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“J”
de João Paulo II |
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Por
Mons. Francisco de Assis Pereira Postulador e Arquivista da Arquidiocese assispereira@supercabo.com.br |
| Um
dos acontecimentos mais significativos desta caminhada de 100 anos da
Diocese de Natal foi, sem dúvida, a visita do Santo Padre João
Paulo II á cidade do Natal nos dias 12 e 13 de outubro de 1991,
para o encerramento do XII Congresso Eucarístico Nacional. Na sua
segunda viagem apostólica ao Brasil, a primeira foi em 1980, Sua
Santidade escolheu a nossa cidade para o início de uma peregrinação
por sete cidades brasileiras. No aeroporto de Parnamirim, João
Paulo II repetiu aquele gesto característico de beijar o solo potiguar
à sua chegada. O Papa dirigiu-se imediatamente, de papamóvel,
à Praça do Congresso Eucarístico, que hoje se chama
Espaço João Paulo II em memória de sua visita, onde
foi recebido por uma grande multidão. Os principais eventos dessa
visita foram a Missa de Encerramento do Congresso, o encontro com o Episcopado
Brasileiro no Centro de Convenções e o encontro com os Padres
na Catedral. Foi nesta ocasião que tive a honra e saudar e abraçar
o Santo Padre (foto) em nome de todos os padres do Brasil. João Paulo II é esta figura ímpar de Papa, amado e venerado não só pelos católicos mas por gente de todas as raças, culturas e religiões, que ele encontrou nas suas viagens internacionais por 129 países e mais de mil localidades. Seu processo de beatificação já foi iniciado, mas, infelizmente, há pessoas que querem denegrir a sua imagem, como aconteceu recentemente nesta cidade do Natal. Um jornalista, comentando o clamoroso caso da eutanásia praticada na italiana Eluana Englaro, retirando-se gradualmente toda alimentação que a mantinha viva, fez a seguinte afirmação: “A mesma coisa também foi feita no Vaticano com o papa João Paulo II”. Como acompanhei toda a cobertura da mídia sobre a morte do Papa e jamais ouvira nenhum comentário sobre eutanásia, passei um e-mail ao jornalista, protestando contra a sua informação e pedindo-lhe que indicasse no jornal a fonte. Ele simplesmente respondeu por e-mail que ouvira no canal CNN dos Estados Unidos em espanhol.Esperava que ele publicasse o meu protesto e a sua resposta na coluna, mas nada foi feito, embora tenha dado espaço a outra pessoa que concordava com a sua opinião. Em respeito á memória de João Paulo II, apresento os seguintes elementos: a Igreja Católica seria tão cínica e incoerente a ponto de defender com vigor, como fez no caso Englaro, a sua posição contrária à eutanásia e, ao mesmo tempo, praticá-la, não numa pessoa qualquer, mas no próprio Papa, chefe supremo da Igreja? O Papa faleceu a 2 de abril de 2005. Três dias antes de sua morte, o jornal O Estado de São Paulo publicou o seguinte: “ O Papa João Paulo II recebeu uma sonda nasogástrica pelo nariz, para que seja alimentado com maior facilidade”(30.03.05). A agência Wikinotícias divulgou pela internet: “O Papa João Paulo II que passa por sérios problemas de saúde deu indicações de que seria contra o desligamento de aparelhos médicos auxiliares, caso fosse submetido a um deles futuramente, mesmo se entrasse em estado vegetativo. O papa emitiu sua opinião em várias ocasiões e afirmou que aparelhos, como aquele ao qual está submetido agora para alimentação, devem ser considerados tratamentos médicos normais e obrigação de qualquer cristão”(31.03.05).O pensamento de João Paulo II sobre a eutanásia foi expresso claramente no discurso à Pontifícia Academia para a Vida no dia 27.02.99: “È oportuno evocar o juízo de condenação da eutanásia entendida em sentido próprio como uma ação ou uma omissão que, por sua natureza e nas intenções, provoca a morte com o objetivo de eliminar o sofrimento, uma vez que constitui grave violação da Lei de Deus”. A Igreja está aberta ao diálogo com a sociedade, contanto, porém, que sejam apresentados, de um lado e do outro, argumentos válidos e fatos concretos. No caso em questão, não há nenhuma coisa nem outra: é pura especulação de um canal de televisão e de um jornalista. Gostaria de concluir com uma citação que não é de um católico, mas de uma monja budista que assim escreve sobre João Paulo II: “Por essa Paz viajou o mundo todo, reuniu pessoas de todas as etnias e todas as religiões, abraçou culturas diferentes, beijou o solo, visitou aquele que o tentou matar, pediu perdão por todas as omissões dos Papas anteriores, abriu de par em par as portas para o Ecumenismo, a interreligiosidade. Chorou a dor do mundo. Orou pela justiça e pela Paz. Deixa saudades, deixa um rastro de luz, de trabalho contínuo e conservador das tradições da Igreja”(Monja Coen). |