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de Fortaleza dos Reis Magos |
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Por
Mons. Francisco de Assis Pereira Postulador e Arquivista da Arquidiocese assispereira@supercabo.com.br |
| Resgatando
a memória dos primórdios de nossa evangelização
iniciada três séculos antes da criação da Diocese,
a Coluna de hoje dá, simbolicamente, um mergulho no passado e,
literalmente, um mergulho nas águas do mar para alcançar,
no meio das ondas, a Fortaleza dos Reis Magos, sentinela e guardiã
de nossa história. Que razões nos levaram a denominá-la
“monumento da fé”, se ela é conhecida tradicionalmente
como baluarte de defesa militar? A Fortaleza, iniciada a 6 de janeiro de 1598, pelo capitão-mor Mascarenhas Homem, recebeu o nome de Santos Reis, seguindo a tradição portuguesa de denominar os acidentes geográficos, cidades e obras com o nome do santo do dia. Os trabalhos de engenharia foram confiados ao jesuíta Padre Gaspar de Samperes, um dos missionários que acompanharam o capitão-mor. As formas arquitetônicas do Forte lembram uma estrela (a estrela dos Magos?), tendo ao centro uma capela em honra dos Santos Reis, que logo se tornou meta de peregrinação dos habitantes do Arraial à beira da praia. Foi a primeira devoção do povo do Rio Grande do Norte, antes mesmo do culto a Nossa Senhora da Apresentação, que só surgiria um ano e meio mais tarde, quando da fundação da nossa Cidade do Natal e da construção da primeira capela para a Santa. Segundo o escritor José Melquíades, “simbolicamente, a Fortaleza foi a primeira igreja no Rio Grande do Norte” e os Santos Reis “por justiça deveriam ser os padroeiros do Estado”. Em 1633, com a chegada dos holandeses e o início da dominação flamenga que duraria 21 anos, o Forte passou para as mãos dos invasores que, imediatamente retiraram o nome dos Santos Reis “supersticiosamente colocado pelos portugueses”, e o substituíram pelo nome de Castelo Ceulen, em homenagem a um dos seus chefes. Mesmo com a ocupação holandesa, registrou-se na Fortaleza um fato de grande relevância para a religião católica, que justifica plenamente o apelativo de “monumento da fé”. Trata-se da ligação da Fortaleza com os martírios de Cunhaú e Uruaçu. Na verdade, doze dos mais influentes dos moradores de Natal, entre os quais o vigário Padre Ambrósio Francisco Ferro, se refugiaram na Fortaleza antes de serem mandados, de barco para Uruaçu, onde foram martirizados. Em 1753, chegaram de Portugal, a mandado do Rei Dom José, as imagens dos Santos Reis que foram colocadas na Capela do Forte, aí permanecendo até 1901, quando o Padre João Maria, então vigário de Natal, as transportou para a Igreja do Bom Jesus. A peregrinação das imagens ainda continuou por duas capelas na Praia da Limpa até o seu Santuário atual, no Bairro dos Santos Reis, onde são venerados pelo povo natalense, desde 1936. |