Arquidiocese de Natal
Regional Nordeste 2 - CNBB

Criação

A Diocese de Natal foi criada a 29 de dezembro de 1909, pela Bula “Apostolicam in Singulis” do Papa Pio X, desmembrada da então Diocese da Paraíba.
Foi sufragânea, sucessivamente, das Arquidioceses de São Salvador da Bahia (até 1910), de Olinda (até 1914) e da Paraíba (até 1952).
A 16/02/1952, pela Bula “Arduum Onus” do Papa Pio XII, foi elevada à Arquidiocese e Sede Metropolitana, com duas Dioceses sufragâneas: Mossoró e Caicó.

Bispos e Arcebispos
(Clique aqui e veja foto e biografia de cada Arcebispo ou Bispo)

1º Bispo: D. Joaquim Antônio de Almeida (1910-1915)
2º Bispo: D. Antônio dos Santos Cabral (1917-1921)
3º Bispo: D. José Pereira Alves (1922-1928)
4º Bispo e 1º Arcebispo: D. Marcolino Esmeraldo de Souza Dantas (1929-1967)
Administrador Apostólico: D. Eugênio de Araújo Sales (1962-1965)
Administrador Apostólico: D. Nivaldo Monte (1965-1967)
2º Arcebispo: D. Nivaldo Monte (1967-1988)
3º Arcebispo: D. Alair Vilar Fernandes de Melo (1988-1993)
4º Arcebispo: D. Heitor de Araújo Sales (1993-2003 )
5º Arcebispo: D. Matias Patrício de Macêdo (2004- )


Bispos Auxiliares:
D. Eugênio de Araújo Sales (1954-1961)
D. Antônio Soares Costa (1971-1993)

Pioneirismo

A Igreja Católica do Rio Grande do Norte tem despontado como pioneira em ações sociais. Muitas delas surgiram nas décadas de 1950 a 1960, na época do Movimento de Natal, e se expandiram em nível nacional e até internacional.

Movimento de Natal – Início da década de 1940, época da 2ª Guerra Mundial. Natal era uma cidade com 60 mil habitantes. No final de 1941, 20 mil soldados americanos desembarcaram nas praias de Parnamirim. Isso significava um aumento bastante expressivo da população, e que traria suas conseqüências no campo social, econômico, cultural. Procópio Camargo, autor do Livro O Movimento de Natal, usa o termo desorganização social para explicar o que viria acontecer: “a instalação das bases militares, a chegada de técnicos e tropas americanas propiciaria o desequilíbrio da organização social da área, ocasionando elevação do custo de vida, proliferação das casas de tolerância, crise habitacional, mudança de comportamento com a introdução de novos costumes que abalam a estrutura tradicional. A grande procura de mão-de-obra para a construção e instalação do campo de Parnamirim e da Base Naval termina por ocasionar uma imigração rural em larga escala”.
Diante da situação, os jovens sacerdotes Eugênio Sales e Nivaldo Monte começam a pensar um jeito de “reorganizar” a sociedade em Natal. O conjunto de ações sociais realizadas pela Arquidiocese, na época recebeu o nome de Movimento de Natal. Criação do Patronato de Ponta Negra, idealização de reuniões e de cursos de formação permanente do clero, frentes de trabalho, incentivo à organização de Sindicatos de Trabalhadores Rurais, criação da Campanha da Fraternidade, formação de lideranças, missões rurais, escolas radiofônicas, cooperativismo, educação de base mobilizavam pessoas e grupos, em busca de transformações sociais e da promoção humana.

O idealizador - Em 21 de novembro de 1943, é ordenado sacerdote o Pe. Eugênio de Araújo Sales, hoje, Arcebispo Emérito do Rio de Janeiro. Dom Eugênio releva que, em sua adolescência, não queria ser padre, mas agrônomo, uma vez que se identificava com questões ligadas ao meio rural. “Nas minhas férias do seminário, eu aproveitava para ler coisas relacionadas à agricultura”, relembra. Um dia após sua ordenação, o então Arcebispo de Natal, Dom Marcolino Dantas, nomeia-o pároco de Nova Cruz, onde só ficou 7 meses. Em seguida, foi nomeado diretor espiritual do Seminário São Pedro. De 1954 a 1961, foi Bispo Auxiliar e, de 1965 a 1967, Administrador Apostólico da Arquidiocese de Natal. Neste período, participou da elaboração de três documentos do Concílio Vaticano II. “Trabalhei na elaboração do Inter Mirifica, que trata das comunicações sociais; em outro momento participei da elaboração do Gaudium et Spes, que se destina ao Apostolado dos Leigos. Eu fui v árias vezes a Roma e nunca faltei uma sessão. Trabalhava, inclusive, com o atual Papa João Paulo II”, diz o Cardeal, com satisfação.
Dom Eugênio foi, também, Arcebispo de Salvador-BA e, logo após, Arcebispo da Arquidiocese do Rio de Janeiro, onde permaneceu por 30 anos.
Há alguns todos, os domingos, o Cardeal Dom Eugênio Sales escreve um artigo, que é publicado em alguns meios de comunicação. Os artigos podem ser encontrados no site da Arquidiocese do Rio de Janeiro: www.arquidiocese.org.br .
Primeiros passos - Era final da década de 1940. Um dia, reuniram-se, ocasionalmente, na casa do então Pe. Nivaldo Monte, em Natal, o Pe. João Correia de Aquino, o Pe. Expedito Sobral de Medeiros e o Pe. Eugênio Sales. “A conversa estava boa e um de nós disse: “como seria bom se pudéssemos nos reunir de vez em quando. O Pe. Eugênio disse que havia uma casa em Ponta Negra e que poderíamos usa-la para essas reuniões”, relembra o Mons. Aquino. A partir daí, outros padres foram se unindo ao grupo e começaram a se reunir, mensalmente. Naquela época, Ponta Negra era isolada de Natal. “Como não havia estrada, íamos em cima de caminhão, todos de batina”, conta o Mons. Aquino.
As primeiras reuniões eram mais um momento de lazer dos sacerdotes. Depois, diante da situação que Natal vivia, como conseqüência da 2ª Guerra, os padres começaram a discutir os problemas sociais. “Chegou um momento em que todos os padres do interior vinham para essa reunião”, recorda Dom Eugênio.
Assim, nasciam, na Arquidiocese de Natal, as reuniões do clero, hoje, realizadas em todas as dioceses do Brasil. Em alguns lugares, as reuniões acontecem periodicamente; noutras, esporadicamente. Em Natal, atualmente, é realizada nas terceiras quintas-feiras de cada mês, no Centro de Treinamento de Ponta Negra, em Natal.
Foi a partir das reuniões que surgiu a idéia de promover cursos de formação permanente para o clero e para os bispos. Ainda hoje, todos os anos, no mês de fevereiro, a Arquidiocese de Natal promove uma Semana de formação para o clero, abordando temas atuais.
O primeiro curso para o episcopado foi realizado em Natal, com a participação de 126 bispos. Hoje, este curso é promovido pela Arquidiocese do Rio de Janeiro, geralmente, no início do ano, com adesão da maioria dos bispos do Brasil.
Os encontros permanentes de sacerdotes são apenas o início de várias ações desenvolvidas dentro do Movimento de Natal e que têm continuidade, ainda hoje, no Rio Grande do Norte e no Brasil.

Campanha da Fraternidade – Idealizada pelo então Administrador Apostólico da Arquidiocese de Natal, Dom Eugênio de Araújo Sales, a primeira Campanha da Fraternidade foi realizada, em Natal, no ano de 1962. Naquela época, o principal objetivo da Campanha era realizar uma coleta de recursos. “Será feita, no dia 8 de abril, primeiro domingo da Paixão, uma coleta em favor das obras sociais e apostólicas desta Arquidiocese”, afirmava Dom Eugênio Sales, em 1962, durante entrevista às Rádios Rural e Poty. “Não vai lhe ser pedida uma esmola, mas uma coisa que lhe custe. Não se aceitará uma contribuição como favor, mas se espera uma característica do cumprimento do dever. Um elementar dever de cristão...”, enfatizava Dom Eugênio. “Aqui está lançada a campanha em favor da grande coleta do 8 de abril, primeiro domingo da Paixão”, concluía ele, e, dessa forma, estava lançada a primeira Campanha da Fraternidade, realizada na Arquidiocese de Natal.
Logo no ano seguinte, em 1963, a Campanha da Fraternidade se estendia a mais 19 dioceses nordestinas. No dia 26 de dezembro do mesmo ano foi feito o lançamento do Projeto da Campanha da Fraternidade, para todo o Brasil, e a primeira CF, em nível nacional, foi realizada na Quaresma de 1964.

O trabalho com o homem do campo - Até a primeira metade do século XX, Natal possuía uma população inferior a 60 mil habitantes. Cerca de 70% das pessoas viviam nas localidades rurais, em todo o Estado.
Inserida numa cultura predominantemente rural, a Igreja passou a dirigir os seus esforços sociais em função dos problemas mais comuns que se apresentavam no contexto. Analfabetismo, exploração dos trabalhadores por parte dos grandes proprietários de terras, as secas, a desinformação relacionada à higiene e à saúde eram alguns dos problemas mais graves constatados.
O clero da Arquidiocese de Natal se antecipa ao Concílio Vaticano II, realizado no início dos 60, e decide fazer alguma coisa para mudar o quadro. O Cardeal Dom Eugênio Sales conta que chegou a ir ao Rio de Janeiro, então Capital Federal, falar com o Presidente Juscelino Kubischeck, no momento em que o Rio Grande do Norte sofria uma grande seca, nos anos 50. “Fui com plenos poderes do Tribunal de Justiça e da Assembléia Legislativa, a pedido do Governador Dinarte Mariz. No Rio, falei com Dom Hélder Câmara e ele falou com Juscelino. O Presidente reuniu vários ministros para para discutir o assunto, com a presença da Igreja”, lembra o Cardeal. Surgiam, desta forma, as primeiras frentes de trabalho com o objetivo de amenizar as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores rurais, nos períodos da seca.
Depois de ter chegado de várias visitas ao interior do Estado e constatar a grave situação em que se encontrava a maioria das pessoas, Dom Eugênio conta que alertou o governador Dinarte Mariz sobre a realidade com que havia se deparado na viagem. “Ele achou que eu deveria ir ao Rio de Janeiro. Isto foi antes do dia 19 de março de 1958”, relembra.
O Cardeal lembra que quando a seca estourou, ele interrompeu a construção da nova Catedral. “Não havia condições de construí-la. Os prefeitos vinham falar comigo e eu ia falar com o Governador. A situação era grave”, afirma. Dom Eugênio comenta que pediu aos padres para abrir frentes de trabalho para os mais pobres. Mesmo sem dinheiro suficiente, começou a comprar alimentos para enviar ao interior. “Comecei a comprar fiado numa grande mercearia que ficava na Rua Ulisses Caldas com a Rio Branco. Os padres toparam e a Igreja fez muita coisa para amenizar o sofrimentos dos pobres, naquela seca”, emenda o Cardeal.

A Sudene – As preocupações da Igreja com a situação social vivida pelos nordestinos, sobretudo na época das secas, mobilizavam governos e comunidades, na busca de soluções. Dom Eugênio afirma que o primeiro encontro dos bispos, para debater sobre as ações sociais da Igreja diante da seca e da pobreza da região, aconteceu em Campina Grande/PB. “A segunda aconteceu aqui em Natal e reuniu 25 bispos. O Presidente veio com o seu ministério. Os bispos representavam o povo, nas suas angústias”, explica. Segundo ele, a CODENE, que mais tarde se transformaria em SUDENE, nasceu da inteligência do Presidente JK e das iniciativas dos bispos do Nordeste. “Nós lutamos muito pra corrigir os desvios da Sudene”, arremata.

Sindicatos de Trabalhadores Rurais - A desinformação e a desorganização dos trabalhadores rurais aumentavam, ainda mais, a miséria das pessoas. Amedrontados porque os donos das terras ameaçavam expulsa-los das propriedades, os moradores se submetiam a votar nos candidatos indicados pelos seus patrões, pagavam a metade do que colhiam ao dono da terra, não tinham direito a financiamento e nem aposentadoria.
Diante desta realidade e apoiada na sua Doutrina Social, a Igreja incentivou a apoiou os trabalhadores rurais na formação dos seus primeiros sindicatos. “Os Sindicatos de Trabalhadores Rurais do Rio Grande do Norte nasceram dentro da Igreja. Quando começavam a caminhar sozinhos, saíam. A Igreja preparava as lideranças para assumir os primeiros sindicatos”, revela o Cardeal Dom Eugênio Sales.

Protomártires

Uma das maiores conquistas da Arquidiocese foi a beatificação dos Mártires de cunhaú e Uruaçu, reconhecidos pelo Papa João Paulo II como os Protomártires do Brasil. No ano de 1645, quando a colonização do Rio G. do Norte ainda estava recente, os padres André de Soveral e Ambrósio Francisco Ferro, mais o leigo católico Mateus Moreira e 28 companheiros, foram assassinados por calvinistas holandeses. Durante o martírio, eles afirmaram a fé na Eucaristia. Mateus Moreira, no momenrto em que lhe arrancavam o coração pelas costas, exclamava: “Louvado seja o Santíssimo Sacramento”.
No dia 5 de março de 2000, após vários anos de trabalho do Postulador da Causa dos Mártires, Mons. Francisco de Assis Pereira, o Vaticano elevou os mártires potiguares aos altares. A beatificação aconteceu no Vaticano, com a presença de vários cristãos da Arquidiocese.

Hoje

No decorrer de sua história, a Arquidiocese de Natal muito contribuiu para o desenvolvimento do Estado do Rio Grande do Norte. O seu trabalho de evangelização buscou, historicamente, equilibrar fé e vida, pregação e vivência, espiritualidade e promoção humana.
Os tempos mudaram. A realidade do começo do século XXI é outra. Diante do novo contexto histórico, a Arquidiocese de Natal tem buscado atualizar as ações sociais, conforme a Doutrina Social da Igreja, através da alfabetização de jovens e adultos; do apoio projetos comunitários de abastecimento d’água, nas regiões secas; do apoio à produção familiar, em outras várias comunidades; do trabalho junto a milhares de famílias, educando-as para salvar crianças da desnutrição e da morte pré-matura, e de tantas outras ações.
No campo espiritual, o enfoque é para as missões populares. Desde 2003, a Arquidiocese de Natal vive o Projeto das Santas Missões Populares.
A Arquidiocese também se destaca no zelo pelas vocações sacerdotais e religiosas e pela formação dos leigos para a animação de comunidades e atuação em âmbitos específicos deste ministério. A Escola Diaconal é um dos mais novo empreendimento no campo das vocações. Em 2008, a Arquidiocese conta com 29 diáconos permanentes. O diaconato permanente chegou, em Natal, por iniciativa do então Arcebispo, Dom Heitor de Araújo Sales. Os dois primeiros diáconos da Arquidiocese (Diác. Francisco Adilson da Silva e Diác. Francisco das Chagas Teixeira de Araújo), foram ordenados em 1997.

Centenário

De 2007 a 2009, a Arquidiocese vive o triênio em preparação para a comemorações dos cem anos de criação da Diocese de Natal. Os cem anos serão comemorados dia 29 de dezembro de 2009.
Para mais detalhes do centenário, clique aqui.

Dados estatísticos

Atualmente*, a Arquidiocese de Natal conta com 70 paróquias, 10 áreas pastorais, 125 padres diocesanos, 28 padres religiosos, 39 diáconos permanentes, 7 diáconos provisórios, 9 irmãos religiosos e 256 irmãs religiosas.
O território geográfico da Arquidiocese ocupa uma área de 25.059 Km², com uma população total de 2.051.376 habitantes, dos quais 1.743.670 se declaram católicos, de acordo com o IBGE.

*dados de abril de 2008