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enfocar a presença e a atuação da Igreja em nossa
terra, espontaneamente somos levados a destacar, sobretudo, o papel
da hierarquia: os bispos que a governaram e os padres, seus principais
colaboradores; os outros membros da Igreja, os leigos, que são
a maioria, ficam de fora. Na Igreja de Natal não se pode prescindir
da influência decisiva dos fiéis leigos em todos os governos
diocesanos. Os pastores perceberam, desde o início, que o papel
dos leigos é insubstituível na evangelização
e na ação social da Igreja. Eles não são
meros receptáculos passivos do trabalho desenvolvido pelos bispos
e padres, mas são os protagonistas de uma ação
que lhes é própria e devida porque fazem parte ativa do
Povo de Deus desde o seu batismo. Esta consciência do papel dos
leigos na Igreja vem crescendo desde os primeiros anos do século
passado até o seu pleno reconhecimento pelo Concílio Vaticano
II, quando os leigos obtiveram a sua maioridade na Igreja.
O primeiro bispo Dom Joaquim tratou mais da organização
da diocese e de conhecer as bases, isto é, as paróquias,
mas a partir do segundo bispo Dom Antônio dos Santos Cabral, teve
início a arregimentação dos leigos para o trabalho
com a fundação da Congregação Mariana, a
14 de junho de 1918, que conseguiu reunir um grupo de jovens, tendo
à frente Ulisses de Góis, que se destacou como grande
líder católico no governo de sete bispos ou arcebispos
de Natal. Dom Cabral, com a ajuda da Congregação Mariana,
fundou a Escola Técnica de Comércio. Posteriormente, Ulisses
criou a Faculdade de Ciências Econômicas e a Cooperativa
Central de Crédito do RN. Dom José Pereira Alves, sucessor
de Dom Cabral, deu todo o apoio à Congregação Mariana
e ao cooperativismo e, como homem de letras e grande orador, conseguiu
atrair para a Congregação jovens intelectuais, como Afonso
Bezerra, morto prematuramente, Nilo Pereira, que migrou para o Recife,
e Miguel Seabra Fagundes, que se destacou na área jurídica.
Na década de 30, já no governo de Dom Marcolino, surgiu
em Natal a Ação Católica, movimento de apostolado
leigo fundado por Pio XI e apoiado no Brasil pelo Cardeal Leme. O primeiro
Assistente Eclesiástico foi o Padre Luiz Gonzaga do Monte e um
dos seus mais ilustres expoentes foi Otto de Brito Guerra. Formado em
Direito, escritor, professor, sociólogo e professor de Doutrina
Social da Igreja, Otto se destacou como jornalista, tendo sido um dos
fundadores do jornal católico A ORDEM, onde escreveu numerosos
artigos. Ao lado de Ulisses de Góis, foi um dos mais competentes
assessores dos bispos em vários governos. No âmbito internacional,
foi escolhido pelo Papa Paulo VI para o cargo de Consultor da Pontifícia
Comissão das Comunicações Sociais, no Vaticano,
por dois mandatos de cinco anos. Os dois líderes católicos
foram agraciados com uma comenda da Santa Sé: Ulisses de Góis
na Ordem de São Sivestre e Otto Guerra na Ordem de São
Gregório Magno.
A partir dos anos 50, a Ação Católica passou por
uma reestruturação, com a instituição de
setores especializados, atingindo os jovens no seu próprio meio
social. Assim surgiram os movimentos que tiveram grande atuação
na capital e no interior: Juventude Agrária Católica (JAC),
Juventude Estudantil Católica (JEC), Juventude Independente Católica
(JIC), Juventude Operária Católica (JOC), e Juventude
Universitária Católica (JUC). A formação
recebida na Ação Católica deixou marcas profundas
na vida de muitos jovens que ainda hoje estão presentes na esfera
política, social e profissional de nossa terra: Ney Lopes de
Souza, João Faustino, Jardelino Lucena, José Cândido
e João Batista de Oliveira, Diácono permanente.
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