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Diante
do surto de renovação pastoral que floresceu na Igreja
de Natal, a partir da década de 50, naquilo que se convencionou
chamar de Movimento de Natal, o longo período que o precedeu
nos 32 anos de governo de Dom Marcolino Dantas permanece na sombra e
é visto por alguns como uma fase de pouca criatividade pastoral.
Uma análise mais atenta da realidade nos leva a uma conclusão
bem diferente.
Se é verdade que, nos últimos anos, sua saúde debilitada
e o enfraquecimento ocular, com a perda quase total da visão,
contribuíram para a diminuição de seu ritmo de
trabalho, seu governo nos primeiros 25 anos mobilizou o clero, o laicato
e a sociedade em geral para um intenso trabalho de evangelização
que transformou a face da Igreja de Natal. Sem a limitação
do tempo que caracterizou os três primeiros governos diocesanos,
com duração de três a cinco anos, no máximo,
Dom Marcolino teve fôlego para empreender nos seus 32 anos de
governo pastoral um vasto programa em vários setores da administração
diocesana. Foram experiências duradouras no campo da pastoral
vocacional e do Seminário, no setor de saúde e nas obras
sociais, que marcaram profundamente a vida da Arquidiocese, cuja influência
ainda permanece.
A construção do Seminário de São Pedro,
que ele iniciou ainda no primeiro ano de seu governo, veio incrementar
novas e numerosas vocações, que resultaram na renovação
de um clero jovem, unido e dinâmico e, ao mesmo tempo, ligado
ao Bispo por laços de afeto filial. Dom Marcolino sabia conciliar
bem a autoridade de pastor, da qual era extremamente cioso, com a bondade
de seu coração de pai.
No campo da educação católica, sua atividade foi
intensa. Fundou 11 colégios católicos, confiando-os a
congregações religiosas masculinas e femininas. Não
menor foi a sua preocupação com a assistência social
aos pobres da cidade, centralizando o trabalho social e caritativo no
Dispensário Sinfrônio Barreto, que ele construiu no centro
da cidade, e enviando comunidades religiosas para cinco hospitais públicos
ou particulares de Natal e para obras sociais de assistência aos
órfãos e aos idosos.
Naárea da comunicação criou, em 1935, o jornal
diário A Ordem, na época em que em Natal só havia
mais um jornal diário.
Homem de letras, grande orador, poeta e musicista, Dom Marcolino estava
presente no mundo da cultura. Um de seus mais belos sonetos, “O
sofrimento”, foi publicado em antologias nacionais. Numa bela
e sugestiva imagem, ele compara o sofrimento a uma lima que serve para
burilar metais e pedras preciosas: Lima de Deus, a facetar a vida /
desde o romper do seu primeiro instante,/ nessa limagem, nunca interrompida
/ mui pouca vida chega a ser “brilhante”.
Dom Marcolino pela sua vida, pela sua dedicação e amor,
pelo seu sofrimento, se tornou, realmente, o “brilhante”
da Igreja de Natal! |