores especializados, atingindo os jovens no seu próprio meio social. Assim surgiram os movimentos que tiveram grande atuação na capital e no interior: Juventude Agrária Católica (JAC), Juventude Estudantil Católica (JEC), Juventude Independente Católica (JIC), Juventude Operária Católica (JOC), e Juventude Universitária Católica (JUC). A formação recebida na Ação Católica deixou marcas profundas na vida de muitos jovens que ainda hoje estão presentes na esfera política, social e profissional de nossa terra: Ney Lopes de Souza, João Faustino, Jardelino Lucena, José Cândido e João Batista de Oliveira, Diácono permanente.