“A” de Ação Católica
Por Mons. Francisco de Assis Pereira
Postulador e Arquivista da Arquidiocese
assispereira@supercabo.com.br

Dois grandes projetos de renovação da Igreja foram lançados pelo Papa Pio XI (1922 - 1939): o projeto missionário e o projeto da Ação Católica. Depois do sucesso da implantação da Ação Católica na Itália, Pio XI resolveu estendê-la para toda a Igreja. Aqui no Brasil, o Episcopado Nacional promulgou os Estatutos da Ação Católica Brasileira no dia 09 de junho de 1935, festa de Pentecostes. O grande incentivador da Ação Católica no Brasil foi o Cardeal Leme, então Arcebispo do Rio de Janeiro. Alguns bispos acolheram a nova ideia com entusiasmo, outros, não tanto.

Aqui em Natal, o jornal A Ordem de 27 de outubro de 1935, dedicando três páginas sobre a Ação Católica e transcrevendo por inteiro os Estatutos, refletiu o entusiasmo de Dom Marcolino, dos padres e dos leigos sobre o novo movimento. O artigo 1º dos Estatutos dizia bem da finalidade e da natureza da Ação Católica: “A Ação Católica Brasileira é a participação organizada do laicato católico do Brasil no apostolado hierárquico para difusão e atuação dos princípios católicos na vida individual, familiar e social”. Era uma ideia completamente nova para a Igreja do tempo, profundamente clerical, em que os leigos não tinham voz ativa e tudo era controlado pela hierarquia. O jornal A Ordem dizia: “A Ação Católica, hoje oficialmente organizada no Brasil, não é qualquer coisa de secundário ou de meramente oportunista na vida da Igreja. É a incorporação definitiva dos leigos no sacerdócio católico”.
Os Estatutos apresentavam o quadro completo da estrutura da Ação Católica dividida em vários setores. Em Natal, a implantação foi gradativa: o primeiro setor constituído foi a Juventude Feminina Católica, aprovado por decreto de Dom Marcolino, a 16 de julho de 1936, tendo sido nomeado Assistente Eclesiástico o Pe. Luiz Gonzaga do Monte. A Juventude Feminina foi instalada oficialmente no dia 7 de setembro do mesmo ano, com 18 moças. O método da Ação Católica é baseado no trinômio “Ver, Julgar e Agir”, aplicado ao meio social em que a pessoa está inserida, e preparado através de “círculos de estudo”. Pe. Monte acompanhava de perto e estimulava a ação social dos participantes.

Só quando a Juventude Feminina já estava bem estruturada é que se pensou na fundação do núcleo das senhoras, denominado Liga Feminina de Ação Católica (LFAC). O núcleo foi fundado a 6 de fevereiro de 1939, quando foi constituída a sua primeira Diretoria: presidente Ana Gadelha Coutinho de Oliveira e secretária Maria Guerra. O Assistente Eclesiástico era o mesmo da JFC, Padre Luiz Monte. O setor masculino da Ação Católica começou a ser preparado e planejado numa reunião realizada no dia 4 de agosto de 1943 com a presença de Dom Marcolino e vários sacerdotes. Neste momento foi escolhido o Assistente Eclesiástico, o salesiano Padre José Pereira Neto. A instalação solene do setor Homens da Ação Católica (HAC) realizou-se no dia da festa de Cristo Rei, 31 de outubro de 1943. O presidente era Otto Guerra e o secretário Antônio Carolino. 18 senhores prestaram o juramento nas fileiras da Ação Católica.
O ultimo setor a ser criado foi a Juventude Masculina Católica que ocorreu durante o ano de 1945, sendo Assistente Eclesiástico o Padre Eugênio de Araújo Sales. Os setores da Ação Católica Especializada (JAC, JEC, JIC. JOC e JUC) só surgiram na década de cinquenta.